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Aviso

O WordPress me avisa que tem um comentário esperando para ser liberado, mas quando eu chego lá não aparece lá, nem o aviso vai embora. Se alguém tiver escrito algo que não saiu, me mande pelo formulário de contato que eu mesmo posto.

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Dossiê Cult “A Era Lula”: “Uma Política Pós-Ética”, de Cláudio Gonçalves Couto

Esse talvez seja o melhor artigo do dossiê. Ele tem dois eixos centrais:

1) A Era Lula foi um período de circulação de elites, em que novas camadas ascendentes desalojam parte da elite anterior e se acomodam com outra parte que se consegue manter no topo (é um raciocínio baseado na teoria das elites do Pareto). A elite é então revigorada com o descarte de alguns membros antigos e a incorporação dos líderes que vêm de baixo.

É fácil ver nisso o clássico “mudar para continuar igual”, mas muita coisa, de fato, muda. Embora não haja uma quebra radical das estruturas de poder, elas são tensionadas para satisfazer demandas dos de baixo, várias das quais foram, de fato, satisfeitas. Em função disso, amplia-se a base social do Lulismo, no processo já analisado pelo Singer, em que a base de apoio do PT se desloca para os setores mais pobres.

Ou seja, longe de ser só a chegada de mais um grupo para repartir as benesses do poder, há toda uma rearticulação social, inclusive no plano político, que passa pelas políticas sociais e pelo realinhamento das preferências partidárias. O que nos leva ao próximo ponto.

O segundo eixo do artigo é a idéia de que a política brasileira pós-Lula não vai mais poder ser uma disputa pelo monopólio do comportamento ético, uma vez que o PT perdeu o direito a essa reinvindicação sem que ninguém mais a o tenha conquistado. Esses últimos parágrafos são tão bons que é difícil selecionar trechos:

Embora seja fácil compreender a guinada do eleitorado mais pobre rumo a Lula em função de seus ganhos econômicos, não é esse mesmo fator que explica a debandada de um grande contingente das classes médias. Apesar de existirem os discursos de viés mais claramente reacionário, como os que tacham de “assistencialista” qualquer política de distribuição de renda (apelidando de “bolsa-esmola” uma política enaltecida até mesmo pelos técnicos economicamente ortodoxos do Banco Mundial), o fator determinante para o afastamento dos setores médios foi a crise moral vivida pelo PT – sobretudo a partir do escândalo do chamado “mensalão”. Aquele que outrora figurara como o “partido da ética na política”, apresentando-se ao eleitorado como o “grilo falante” do país, viu-se enredado num escândalo para o qual a melhor explicação encontrada foi afirmar que nada mais fizera do que agir da mesma forma que todos os demais. Ora, mas era exatamente aí que residia o problema: por sua reputação – demoradamente construída – de algoz moral da nação, o PT não poderia permitir-se agir como os demais. Ao fazer isso, despencou vertiginosamente do altíssimo pedestal que havia erigido para si mesmo.

(…)

Mas, se tais traços eram realmente tão característicos da política nacional, só poderia mesmo ser ilusório o espaço que, num certo momento, pareceu abrir-se à oposição: o da “ética na política”. Tal senda, como se poderia esperar, rapidamente esvaiu com o surgimento de outros mensalões, que solaparam um a um os principais partidos nacionais que ainda gozavam de algum crédito e capacidade de atuar como protagonistas no plano nacional – o PSDB e o PFL (já em sua surrada roupa nova, de DEM).

Desse modo, não sobrou muito espaço para mistificações éticas construídas em torno da busca de um “partido dos puros”, e a política nacional foi reduzida a suas devidas (e mais realistas) proporções: um âmbito da vida social no qual a distinção entre os atores relevantes não se dá entre os “éticos” e os “não éticos”, mas sim entre os que defendem políticas de tipo diverso ou simplesmente disputam o poder de Estado. Nessa hora, diante da perturbadora desaparição das referências morais, os que mais atavicamente se punham contra ou a favor de seus antigos grupos de referência logo encontraram subterfúgios retóricos para justificar a manutenção das posições políticas: postaram-se contra o “neoliberalismo” (esse que, no Brasil, foi sem nunca ter sido) e contra o “aparelhismo” (aquele que só existe quando é feito pelos outros). Mas esses biombos são mais facilmente transponíveis do que as velhas ilusões éticas.

