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Marina Silva: PT e PSDB devem se aproximar

 

Excelente artigo da senadora e fodona Marina Silva sobre a necessidade de PT e PSDB estabelecerem pelo menos alguns pontos de contato, para enfraquecer essas maravilhas com os quais têm que fazer aliança (PFL, PMDB, etc.). Vejam só:

“Por vários motivos, de PT e PSDB se esperariam limites à guerra política, mas há exemplos, de parte a parte, de comportamento contrário. Erram quando se recusam ao diálogo sistemático em questões cruciais e são vítimas da própria armadilha: no governo ou na oposição, têm que se aliar indiscriminadamente.

Se mantivessem pontos de contato, dificilmente se tornariam reféns de maiorias indefinidas e, muitas vezes, inconsequentes. A permanente possibilidade de aliança entre ambos equilibraria os acordos políticos em geral, atraindo quadros responsáveis do PMDB, do DEM, do PV, do PDT, do PSB -de todos, enfim- e reduzindo a margem de casuísmos.
Unidos pelo resgate da política e por meio de um alinhamento ético, PT e PSDB contribuiriam para catalisar o que há de melhor em todos os partidos, em benefício de si mesmos, dos demais e, principalmente, do país.

Parafraseando o senador Suplicy, seria uma espécie de renda básica da governabilidade, assegurando o interesse nacional acima de agendas partidárias e disputas de data marcada. E isso é possível. Arriscado é nos enredarmos no passado, fazendo de conta que estamos com os olhos no futuro. O futuro exige, no presente, política de futuro: madura, menos mesquinha, apta a enfrentar tempos de instabilidade e vulnerabilidade.

Se PT e PSDB serão duas grandes forças nas eleições de 2010, que comecem a definir agora os seus próprios termos de referência para que elas aconteçam, de fato, em torno de projetos para o Brasil.”

É isso aí.

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37 Comments on “Marina Silva: PT e PSDB devem se aproximar”

  1. #1 Pablo Vilarnovo
    on Feb 11th, 2009 at 5:10 pm

    Até acharia legal se não soubesse que o PT e o PSDB são idênticos ao PMDB e ao DEM…

    Mais do mesmo…

  2. #2 João Paulo Rodrigues
    on Feb 12th, 2009 at 1:08 pm

    Este tipo de proposta só aparece na boca de petistas que não detém "fatias" do PT, lideranças éticas ou isoladas, como Suplicy e Cristovão Buarque (quando no PT). Não vai adiante…

  3. #3 NPTO
    on Feb 12th, 2009 at 5:40 pm

    João, você tem lá sua razão, mas não acho que seja motivo suficiente para descartar completamente esse cenário. Bem ou mal, são nomes de peso, e eu acho que nas bases o descontentamento com a proximidade com o PMDB deve estar forte.

  4. #4 NPTO
    on Feb 12th, 2009 at 5:44 pm

    Pablo, se você quer dizer que eles tê problemas graves, é verdade, mas não acho que estejam no mesmo nível. Por exemplo, o Garotinho conseguiu a legenda do PMDB, não creio que conseguisse PT ou PSDB. O Bolsonaro mesma coisa com o PFL. E não é à toa que os herdeiros dos partidos da ditadura precisem usar como cabeça de chapa gente de PT ou PSDB; eles têm mais respeitabilidade, mesmo. Não vou falar do PT para não parecer que estou puxando a brasa pra minha sardinha, mas, sinceramente, você prefere votar no FHC ou no Renan Calheiros?

  5. #5 Igor T.
    on Feb 12th, 2009 at 6:18 pm

    Sim, nomes de peso num país só faz boiar

  6. #6 Felipe Basto
    on Feb 12th, 2009 at 8:34 pm

    Os projetos pessoais de poder são, aparentemente, mais fortes que o projeto politico que PT e PSDB têm em comum. E eu acho que a união dos dois criaria uma coisa tão grande e com espectro de tendencias tão diversas, que seria impossivel acomodar em programas e cargos. Tenho a impressão que cada um iria prum lado e o todo ficaria paradão.

