Na Prática a Teoria é Outra Rotating Header Image

Magnoli na Folha

Constrangedor o artigo do Magnoli hoje na Folha. Por cortesia profissional, minha tendência seria deixar passar, considerar só como um episódio folclórico, como a gravação da Lúcia Hippólito. Todo mundo tem seu dia de escrever besteira, ou de tomar umas biritas. Mas, já que me meti nessa com o post anterior, e por causa da gravidade do fato do texto ter sido publicado como foi pela Folha, e como, enfim, não tenho lá esse caráter todo, vou comentar.

Vejam bem, aqui no blog o texto é cheio de palavrão, esculhambação dos outros, etc. Mas é meu blog, e é um blog: vocês que lêem provavelmente esperam um tom informal. Quem não aguenta esse tipo de coisa, não lê. A Folha, assim como os grandes jornais de grande circulação, tem um público que provavelmente espera um tom formal. Se me chamarem para escrever em um jornal, não vou escrever como escrevo aqui, da mesma forma que não escrevo assim em artigo acadêmico, que é um negócio ainda mais formal.

Pois bem: eu nunca tinha visto um texto em jornalão como o do Magnoli. Aquilo é um post de blog de movimento estudantil. O título do artigo chama os jornalistas da Folha de delinquentes. Ao longo do artigo, são chamados de, pela ordem, falsificadores, autores de um “panfleto disfarçado de reportagem”, inescrupulosos, jornalistas que abominam os fatos, manipuladores e mentirosos a serviço do poder (o “black power”, talvez).

Contrastem a decisão da Folha publicar este negócio deixando passar isso tudo com sua reação às cartas dos intelectuais que reclamaram da “ditabranda”.

Mas vamos ao artigo. Depois da introdução “Maldita PIG petista!”, lemos o seguinte:

O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram “africanos” por “negros”, convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.

Bom, Magnoli, vamos lá. O Demóstenes (e você) estão dizendo o seguinte: não se pode dizer que a escravidão foi feita pelo branco contra o negro, porque os negros africanos escravizavam outros negros africanos. Logo, não se pode dizer que os brancos brasileiros devam algo aos negros brasileiros. Logo, um dos argumentos a favor das cotas, o da reparação histórica,é falso.

Se os africanos que vendiam os outros africanos não fossem negros, que força teria esse argumento? Nenhum. Digamos que traficantes árabes fossem os principais vendedores de negros para os portugueses. Se você dissesse isso em um debate sobre cotas, todo mundo criticaria a falta de um “off-topic:” antes do seu depoimento. Isso só parece relevante porque, se negros tiverem sido co-responsáveis pela escravidão, bem, já dá para começar a argumentar que não foi um caso de brancos contra negros (mas daí também não sai nada, como veremos abaixo).

E, segundo o sujeito que o DEM escalou para ir lá, negros foram co-responsáveis pela escravidão. E é exatamente esse o título da matéria da Folha. Logo, os jornalistas simplesmente reproduziram o que ouviram, com um pouco mais de articulação lógica do que o seu artigo de hoje. Parabéns à Folha, que já cansei de criticar aqui.

E eu espero que o Magnoli esteja sendo desonesto quando diz:

Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.

Porque se ele não estiver sendo desonesto, ele é devagarzinho. Demóstenes está tentando interpretar uma parte dos fatos históricos (mais sobre isso em um momento) para defender um argumento cuja melhor expressão possível em português é o título da matéria da Folha. Nada errado aqui, Magnoli.

E daí em diante não tem nem graça criticar o Magnoli, porque é aqui que ele, na ilusão de ter dado uma tremenda lição nos dois jornalistas (o que, como já vimos, é absolutamente falso), fica animado, resolve dar o moonwalk da vitória (copyright: Japajato), e vai reclamar do Luis Felipe Alencastro, professor de história do Brasil na Universidade de Paris, doutor pela mesma universidade com uma tese sobre tráfico negreiro. Vamos só olhar os jogadores em campo e ver a diferença entre o craque e o amigo do dono da bola.

