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Marina Silva: PT e PSDB devem se aproximar

 

Excelente artigo da senadora e fodona Marina Silva sobre a necessidade de PT e PSDB estabelecerem pelo menos alguns pontos de contato, para enfraquecer essas maravilhas com os quais têm que fazer aliança (PFL, PMDB, etc.). Vejam só:

“Por vários motivos, de PT e PSDB se esperariam limites à guerra política, mas há exemplos, de parte a parte, de comportamento contrário. Erram quando se recusam ao diálogo sistemático em questões cruciais e são vítimas da própria armadilha: no governo ou na oposição, têm que se aliar indiscriminadamente.

Se mantivessem pontos de contato, dificilmente se tornariam reféns de maiorias indefinidas e, muitas vezes, inconsequentes. A permanente possibilidade de aliança entre ambos equilibraria os acordos políticos em geral, atraindo quadros responsáveis do PMDB, do DEM, do PV, do PDT, do PSB -de todos, enfim- e reduzindo a margem de casuísmos.
Unidos pelo resgate da política e por meio de um alinhamento ético, PT e PSDB contribuiriam para catalisar o que há de melhor em todos os partidos, em benefício de si mesmos, dos demais e, principalmente, do país.

Parafraseando o senador Suplicy, seria uma espécie de renda básica da governabilidade, assegurando o interesse nacional acima de agendas partidárias e disputas de data marcada. E isso é possível. Arriscado é nos enredarmos no passado, fazendo de conta que estamos com os olhos no futuro. O futuro exige, no presente, política de futuro: madura, menos mesquinha, apta a enfrentar tempos de instabilidade e vulnerabilidade.

Se PT e PSDB serão duas grandes forças nas eleições de 2010, que comecem a definir agora os seus próprios termos de referência para que elas aconteçam, de fato, em torno de projetos para o Brasil.”

É isso aí.

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37 Comments

  1. Até acharia legal se não soubesse que o PT e o PSDB são idênticos ao PMDB e ao DEM…

    Mais do mesmo…

  2. João Paulo Rodrigues says:

    Este tipo de proposta só aparece na boca de petistas que não detém "fatias" do PT, lideranças éticas ou isoladas, como Suplicy e Cristovão Buarque (quando no PT). Não vai adiante…

  3. NPTO says:

    Pablo, se você quer dizer que eles tê problemas graves, é verdade, mas não acho que estejam no mesmo nível. Por exemplo, o Garotinho conseguiu a legenda do PMDB, não creio que conseguisse PT ou PSDB. O Bolsonaro mesma coisa com o PFL. E não é à toa que os herdeiros dos partidos da ditadura precisem usar como cabeça de chapa gente de PT ou PSDB; eles têm mais respeitabilidade, mesmo. Não vou falar do PT para não parecer que estou puxando a brasa pra minha sardinha, mas, sinceramente, você prefere votar no FHC ou no Renan Calheiros?

  4. Igor T. says:

    Sim, nomes de peso num país só faz boiar

  5. Felipe Basto says:

    Os projetos pessoais de poder são, aparentemente, mais fortes que o projeto politico que PT e PSDB têm em comum. E eu acho que a união dos dois criaria uma coisa tão grande e com espectro de tendencias tão diversas, que seria impossivel acomodar em programas e cargos. Tenho a impressão que cada um iria prum lado e o todo ficaria paradão.

  6. André Kenji says:

    Bem, o problema é o próprio sistema político do país, que dá espaço demais a estados pequenos, que tendem a ser dominados por um único interesse econômico. Também faz falta um voto distrital, que permitiria que eleitores expulsassem deputados que não gostam.

    E o PSDB cresceu com a derrocada do malufismo e do quercismo, dominando em especial cidades mais conservadoras do interior de São Paulo, aonde o partido tem força de verdade.

  7. NPTO says:

    André, concordo. Só tenho minhas dúvidas com relação ao voto distrital (qualquer hora dessas faço um post sobre isso).

  8. Igor T. says:

    São nomes fortes dum Brasil fraco. Para a política nacional, são alguma coisa; para qualquer país que se pretenda alguma coisa, são nomes e personalidades chinfrins. Estão abaixo da crítica. Isso é subpolítica, por isso nem coço muito a cabeça. Por mais que às vezes não pareça, quero o melhor para o meu país. Se for para ficar com essas barangas no governo, em cargos importantes, prefiro não discutir muito. Só não dá para passar a mão na cabeça e ignorar que são indignos de serem gerentes de bairro dos Correios. Não adianta falar mal do Sarney e dar risada com Bittar, achar a Marta o máximo e anotar o que o Mercadante fala. O PT é diferente por muitos aspectos, mas não por qualquer ser brilhante em seus quadros. Ou se é sério, ou é palhaçada de qualquer jeito. Do jeito antigo ou do novo.

