Hoje saiu o resultado final: como esperava, não passei porque meu título de doutorado ainda não foi reconhecido por universidade brasileira, o que me faz cair de 5º para 18º. Ê beleza.
Como esse é um assunto que me dá um certo ódio genocida abalo na frequência de vibração de minha aura, vou entremear o post com músicas propícias ao relaxamento e à reflexão.
O concurso começou zoneado, porque o espetacular Conselho dos Economistas conseguiu na justiça que só economistas concorressem a cargos que exigiam as habilidades necessárias a essas coisas que economista sabe fazer, como prever crise internacional com a antecedência necessária e prescrever remédios que a resolvam rapidamente.
Depois a prova em uma das áreas foi criticada por ter questões de caráter ideológico. Bom, pelo que eu entendi, isso só aconteceu em uma das áreas do concurso, e algumas das questões eram, na verdade, bastante bobas (e fáceis). Na área em que eu concorri (uma das que sobraram depois da ação do conselho dos economistas) não teve nada disso. A prova de conhecimentos específicos não foi bem feita, e alguns gabaritos continuaram errados mesmo depois dos recursos, mas nada que tivesse viés ideológico obviamente identificável (a única questão sobre autor marxista, por exemplo, ficou com gabarito errado, o que prejudicou quem entendia disso).
De qualquer maneira, consegui ir para a prova oral em Brasília. Me dei muito bem na prova oral, tirei 9.25, porque caiu um assunto sobre o qual eu tinha acabado de reler um livro do Pzeworski (na praia de Ipanema, comendo biscoito Globo – que onda, hein?) poucos dias antes.
Mas de nada adiantou, porque o título não foi reconhecido a tempo. E porque o título não foi reconhecido a tempo?
Em Fevereiro recebi o diploma de Oxford e liguei lá na USP para saber o que tinha que levar de documento para a oficialização. Me deram uma lista que incluía o histórico das disciplinas cursadas. Mas em Oxford o doutorando não é obrigado a frequentar disciplinas – todos frequentam, mas como ouvintes, e portanto não têm notas. Me disseram que eu precisava de uma carta do departamento dizendo isso. Interrompi o processo de seleção do mestrado de lá para pedir a tal carta, os caras concordaram. Mas o cara da USP disse que a carta precisava ser autenticada no consulado brasileiro de Londres (o diploma já havia sido). Fiz uma operação de guerra aqui e consegui que o departamento (onde devem ter achado engraçadíssimo que o diploma tivesse que ser reconhecido por uma universidade brasileira) mandasse direto para o consulado, e o consulado me mandou outro dia, quando o prazo para entrega de títulos já havia passado.
De qualquer maneira, semana passada fui na USP entregar tudo, e o corno funcionário que cuida disso me informou que ainda não podia dar entrada no processo, porque eu não tinha cópia da GRU com a qual eu paguei o serviço do consulado. Eu perguntei, Sr. corno funcionário (atenção na cortesia), como é que eu ia saber que precisava disso se ninguém me contou isso em nenhuma das quinze vezes que eu liguei aqui, e isso não consta na lista de documentos publicada no pavilhão reto-furicular do site de vocês? E o cara me disse que também não dava pra colocar cada coisinha no site. A propósito, custa um barão e meio oficializar o diploma.
Disse coisas muito feias para ele amanhã vou pedir dispensa no serviço para ir na UNICAMP ver se consigo resolver isso lá.
Mas porque eu preciso oficializar diploma, afinal? Ah, como me disse o corno funcionário da USP, “Bolívia, Oxford, aqui é tudo a mesma coisa”. Como uns membros da etnia moral do corno da USP vão fazer faculdade na Bolívia e voltam com uns diplomas que não valem nada, todos os estudantes brasileiros que vão pra fora são suspeitos de terem feito a mesma coisa.
Inclusive aqueles como eu, que foram mandados pelo governo brasileiro, pagos pelo CNPq, que nos selecionou após avaliar a qualidade da instituição lá fora e a relevância do tema para a academia brasileira.