O Magnoli acusa o LFA, fundamentalmente, de desonestidade, por dizer que os africanos não organizaram o tráfico, apesar de saber que eles fizeram isso. Diz o Magnoli:

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres (“África não organizou tráfico, diz historiador”), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que “toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais”.

 Aí você vai lá ler o Alencastro, e, enquanto sente o choque com a diferença de nível nas duas argumentações, lê:

“Havia, sim, tráfico de escravos na África. Mas a escravidão atlântica teve uma intensidade tal, uma integração tamanha com o capitalismo moderno, que acabou exacerbando os mecanismos de exploração interna no continente africano.”
O historiador diz que há registros de 37 mil viagens de navios negreiros para as Américas. “Nenhuma delas em navios de propriedade de negros. Toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais.”
Segundo Alencastro, o Brasil teve uma posição “excepcional” no tráfico negreiro atlântico. “Os colonos do Brasil foram os únicos que fizeram expedição negreira na África. Os americanos não tinham essa logística, os cubanos também não. Mas os brasileiros invadiram Angola em 1648 para relançar o tráfico negreiro.”

Ou seja: o tráfico transatlântico, que é o que abasteceu o Brasil, era organizado por europeus (e “brasileiros”, o que é meio que um anacronismo). É um caso clássico de produção artesanal local que ganha escala quando se integra no mercado mundial.

Mas minha parte favorita é a invasão de Angola. É verdade, os reinos africanos abasteciam o tráfico. Mas, se eles não o fizessem, os europeus só não tomariam essa tarefa para si se fosse caro demais. Ninguém teria o menor escrúpulo de fazê-lo. Quando o Demóstenes diz algo como “Imaginem, os brasileiros indo lá na África sequestrar os negros”, está sugerindo que uns caras que sem problema nenhum em prender essas pessoas no tronco, estuprá-las nas horas de lazer, e botá-los para trabalhar até morrer, teriam problemas em sequestrá-los. Não parece razoável.

O Demóstenes não disse o que estava “no registro histórico”, onde tem muito mais coisa escrita. Entendo perfeitamente que o Demóstenes não saiba disso, eu também não sei (mas não fui no STF discutir com especialistas), e é claro que o LFA sabe. Mas, se o Magnoli sabe, ele foi intelectualmente desonesto.

No Domingo, o LFA voltou à carga, com um dado especialmente revoltante. Boa parte dos escravos brasileiros foi escravizada contra a própria lei brasileira da época (uma vez que o tráfico era ilegal). Mas, vejam que  espetáculo, os sequestradores dessas pessoas (era como eram definidos pela lei brasileira – fala Demóstenes!) foram, hehehe, anistiados. Que bonito.

Agora, gastar o LFA para refutar o Magnoli é completamente desnecessário, é bem mais fácil a coisa.

Magnoli, digamos que cada um dos escravos brasileiros tivesse sido entregue nas senzalas brasileiras pelo Daomé Delivery embrulhado na bandeira do Congresso Nacional Africano. Em seus mais alucinados delirios de grandeza, esse argumento não consegue ser uma pálida caricatura de algo que tenha a mais remota importância para o debate sobre as cotas. Porque, como disse aí embaixo, é razoável supor que a imensa maioria dos negros brasileiros descende dos que foram escravizados, não dos que foram escravizadores (embora deva haver alguns desses, também). Uma vez no Brasil, eles não eram apenas mantidos escravos; só eles podiam ser escravos. Havia uma cota de 100% para negros nas senzalas.

Isto é, durante a maior parte de nossa história, uma parcela importante de nossa população foi designada, enquanto raça, para a senzala. É claro que raça é uma construção cultural. Mas sintam-se livres para esmurrar os dentes de quem disser “só” uma construção cultural. Sociologia 101, primeira aula, Durkheim: o fato social é uma coisa, como se descobre quando se tenta ir contra ele. A construção cultural continua aí, produzindo efeitos. Se as cotas não forem a melhor solução – e deixo o debate para quem tiver estudado isso – alguma outra coisa tem que ser criada.