Pode-se dizer que nos prestaram um favor os sucessivos escândalos da era Lula (tanto os que atingiram petistas como os que respingaram em seus opositores): guindaram-nos a uma política pós-ética, bem menos ingênua do que aquela que muitos (sobretudo eleitores petistas) acalentaram durante muito tempo. Nesse novo cenário, as preferências políticas podem se apresentar de forma mais clara (como o que de fato são) e talvez até sobre um espaço para que esquerda e direita voltem a se mostrar de forma nítida – mesmo sem estarem hoje tão distantes uma da outra, como já estiveram no passado.

Muito bom, concordo com tudo. Talvez fosse interessante relacionar os dois eixos do artigo: a circulação entre as elites geram fenômenos éticos interessantes. Por exemplo, era sem dúvida hipócrita o PFL que, uma vez desalojado do poder, criticava a corrupção do PT, mas esse é o tipo de hipocrisia de que se alimenta o progresso. Quando estouraram os escândalos do Arruda, o PFL foi forçado a expulsar seus membros envolvidos nas falcatruas, o que jamais teria feito se não tivesse antes tentado se firmar como partido defensor da ética.

É possível que o resultado disso tudo seja um cinismo generalizado, não tenho a menor idéia do que vai acontecer, mas não deixem de prestar atenção nos eventuais efeitos positivos que emergem completamente a despeito do que pretendem os autores. E, eventualmente, é possível que consigamos o tipo de progresso ético que funciona: o compromisso entre as forças políticas para  desmontar as pressões pela corrupção (financiamento de campanha, dificuldades na formação de maiorias no Congresso, captura regulatória, etc.). É um projeto de longo prazo, mas que não pode ser abandonado porque você está decepcionado com seu político favorito (isso seria narcisismo, não idealismo).

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Dossiê Revista Cult: A Era Lula

Mais um dossiê bacana da Cult (já comentamos os dossiês sobre Marx e Gramsci, e acho que mais um que eu agora esqueci). Espero que não seja a única iniciativa nesse sentido: já era para termos mais textos de fôlego, eventos, coletâneas, enfim, análises sobre o período que se encerra esse ano, sem dúvida único na história nacional (goste-se ou não dele). Não é possível que cheguemos ao fim da era Lula só com as discussões dos militantes (e as exceções honrosas do André Singer e do Chico de Oliveira, goste-se delas ou não).

Cada artigo será discutido em um post separado, mais ou menos um ou dois por dia, com exceção de dois, que não comento: o texto do Laymert sobre política cultural, porque eu não entendo nada sobre isso (mas o pessoal do Guardian gostou dos tais Pontos de Cultura), e o texto do Beluzzo, que é até interessante, mas não é bem uma análise da Era Lula). Entre os posts sobre o dossiê, curiosidades variadas.

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BNDES

Dois posts (esse e esse) shows de bola do Arthur no Controvérsias Econômicas. Olhem que legal isso aqui:

Experimente perguntar a um executivo do BNDES porque é necessária a existência dessa instituição. Possivelmente, ele te responderá que é importante que o BNDES exista porque os bancos privados não ofertam crédito de longo prazo para as firmas brasileiras. Agora, experimente perguntar a um executivo de um banco privado porque esses bancos não ofertam crédito de longo prazo. Possivelmente, ele te responderá que os bancos privados não ofertam esse tipo de crédito porque a existência do BNDES impede que eles entrem e compitam nesse segmento do mercado de crédito.

Vale mesmo a pena ler.

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UGT

Matéria bacana do sempre alerta João Villaverde no Valor de hoje sobre a UGT (União Geral dos Trabalhadores), a central sindical oposicionista não-PSTU. Muitos de seus membros são de PSDB, PPS, e mesmo do PFL. Diz a matéria:

A relação entre partidos e centrais é clara. Dirigentes da CUT pertencem ao PT, enquanto a CTB é ligada ao PC do B, a CGTB, em sua maior parte, ao PMDB e a Força Sindical predominantemente ao PDT. Todos os partidos formam a base aliada da candidatura Dilma à Presidência. A UGT, por outro lado, conta com dirigentes filiados a PPS, DEM, PSDB e PMDB paulista, todos apoiando a candidatura de José Serra, e outros ao PV, que lançou Marina Silva como candidata.

Dos sete vice-presidentes da entidade, quatro são filiados a partidos. Antonio Carlos dos Reis, o Salim, é deputado federal pelo DEM e tenta a reeleição. David Zaia é presidente do PPS em São Paulo, Roberto Santiago é deputado federal pelo PV e Laerte Teixeira da Costa, é filiado ao PMDB. Além deles, Chiquinho Pereira, secretário de Organização Sindical, é tesoureiro do PPS em São Paulo e é um dos principais defensores da candidatura Serra na entidade, além de articular o trânsito de Roberto Freire, presidente nacional do PPS, na central.

