Na Prática a Teoria é Outra Rotating Header Image

Férias NPTO

Foi o melhor ano do NPTO: a audiência aumentou mais ou menos dez vezes desde Janeiro (era bem pequena em Janeiro, é verdade). Saí no jornal, inventei uma piada sobre o vice do Serra que fez sucesso, meu Twitter passou de 50 e poucos a mil duzentos e poucos seguidores, e tive uma eleição bem divertida.

Mas admito que a coisa ficou um pouco maior do que consigo administrar. Nas últimas semanas, não tive tempo de responder comentários, e sustento que a parte mais importante desse blog é a caixa de comentários. Não tive muito tempo de ler esse ano, quase não consegui publicar resenhas, e um monte de pautas típicas, como a crise internacional, foram inteiramente deixadas de lado.

Ao mesmo tempo, passei a ter uma série de compromissos profissionais que me impedem de dedicar a mesma atenção ao blog, o que é meio frustrante. Na última semana de campanha, tive uma viagem a trabalho e fiquei sem computador. Essas e outras coisas mostram os limites do blog amador (que é o que o NPTO deve continuar sendo). Não está sendo fácil conciliar o ritmo atual com a vida profissional e familiar, mas, mais do que isso, não está sendo fácil conciliar escrever o blog com ler, ou a escrever outras coisas.

Por isso, anuncio aqui que o blog entra em férias por algum tempo. Não vai acabar, mas a periodicidade dos posts deve diminuir, tal como a ambição de comentar o noticiário cotidiano: na falta de oposição partidária de direita razoável, boa parte da contestação ao PT é feita por meio de escândalos na imprensa conservadora (vários deles reais, mas não é essa a questão), e, sinceramente, ficar fazendo papel de observatório da imprensa não me interessa muito.

Assim, o blog deve voltar ao ritmo mais tradicional da época do NPTO sem-audiência: mais resenhas, posts mais raros, coleções de links. A audiência deve despencar, mas paciência.

Vou lá dar uma atualizada nas séries de TV, mas aproveito para agradecer à sensacional coleção de leitores que formaram o público do NPTO esse ano. Isso aqui é muito, muito divertido e enriquecedor, e aconselho vivamente quem estiver pensando em criar seu blog a fazê-lo. Não tenho como agradecê-los o suficiente.

Qualquer hora estamos de volta aí na atividade. Até porque ainda tenho que resenhar o livro do Aomirante.

As Eleições de 2010

Boa Sorte aí, Dona.

Não tenho conselhos a dar para a presidente eleita (nem ela mos pediu), porque o discurso dela de ontem incluiu boa parte dos temas que discuto no NPTO. Como vocês devem ter imaginado, gostei do Palocci no palco e torço para que ele seja forte no novo governo. O principal desafio ao novo governo será o cenário econômico internacional, e é preciso bom senso nesse negócio. O resto que eu defendo vocês já sabem: educação desde a pré-escola, política de inovação, equilíbrio fiscal, etc., etc.

Acho que o PT é que precisa se posicionar melhor nos próximos anos, fazendo a reformulação teórica social-democrata com a qual tanto já lhes enchi o saco. É possível que haja uma reformualação partidária razoável nos próximos anos, e o PT precisa firmar seu lugar como alternativa social-democrata.

Fora isso, o que eu acho da eleição 2010 é o que se segue.

1.

O discurso do candidato derrotado tem, entre outras funções, a de consolar os eleitores que lutaram pelo projeto que não vingou. Nesse sentido, o discurso de concessão de Serra foi brilhante: porque depois de uma merda de discurso daqueles, ninguém mais pode ter ficado triste por ele ter perdido.

Manda a tradição que o candidato derrotado discurse primeiro, reconheça a derrota, e deixe a atenção se concentrar no ato principal, o vencedor. Serra não fez isso. Só apareceu depois de Dilma, a quem deu uns parabéns muito chulés, sussurrados entre os dentes, e usou o discurso para dizer para o Aécio que ele é um muiézinha por não ter dado Minas de presente pra ele, só porque ele sabotou as prévias que o Aécio queria mimimi mimimi.