Taí, o tema “ação afirmativa” valeria a pena como tema de leitura. Mas duvido que eu tenha tempo. Enfim, se alguém tiver, eu leio.

PS: continuo com o problema dos parágrafos que de vez em quando aparecem repetidos. Mal aí.

PSTU: credit where credit is due. Belo artigo da Miriam Leitão sobre o Demóstenes. Reproduzo: baseado no argumento do Demóstenes, “ (…) se há no Brasil casos de trabalho escravo e degradante, isso permite aos outros povos que façam o mesmo conosco. Qual o crime? Se brasileiros levam outros brasileiros para áreas distantes e, com armas e falsas dívidas, os fazem trabalhar sem direitos, qualquer povo pode escravizar os brasileiros. (…) O senador Demóstenes é um famoso sem noção e com ele não vale a pena gastar munição e argumentos. Que ele fique com sua pobreza de espírito.”

PSTUdoB: só para reafirmar o que disse nos comentários ao post abaixo, sou fanaticamente defensor das cotas sociais. Se tem que ter também cotas raciais é que eu não sei.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

E você, Demóstenes, com que raça você quer acabar?

(o Demóstenes começa ali logo depois de 30 minutos; o racismo começa lá pelo minut 50)

Não, o comentário do Bornhausen sobre “acabar com essa raça” não era racista (ele queria acabar com o PT, e, afinal, foi a raça dele que meio que sumiu). Indignado, pois,  por seu partido ter dito algo que não era racista, Demóstenes Torres  resolveu botar ordem na casa e deixou claro quem é que é fascista de verdade nessa budega.

Em um depoimento no STF, Demóstenes disse que esse negócio dos negros serem vítimas da escravidão é papo furado. Os negros faziam tráfico de escravos na África. Além disso, essa história de que as escravas eram estupradas não é bem assim, não. O Gilberto Freyre já disse que era tudo meio consentido.

Antes de continuar, pensem no que teria acontecido se isso tivesse sido dito nos EUA. O líder dos republicanos no Congresso vai na Suprema Corte e diz:

Olha, eu não sei quanto à vó do Obama lá na África, mas as pretas que mandaram pra cá queriam era dar pra gente. Elas liked it rough.

A reação pública a isso faria a Guerra Civil parecer uma briga entre as torcidas organizadas do Boavista e do Duque de Caxias. Mas aqui só rendeu uma corajosa matéria na Folha e a coluna redentora do Gaspari de hoje, além, é claro, das citações nos blogs de esquerda de sempre (como este).

A matéria do Gaspari traz as citações necessárias para livrar a barra do coitado do Gilberto Freyre, que falou umas besteiras, mas nada desse naipe. E era brilhante, único autor brasileiro que eu vi na reserva de livros da biblioteca do Nuffield College.Tá lá no Gaspari:

Gilberto Freyre escreveu o seguinte:
“Não há escravidão sem depravação sexual. É da essência mesma do regime”.
“O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com a sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô-moço. Desejo, não: ordem.”
“Não eram as negras que iam esfregar-se pelas pernas dos adolescentes louros: estes é que no sul dos Estados Unidos, como nos engenhos de cana do Brasil, os filhos dos senhores, criavam-se desde pequenos para garanhões. (…) Imagine-se um país com os meninos armados de faca de ponta! Pois foi assim o Brasil do tempo da escravidão.”

Ao que eu acrescentaria que sempre me choca a leveza com que  filhodaputa aplica nossa moral cotidiana a vítimas de situações extremas. O sujeito vê que uma judia no campo de concentração aceitou dar para o SS para não ir para o gás, e, ao invés de pensar, caralho, vejam em que situação colocaram a coitada, ele pensa, “ah, então devia mesmo ser uma boa bisca”.

Para uma escrava no Brasil, ter um filho do senhor poderia significar, por exemplo, a chance de criar seu próprio filho: não era impossível que o senhor, que podia vender os filhos dos escravos quando quisesse,  aliviasse um pouco a barra dela em troca de sexo.  Criar o próprio filho é uma experiência que todos damos de barato como natural à vida humana, mas que foi negada (ao menos como algo com o que se poderia contar) a gerações e gerações de mulheres no Brasil da senzala. Aí uma dona descobre um meio de não se separar de seu bebê, e o que diz o Demóstenes? Queria era dar, né não, vagabunda?

