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Jihadica

Lá no Mark Lynch, ex-Abu Aardvak, descobri um link para o Jihadica, site muito bom que monitora os movimentos realmente, realmente, realmente radicais do Islã (que, aliás, estão animadinhos com a chance de tomar o lugar do Hamas em Gaza).

Algumas coisas que eu achei interessantes:

1 – Ao contrário do que pode parecer, os jihadistas não gostaram muito do cara que jogou o sapato no Bush, porque, aparentemente, ele é comunista (fiquei curioso de saber se ele é comunista mesmo ou se o termo é usado no sentido Olavo de Carvalho).

2 – Há uma interessante estratégia político-teórica entre os jihadistas. Se entendi direito, a turma panqueca do Iraque declarou que seu governo (?) lá é um califado. Para ser mais preciso, “o” califado (lembremos que Bagdá era a capital do mundo árabe em seus dias de glória). O Taliban, por exemplo, declarou o Afeganistão um emirado, um troço mais modesto que fica no aguardo da grande restauração política islâmica. Agora o grupo jihadista somali  Shabaab conseguiu se estabelecer na região de Shabelle, no norte da Somália, e batizou sua bocada de “governo” (“governorate”, na tradução do Jihadica, wilayat, em árabe), algo ainda menor que um emirado. Imaginem se o Brasil fosse erradicado, e os grupos brasilistas começassem a reconquistar territórios chamando pedacinhos pequenos de “municípios”, quando ganhasse um pedaço maiorzinho chamasse de “Estado”, etc.   

3 – Uma revista jihadista desce o pau nos piratas somalis, adversários dos jihadistas somalis. Se entendi bem, a Somália é a grande fronteira de expansão dos caras atualmente. Agora, devemos admitir que a revista faz uma análise boa, do ponto de vista dos jihadistas, dos atentados de Mumbai: afirma que foi uma coisa estrategicamente excelente (que bonito) porque acirrou a rivalidade Índia/Paquistão bem na hora que o Obama precisa do Paquistão para endurecer no Afeganistão (isso é verdade). Aliás, não é à toa que os caras odeiam o Obama com todas as forças: o Afeganistão é a trincheira fundamental deles.

4 – Os caras estão putos com o Hamas porque 1) Eles não declararam Gaza emirado islâmico (e são uns pelegões por privilegiarem esse negócio nacionalista, participarem de eleições democráticas, elogiarem movimentos xiitas); e 2) O Hamas desceu o pau no Exército do Islã, grupo jihadista salafista radical pra cacete (“desta forma deixando os judeus alegres”).

E vocês ainda acham que não dá pra piorar aquilo lá?

UPDATE: nessa entrevista com um líder salafista em Gaza, achei duas pérolas sobre o Hamas: “”Compared to us, they are Islamism lite”, e “Hamas represents an American style of Islam”, esta última porque o Hamas se meteu nesse negócio de disputar eleição sem matar o adversário, essa coisa de mariquinha.

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5 Comments on “Jihadica”

  1. #1 radical livre
    on Jan 7th, 2009 at 8:40 am

    quanto ao Al-Zaide, pelo que li por ai, ele faz parte do Partido Comunista do Iraque – não deu para saber na wikipedia se a linha ainda é stalinista ou se já migraram para um modelo mais europeu-italiano.

  2. #2 Renato A. de Oliveir
    on Jan 7th, 2009 at 8:42 am

    Sobre o cara que fez o favor de jogar o sapato no Bush, se ele realmente for comunista, bem, será interessante. Uma certa revista (já, sabe? dãããããã) mostrou o cara não só como um sujeito mal-agradecido, mas também como agente xiita (para a revista, xiita = mancomunado com o Eixo do Mal).

    E agora todos os PSTUs e PCOs islâmicos estão putos com o Hamas? Essa para mim é nova… Quando eu pensava que tínhamos atingido o fundo do poço, alguém vem e abre um alçapão… Agora, o que é um sujeito que acha o Hamas o "American Way of Life" do terrorismo? E o que seria um terrorista não "lite"? Se o terrorista "lite" é um assassino-homem-bomba-suicida, que quando explode não sobra nenhum pedacinho, o que seria pior que isso? Fazer sexo sado-masô com odaliscas de burca de couro antes de ir pelos ares? Ah, não, me poupe disso…

  3. #3 Gaius Baltar
    on Jan 8th, 2009 at 5:24 am

    Para saber que dá para piorar não é preciso ir até, basta dar uma lida (quem tiver estômago forte), nos comentários postados nos blogs que têm discutido a guerra. É assustadora a boçalidade da maioria dos 'comentários', tanto dos ques se põem a defender quanto criticar Israel ou os Palestinos e o Hamas.
    Sobre este tema, e sobre seus questionamentos quanto a qual seria a estratégia de Israel, hoje eu li alguns textos excelentes. A começar o post de hoje do Pedro Dória, no qual ele traz algumas informações interessantes quanto ao Hamas. Depois, um texto de Gershom Gorenberg na Prospect (http://www.prospect.org/cs/articles?article=the_i...As conclusões dele me parecem impecáveis.

  4. #4 Gaius Baltar
    on Jan 8th, 2009 at 5:25 am

    (continuação)…
    Outra leitura muito interessante sobre o caos de Gaza é o post do Christopher Hitchens na Slate, que sempre encontra ângulos novos para seus comentários.
    Este dois autores acreditam que o atual ataque é mesmo apenas uma estratégia de curto prazo, par dar resposta aos anseios mais emediatistas do eleitorado israelense, que estava pendendo para o indefectível Bibi.
    Mas o mais interessante e assustador deles é o o prof. BENNY MORRIS no NYT de 29/12/2008 (http://www.nytimes.com/2008/12/30/opinion/30morri...Vale a leitura, que mostra os imensos desafios que ainda estão por vir na região.
    Abs

  5. #5 Michel
    on Jan 14th, 2009 at 11:09 am

    Glorioso dr. Na Prática,

    Alguns anos atrás, ouvi não me lembro onde muito menos quem me dizer que "se houvesse um árabe no mundo, haveria dois partidos árabes, ferozmente opostos". Acho que foi uma amiga (de ascendência) árabe com quem não falo faz tempo.

    Aliás, tenho lido alguns artigos, escritos por "intelectuais", que têm me deixado bastante assustado: por um lado, com a boçalidade propriamente dita, por outro, com o fato de que, se este lixo é o que dizem os "intelectuais", imagine os, bem, "não intelectuais". O último que li, basicamente, diz que Khomeini foi um grande baluarte dos direitos humanos, e cita o Sudão (no qual pessoas são mortas às centenas de milhares) como um "modelo" de revolução a ser seguido. É fogo.

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