É assustador como Serra sai menor dessa eleição. Entrou como uma possível síntese entre a direita tradicional e alguns aspectos interessantes do lulismo, com algum tempero desenvolvimentista. Alguns meses campanha adentro, e chegando no segundo turno meio no susto, virou símbolo de uma direita mais rancorosa do que propriamente ideológica, que vê na vitória do PT não propriamente uma ofensa a seus valores, mas uma ousadia contra seu direito sagrado de governar. Excetuados os trolls de sempre (inclusive os que escrevem em jornal), todo mundo sempre soube que Dilma era favorita, mas há maneiras e maneiras de perder, e Serra escolheu a mais feia.

Enfim, resta desejar boa sorte à oposição, que ela consiga se reorganizar e se renovar. Eventualmente, a direita vai voltar a vencer, e esperamos que então já seja bem melhor do que é.

2.

Roberto Freire acha que Marina vai se ferrar por ter ficado neutra. Roberto Freire é o cara que teve 100 mil votos contando com toda a máquina de campanha do PSDB paulista. Marina Silva foi quem teve 20 milhões concorrendo pelo PV. Mesmo assim, o Freire acha que ele é quem tem que dar conselhos para ela.

O que a frase do Freire indica é que setores mais raivosos da direita, como o PPS, pretendem ferrar Marina. Se tiver a briga, aposto minha grana na dona. É possível que Marina Silva, como candidata da esquerda não-petista, seja o novo “nãããããão…devia ser eu no seu lugar…buááááááá” do imaginário de Roberto Freire, substituindo Lula, que instaurou-se no topo da lista de rancores de Freire na época em que ele queria ser líder do proletariado.

Não sei o que Marina fará, mas já fez bastante. Acho que é candidata a presidente, mas, mais importante, é a grande referência do ambientalismo brasileiro e deve continuar a sê-lo por muitos anos ainda.

3.

Álvaro Dias sai da eleição como único sujeito que perdeu para o Índio da Costa em 2010.

4.

Inacreditável que alguém como o Xico Graziano, que é um quadro razoavelmente esclarecido, resolva lavar roupa contra o Aécio no Twitter no dia da eleição. Que os blogs puramente militantes, como o Coturno Noturno ou o Reinaldo Azevedo, o façam, tudo bem, mas o Graziano deveria estar entre os interlocutores adultos.

No fundo, o que não parece ocorrer a ninguém ali é que talvez a imensa popularidade de Aécio em Minas se deva também, em algum grau, ao fato dele ter hostilizado muito menos o Lula do que o PSDB paulista. Se isso for verdade, não espanta que muita gente que votou em Aécio tenha preferido Dilma.

A atitude “não era eu que tinha que ganhar, eram os outros que tinham que ter me dado de presente” que se vê nas falas de Graziano (ou no silêncio de Serra ontem) sobre Aécio, ou na fala de Freire sobre Marina, explicam bastante porque o PT continua ganhando.

5.

E, para comemorar a derrota, uma preiboizada resolveu lançar uma campanha contra os nordestinos no Twitter, já dando aos dilmistas material de campanha para 2014.

6.

Em um artigo que saiu no Valor logo no começo do segundo turno, o Alberto Carlos Almeida fez um negócio corajoso e continuou apostando na vitória da Dilma, porque era isso que indicavam todos os fatores que a ciência política aprendeu a considerar importantes. Ele tinha razão, mas a eleição de 2010 mostrou também os limites de toda reflexão sobre política, por mais rigorosa que seja.

Como ele mesmo admitiu, o fenômeno Marina era absolutamente imprevisível na dimensão que tomou: isso já mostra o quanto é difícil mesmo saber quem são os jogadores que contam na hora de fazer seu modelo. Os indicadores favoreciam a vitória de um candidato situacionista, mas o que fazer, na previsão, com um candidato meio híbrido de situacionista e oposicionista como Marina? Poderia ter ficado no traço, poderia ter vencido, é difícil saber.

E a agenda religiosa mostrou que, pelo menos em alguns casos, valores muito arraigados podem atropelar considerações econômicas na decisão do voto. Sim, no final venceu o “it’s the economy, stupid”, mas não foi só isso que aconteceu.

Ciência política é maneira porque é difícil.

7.

Já falei pra Dilma ter muito cuidado na condução da economia? Ah, já? Mal aí.

8.

Troféu Imprensa NPTO 2010:

Melhor cobertura jornalística: Valor Econômico, com vários corpos de vantagem. Mas é difícil comparar o Valor com os jornais de maior circulação, porque é de se esperar que um troço mais intelectualmente elitizado, voltado a um público mais restrito, seja  mais analítico. Entre os jornalões, voto na Folha, pelo furo espetacular do telefonema para o Gilmar Mendes. Entre os populares, o Meia Hora, pela manchete de hoje, “Dilma Descabela o Careca”.