Bom, alguém ficou chocado com o fato da elite brasileira mais reacionária ser racista? Bom, eu não. O que me choca é que esse jumento tenha sido o melhor que o PFL arrumou para mandar ao SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL criticar a ação afirmativa. Aí o cara se tocou que era melhor citar algum livro, lembrou que alguém disse pra ele que o Gilberto Freyre dizia que a escravidão era o maior barato, e ele mandou ver.

É perfeitamente possível ser contra as cotas por bons motivos (eu permaneço mais ou menos agnóstico). No próprio discurso do Demóstenes, muito confuso, tem um ou outro ponto razoável. Agora, não é fácil ganhar o debate se não se tem uma alternativa para combater a exclusão racial no Brasil, e praticamente impossível se o seu campeão for o PFLóstenes.

A campanha eleitoral começou, como se pode ver pelas capas das revistas semanais das últimas semanas. Sempre que vocês verem a mídia conservadora se comportando como partido, lembrem-se que isso se deve, em boa parte, ao fato de que não há um partido de direita minimamente higiênico ao qual delegar essa função.

PS: mais sobre o assunto no Sakamoto.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

Mudança

Depois de 3 anos e meio, saio de Sampa e vou morar no Rio. Eu adoro o Rio, que é minha casa, e deve ser assunto de muito post daqui em diante. Mas o que eu quero mesmo fazer aqui é deixar um abraço pra São Paulo.

Não tem como eu não gostar de São Paulo. É uma das duas cidades onde eu já arrumei emprego, e a outra é Votuporanga (pela qual também tenho simpatia, mas, enfim). Outro dia um cara me perguntou no Formspring o seguinte:

existem alternativas ao projeto de país paulista (tucano-petista)?

Eu respondi o seguinte:

Rapaz, se projeto  paulista para o país for algo como milhares de USPs e UNICAMPs, MASPs e Livrarias Cultura,  Avenidas Paulistas e Metrôs de qualidade, Bilhetes Únicos e CEUs, pizzarias do Bexiga e cervejarias da Vila Madalena,  eu responderia como respondeu o Ghandi quando perguntaram para ele o que ele achava dos valores humanistas ocidentais: até que seria uma boa idéia.

E em São Paulo e cercanias deixo uma proporção altíssima dos melhores amigos que tive na vida. Valeu aí, galera, e desculpa qualquer coisa. Esse blog foi criado para os meus amigos espalhados pelo mundo (no caso do Amiano, cada dia em uma parte diferente do mundo) saberem onde me encontrar. Apareçam, se o Valter não aparecer, o café é por minha conta (private joke).

Aos cariocas bairristas, lembro que no Rio temos um nome para quem despreza a vocação aberta e cosmopolita da cidade e decide ser caipira e defensivo: otário.

Fica meu especial agradecimento à tia da Lasanha, um bem guardado segredo de São Paulo: ali na Paulista, naquela galeria na esquina com a Padre João Manuel, no segundo andar, tem uma lasanha espetacular servida por uma senhora e sua mãe de 90 anos.

E fica a frustração, que ainda resolverei, de não ter assistido um jogo na Rua Javari.

PS: vai demorar um pouco até a internet estar instaladinha, computador arrumadinho, etc. Já percebi que uns trolls andaram por aqui. Não assustem eles antes de eu voltar.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

Aleluia!

Vocês não vão acreditar, mas consegui, finalmente, convalidar meu diploma de doutorado. Só foi possível porque consegui acionar vários contatos importantes (ver imagem acima). Para quem não conhece a NPTOdisséia, aqui. Saiu até reportagem no jornal (com minha foto, que não apareceu online) aqui.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

Formspring

Formspring atualizado, podem checar.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

Mudança

Galera, vou mudar de cidade (mais sobre isso em post de depois de amanhã), por isso estou meio atolado aqui empacotando coisas. Não para nada por aqui, mas deve ficar uns dias meio devagar, porque os três posts no forno darão um certo trabalho de fazer.