Isso seria uma boa hora para falar mal do Brasil, sobre como é ruim ter voltado, mas eu não vou fazer isso. Pois foram os trabalhadores brasileiros que pagaram imposto para me pagar para fazer doutorado lá fora, conseguir qualificação que amplia ainda mais a vantagem de mercado que eu já tinha sobre eles. Se não fossem os brasileiros, eu não teria ido a Oxford. Leiam o poema “Ítaca” do Kaváfis, sobre a cidade natal do Ulisses, onde ele diz que Ulisses não tem direito de exigir mais nada de Ítaca em seu retorno, uma vez que ela já havia feito o mais importante: o mandado em sua jornada (e o Ulisses fez a viagem sem bolsa).
Só estou escrevendo para vocês verem como a estrutura do Estado brasileiro prejudica sua própria capacidade de investir. Da própria vez que ouvirem alguém reclamando dos entraves burocráticos para o PAC, acreditem.


on May 6th, 2009 at 4:50 am
Dá muita raiva ver um profissional cair de 5o para 18o num concurso por um motivo desses.
on May 6th, 2009 at 5:59 am
Bem sei como são essas coisas de informar a burocracia pela metade…
Meio caminho andado, não seria melhor terminar de fazer na USP mesmo?
on May 6th, 2009 at 10:09 am
Putz, Celso… Que bela duma merda. Bem, como você é meio ninja e vai acabar arrumando um lugar ainda melhor e mais interessante, despreocupo-me um pouco. De qualquer forma, fico fulo por você. Foi muita babaquice, mesmo.
Abração,
on May 6th, 2009 at 10:27 am
Coisa mais escrota. O processo é um saco, mesmo – não surpreende que no meu caso tenham pedido documentos diferentes… Agora, é um clássico exemplo de sistemas não comunicantes: se o CNPq aprova o pedido de bolsa para aquela universidade específica, isso não deveria significar que a Universidade já foi avaliada? Boa sorte. Meu único consolo é que vc deve estar por aí quando eu chegar.
on May 6th, 2009 at 10:49 am
PQP!
Ainda bem que eu já desisti da Ciência Política!
on May 6th, 2009 at 12:43 pm
Que bela merda! De qualquer forma, meus parabéns pela colocação (5o).
E depois ainda tem gente que se indigna com a ideia de que reformar o Estado é preciso. Com relação à universidade pública, ela teria que ser simplesmente recriada.
Apesar disso, você não tem qualquer interesse em um concurso para professor?
on May 6th, 2009 at 1:19 pm
Celso, essa vc não merecia, mesmo. Fala sério.
Tenta via UNICAMP…
Bjs
on May 6th, 2009 at 1:35 pm
Celso, Celso, o senhor é um fanfarrão muito do ingênuo mesmo… Você não percebeu que o cara queria mesmo era propina?? E você deveria ter mesmo subornado ele – oferecendo o seu carro ou coisa assim. X^D
Comentário sério: parafraseando o Giannotti, que prédio de merda empilhada essa sua situação. O Estado, enquanto CNPq, investiu na sua formação mas perdeu uma ótima chance de aproveitá-la por meio do IPEA. E nessa brincadeira de ineficiência do Estado, você se ferrou.
on May 6th, 2009 at 2:20 pm
Salve, meu caro.
Lamento muito pelo ocorrido. Noves fora a injustiça praticada contra você, é um tiro no pé do Estado, lhe enviar para Oxford, não reconhecer o diploma por conta de regras estúpias e depois lhe negar o posto no Ipea.
O concurso foi, de fato, muito tumultado, devido às resistências de parte da velha guarda do instituto, que está relutante em aceitar novos profissionais, com formação diferente de economia. A reação corporativista do Conselho de Economia regiu a essas pressões.
Com certeza, haverá outras oportunidades, até melhores do que o Ipea. Tenho algumas sugestões para você, me mande um email e conversamos.
Abraços
on May 6th, 2009 at 2:25 pm
Celso, meu caro, não há o que dizer numa hora dessas. Fico chateado pelo IPEA, que perderá um baita profissional e, mais do que isso, um cara com visão de mundo mais do que interessante para o quadro da instituição.