  7. #7 João Paulo Rodrigues
    on Feb 12th, 2009 at 9:31 pm

    Celso (NPTO? Celso? NPTO?), entendo a importância de destacar esse descontentamento, mas historicamente no PT ele leva ou à saída ou à expulsão das tendências que denunciam estes acordos, sejam eles radicais de esquerda, sejam eles indivíduos isolados como Buarque. Não sou otimista, embora ache importante não deixar esta bola cair. De mais a mais, acho que na base há menos descontentamento com o PMDB do que ódio, daqueles visceral, ao PSDB. Sinceramente, acho inocência esperar que a "proposta" viceje.

  8. #8 André Kenji
    on Feb 13th, 2009 at 2:52 am

    Bem, o problema é o próprio sistema político do país, que dá espaço demais a estados pequenos, que tendem a ser dominados por um único interesse econômico. Também faz falta um voto distrital, que permitiria que eleitores expulsassem deputados que não gostam.

    E o PSDB cresceu com a derrocada do malufismo e do quercismo, dominando em especial cidades mais conservadoras do interior de São Paulo, aonde o partido tem força de verdade.

  9. #9 NPTO
    on Feb 13th, 2009 at 12:16 pm

    Fala, rapaz (e pode chamar como quiser, desde que nada excepcionalmente ofensivo, se for só moderadamente ofensivo tá beleza)! Bem, se você pensar em uma fusão, uma aliança em 2010, é mesmo impossível. Mas uma agenda mínima é factível, eu acho.

  10. #10 NPTO
    on Feb 13th, 2009 at 12:16 pm

    Num intindi :)

  11. #11 NPTO
    on Feb 13th, 2009 at 12:22 pm

    Felipe, como eu disse acima, atualmente só dá pra pensar em agenda comum, aproximação formal mesmo não tem jeito, como você disse, há projetos particulares demais em oposição um ao outro.

  12. #12 NPTO
    on Feb 13th, 2009 at 12:27 pm

    André, concordo. Só tenho minhas dúvidas com relação ao voto distrital (qualquer hora dessas faço um post sobre isso).

  13. #13 Igor T.
    on Feb 13th, 2009 at 12:43 pm

    São nomes fortes dum Brasil fraco. Para a política nacional, são alguma coisa; para qualquer país que se pretenda alguma coisa, são nomes e personalidades chinfrins. Estão abaixo da crítica. Isso é subpolítica, por isso nem coço muito a cabeça. Por mais que às vezes não pareça, quero o melhor para o meu país. Se for para ficar com essas barangas no governo, em cargos importantes, prefiro não discutir muito. Só não dá para passar a mão na cabeça e ignorar que são indignos de serem gerentes de bairro dos Correios. Não adianta falar mal do Sarney e dar risada com Bittar, achar a Marta o máximo e anotar o que o Mercadante fala. O PT é diferente por muitos aspectos, mas não por qualquer ser brilhante em seus quadros. Ou se é sério, ou é palhaçada de qualquer jeito. Do jeito antigo ou do novo.

  14. #14 Radical Livre
    on Feb 13th, 2009 at 1:05 pm

    se o voto fosse distrital, minha deputada provavelmente seria a Leila do Flamengo, vereadora centenária do Rio de Janeiro com um histórico de clientelismo, favorecimento e farta distribuição de faixas de agradecimento por migalhas fornecidas como favores excepcionais ("Largo do Machado agradece a vereadora Leila do Flamengo pelo novo ponto de Táxi" e por aí vai).

    eu realmente não sei qual a melhor forma de voto, mas a distrital transformaria a política nacional numa reunião de paróquias.

  15. #15 Gaius Baltar
    on Feb 13th, 2009 at 4:47 pm

    NPTO, essa questão é muito difícil. Na atualidade, o voto já é, na prática, distrital. Muitos parlamentares são eleitos por sua influência em certas regiões. Basta ver que mesmo hoje, o congresso é altamente paroquial. Talvez o sistema de votação misto possa vir a se mostrar mais interessante.

  16. #16 NPTO
    on Feb 13th, 2009 at 5:12 pm

    Radical, esse é meu problema, também. Se o voto fosse distrital, eu acho que nunca conseguiria eleger ninguém. Hoje em dia acho que não, mas alguns anos atrás, suspeito que meu distrito (Copacabana, numa região cheia de militar aposentado) elegesse o Bolsonaro. Se o distrito incluísse os morros da área, talvez a Benedita ganhasse com o meu voto, mas aí era a turma dos milicos que ficaria sem representação.

