Sem sacanagem. Um doidão do American Enterprise Institute, Think Tank conservador americano, escreveu um artigo dizendo que, tudo bem, ganhou, mas pô, um esporte em que o time mais fraco ganha deve ser coisa de país perdedor:
For sure, there may be a number of reasons that is the case but my suspicion is that the so-called “beautiful game” is not so beautiful to American sensibilities. We like, as good small “d” democrats, our underdogs for sure but we also still expect folks in the end to get their just desert. And, in sports, that means excellence should prevail. Of course, the fact that is often not the case when it comes to soccer may be precisely the reason the sport is so popular in the countries of Latin America and Europe.
Por onde começar? Bom, o Alex Massie contesta essa história de que no futebol o underdog tem muito mais chance do que em esportes que os americanos curtem, como o baseball. E a turma da Prospect americana argumenta que o que o cara está dizendo é que o cara que até hoje foi mais fraco não deveria nem ter o direito de ter a pretensão de ganhar do ricão um dia que seja, o que, creio eu, é o cerne da questão. O Matt Yglesias, que é onde eu vi a notícia, também dá uma sacaneada no sujeito, que é um puta cachorro morto, if there ever was one.
E há uma outra questão: é extraordinário o quanto os neocons se empenham em destruir o soft power americano. O time de futebol deles é simpático, esforçado, com alguns jogadores realmente talentosos, mesmo gente que eu conheço que vive reclamando dos EUA acharam bacana a vitória contra a Espanha, mas sempre tem que vir um palhaço fazer o resto do mundo gostar menos dos EUA.
Bom, o importante é ter respeito pelo time americano, que já mostrou que não está de brincadeira desde a copa de 2002 (e em 2006 não foi para a segunda fase por causa de um erro de arbitragem). Parabéns aos caras, que fizeram realmente bonito, e podem perfeitamente (Deus nos livre!) ganhar da gente domingo.
PS: Se baseball for um puta esporte de país com sistema social meritocrático, o que dizer do país que foi campeão olímpico em três das últimas cinco olimpíadas?


on Jun 26th, 2009 at 11:59 am
Baseball é um jogo tão chato que os jogadores usam pijamas.
on Jun 26th, 2009 at 1:02 pm
Rapaz,
citei seu post aqui: http://vinhal.blogspot.com/2009/06/quando-um-coli...
Mas ficou ruim pacas o post porque esqueci de colocar o contexto da citação, não deu para entender nada! E agora não posso editá-lo. Mais tarde eu arrumo.
on Jun 26th, 2009 at 4:54 pm
Detesto gente que mete muita marra de tsunami e mal chega a ser uma marolinha, esse era o caso da Espanha e por isso torci pelos ianques. Agora vão levar um pau de Joel e seus Bafanas.
on Jun 26th, 2009 at 5:56 pm
Puxa!
Quer dizer que o direitoba estadunidense gosta mesmo é de Cuba???!!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
on Jun 26th, 2009 at 6:05 pm
Qualquer livrinho de lógica traz um exemplo simples de erro lógico: vi um gato pardo, logo todos os gatos são pardos. A mensagem do gringo, com outras palavras, é a seguinte: latino americanos e europeus são fracos. Futebol é um esporte em que os mais fracos podem vencer os mais fortes, logo os latinos e europeus gostam de futebol. Não bastante o flagrante erro de lógica, ele ainda errou na premissa. No futebol, europeus e latino americanos são os mais fortes. Juntos, ganharam todas as copas. No lado europeu, os ganhadores de copas pertencem ao G7. Do lado de cá, são países em desenvolvimento. O raciocínio correto seria: Futebol é um esporte em que nem sempre o mais forte vence. Apesar disso, latino americanos e europeus, os melhores no esporte, adoram futebol.
on Jun 26th, 2009 at 7:59 pm
Isso não é exatamente um argumento de direita. Idelber já usou um argumento parecido: o futebol não apela aos americanos porque eles detestam as surpresas que caracterizam o esporte. Ou seja, um esporte em que os jogadores do time vencedor jogam como zumbis durante quase uma hora e meia e, aí, o Daniel Alves faz um gol de falta não atrai os brothers. Sendo o Idelber o Idelber, ele não considerou essa repulsa americana uma virtude nem fez pouco de nós, cucarachas, mas de resto o raciocínio é o mesmo. Além disso, no Lewrockwell, um articulista defendeu a tese de que o futebol é mais "capitalista" que o futebol americano. Como se vê, os maluquinhos do Mundo ainda não se decidiram sobre o assunto.
A Venezuela Bolivariana é outro exemplo de país que não gosta lá muito de
on Jun 26th, 2009 at 8:01 pm
A Venezuela Bolivariana é outro exemplo de país que não liga muito para futebol. Até que seria um assunto interessante para uma tese estudar a relação entre os esportes preferidos pelos países e suas posturas econômicas. As artes marciais, com seu foco em competitividade, ética e aperfeiçoamento, explicam os sucessos econômicos asiáticos? O atletismo explica a situação econômica na África Ocidental? Não acho que sairia muita coisa daí, mas não conheço desculpa melhor para ficar lendo o caderno de esportes em vez mergulhar em modelos econométricos.
on Jun 30th, 2009 at 3:31 am
Como os placares são baixos no futebol, eu diria que, dos esportes coletivos, é aquele que apresenta a maior probabilidade de um time mais fraco ganhar de um mais forte. Daí a dizer que nesse esporte "frequentemente" a excelência não prevalece é um exagero de pessoa que não sabe o que está falando. Se os mais fracos ganhassem com mais frequência dos mais fortes, os EUA não contariam nos dedos os seus grandes triunfos no futebol (vitória em 50 sobre a Inglaterra, na década de 90 sobre o Brasil e agora essa vitória sobre a Espanha).
Alerta de insanidade é o que resume pra nós o que esse figura escreveu.
on Jun 30th, 2009 at 2:14 pm
Carlos, eu nem entendo o suficiente daquilo pra saber se é chato.
on Jun 30th, 2009 at 2:15 pm
Vou fazer um update com seu link, valeu!
on Jun 30th, 2009 at 2:16 pm
Quase deu pro Joel "in de mídou", hein, mestre?
on Jun 30th, 2009 at 2:16 pm
aiaiai, o mundo anda mesmo complicado.
on Jun 30th, 2009 at 2:17 pm
Pô, Arthur, não fala difícil que o cara lá se atrapalha
on Jun 30th, 2009 at 2:19 pm
Flávio, na verdade, eu tenho certa implicância com explicações que tentam encaixar tudo que acontece em um país em uma grande narrativa sobre a cultura nacional. A cultura é um puta troço complicado, cheio de coisas contraditórias, e acho que há alguns links entre fenômenos sociais que a gente tem que simplesmente admitir que não vai entender tão cedo.
on Jun 30th, 2009 at 2:21 pm
De volta, hein, mestre? Sim, o placar baixo é parte fundamental da explicação; um time pode fazer um gol meio freak of nature, mas dificilmente fará 100.
on Jun 30th, 2009 at 8:59 pm
Por isso mesmo escrevi: "Não acho que sairia muita coisa daí, mas não conheço desculpa melhor para ficar lendo o caderno de esportes em vez mergulhar em modelos econométricos."
O fato da cultura ser "um puta troço complicado" (posso usar essa expressão também?) não quer dizer que alguns de seus elementos não mantenham relações evidentes uns com os outros.