Do ponto de vista prático, a única coisa que eu lhe recomendo é a seguinte: procure um advogado. Você já era doutor antes do concurso do IPEA. Se demoraram pra convalidar seu diploma, isso já não é um problema seu. Nem do IPEA. Mas o Instituto tem de reconhecer o seu título, mesmo que seja a posteriori, garantindo a sua aprovação.
Não jogue fora o seu esforço para passar neste concurso. Acione a Justiça.
Um abraço,
on May 6th, 2009 at 3:21 pm
ótima dica, André.
on May 6th, 2009 at 9:13 pm
Péssima dica: o edital do concurso dizia claramente que diploma no exterior deve ser revalidado.
on May 7th, 2009 at 12:32 am
Mandado de segurança neles, meu chapa! Eu já tinha cantado essa pedra porque um amigo estava na mesma situação: http://politikaetc.blogspot.com/2009/04/caca-as-c...
Abraço,
Rapha
on May 7th, 2009 at 1:20 am
Não li o edital do concurso, Reader. Mas se for isso mesmo que você disse, cabe recurso sim. O Celso fez o pedido de revalidação; se estão demorando, o problema não é dele. Nem do IPEA (como disse acima). Mas, no mínimo, o mandado de segurança deve garantir o término do processo de revalidação – aliás, diria que o instrumento judicial poderia até servir pra USP agilizar as coisas, dada a urgência da matéria.
Porque esse negócio da revalidação é puramente pro-forma. Ou alguém vai me dizer que a USP não vai revalidar um diploma de Oxford?
E tem outra: todo esse negócio que o Celso escreveu acima (ele foi com bolsa do Cnpq, a USP fez exigências adicionais que atrasaram o processo, etc, etc) só fazem o mandado de segurança fazer mais sentido. E olha que pra concurso público, mandados de segurança totalmente sem sentido são dados por aí…
on May 7th, 2009 at 2:04 am
Vocês precisam de óculos novos…
Está claro no texto que Celso nem chegou a dar entrada na revalidação porque não conseguiu reunir todos os documentos a tempo.
Se estava previsto no edital, não há motivos para questionar judicialmente, eu acho.
Se não precisa revalidar um título vindo de Oxford, também não deveria ser necessário revalidar um título vindo do Paraguay….
on May 7th, 2009 at 12:10 pm
O ponto é justamente este: ele não conseguiu reunir os documentos a tempo porque tinha um funcionário imbecil/corrupto/maligno que não deixava nem ele dar entrada. Certamente se pode dizer que o Celso tem direito líquido e certo a PEDIR (pelamordedeus!!!) para validarem o diploma. Além do mais, a Constituição determina que a eficiência é um princípio da Adminsitração Pública, e há jurisprudência favorável nesse sentido.
Hmm, vou ligar para uns amigos para ver se eles topam…
on May 7th, 2009 at 12:28 pm
Bom, saindo um pouco do tema, essa porra de revalidação foi inventada para áreas em que realmente importa, tipo medicina. Faz diferença se o sujeito foi formado na Universidad de San Antonio de las Madres de Diós, de Copabanahualta, por correio. O resultado de legitimar a prática médica do sujeito é grave, irreversível até. Agora, a despeito da diferença de qualidade da instituição, por que isso tem que ocorrer na área de humanas? É insólito. Afinal, há imprescindíveis cientistas políticos, sociólogos e historiadores que sequer graduação fizeram! Não vou discriminar um colega da área de história porque ele veio de uma universidade menor de um país sem tradição acadêmica. O que realmente vale é a qualidade do que ele escreve.
on May 7th, 2009 at 12:33 pm
Enoch, leia você de novo o texto. O Celso foi à USP e os caras pediram novas autenticações, reconhecimentos e babaquices afins. Pode até ser que ele não tenha dada entrada no processo de revalidação de fato; contudo, só de ter tido este contato (desde que ele consiga provar), já fica claro pra mim que ele havia iniciado o processo. E que a USP botou um monte de obstáculos no caminho.