  17. #17 NPTO
    on Feb 13th, 2009 at 5:32 pm

    Gaius, essa é minha objeção, exatamente. O Paulo Delgado, por exemplo, um dos melhores parlamentares brasileiros, não conseguiu levar na última eleição porque não tinha um "distrito", uma região para a qual ele consegue obras, essas coisas. Talvez algo parecido tenha acontecido com o Delfim. O distrital provavelmente sacrificaria os deputados melhorezinhos, e favoreceria a turma que "traz obra pro bairro".

  18. #18 João Paulo Rodrigues
    on Feb 14th, 2009 at 9:59 pm

    Uma correção, NPTO: o Paulo Delgado é um semi-distrital – bem votado na sua Jixd´Fora, e também um pouco no estado. Ele não foi eleito porque se indispôs com a máquina na época do mensalão, quando não defendeu como a direção achava que devia o partido.

  19. #19 Arthur
    on Feb 15th, 2009 at 6:40 pm

    O Paulo Delgado não foi eleito porque a votação do PT em Minas Gerais em 2006 foi bem pior que em 2002. O desgaste do partido que diminuiu seus votos de leganda e a falta de candidatos com votação nominal muito alta (caso de Patrus Ananias e Virgílio Guimarães em 2002) fez o quociente eleitoral do partido subir e custou a eleição de gente como o Paulo Delgado. Entretanto, em termos nominais (pelo que me lembro) ele não foi muito pior em 2006 vis-à-vis 2002.

  20. #20 Arthur
    on Feb 15th, 2009 at 6:50 pm

    Aliás ajudei a fazer um mapeamento de votação para deputado em Minas Gerais entre 2002 e 2006 e lembro que davam para identificar dois tipos de deputados (entre os eleitos em 2002 e 2006). Os "distritais" e os "não distritais". Não existia uma predominância de deputados com votação fortemente localizada. O que parecia existir, entretanto, é uma volatilidade maior de votos para os "não distritais" em relação aos outros. O partido do sujeito ir bem na eleição majoritária parece ajudar a votação dos dois tipos de candidatos, mas os "não-distritais" variam mais do que os "distritais" nesses termos. Ou seja, é bem mais arriscado ser uma deputado "não-distrital", esp. se você não aparece muito na discussão política ou seu partido sofre desgaste político…

  21. #21 Pablo Vilarnovo
    on Feb 16th, 2009 at 1:30 pm

    Infelizmente discordo. Não existe partido no país com um programa seja filosófico, político, econômico ou de qualquer outra espécie. O que existe é um punhado de caciques que lutam por seus interesses próprios. Bolsonaro fala para um grupo específico de pessoas.
    Eu acho o contrário. Para mim éo PT e o PSDB que utilizam os partidos nanicos ou o leviatã fisiológico do PMDB para conseguirem atingir seus objetivo$. Renan serviu muito bem ao PSDB e ao PT. E irá continuar a servir contanto que pagem pelos seus serviços.
    Apenas uma reforma política e uma tributária poderia elevar o nível político brasileiro. Mas tanto o PSDB quanto o PT já deram várias mostras que não buscam esse objetiv.

  22. #22 Pablo Vilarnovo
    on Feb 16th, 2009 at 1:39 pm

    Desculpe me meter, mas… não é assim que deve ser? Digo, dentro da teoria política brasileira? O que vocês reclamam do voto-distrital deveriam estar reclamando da politica tributária brasileira. O nosso "federalismo" é só da boca para fora. Vide que a União detém quase 70% dos recursos arrecadados no país, sobrando pouco para Estados e Municípios. Dentro desse cenário a lógica faz com que deputados sejam meramente caçadores de recursos o que abre margem ao clientelismo político.

  23. #23 Felipe
    on Feb 17th, 2009 at 1:47 am

    Aqui no Rio o Chico Alencar , o Gabeira e o Carlos Santana sofrem por causa do pessoal que vota qualquer coisa desde que role uma verba pra comunidade. isso é dar com uma mão e tirar com a outra.

