A previsão eleitoral nos EUA é uma prática arriscadíssima. Como o voto não é obrigatório, o cara tem que fazer uma pesquisa com “votantes prováveis”, e sabe-se lá quem que vai aparecer para votar, mesmo.
Vamos colocar aqui algumas previsões da turma da political science americana, com explicação (tão sofisticada quanto meus intervalos no trabalho me permitem) dos métodos usados por cada um, e sua previsão para amanhã:
1) O modelo Bread-and-Peace, de Douglas Hibbs, é simplão: ele prevê a percentagem de votos do partido no governo (McCain) a partir da situação da economia e do número de baixas na guerra do momento. Vejam seu desempenho em eleições passadas (gráfico tirado do Red State, Blue State):
Como nota o Andrew Gelman, o partido no poder raramente toma um toco miserável. A margem de 6, 7 pontos atual seria típica de uma vitória razoável da oposição. Notemos, entretanto, que o modelo prevê o resultado no voto popular, não no colégio eleitoral.
Pelo seu último update, a porcentagem de McCain será de 46.25%.
2) O próprio Andrew Gelman, juntamente com Kari Lock, fez um modelo muito mais complexo, que se baseia no desvio da pesquisa de opinião com relação aos resultados nacionais na eleição de 2004 em cada estado, e prevê o resultado em cada Estado para esse ano:
Por esse resultado, Obama vence no colégio eleitoral com Ohio, mas a Flórida vai para McCain. O modelo é baseado em métodos bayesianos, que são um negócio que eu sempre quis estudar mais a fundo. A propósito, espero que vocês estejam enxergando bem o gráfico, porque no meu computador está difícil (espero ter lido a informação sobre a Flórida certo).
3) Um modelo semelhante ao bread and peace, mas que leva em conta dados de pesquisa, esquece a parte sobre guerra, e usa como medida de desempenho econômico um índice chamado LEI (Leading Economic Indicators) é o desenvolvido por Robert Eirkson e Chris Wlezien). Ele prevê o seguinte resultado: Obama 53 X McCain 47.
Claro, todos esses resultados têm que ser tomados cum porradus de salis. Ciência Política não é física, etc. Para provar meu total desrespeito por tudo isso, vou usar os métodos acima, mais (a) um chute alucinado da minha parte que se baseia na expectativa dos modelos de votante provável estarem subestimando a porcentagem do voto negro, (b) a possibilidade de efeito Bradley nos estados mais conservadores, e (c) uma vontade incontrolável de falar besteira.
Só de sacanagem, e sem nenhuma análise estatística que o justifique (juro, eu em geral sou mais rigoroso que isso), lá vai: Obama leva, além dos Estados previstos pelo Gelman, Flórida, Virgínia e Carolina do Norte. E tem uma vantagem no voto popular menor do que a prevista pelos dois outros modelos. Quem quiser apostar contra mim, saiba disso: eu também aposto.
PS: a turma mais panqueca lá dos republicanos, inclusive o pessoal do Drudge Report, está animado porque uma pesquisa alguns dias atrás deu o McCain na frente. O resultado se reverteu no dia seguinte, e não apareceu em nenhuma outra pesquisa, o que faz com que, com toda probabilidade, se trate de ruído estatístico. Agora, o efeito inesperado disso pode ser colocar a turma do Obama em pânico e impedir o salto alto.




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