Eu tentaria sim um mandado de segurança. Com todo o esforço que o Celso fez, é o mínimo a se tentar no momento.
E Enoch, sejamos razoáveis: comparar um título de Oxford com um título vindo do Paraguai é um absurdo sem fim. Quer provar na prática esta afirmação? Simples. Vá a um congresso internacional de Ciências Socias e peça a palavra. Diga o seu nome e, em seguida, que é doutor em Sociologia por Oxford. Todo mundo te ouvirá. Volte depois ao mesmo congresso (disfarçado, é óbvio) e diga que o sr. é doutor em Sociologia pela Universidad Autonoma del Paraguay. Se sobrar um filho bastardo do Lugo pra te ouvir, já será demais.
on May 7th, 2009 at 2:07 pm
Grande Idelber! É, mas nem é a coisa mais feia que eu já vi acontecer em concurso, não.
on May 7th, 2009 at 2:08 pm
Enoch, normalmente você teria razão, mas dessa vez vi que lá na USP não ia sair esse troço, por motivos que não compreendo. Ontem fui na UNICAMP e em vinte minutos eles deram entrada no processo, sem exigir coisas que a USP pediu (como o malfadado GRU, que a funcionária morreu de rir de eu querer apresentar).
on May 7th, 2009 at 2:09 pm
E aí, sumido! Bem, as coisas são assim, mesmo. Se eu estivesse desempregado, ficaria possesso, mas como estou mais ou menos bem, é só esperar outra chance, mesmo.
on May 7th, 2009 at 2:24 pm
E aí, majestade! E a beleza é que fui ontem na UNICAMP e não pediram um monte de coisas que a USP tinha pedido – a declaração de que não há créditos a cursar, por exemplo, pode ser feita por você mesmo (e se descobrirem que está errado te processam).
Quanto aos sistemas não comunicantes, quando contei a história pro André (que está comentando aqui, e se interessa por políticas de inovação tecnológica), o cara logo disse isso aí, mesmo: que é impressionante que não haja comunicação entre a o MCT e o MEC.
on May 7th, 2009 at 2:24 pm
Pô, Vinhal, que que a coitada da ciência política tem a ver com isso?
on May 7th, 2009 at 2:28 pm
Tem que recriar a parada toda, é isso mesmo. Quanto a concurso pra professor: como estou razoavelmente bem empregado (e com salário mais alto), não estou correndo atrás, mas se aparecer algo muito interessante eu penso.
on May 7th, 2009 at 2:28 pm
Já fui lá e consegui dar entrada ontem, além de ter revisto a vilazinha laranja (vou fazer um post mais tarde sobre isso).
on May 7th, 2009 at 2:30 pm
HWBB, também fiquei suspeitando disso, mas, dado o histórico da burocracia universitária brasileira, é capaz de ser só ineficiência, mesmo. Aliás, isso é interessante: em termos de burocracia acadêmica, já vi todo tipo de sacanagem, mas nunca ouvi falar de suborno.
on May 7th, 2009 at 2:30 pm
Valeu, Maurício!
on May 7th, 2009 at 2:33 pm
Ao pessoal que sugeriu o processo: de fato, o problema de não terem dado entrada no processo torna a coisa mais difícil. Não porque o processo não possa ser considerado iniciado desde que apareci lá pela primeira vez, mas porque é difícil provar que eu fui lá antes. Os caras podem dizer que nunca me viram na vida e aí ferrou. Mas continuo pesquisando isso.
Em contraste: ontem a UNICAMP me deu um número de protocolo para o processo. Se eles fizerem alguma besteira, eu tenho como provar que o processo está correndo.
on May 7th, 2009 at 2:34 pm
Pois é, o problema é a turma da medicina (que tem que convalidar, mesmo, tá certo). Alguns dos procedimentos exigidos, inclusive, só fazem sentido pra eles. Agora, precisa ser a mesma regra pra todo mundo? Inclusive, repito, para ex-bolsista CNPQ?
on May 7th, 2009 at 2:35 pm
Dr. André, farei esse experimento na próxima ANPOCS e comunicar-lhe-ei o resultado!
on May 7th, 2009 at 3:09 pm
Mas aí é que está, nesse caso seria suborno ou extorsão?