A propósito: a média da Veja esse ano foi horrenda, começando antes mesmo da eleição com a falsificação do depoimento do Eduardo Viveiros de Castro (que não vale para propósito desse prêmio, pois não foi sobre eleição) mas a denúncia da Erenice era verdade, e foi um belo furo. Com isso o troféu de pior coisa vagamente jornalística desse ano vai para as capas “Hora do Povo com sinal trocado” do Globo, que muitas vezes afastavam o leitor não-rudimentar de matérias e colunas interessantes na parte de dentro do jornal. Entretanto, não tem como o troféu de pior capa não ir para o Estadão, que manchetou uma pesquisa em que nada tinha acontecido como “Dilma para de subir e Serra, de cair”.

Melhor furo jornalístico: empate entre a denúncia da Erenice e o telefonema do Gilmar, mas pendente: se Aécio formar mesmo outro partido, Carta Capital vence com vários corpos de vantagem. A Carta Capital também leva o troféu “melhor análise do fenômeno Marina Silva“, para Antônio Luís da Costa, cujo livro de ficção científica, aliás, preciso ler.

Melhor lenda urbana: Michel Temer satanista, sem dúvida. Só não fiz mais piada sobre isso porque tive medo de alguém acreditar que era verdade, mesmo.

Melhor previsão no quesito “comédia involuntária”: DataCésar, que descobriu que a verdadeira popularidade do Lula era só 10% 15% 30%, certo, 60%, tá, 80%, ah, putaqueopariu, eu pelo menos não gosto dele. Menção honrosa para o GPP, que o inevitável Índio da Costa contratou semana passada para “animar a militância”. E ainda menção honrosa para o DataLourival, que em Junho ainda garantia que tinha informações das internas dizendo que o Aécio seria vice. Hors Concours: esse vídeo (hat tip: André).

Troféu “Deixa que a Natureza Marca”: José Serra, por dizer no debate que Marina e Dilma eram iguais. Já mostrei o vídeo aqui? Ah, já?

Revelação quesito “deixa que a natureza marca”: Weslian Roriz, que prometeu construir metrô para cidades que não existem (hat tip: Bruno). Ah, Índio, se soubesse o quanto você deve a essa mulher.

Troféu mascote: polvo da Veja, é claro.

Melhor troll do NPTO: Lourival Pessanha. Chato e meio escroto, mas, comparado aos caras que me apareceram aqui depois, um Voltaire.

Melhor comentarista já famosão do NPTO: João Paulo Rodrigues.

Comentarista revelação do NPTO: Vinícius, do Relances, que, aliás, divide com o Igor o troféu “melhor liberal não-encachaçado nas idéias” de 2010. Nenhum dos dois pode concorrer nos próximos anos, o que me leva a crer que, se ninguém ressucitar o Merquior, este é o último ano em que o prêmio é entregue.

Melhor Japonês com apelido engraçado: Japajato.

Melhor Blog: Hermenauta, pelo mês de Janeiro.

PS: já consertado o link do Relances, mal aí, Vinícius, achei que sabia de cor.

Verás.

Senhoras e senhores, foi uma honra lutar ao lado de vocês. Parabéns a todos.

E à presidenta, meus votos de que tenha a convicção nas horas certas e o bom senso sempre.

Foto Bacana

Da capa da Folha de hoje. Legal. Foi ontem no Rio.

Posted via email from npto’s posterous

Diário de Campanha: Bloco da Dilma em Copacabana

Antes de mais nada, um esclarecimento: a idéia era ter Dilma e Lula hoje em Copa, depois da carreata de Realengo, mas, tanto quanto eu vi (saí umas quatro horas), não rolou, e até o fim ninguém da organização conseguia dar uma resposta clara. Um cara me disse que achava que, quando atrasaram o ato para não correr risco de não encontrar com o ato anterior, do PSDB, a agenda bagunçou. Não sei se é verdade. Até as 3 e meia, a notícia era que eles ainda estavam na Zona Oeste, e apareceriam se desse. Fiquei mais meia hora, não deu. Beleza, fim de campanha é uma zona (mas não deixei de encher o saco do coitado do PT ali presente, que não tinha nada a ver com isso).

