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Alarme de Insanidade: Gandalf, o Violeta

Post bacana no Crooked TImber sobre um livro que parece legal sobre os Autonomistas italianos e o movimento operário meio anarca, anti-PCI, que teve o Negri como um dos grandes inspiradores e acabou dando em merda, quando gente dessa turma foi parar nas Brigadas Vermelhas. Quem se interessar, leia o artigo (e a conversa com o autor do livro nos comentários ao post do CT).

Mas quem quiser só ter uma idéia de como a esquerda dos anos 60 era, digamos, um pouco menos do que centrada, vejam como se definia o “mao-dadaísta” líder dos Autonomistas (bom, a coisa mais parecida com um líder que havia):

Meu nome é Gandalf, o Violeta. Falarei apenas em meu próprio nome. Falo, portanto, em nome dos Elfos da Floresta Fangorn, do Núcleo Colorido da Risada Vermelha, do Movimento Político do Fantasma Ausente, das Células Dada-Hedonistas, da Alegria dos Trabalhadores e da Diversão dos Estudantes, da Internacional Esquizofrênica, do Núcleo Clandestino Perturbado, da Tribo da Chicória, dos Címbalos e dos Índios Metropolitanos.

E vocês falando mal da turma da negação da negação. E eu dizendo que a esquerda dos anos 60 não tinha programa econômico! Ora, se a coisa apertasse, era só os Índios Metropolitanos irem colher chicória nas florestas de Fangorn, e todo mundo ir comemorar na Alegria dos Trabalhadores (um famoso boteco socialista) e emendar na Diversão dos Estudantes (um famoso puteiro socialista).

PS: depois desse post, nunca mais digam que estão sem idéia para nome de banda de rock.

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8 Comments on “Alarme de Insanidade: Gandalf, o Violeta”

  1. #1 He will be Bach
    on May 20th, 2009 at 1:10 am

    2 coisas:
    1) Coincidentemente, eu estou lendo justamente "O homem que era quinta-feira". Esse "líder" lembra muuuuito aqueles anarquistas surreais, descritos surrealmente pelo Chesterton.

    2) Quando eu trabalhava no MP, alguns colegas chegamos a agitar a idéia de montar uma banda de rock com os funcionários. Um deles até já tinha bolado um nome: "Custos Legis", que é a antonomásia latina do MP (significa "fiscal da lei").

  2. #2 Radical Livre
    on May 20th, 2009 at 1:34 am

    não acho que gandalf, o violeta possa ser considerado de esquerda. só passa por esquerda porque não pode ser taxado como conservador de jeito nenhum.

    ah, vamos lá. dadaísta-hedonista? eles eram artistas, isso sim. e na verdade, este me parece um manifesto, como aqueles do início do século XX.

    se meia dúzia destes malucos no final acabaram nas brigadas vermelhas, bom, vai ver as brigadas vermelhas, né?, funcionavam como um verdadeiro imã para este pessoal.

  3. #3 Bruno
    on May 20th, 2009 at 2:38 pm

    Ah, o movimento estudantil nos anos 70! Lembra da Deliriosque? os caras da física que faziam o possível pra empacar toda e qualquer assembleia que se estivesse levando muito a sério? Hoje em dia, a prática mais próxima disso (que eu conheça) vem daqueles grupos que levantam as mãos en masse na hora das abstenções, e aí cada um dos membros do grupo faz questão de uma intervenção de 15, 20 minutos pra justificar a abstenção: numa competição pra ver quem "soa mais posmoderno". Mas ah, numa época em que a Libelu e a Convergência são substituidas por uma CONLUTAS amorfa e polivalente, você meio que percebe o ouro que eram esses tipos mais insanos.

    Olha, juro que às vezes me parecem mais saudáveis as coisas assim: quando as classes média, média-alta (isso existe?) e alta não se levam muito a sério. Prova pela negativa, exemplo de elite paulistana raciocinando: "Olha, essas polícias da mulher… digo, não sei. Melhor fechar. É, melhor fechar: não gosto disso. Pra que, me diz, pra quê introduzir uma diferença dessas no nosso sistema?" E em tom de groundbreaking news: "Não seria melhor se as mulheres recorressem à polícia normal como todas as outras pessoas?"

    E um amigo meu, de volta aos anos dourados, fazia parte do movimento estudantil porque acreditava que as mulheres da política eram mais "fáceis". E, olha: com sucesso. O cara improvisava Trótski; improvisava. Já hoje em dia… Por exemplo as quotas, já que elas tão em voga; diz a elite paulistana, que finalmente se apercebeu (via Veja) que cientificamente falando, não existem raças: "É costurar discriminação dentro da nossa [suponhamos previamente imaculada] Lei! Depois quem vai descosturar isso, quem vai desfazer essa injustiça mais tarde?"