Se o cara falasse "Ih, dotô, vai demoraaaaa…" aí sim ele estaria cantando a bola pra receber alguma coisa por fora. Se ele nem deu essa dica então era incompetência dele mesmo.
on May 7th, 2009 at 3:19 pm
Foda foi o "Bolívia, Oxford, aqui é tudo a mesma coisa". Ainda estou impressionado com seu autocontrole por não ter agredido fisicamente o sujeito depois dessa.
Não oferece muito consolo, mas se tu não pegou a vaga por causa disso então na próxima já está no papo.
E quando sai a musiquinha do IFCH?
on May 7th, 2009 at 3:43 pm
Para um eventual Mandado de Segurança, um ponto é central: você chegou ou não a apresentar seu doutorado na fase de títulos? Isso não ficou muito claro no seu texto e é essencial.
Se você apresentou o título e a Comissão não admitiu por falta de revalidação, você tem algumas chances (o fato de você ter iniciado formalmente o processo de revalidação somente após o resultado do concurso as diminui). Agora se você nem apresentou por considerar que ele não se enquadrava no exigido pelo edital, não será nem admitido por simples ausência de violação a direito.
Boa sorte.
on May 7th, 2009 at 5:02 pm
Teria sido extorsão, eu acho.
on May 7th, 2009 at 5:03 pm
Amyr (você é o Amyr que fez o concurso? Se for, parabéns!), eu apresentei, sim, eles que não contaram. Mas meu problema em entrar com o processo é provar que teve esse atraso todo na USP, não tem número de atendimento, nem nada. Mas continuo vendo isso.
on May 7th, 2009 at 5:04 pm
Pô, Japajato, você deve ser o primeiro cara a elogiar meu autocontrole. Os leitores que me conhecem devem estar rolando de rir.
on May 7th, 2009 at 5:26 pm
Sou não. Só um quase advogado. =)
Realmente, fica mais complicado se você não tem provas da desídia da USP. Todavia, você pode conseguir. Já vi decisões do STF afirmando que se a culpa do não cumprimento dos requisitos do edital não for do candidato e sim de outrem, ele não pode ser prejudicado.
Vale a pena tentar.
on May 7th, 2009 at 5:35 pm
Valeu pela dica, Amyr!
on May 7th, 2009 at 5:36 pm
E parabéns por "desídia"!
on May 7th, 2009 at 5:51 pm
Como diria Galvão Bueno se estivesse narrando algum pleito judiciário: "Mandado de Segurança neles!".
Pega um advogado bom e manda ver. O máximo que o juiz lhe dirá é um "na-na-ni-na-não", mas esse "na-na-ni-na-não" você já tem com a sua atual posição no concurso.
Abraços,
on May 7th, 2009 at 6:11 pm
Estou analisando, vamos ver. Processo é um saco, não gosto de entrar sem ter chance, e não quero criar falsa expectativa em mim mesmo.
on May 7th, 2009 at 6:41 pm
Fácil! É só criar a seguinte expectagica: "não vou ganhar, mas vou encher ossaco da USP!"
on May 7th, 2009 at 6:46 pm
Também é uma possibilidade
on May 7th, 2009 at 6:56 pm
Pô, num pricisava humilhá…
on May 7th, 2009 at 7:00 pm
Ôpa! Essa eu queria ouvir.
