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Blogologia: Andrew Sullivan, “Why I Blog”

Hoje vi no Andrew Sullivan que o Allan Poe, ninguém menos que o Allan Poe, que era o nome de um gato preto que a gente tinha lá na república, que certa vez cagou na cozinha (o gato, não o autor d’ O Corvo) e levou minha futura madrinha de casamento a gritar, “Ed, você cagou na cozinha!”, o que levou o meu futuro padrinho de casamento, o artista hoje conhecido como Japajato, mas então conhecido como Ed, que me visitava lá naquela casa pela primeira vez, a me olhar apavorado dizendo “Não, juro que não!”, profetizou o advento dos blogs:

“… authors will perceive the immense advantage of giving their own manuscripts directly to the public without the expensive interference of the type-setter, and the often ruinous intervention of the publisher. All that a man of letters need do will be to pay some attention to legibility of manuscript, arrange his pages to suit himself, and stereotype them instantaneously, as arranged. He may intersperse them with his own drawings, or with anything to please his own fancy, … In the new régime the humblest will speak as often and as freely as the most exalted, and will be sure of receiving just that amount of attention which the intrinsic merit of their speeches may deserve.”

O que me deu vontade de começar uma série que eu já vinha bolando, dedicada a comentar artigos sobre blogs. Em uma estranha demonstração da sincronicidade do universo, vi lá no Sérgio Leo um post sobre a diferença entre jornal e blog, sobre o qual farei o segundo post da série.

O primeiro é sobre “Why I blog“, do blogger-supreme Andrew Sullivan, artigo publicado na The Atlantic (que, por um mecanismo em si mesmo interessante, estou com vontade de assinar na versão impressa por gostar dos blogueiros do site deles).

É a melhor introdução ao tema que eu conheço. Boa parte do artigo deve interessar mais a jornalistas, que se preocupam com a diferença entre escrever para jornal e para blog (onde não há revisão, não há tempo para pensar; como diz o Drudge, citado pelo Sullivan, é um “broadcast”, uma transmissão, não uma publicação).

Mas há vários outros pontos interessantes: uma lista de autores cujo estilo antecipou a escrita direta e fragmentada dos blogs, de Pascal a Montaigne; ou o aspecto personalizante da blogosfera: por mais gente que escreva para o Daily Kos, ele é do Moulitsas (o fundador do site). O que leva a um relacionamento mais pessoal com o leitor: quando as pessoas que liam o Sullivan no “The Times” encontravam ele na rua, chamavam ele de “Mr. Sullivan”; os leitores do blog o chamam de “Andrew”.

Há ainda outra dimensão, que, do ponto de vista puramente utilitário, é a que eu acho mais legal no blog: os comentaristas frequentemente sabem mais que você, o que permite que você muitas vezes seja apenas, nas palavras do Sullivan, como o anfitrião de uma festa tentando manter a conversa interessante. Uma das coisas que eu ainda não resolvi é o seguinte: há assuntos sobre os quais eu nunca poderia publicar um artigo sem mencionar as discussões no blog. Como se cita isso?

Enfim, recomendo a leitura do texto todo, é bem bacana.

PS: interrompemos nossa transmissão para mais uma vez apelar para que o Japajato faça um blog. Um cara que diz que “A necessidade é a mãe do Frank Zappa” tem que fazer um blog.

PSTU: se eu escrevesse em um jornal, quando eu poderia fazer o PS acima?

PSTUdoB: também não posso deixar de registrar o depoimento de um colega muito talentoso, que, quando perguntado se ia fazer mestrado, respondeu “não, agora só quero fazer bloguezinho”. Vê se faz mestrado aí, mané!

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7 Comments on “Blogologia: Andrew Sullivan, “Why I Blog””

  1. #1 Renato A. de Oliveir
    on Feb 3rd, 2009 at 11:41 pm

    Eu monto um espaço para o Eddie, sistema wordpress, crio, sei lá, um japajato.orgfree.com ou qualquer outra coisa. Programo e mando as senhas de acesso para o cara.

  2. #2 Renato A. de Oliveir
    on Feb 3rd, 2009 at 11:44 pm

    Eu monto um espaço para o Eddie, sistema wordpress, crio, sei lá, um japajato.orgfree.com ou qualquer outra coisa. Programo e mando as senhas de acesso para o cara. MAS ELE TEM QUE FAZER UM BLOG!!!

  3. #3 João Paulo Rodrigues
    on Feb 4th, 2009 at 12:22 am

    Óia, o comentário sobre os comentários serem mais abalizados que os posts pode até proceder. Mas que tem blogueiro porrrr aí, mórmente os da mass media, que acham o exato oposto, ahhh, isso tem.
    O nome do mais famoso começa com Rei e termina com edo.

  4. #4 Japajato
    on Feb 4th, 2009 at 9:53 pm

    Valeu, Renato, mas sei que na verdade vcs querem que eu tenha um blog pra parar de postar no dos outros,né? ;-)

  5. #5 opatriarca
    on Feb 8th, 2009 at 1:41 pm

    Oi!
    Os jornalistas (os bons) devem estar adorando esta coisa de blog mesmo..
    Certa vez fiz um post-zinho sobre um assunto parecido, com uma outra visão. Se puder, dê uma conferida lá!
    http://opatriarcacontemporaneo.wordpress.com/2008...
    Abs.

  6. #6 O Ano NPTO – Na Prática a Teoria é Outra
    on Jan 23rd, 2010 at 5:36 pm

    [...] blogosfera, Andrew Sullivan, que doutrinou as grandes empresas de comunicação na cobertura da revolução iraniana,  e [...]

  7. #7 Dia de Blog: Andrew Sullivan | Na Prática a Teoria é Outra
    on Jun 6th, 2010 at 4:10 am

    [...] por último, o Sullivan é autor do texto mais famoso sobre blog que existe, o “Why I Blog”. Quem se interessar mais pela figura pode ler nossa resenha do livro dele sobre o conservadorismo [...]

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