O PCB, naturalmente, sempre teve presença nos sindicatos, e o PSDB tinha lá um negócio que, se não me falha a memória, chamava Social Democracia Sindical, algo assim. Nunca ouvi falar de um sindicato do PFL, embora o Medeiros, acho eu, tenha sido do PFL em algum momento.

Qual a viabilidade disso? Acho que pequena. A Força Sindical, por exemplo, se equilibrou durante muito tempo tentando ser uma central sindical anti-petista, mas é bem difícil: os governos do PT ouvem muito mais os sindicatos do que os partidos de direita jamais ouvirão. E as bandeiras de desregulamentação dos partidos de direita não vão soar bem com os trabalhadores a não ser que haja muita confiança de que haverá compensações em política social, no que, novamente, o PT tem muito mais credibilidade. É como aqueles grupos de empresários que apóiam o PT: sempre vão existir, mas nunca vão ser majoritários. É o que eu acho, pelo menos.

Agora, é claro que um sindicalismo desses tem suas vantagens: defender o interesse da classe trabalhadora quando as centrais mainstream falharem por um ou outro motivo ideológico. Vejam isso:

Em abril, membros da CTB entraram em conflito com os da UGT, quando as duas realizaram manifestações em frente ao Consulado de Cuba, no mesmo dia. “Enquanto eles defendiam os dissidentes, nós estávamos lá manifestando apoio ao povo e ao governo cubano”, diz Gomes, da CTB. Segundo Ricardo Patah, presidente da UGT, “o tempo mostrou que estávamos do lado certo, porque o regime de Castro liberou presos políticos à Espanha”. Os dirigentes das centrais colocaram panos quentes no episódio, especialmente porque a relação entre seus presidentes, Gomes e Patah, é boa.

É desnecessário dizer que o PCdoB e o PCB já tiveram lá suas diferenças. Mas deixo aqui meus parabéns à UGT pelo ato, torcendo para que ela não pelegue demais. Torcendo sem muita esperança, mas torcendo.

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Mais Marcelo Neri

Enquanto o Marcelo Neri não faz o próprio blog, sub-intelectuais de tendências ideológicas variadas parasitarão seus artigos para ganhar audiência. Eu, pelo menos, pretendo fazer isso. Mais um artigo bacana do cara hoje no Valor.

Olhem isso:

A desigualdade de renda no Brasil vem caindo desde 2001. Entre 2003 e 2008, a renda per capitados 10% mais ricos aumentou em 3,9% ao ano, enquanto a renda dos 10% mais pobres cresceu a uma notável taxa de 9,6% por ano. O tamanho do bolo brasileiro está crescendo mais rápido e com mais fermento entre os mais pobres. O Brasil está prestes a atingir o seu menor nível de desigualdade de renda desde registros iniciados em 1960 [NPTO sai correndo pelado pela rua para comemorar. Tumulto na Presidente vargas]. Na verdade, a desigualdade no Brasil permanece entre as dez maiores do mundo, e levaria 30 anos no atual ritmo de crescimento para atingir níveis dos Estados Unidos; porém, isso significa que existem consideráveis reservas de crescimento pró-pobres, que só começaram a serem exploradas na década passada.

Devido à combinação de alto crescimento com queda da desigualdade no período 2003-2008, o número de brasileiros que vivem na pobreza caiu 43%, com 19 milhões de pessoas saindo da pobreza e outros 32 milhões ingressando nas fileiras das classes ABC aí incluindo a chamada nova classe média. Se extrapolarmos essas tendências de crescimento e desigualdade até 2014, a pobreza possivelmente vai cair mais 50,3%, atingindo a primeira Meta do Milênio da ONU, só que cinco vezes mais rápido do que o esperado. Um adicional de 14,5 milhões de brasileiros pobres escaparia da pobreza e 36 milhões chegariam às classes ABC. Isso significa que, nos 11 anos anteriores à Copa do Mundo de 2014, mais de uma população total do Reino Unido seria incorporada às classes ABC.

Pois é, nessa hora você tem que pensar, independente das divergências políticas, não seria espetacular se isso acontecesse? Não é o caso de governo e oposição negociarem um programa mínimo nesse sentido? É, sim. Não deviam fazer do Neri ministro de alguma coisa muito importante com muita grana? Deviam.

A questão, naturalmente, é saber se o crescimento que tornou isso tudo possível tem condições de continuar em nível comparável.