  24. #24 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 2:57 am

    Ah, sim, é verdade, o DEM e o PMDB serviram a PSDB e PT; agora, PT e PSDB tiveram que limitar muito o que podiam fazer por conta dessas alianças.

  25. #25 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 2:58 am

    Igor, eu ainda acho que há graus entre todos esses personagens que você citou. Alguns melhores, outros piores, em ordens de grandeza que têm importância prática. Eu acho.

  26. #26 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 2:59 am

    Sou a favor da reforma tributária, mas acho que quanto mais localismo, mais os parlamentares vão se concentrar em garantir o do seu curral, não?

  27. #27 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 3:01 am

    Essa história da máquina eu já ouvi, também. Triste.

  28. #28 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 3:02 am

    É, se a colocação dele na lista não tiver variado muito, enfraquece o que eu disse, a menos que ele tenha perdido muito voto em Juiz de Fora para alguém mais distrital.

  29. #29 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 3:04 am

    Deve ser esse mesmo o mecanismo, o cara não distrital é mais instável. Esse mapeamento foi publicado?

  30. #30 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 3:07 am

    Eu já fiz campanha para os três, e sei como é. O pior é que a tal verba pra comunidade em geral é uma merreca. O problema é que o lado ruim do voto ruim – por exemplo, má administração das contas, ou má focalização das políticas sociais – são menos fáceis de perceber.

  31. #31 Arthur
    on Feb 17th, 2009 at 4:18 am

    Foi não. Era um mapeamento nada acadêmico. Estava ajudando a mapear os votos de dois determinados candidatos e compará-los com alguns outros candidatos. Aí percebemos o perfil. Mas ficou nisso. Não criamos nenhuma métrica para identifcar o candidato como distrital ou não, nem fizemos alguma análise mais formal sobre as relações entre volatilidade de votação e concentração regional dos votos. Até dá para fazer isso e quem sabe não arrumo tempo para tal num futuro próximo. Mas mesmo sem uma análise estatítica muito formal, o padrão de volatilidade era muito claro (em Minas Gerais, pelo menos)

  32. #32 Arthur
    on Feb 17th, 2009 at 4:24 am

    Sei não, mas acho que tanto o voto distrital quanto o federalismo fiscal melhoram o accountability do sistema. O que voce não acha? Sei que ambos tem seus contras, mas esses nao seriam grandes prós?

  33. #33 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 11:35 pm

    Dava um paper bacana!

  34. #34 NPTO
    on Feb 17th, 2009 at 11:36 pm

    Eu gosto do federalismo fiscal, mas o distrital puro nao é muito minha praia, não. Talvez o misto.

  35. #35 Pablo Vilarnovo
    on Feb 18th, 2009 at 12:25 am

    Mas Celso, esse é o motivo de termos um princípio de duas casas (Os Deputados e os Senadores). Nessa teoria a função dos Deputados Federais é sim olhar para seu quintal. Teoricamente são eles que deveriam estar mais próximo ao povo e suas necessidades. Ora, muitas vezes a necessidade de um gaúcho é diferente da necessidade de um potiguar. Por isso temos a grande quantidade de Deputados Federais e inclusive em número não igual pois varia de acordo com a população de cada Estado. Cabe ao Senado que possui divisão igual entre os Estados (três representantes cada) um olhar mais crítico e, digamos, altruísta.

    Agora com uma divisão tributária mais lógica, a importância dos Prefeitos e Governadores (e juntamente Vereadores e Deputados Estaduais) iria aumentar. Um grande cotovelo chamado União iria desaparecer. E consequentemente tanto o poder de barganha fisiológica da União e o poder de barganha dos Deputados que estão lá só para conseguir verbas (sic) iria diminuir também.

    Colocando bem claro: se os Estados e Municípios tiverem capacidade orçamentária para tocar os projetos, não precisariam ter seus Deputados negociando verbas por votos

  36. #36 NPTO
    on Feb 18th, 2009 at 1:37 am

    Esse argumento das duas casas é interessante. Vou pensar sobre isso.

  37. #37 A Candidatura Marina Silva | Na Prática a Teoria é Outra
    on Aug 21st, 2009 at 6:50 am

    [...] isso ela já vinha sacando faz tempo. No bom artigo publicado pelo nem-sempre-lúcido Sirkis na Folha de domingo retrasado, isso é dito [...]

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