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Um New Deal para a China

Dêem uma olhada nesse artigo, que comenta o estímulo fiscal dado pelo governo chinês recentemente. Eu tenho a impressão de que esse negócio é MUITO importante. Mas, até aí, quem sou eu.

O autor está cético com o pacotão fiscal anunciado pelo governo chinês recentemente, uma vez que só um quarto do gasto anunciado realmente é grana do governo, mesmo. O resto deve vir de bancos, empresas e prefeituras (que estão com um problemão porque caiu o preço da terra, e elas ganhavam um bom troco vendendo terra).

Mas o mais interessante do post é o comentário sobre o Keynes e a grande depressão, e suas consequências para o cenário atual. Aceitem meu resumo, cheio de interpolações pessoais, por suas contas e riscos.

Se o cara estiver certo (sei lá se está), quem deveria estar bolando um puta pacotão de estímulo à demanda interna é a China, não (ou nem tanto) os EUA. Mas a China não parece muito animada em fazer isso, não, como os EUA não estavam nos anos 30.

Para entender melhor, pensem que os EUA de hoje não são os EUA em que aconteceu o New Deal. Os EUA do New Deal são a China: um país com um superávit na balança de pagamentos monstruoso, que não estão muito afim de arcar com a crise, porque estão contando com uma carona em alguma solução dada pelo hegemon da época, a Inglaterra.

Segundo o autor, a reclamação do Keynes com os EUA era que eles é que tinham que dar um puta estímulo à demanda global, porque era lá que estava a poupança. Os EUA eram, como a China é  hoje, o grande produtor do mundo, e, como não gerou demanda o suficiente, a superprodução foi corrigida pela crise.

Da mesma forma, se a China não der uma geradinha de demanda, a demanda global vai se retrair, ninguém mais vai querer comprar os produtos chineses, e o ajuste vai vir por um toco miserável.

Sei lá se isso é verdade, ou se eu entendi direito o artigo (chequem lá, se quiserem).

Uma curiosidade: como em toda crise do capitalismo, tem gente dizendo que Marx estava certo. Se a crise for principalmente desregulamentação financeira, eu não vejo em que o Marx ajudaria a explicar isso. Mas se há uma crise de superprodução na China, valeria a pena checar lá n’ O Capital se é a mesma boa e velha crise de superprodução.

E um problema: será que a China tem o poder de fogo para aquecer a demanda que os EUA tinham nos anos 30? Ou será que a gente simplesmente deveria parar de falar em economias nacionais? Nesse último caso, quem é que vai dar um jeito nessa budega?

Se alguém souber de uma refutação ao raciocínio acima, eu teria curiosidade de ler.

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