on May 7th, 2009 at 7:02 pm
Bom eu que sou uma mera graduanda em Economia já sofro com toda essa burocracia pra validar diploma…hunf… Meu curso está iniciando e não sei se isso é bom ou ruim estou na primeira turma (tem pareciso ruim a maior parte do tempo) e com todos os problemas de um curso iniciando (principalmente em um curso de Economia onde a enfase é marxista) poucos professores participam dos processos seletivos, poucos alunos se interessam pelo curso ( e os que entraram começam a sair, há os professores tmem… é só entrar que resolvem faser doutorado ou passam em outro consurso… aff)… e bla bla bla… Um professor com pós doutorado na inglaterra passa na concuso da "graaaande" IEF UFVJM ( ?) e não pode assumir o cargo pq o diploma de doutorado não foi validado e o prazo dado não foi suficiente, ou o cara achou que não valia a pena o trabalho( o que eu acho mais provavel =/) e nós alunos, estamos até hj sem professor na area… Isso sim gera um odio genocida…
on May 7th, 2009 at 7:07 pm
É, o salário é mais alto, mas se eu te ameaçasse com a obrigação de fazer o servicinho chato que apareceu pra fazer hoje, garanto que você me oferecia seu salário de uma ano pra se livrar
)
Falando sério, a questão mesmo é o salário vergonhoso pago aos professores. Uma coisa é quando ninguém ganha aumento, mas TODO MUNDO no serviço público andou ganhando aumento e os professores continuam ganhando muito menos.
on May 7th, 2009 at 7:09 pm
Opa, quer dizer que venho cordialmente fazer uma visita e por sorte não sou escurraçado?!? =)
André, Japajato e Celso:
Falei Paraguai intencionalmente mesmo. Concordo que há origens em que essa revalidação não deveria ser necessário.
Mas se ainda não temos uma regulamentação melhor, a lei continua valendo para todos, não é? Cadê a isonomia?
on May 7th, 2009 at 11:06 pm
Cara, pra mim uma regra muito boa (e isonômica) seria a seguinte: foi pelo Cnpq, tá revalidado. E fim de papo. Porque, das duas uma: ou tem gente ganhando dinheiro aqui no Brasil revalidando diploma que não precisa ser revalidado ou o Cnpq é uma merda e não sabe pra onde envia a galera pra fazer mestrado e doutorado (e o pior, com a grana do trabalhador brasileiro).
Esse caso do Celso ele tem tanta, mas tanta razão, que não me surpreenderá se nos próximos dias ele der uma de Michael Douglas e sair por aí num "Dia de Fúria". E depois eu que aparecerei na televisão falando "mas ele era um cara tão pacato, tão tranquilo, como é que foi fazer isso" – e "isso" se refere a quebrar na porrada meia dúzia de babacas da máquina administrativa ineficiente da usp…
on May 18th, 2009 at 7:37 pm
Caro Celso, não entendo nada de mandados de segurança. Mas,como leitor do seu blog, pesquisador do Ipea e sociólogo (bom, e vascaíno), fica aqui registrada minha solidariedade por sua experiência kafkiana, e torço para que você consiga reverter isso. Seria muito bom ter você com a gente lá na disoc.
Já passei por algo parecido quando voltei da inglaterra, e novamente quando defendi minha dissertação. Até hoje não tenho meu diploma de mestrado em mãos, por coisas parecidas com as que você citou: uma série de papeladas, papéis que não avisam que a gente precisa, um ou outro funcionário de mal com a vida, demoras no envio de ofícios e documentos entre departamentos da universidade, e por aí vai.
Aliás, tenho tantos testemunhos de bizarrices da burocracia brasileira – desde suas coordenadorias mais esquecidas e postos mais remotos até seus mais importantes gabinetes e palácios – que já cogitei com colegas em escrever um livro a respeito. Algo como uma coletânea de histórias orais e etnografias sobre o Estado visto de dentro. Acho que sua história mereceria uma menção no livro.
Um abraço, e boa sorte.
on May 19th, 2009 at 1:49 am
Valeu, Marcos, fiquei muito contente com seu comentário, também gostaria muito de trabalhar com vocês. Vou continuar acompanhando os estudos da galera aí, e a gente se vê por aí.
O serviço público é mesmo um negócio impressionante, se for publicar o livro fala comigo que eu sei umas muito melhores que essa!
E já tenho um novo slogan: "NPTO, um blog em que até os vascaínos são inteligentes!"