Hoje era para ter sido um fato político bem maior em Copacabana, com a passeata do Serra de manhã e a da Dilma de tarde, mas o tempo ficou feio, e boa parte do propósito das duas campanhas, que era convencer o público que vai na praia em Copa, ficou prejudicado.

O bloco foi bacana, muita gente de escola de samba e de blocos de rua tradicionais envolvidos na organização. Encontrei o Raphael, do Politika Etc., que acabou de chegar de longa temporada nos EUA, foi na posse do Obama, mas dizia, sorrindo, que aquilo ali era outro esquema. Passeata com mestre-sala e porta-bandeira é, realmente, outro esquema.

A propósito, já falei pra vocês que o Raphael é um grande fodão? A orientadora dele é a Nancy Fraser, rapaz, feríssima. Bem, voltemos ao assunto.

No começo, não achei muito cheio, umas duas quadras de pessoas, mas na Constante Ramos já tinha bem mais, muita gente ficou na sua esquina esperando o bloco passar e foi se juntando quando ele chegava. Vários parlamentares, como entre eles o deputado estadual NPTO Carlos Minc e o Bittar (ver foto acima, onde também aparece o presidente da Petrobrás). Não tem foto do Minc porque na hora que ele chegou já entrou sambando na muvuca e eu perdi ele de vista. Esse é o Minc.

Achei o pessoal do carro de som um pouco intimidado por não estar em um bairro em que o PT é tão forte. Eu sempre fui militante do núcleo da quinta zona eleitoral (Copa-Leme), e boa parte da força eleitoral do PT ali era mesmo nos morros. O grito de guerra “Dilma sim, porque eu não penso só em mim” era legal, mas meio tímido, como se, depois do tempo ter afastado os frequentadores habituais da praia, o PT tivesse ficado meio sem ter o que dizer aos moradores da Avenida Atlântica.

Mas foi bem bonito para quem estava lá.

PS: Esse deve ser o último diário de campanha. Por incrível que pareça, vou ter uma viagem à trabalho no meio dessa semana antes da eleição, e essa deve ter sido minha última atividade de rua. Boa sorte pra quem continuar aí na luta.

Lula e Dilma na Orla de Copa amanhã, domingo 24 (ATUALIZADO)

Amanhã não tem como não ir, vai ser bacana, com a presença do cara e da dona. Ponto de encontro No Atlântico Bar, entre os Postos 5 e 6, imagino que deva ser ali na esquina da Atlântica com Souza Lima ou Francisco Sá.

UPDATE: Galera, lembrando: de manhã tem ato do Serra no mesmo local. Ninguém vá ser filhadaputa irresponsável de ir lá encher o saco dos caras; e MAIS IMPORTANTE AINDA: se alguém do lado de lá for filhadaputa irresponsável de tarde, nada de revidar, nada de responder, deixa os caras. MAIS IMPORTANTE DE TUDO: não interessa se você brigar tendo razão, a imagem na TV vai dizer que não, e ninguém pode arriscar por tudo a perder por causa de babaquice.

O Nível da Campanha

Ontem no Twitter manifestei minha perplexidade diante da turma que torce para acabar a eleição porque não agüenta mais baixaria.

Eu até entendo que se torça para acabar a eleição porque o segundo turno esse ano foi meio esquisito: só aconteceu por causa de uma candidata que não foi para o segundo turno. Compreende-se, portanto, que a coisa não seja muito estimulante: quem votou na Dilma continua votando, mas queria ter liquidado a fatura no primeiro turno; os eleitores de Marina, naturalmente, não vão votar em sua primeira opção, não se pode esperar que estejam animados; e a campanha de Serra continua tendo os mesmos problemas que sempre teve, dificilmente alguém que vota no Serra porque o PSDB teve o Malan vai se empolgar com o que foi a campanha serrista até agora, dificilmente alguém que votou nele porque a Monica Serra disse que a Dilma matava criancinhas vai se empolgar agora que o assunto morreu misteriosamente.

Na falta de eventos políticos, sobram as bolinhas de fita adesiva (e o emocionante debate sobre se não seriam de papel), os factóides, a descoberta sensacional de que os dois campos políticos têm gente corrupta (era só ligar aqui em casa que eu contava isso pra vocês), a Soninha surtando.