  9. Radical Livre says:

    se o voto fosse distrital, minha deputada provavelmente seria a Leila do Flamengo, vereadora centenária do Rio de Janeiro com um histórico de clientelismo, favorecimento e farta distribuição de faixas de agradecimento por migalhas fornecidas como favores excepcionais ("Largo do Machado agradece a vereadora Leila do Flamengo pelo novo ponto de Táxi" e por aí vai).

    eu realmente não sei qual a melhor forma de voto, mas a distrital transformaria a política nacional numa reunião de paróquias.

  10. Gaius Baltar says:

    NPTO, essa questão é muito difícil. Na atualidade, o voto já é, na prática, distrital. Muitos parlamentares são eleitos por sua influência em certas regiões. Basta ver que mesmo hoje, o congresso é altamente paroquial. Talvez o sistema de votação misto possa vir a se mostrar mais interessante.

  11. NPTO says:

    Gaius, essa é minha objeção, exatamente. O Paulo Delgado, por exemplo, um dos melhores parlamentares brasileiros, não conseguiu levar na última eleição porque não tinha um "distrito", uma região para a qual ele consegue obras, essas coisas. Talvez algo parecido tenha acontecido com o Delfim. O distrital provavelmente sacrificaria os deputados melhorezinhos, e favoreceria a turma que "traz obra pro bairro".

  12. João Paulo Rodrigues says:

    Uma correção, NPTO: o Paulo Delgado é um semi-distrital – bem votado na sua Jixd´Fora, e também um pouco no estado. Ele não foi eleito porque se indispôs com a máquina na época do mensalão, quando não defendeu como a direção achava que devia o partido.

  13. Arthur says:

    O Paulo Delgado não foi eleito porque a votação do PT em Minas Gerais em 2006 foi bem pior que em 2002. O desgaste do partido que diminuiu seus votos de leganda e a falta de candidatos com votação nominal muito alta (caso de Patrus Ananias e Virgílio Guimarães em 2002) fez o quociente eleitoral do partido subir e custou a eleição de gente como o Paulo Delgado. Entretanto, em termos nominais (pelo que me lembro) ele não foi muito pior em 2006 vis-à-vis 2002.

  14. Arthur says:

    Aliás ajudei a fazer um mapeamento de votação para deputado em Minas Gerais entre 2002 e 2006 e lembro que davam para identificar dois tipos de deputados (entre os eleitos em 2002 e 2006). Os "distritais" e os "não distritais". Não existia uma predominância de deputados com votação fortemente localizada. O que parecia existir, entretanto, é uma volatilidade maior de votos para os "não distritais" em relação aos outros. O partido do sujeito ir bem na eleição majoritária parece ajudar a votação dos dois tipos de candidatos, mas os "não-distritais" variam mais do que os "distritais" nesses termos. Ou seja, é bem mais arriscado ser uma deputado "não-distrital", esp. se você não aparece muito na discussão política ou seu partido sofre desgaste político…

  15. Felipe says:

    Aqui no Rio o Chico Alencar , o Gabeira e o Carlos Santana sofrem por causa do pessoal que vota qualquer coisa desde que role uma verba pra comunidade. isso é dar com uma mão e tirar com a outra.

  16. NPTO says:

    Igor, eu ainda acho que há graus entre todos esses personagens que você citou. Alguns melhores, outros piores, em ordens de grandeza que têm importância prática. Eu acho.

  17. NPTO says:

    É, se a colocação dele na lista não tiver variado muito, enfraquece o que eu disse, a menos que ele tenha perdido muito voto em Juiz de Fora para alguém mais distrital.

  18. NPTO says:

    Eu já fiz campanha para os três, e sei como é. O pior é que a tal verba pra comunidade em geral é uma merreca. O problema é que o lado ruim do voto ruim – por exemplo, má administração das contas, ou má focalização das políticas sociais – são menos fáceis de perceber.

  19. Mas Celso, esse é o motivo de termos um princípio de duas casas (Os Deputados e os Senadores). Nessa teoria a função dos Deputados Federais é sim olhar para seu quintal. Teoricamente são eles que deveriam estar mais próximo ao povo e suas necessidades. Ora, muitas vezes a necessidade de um gaúcho é diferente da necessidade de um potiguar. Por isso temos a grande quantidade de Deputados Federais e inclusive em número não igual pois varia de acordo com a população de cada Estado. Cabe ao Senado que possui divisão igual entre os Estados (três representantes cada) um olhar mais crítico e, digamos, altruísta.

    Agora com uma divisão tributária mais lógica, a importância dos Prefeitos e Governadores (e juntamente Vereadores e Deputados Estaduais) iria aumentar. Um grande cotovelo chamado União iria desaparecer. E consequentemente tanto o poder de barganha fisiológica da União e o poder de barganha dos Deputados que estão lá só para conseguir verbas (sic) iria diminuir também.

    Colocando bem claro: se os Estados e Municípios tiverem capacidade orçamentária para tocar os projetos, não precisariam ter seus Deputados negociando verbas por votos

  20. NPTO says:

    Esse argumento das duas casas é interessante. Vou pensar sobre isso.

  21. […] isso ela já vinha sacando faz tempo. No bom artigo publicado pelo nem-sempre-lúcido Sirkis na Folha de domingo retrasado, isso é dito […]

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