Na Prática a Teoria é Outra Rotating Header Image

Gabeira sobre Obama

Gabeira reestréia como colunista d’A Folha. Artigo legal, mas tem um erro que explica porque Obama ganhou e Gabeira perdeu:

“Uma realidade importante até para o Brasil: embora existam dois fortes partidos disputando o poder, grande parte da não se identifica integralmente com eles. Nos EUA, são os independentes. O candidato fala para os independentes. É capaz de mobilizá-los? Entre eles estão 40 milhões de jovens, ávidos por proposta de esperança.”

É claro que Obama venceu por se aproximar dos independentes, é claro que se esforça para superar as já insuportáveis questões da guerra cultural nos EUA. Mas não há dúvida de que Obama é um homem de partido, como eram Roosevelt, Reagan, oun Clinton.

Obama apareceu para a política na convenção democrata de 2004, quando fez um discurso que normalmente é feito por jovens em quem o partido aposta para o futuro. Clinton já tinha feito o seu, anos antes de vencer.

Vejam a mobilização pela Interrnet de Obama: o DailyKos é, talvez, o site militante mais impressionante do mundo. E não há a menor dúvida de que apóia o Partido Democrata, que critica sempre que acha necessário. Mas não há a menor possibilidade de dizer que o netroots do Obama era independente.

Quem começou a usar isso eficientemente foi o Howard Dean, e a turma dele não se dizia independente, se dizia “A ala democrata do partido democrata”.

É claro que Obama pretende fazer pontes entre propostas republicanas e democratas. Mas faz sua política usando o exército de militantes, netroots, sindicatos, think tanks, e políticos democratas, até porque, do outro lado tem uma senhora máquina de guerra contra ele. Quem fala em cruzar o corredor até o outro partido em nenhum momento está sugerindo que estamos em uma situação pós-partidos.

É óbvio que dos dois lados existem boas idéias. Mas isso não quer dizer que não existam dois lados, e que seja bom que existam dois lados, pois assim cada um pesquisa novas idéias em lugares diferentes.

Certo, a situação nos EUA é diferente, pois os partidos têm diferenças ideológicas muito mais claras que no Brasil, onde, sejamos honestos, a diferença ideológica entre PT e PSDB não é lá essas coisas (pessoalmente, as considero menores do que as diferenças entre os dois e os outros partidos). Mas isso torna necessário reorganizar o quadro partidário, não mudar de assunto quando se fala em partido.

Se o PT está uma droga, e está, quem for de esquerda tem que entrar naquela porra, quebrar a cara dos caras, botar fogo em tudo, reorganizar tudo. Ou fazer outro partido de esquerda (para o qual só me chamem se os sindicatos e outros movimentos sociais já tiverem chegado). Se alguém conseguir realizar a ainda mais heróica tarefa de fazer do PSDB um partido efetivamente social-democrata, tem minha bênção.

Na campanha de Gabeira faltou esse aspecto de militância, em que pese o esforço heróico dos voluntários. Ninguém imagina que os militantes democratas teriam deixado de ir votar se fosse feriado. Obama tinha apoio de centrais sindicais, tinha apoio de organizações estudantis, de movimentos de negros, de gente que se formou politicamente em uma vivência de vários anos de prática cidadã.

O que Gabeira tem que aprender com Obama é como ir além de Ralph Nader.

Viralize:
  • Twitter
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Digg
  • Technorati
  • Tumblr
  • Posterous
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Blogplay
  • StumbleUpon
  • Wikio
  • Print
  • PDF
  • email

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

1 Comment on “Gabeira sobre Obama”

  1. #1 João Paulo Rodrigues
    on Nov 14th, 2008 at 2:04 am

    Tipo assim: não dá para ter um partido de esquerda com sindicatos (pero no mucho) e quase sem movimentos sociais (fora MST, fora Via Campesina!)? Chaqu´un avec sa chaqu´une.

Leave a Comment