)
on May 19th, 2009 at 1:50 am
Shirle, não desanima! O começo de carreira acadêmica é que nem servir o exército, é uma merda, mas depois você tem um monte de história pra contar!
on May 20th, 2009 at 8:26 pm
Caro amigo
Tomei cinhecimento do seu blog por causa da lista do Ze Aparecido (IPEA). Siuação absurda a história da USP. É absolutamente tragicômico. Não bastasse a reserva de mercado dos economistas (não se espera nada mais dessa turma do mercado que reduzir a concorrência). Uma dica: há varios concursos abertos em universidades. Trabalho em Juiz de Fora, com mestrado e doutorado em Ciências Sociais (recente) e aqui mesmo terá concurso em breve. O IPOEA é um órgao muito interessante de trabalho, mas ninguém merece uma xcompanhia tão agradável quanto de economistas de raça pura …
Parabéns pelo concurso, de qualquer forma, e um abraço
Eduardo
on May 21st, 2009 at 2:56 am
Valeu pelas dicas, Eduardo! Mas fiquei curioso de saber o que é a lista do Zé Aparecido..
on May 21st, 2009 at 10:37 pm
Amigão,
o único lado bom dessa história é o fato de você não precisar morar em Brasília
Também recebi a indicação do seu blog pelo Ze Aparecido e sim, eu sou do S. João Batista… Ops! Quer dizer, IPEA… Realmente, um absurdo o que você passou.
De qualquer forma, não desanime. É provavél que chamem mais gente!!!
on May 22nd, 2009 at 3:28 am
Valeu, Marco Aurélio! Pois é, Brasília sempre foi um problema pra mim.Já que o concurso não deu, minha prioridade agora é arrumar um jeito de ir pro Rio, vamos ver. A propósito, continuo sem saber quem é o Zé Aparecido, mas agradeça ao cara por ter me mandado uma audiência qualificada dessas.
on Jul 8th, 2009 at 9:10 pm
[...] Por que? Porque a comparação tem que ser feita entre material humano equivalente e, creio, há uma diferença entre Oxford e a Bolívia. A questão está em comparar a escolha de life plan de um indivíduo (lembrem-se, somos fgvistas, [...]
on Jan 23rd, 2010 at 5:35 pm
[...] UNICAMP pela primeira vez em vários anos, o que foi excelente. Fui desclassificado do concurso do IPEA porque ainda não tinha conseguido convalidar meu diploma de doutorado (aliás, falta pouco para [...]
on Mar 4th, 2010 at 1:20 pm
[...] acionar vários contatos importantes (ver imagem acima). Para quem não conhece a NPTOdisséia, aqui. Saiu até reportagem no jornal (com minha foto, que não apareceu online) aqui. [...]
on Mar 8th, 2010 at 1:31 pm
Olá, vc não me conhece, vi o link pra esse post na lista da abep. Também possuo diploma estrangeiro há meses e ainda não está nem perto de ser reconhecido. Escrevo só pra manifestar minha total solidariedade à sua situação. Espero que consiga entrar com mandado de segurança e garantir a pontuação do título (se isso for te incluir nas vagas, vale a pena tentar). De qualquer forma, certamente vc vai conseguir coisa tão boa ou melhor, e em breve. Boa sorte!
on Mar 8th, 2010 at 10:38 pm
Na Prática a Teoria é Outra,
Legal, afável e prestimoso o comentário de And (#60) de 08/03/2010 às 01:31 pm, portanto, hoje, aqui para este post “Concurso do IPEA” de 06/05/2009, que já se aproxima de quase um ano.
E o melhor, o elogio dele permitiu-me encontrar no seu post a referência ao poema Ítaca, e conhecer o poeta grego Konstantinos Kaváfis (1863-1933). Até então, o poeta e o poema eram-me desconhecidos. Lembrei-me de outro poema que talvez tivesse lhe tenha soado melhor há mais tempo ao chegar. É o poema de Joachim du Bellay “Heureux qui, comme Ulysse” (, a fait un beau voyage). Agora, após enfrentar a sua verdadeira odisséia, o poema de Konstantinos Kaváfis torna-se mais atual.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/03/2010