Agora, a idéia de que quando acabar a eleição vai diminuir a baixaria é fantástica. A partir de primeiro de Novembro, volta o festival de frivolidade e déficit de atenção que, daqui a quatro anos, vai forçar novos candidatos, provavelmente bons, como os atuais, a se fazerem de palhaços.

E nego vem me dizer que depois da eleição o nível sobe? Contem-me entre os céticos. O que acontece é que o nível de atenção novamente desce até o torpor de sempre, e aí qualquer bolinha de durex nos distrai.

Fora da Caixa: Wittgenstein

Inaugurando a nova seção, com comentários tirados da nossa caixa de comentários, comentário da leitora Cris C. ao post sobre o Rorty, respondendo ao sempre alerta L.M. que disse que para concordar com o texto do Rorty só sendo relativista:

LM, para entender, talvez, como esse suposto ‘deslizamento’ conceitual não convoca o relativismo [que eu chamo de 'vale-tudo'], sugiro a leitura do ‘Da Certeza’, último livro de L. Wittgenstein. Nele, o filósofo argumenta que as nossas certezas não estão fundadas na metafísica, mas sim em nossas práticas. Ou seja, para ele, é o exame de nossas práticas cotidianas que será capaz de lançar luz sobre os critérios de que nos valemos para determinar o que conta como o quê. Acho que último parágrafo do NPTO sugere essa direção: não é porque não temos um lastro metafísico para ancorar nossas certezas que devemos/podemos propor que tudo/nada é válido. É complicado explicar isso numa caixa de comentários, mas tenho *certeza* [rs] que Wittgenstein e seus comentaristas fodões dão conta do assunto muito bem. Fica a sugestão.

Achei bacana porque minha posição (e, suponho, a de muita gente) sobre isso é muito influenciada por precisamente esse texto do Wittgenstein, que o Giannotti forçou a gente a ler no CEBRAP. Não sei se eu entendi o que o Wittgenstein escreveu, mas o que eu entendi enquanto lia o Wittgenstein foi isso mesmo: as coisas em que acreditamos podem ser dependentes de referenciais culturais, linguísticos, etc., mas esses referenciais não ficam por aí boiando só de sacanagem com a nossa cara, eles são ancorados na prática.

Quando o Rorty vai mais ou menos por aí, eu acho ele muito foda. E o cara (1) adiciona uma postura diante dos valores democráticos que eu acho ótima, e (2) escreve bem pra caralho. As duas coisas podem ser vista nessa que é uma das minhas frases favoritas:

(…) se cuidarmos da liberdade política, a verdade e o bem cuidarão deles mesmos (Contingência, Ironia e Solidariedade, p. 150)

Já quando o Rorty faz questão de ficar insistindo que verdade, etc. são coisas que só enchem o saco, ele, a partir de certo ponto, começa a me encher um pouco o saco. Ainda assim, é um dos autores de que gosto muito (e ando lendo, não sei por que).

Abraço à Contorno em BH amanhã

Para a galera de Minas: Idelber dá todas as informações sobre como participar do abraço à Avenida do Contorno em Belo Horizonte (puta nome pra cidade, né não?) neste sábado.

Me contem como foi amanhã, vai ser maneiro.

Pesquisas

Quando essa eleição passar, alguém vai escrever um trabalho bacana explicando as diferenças nas pesquisas. É claro que não se pode excluir inteiramente fraude em alguma delas, mas não é o que eu acho.

Eu acho (só acho, não tenho prova) que o Datafolha está pegando melhor o que acontece nas cidades maiores, em São Paulo, e o Vox pegando melhor fenômenos que ocorrem em áreas mais pobres. Cada instituto tem seu viés (provavelmente não proposital), quando os fatos passam em frente do seu foco ele acerta. E todos rezam para que isso aconteça no dia da eleição.

O Vox pegou a subida da Dilma mais cedo que o DF (eventualmente, o DF também pegou a subida, que já tinha sido pega pelos outros), que, por outro lado, pegou melhor o dia da votação, em que Dilma perdeu muitos votos para Marina. Se as amostras tiverem sido ponderadas de alguma forma, ou se os dados usados para escolher os clusters forem antigos, tudo pode fazer diferença. Quem está divergindo agora é o Sensus, que não tenho idéia como pesquisa. Mas acho que também deve ter uma explicação.

Pesquisa é bem complicado, amostragem é um negócio miserável de fazer certo. Cuidado ao comentar.