Quão sustentável é o recente padrão de crescimento inclusivo tupiniquim? Primeiro, o crescimento robusto do emprego formal, duplicado desde 2004, é o principal símbolo do surgimento da classe média brasileira. O Brasil está, mês após mês, quebrando seu recorde anterior mais elevado, apesar da ausência de qualquer reforma significativa do governo. Uma previsão conservadora para 2010 é de 2 milhões de novos empregos formais, que, dados os custos de contratação e demissão de trabalhadores anormalmente elevados na legislação do Brasil, sugere que as expectativas empresariais são bastante positivas. Da mesma forma, as evoluções do nível de desigualdade e de anos de escolaridade indicam uma melhoria continuada no futuro. Aumentos nos anos de escolaridade no período 2003-08 constituem expansão de 58,7% da renda média entre os 20% mais pobres. Mais genericamente, usando a métrica das equações de salários para a construção de indicadores estruturais de potencial consumo (bens duráveis, moradia, serviços públicos etc.) e de capacidade de geração de renda (bens físicos, tais como educação, qualidade do emprego etc.) revelam que o lado do produtor está crescendo duas vezes mais rápido do que o lado do consumidor. Então não é que os brasileiros estão indo fazer compras a crédito, mas que quem foi mais à escola está obtendo agora mais empregos formais.

As taxas de crescimento do Brasil ainda estão aquém das de outros Brics, especialmente a China. No entanto, a qualidade do crescimento brasileiro é indiscutivelmente melhor do que a da China em vários aspectos: melhor tratamento do meio ambiente e do trabalho juntamente com a igualdade crescente. O Brasil é uma democracia que aprendeu de maneira dura como é difícil promover uma boa política dentro do funcionamento do nosso bagunçado sistema. O Brasil ainda enfrenta obstáculos, incluindo um sistema de ensino fraco, baixas taxas de poupança e um emaranhado de obstáculos regulatórios. Mas para as perspectivas de crescimento futuro, o que importa não é o nível absoluto desses fatores, mas como eles evoluirão. O Brasil pode avançar verticalmente se escolher os caminhos certos em direção à sua fronteira de possibilidades.

Pois bem, pergunta para os candidatos: o que vocês pretendem fazer com relação a “sistema de ensino fraco, baixas taxas de poupança e um emaranhado de obstáculos regulatórios”?

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Demolidor, por Rafael Grampá

Bacana. Do blog do cara. Se você não conhece Rafael Grampá, clique aqui.

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Pedidos de ajuda aos universitários

Alguém conhece um bom texto que faça um balanço da gestão do Serra no governo de São Paulo? Pode ser a favor ou contra, desde que tenha os dados (sociais, situação fiscal, etc.).

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Pietro Bembo

Falando no Amiano, lá no blog dele vi uma referência a esse tal de Pietro Bembo. Olhe o currículo do sujeito:

(…) acaba de sair o último volume da História de Veneza, do poeta e humanista Pietro Bembo. Antes de ter dado nome a uma fonte tipográfica (leitores da Companhia das Letras acostumados a lertodas as palavras de um livro já devem ter visto esse nome), Bembo aprendeu grego na Sicília com um tataraneto de um imperador bizantino, foi chapa de Ariosto, deu uns pegas na Lucrezia Borgia e ainda teve seu retrato pintado por Rafael e Ticiano.

Isso é pouco? O cara conheceu Colombo, e foi o primeiro veneziano a acusar o golpe da descoberta da América, numa época em que a supremacia de Veneza estava entrando em crise. Bembo escreveu a História de Veneza enquanto era bibliotecário de São Marco, e não consigo nem imaginar o que era aquela biblioteca dois séculos depois de os venezianos terem saqueado Constantinopla e levado manuscritos e livros gregos de valor incalculável.

Rapaz. Biografia é isso aí.

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Serra Palin corre o mundo

A piada foi parar no New York Times (sem citação do Fernando Barros e Silva ou minha), quicou, e foi cair no Andrew Sullivan. Sabem o que isso significa? Pois é, nada. Mas é impressionante como essas coisas correm rápido. Quem me avisou que tinha saído lá foi o Amiano Marcelino.

Naturalmente, lá a piada é com a Palin, não com o Índio (que, justiça seja feita, deve ser um Churchill comparado à ex-governadora do Alasca, como somos todos): eles se divertem em saber que a dona virou uma associação negativa em nível internacional. Tem que virar, mesmo. Se não tivesse desemprego altíssimo nos EUA e, portanto, risco populista, a Palin seria só uma piada. No quadro atual é um risco real, que tem que ser refudiated.

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