    Por isso eu acho supersaudável e apoio irrestritamente os movimentos que não se levam a sério. E a negação, que se leva a sério mas que ninguém mais leva a sério. Eu tenho um xodozinho pela negação. Antes deles começarem com esses lambelambes, eu roubei uns 15 pôsteres deles pra grudar nas paredes do meu quarto (—mencionei isso, já? colecino pôsteres de grupos políticos universitários).

    Tudo pra negação é opressão. Sua opinião é opressão. Sua roupa é opressão. Seu jeito de gesticular é opressão. Os caras (que segundo um amigo meu, coitado, membro do movimento, são —adivinhem— trotskistas) são oprimidos por todos os lados, é uma desgraça. Aí chega dia da assembleia, eles vêm com sua bateria completa. Se eles gostam de você, você fala e ainda é ovacionado por algo em torno de 27 minutos. Senão, eles tocam maracatu por cima da sua intervenção. Como disse uma boa moça (fácil, fácil) da Plenos Pulmões, "eles se chamam de trotskistas mas na verdade são uns stalinistazinhos de terceira".

    Olha, eu acho o MNN uma coisa impressionante, de uma sinceridade (e inocência) quase infantis. Aliás: de sinceridade e inocência infantis. A coisas mais próxima deles em termos de se sentir à vontade pra expressar o seu eu interior vem dos meus alunos de 9 anos, que me dizem: "professor, sua letra é horrível" com um sorriso aberto no rosto, e que recentemente me deram presente de dia das mães. Sinceridade desarma. A gente não foi criado pra lidar com gente que não se preocupa em explicar porque a culpa é nossa, em tocar música por cima das nossas intervenções, em falar nada-com-nada e advogar o maracatu como forma de revolução. Por mais idiota que isso seja.

    E na verdade eu acho tudo isso muito engraçado. Um historiador sério da revolução russa certa vez disse que o grande erro dos bróderes foi ter esquecido Bakunin. Pois eu digo que o maior erro dos russos foi não ter dado ouvidos ao Daniil Kharms. E tenho dito.

    Alguns nomes de banda:

    Order Of The Swollen Noise

    The Flying Slack Collective

    Confederate Oyster

    The Large Man Group

    Jake and the Montgomery Oddities

    The Milk
    s
    A Multitude of Anvils

    The Fabulous Sheep

    The Heavenly Garden Experience

    Bag of Martinis

    Bad Men

    Kamikaze Noise

    The Thick Milk Experience

    Five Puppies and a Monkey

    Curious Nemesis
    Toulouse Le Chat

  4. #4 NPTO
    on May 21st, 2009 at 1:32 pm

    Esse livro do Chesterton é muito bom! E o nome da banda também.

  5. #5 NPTO
    on May 21st, 2009 at 1:34 pm

    Deve ser isso mesmo, Radical, um negócio meio estético, meio político. Mas a interação dessas coisas sempre é um tema interessante. Por exemplo, as BV eram um negócio militar, como é que uns dadaístas se adaptaram à disciplina da coisa?

  6. #6 NPTO
    on May 21st, 2009 at 1:37 pm

    Bruno, aguardamos ansiosamente para ver sua coleção de posteres. A propósito, esses nomes de banda são de bandas que existem, mesmo?

  7. #7 Bruno
    on May 22nd, 2009 at 3:38 am

    São nada, usei um gerador de nomes de banda improvisado no google enquanto eu repensava um parágrafo do comentário. (Comentários grandes: sinal de que alguém devia arranjar um blogue próprio e parar de encher o pacová alheio). (Só que eu tenho medo de falar sozinho, gosto muito mais do diálogo).

    A coleção de pôsteres tá mambembemente documentada num álbum de fotos do facebook. Eu preciso fotografar todos os pôsteres da PUC, mas os da USP tão lá. Infelizmente não dá mais pra roubar pôster da MNN, porque eles de duas uma: ou grafitam o negócio direto na parede (p.ex. na FAU/USP, onde é proibido grudar cartazes sem permissão), ou eles grudam com lambe lambe e o destino da coisa é ficar lá pra sempre, amarelando, que nem comida em vão de dente.

  8. #8 NPTO
    on May 22nd, 2009 at 3:58 am

    Pois é, eu tava pensando como você conseguia descolar os posteres. Esse name generator deve ser maneiro. Quanto a comentar no blog alheio, estamos aqui à disposição.

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