Querem ver que justo nesses dias vai acontecer alguma coisa importante e absolutamente blogável pra cacete?

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

Reafirmando

Esse post é só pra dizer que vocês têm que ler o post anterior.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

The Onion dá a real

Constituição, founding fathers, beleza, mas o que me dá fé nos EUA é o The Onion. Sigam esse link pelo amor de Deus. Não dá pra citar trecho porque é tudo perfeito.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

Pondé e Sarah Palin

Ontem na Folha o Luis Felipe Pondé escreveu uma coluna chamada “Ai, que tédio, digo eu”. Eu sei, eu sei. Nela reproduz alguns argumentos conservadores padrão, alguns melhores, outros piores (sempre seguidos de “ai, que tédio, digo eu”), mas, lá pelas tantas, manda o seguinte:

Recentemente, vimos um show de sarros com relação à possível candidata republicana à Presidência dos EUA, Sarah Palin. “Burra, tapada, caipira!” Lembremos, caros irmãos, que com o Reagan foi a mesma coisa. “Esse ator burro”, diziam. E o cara foi de longe o melhor presidente dos EUA nos últimos 40 anos. Botou a casa em ordem depois dos estragos do incompetente “bonzinho” do Jimmy Carter.
Será que os intelectuais e a mídia não aprenderam a lição? Só porque a mulher escreveu uma singela cola na mão em seu discurso em Nashville, caíram de pau em cima dela. Eu achei até sensual (ela é um avião, as feias devem odiá-la) e puro vintage num mundo onde qualquer matuto brega saca um palmtop quando vai dar conferência motivacional por aí.
Outros, piores, ainda a comparam a integrantes da Klu Klux Klan (KKK). Toda vez que alguém discorda do bê-á-bá da esquerda americana, alguém saca esse lero-lero da KKK. Ai que tédio, digo eu.

Ah não, rapaz, mil vezes não. É preciso ter passado o último ano sem ler nada para dizer que o problema da Sarah Palin é ela anotar discurso na mão (o que, aliás, é uma curiosa inversão da máxima do Paulo Betti).

O problema da Sarah Palin é que ela foi candidata a vice-presidente dos EUA achando que a África era um país, é que ela provavelmente era (e o marido certamente era) membro de um partido separatista do Alasca, é que as respostas dela sobre a crise econômica são dignas da Miss Teen South Carolina, porque ela largou seu mandato de governadora no meio para ser celebridade (dizendo que estava desistindo justamente porque não é de desistir).

Sarah Palin representa o tipo de extremismo conservador anti-iluminista que paralisa o sistema político americano no exato momento em que dependemos dele para salvar o mundo.

E esse “ela é bonita, as feias devem sentir inveja” é abaixo da crítica. É por isso que você não é comunista, Pondé, porque queria ficar tão bem quanto a Manuela d’Ávila num pretinho básico?

Eu já vi o Pondé escrever coisas inteligentes, o que só prova uma coisa que eu sempre digo: o que fode a direita intelectual brasileira é ler a direita americana. A direita americana é um órgão em putrefação, dali não sai nada. Esse contágio já acabou com o Olavo de Carvalho, e o Pondé parece que é o próximo.

Ai, que mérdia, digo eu.

PS: nem o mais radical comunista do auge da guerra fria ofenderia o Reagan comparando-o à Palin.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

Eleições 2010: Mais DataCésar

O Ex-Blog não chegou pra mim hoje, por algum motivo obscuro. Mas o sempre alerta Arthur me encaminhou a edição de hoje, que comento a seguir.

Até que, comparativamente, esse DataCésar veio sóbrio. Há só dois negócios esquisitos, o primeiro dos quais até que é mais ou menos razoável, o que, dado o histórico, é pouco.

O primeiro negócio esquisito, que é menos esquisito, é só discutir os dados da pesquisa sem Ciro Gomes (mais sobre isso abaixo), em que a diferença Serra x Dilma é maior. Isso é errado porque, se Ciro não for candidato, certamente declarará apoio a Dilma, o que fará com que sua transferência para ela seja maior do que é hoje (o que não quer dizer que será total, certamente não).

E, de repente, o DataCésar nos manda essa:

Em 2010, o quadro está estabilizado. Elas por elas com Serra 40%, Dilma 30% e Marina 10%. O fato de Ciro e Dilma -quando se inclui Ciro- ficarem estacionados, é mais uma prova disso. [ênfase e cara de "uhn?": NPTO]

Logo após a frase citada acima, o Ex-Blog nos diz:

O fato de Ciro e Dilma -quando se inclui Ciro- ficarem estacionados, é mais uma prova disso [da estabilização do quadro - NPTO].

Sinceramente não consigo entender o que o CM está dizendo. Dilma, obviamente, não está estacionada: só sobe. Ciro está estacionado, mas isso só quer dizer que, bem, Ciro está estacionado. Visto que Ciro apoiará Dilma, isso só piora a situação de Serra, já que quer dizer que Dilma consegue crescer sem entrar na reserva de votos de Ciro.

A não ser que o CM esteja cometendo a suprema barbaridade de comparar as diversas pesquisas do mês (retratos mais ou menos do mesmo momento) como se fosse pontos de uma série no tempo.  Seria como se eu tirasse 100 fotos suas uma imediatamente depois da outra e usasse isso como prova de que você não envelhece. Essa, nem a Anabela de Malhadas faria. Deve ser alguma outra coisa que ficou mal escrita.

Descontadas essas possibilidades, não há a mais remota caricatura de pálido esboço de distante aproximação mesmo da mais ampla possível definição de argumento, no texto do Ex-Blog, que dê base ao diagnóstico de que o quadro estabilizou.  

Porque o quadro estaria estabilizado? Nas últimas pesquisas, Dilma só subiu. Porque pararia aí? A diferença pode até continuar a mesma, mas isso terá sido porque Serra contra-atacou e conseguiu travar a tendência. Se Aécio topar ser vice de Serra, por exemplo, Serra pode subir, mas isso não vai ser porque Dilma chegou a um teto.

E: quem está com cara de que esteve perto do teto por um bom tempo, e vem caindo, é Serra.

Mas o Ex-Blog não é bobo, e percebeu um dos dois dados realmente assustadores para Serra: sua queda no Sudeste, onde, se não fechar com grande vantagem, fica atrás do Zé Maria. Daí a pressão sobre Aécio hoje.

O outro dado preocupante para a oposição, naturalmente, é  este:

Entre dezembro de 2009 e fevereiro de 2010, o percentual dos que não sabem apontar espontaneamente seu candidato à Presidência cresce de 47% para 58%, ao mesmo tempo em que diminuíram as menções espontâneas para Lula, que tinha 20% em dezembro e agora obtém 10%, mesmo não sendo mais elegível. Já Dilma Rousseff, candidata oficial do PT, também obtém 10%, ficando empatada com Serra, citado por 7%. Dessa forma, Dilma mantém mais que o dobro da preferência verificada há seis meses (3% em agosto de 2009), enquanto Serra mantém-se no mesmo patamar (8% na pesquisa de dezembro de 2009, e 6% na de agosto do ano passado).[ Fonte: Datafolha, ênfase - NPTO] 

Vou confiar que o DataFolha fez a conta da margem de erro certo para dizer que está empatado (de qualquer maneira, mandei um email pra eles pedindo as margens). Se você contar que Lula ainda tem 10% na espontânea, a coisa não parece boa para a oposição.

Pra terminar: não tenho certeza de que Ciro retira sua candidatura, não. Suspeito que nem ele nem Marina estejam contando com um colapso de Dilma. Acho que estão contando com um colapso de Serra.

PS: claro, não estou levando em conta um fator favorável à oposição: é bem capaz do meu glorioso partido ficar de salto alto e fazer merda.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email