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FHC na Cultura

Ultimamente, ando encontrando gente famosa onde quer que vá. Outro dia peguei um ônibus do Rio pra São Paulo com os caras do Massacration. E hoje saí do trabalho meio de saco cheio, resolvi ir na Livraria Cultura comer uma porrada de pão de queijo dar uma olhada nos últimos lançamentos, e eis que é dia de lançamento do livro do FHC.

Na verdade, não é um livro dele. É um conjunto de artigos sobre diferentes temas ligados à proposta geral “América Latina: Desafios da Democracia e do Desenvolvimento“, organizados pelo FHC e pelo Alexandro Foxley, que foi ministro da fazenda da Michelle Bachelet. Dei uma olhada, e achei interessante. Vou resenhar logo depois que terminar de escrever a resenha do ótimo livro que aparecerá aqui resenhado amanhã.

(a propósito: esse vínculo da velha guarda do PSDB com o partido socialista chileno é o último trunfo esquerdista que sobrou ao PSDB; mas é um belo trunfo)

Mas falemos do evento. Comprei o livro no caixa e fui levar pro cara autografar. Fila imensa, resolvi ler o livro enquanto esperava. Mas não deu muito certo, porque a fila estava cheia de autoridades, e uns fotógrafos de jornal ficavam se empurrando para tirar foto deles. Atrás de mim estava o Paulo Renato, ouvindo um sujeito mala que falava mal do Gabriel Chalita, e o PR dizendo, constrangido, “não, não é assim…”. Logo na minha frente, um cara que acho que é deputado do PSDB de São Paulo. E aquela galera de sempre, Schwartzman, aquelas senhoras da USP, esse povo. Na verdade, queria mesmo era encontrar o Giannotti, mas não estava lá, não, o sujeito.

Uma coisa me pareceu engraçada. Em exposição naquelas mesinhas da Cultura, perto da fila, estavam, naturalmente, os livros do FHC: aquele sobre escravidão, a dependência, a biografia, os de sempre. E, ali no meio, a Dita e Contradicta, aquela revista conservadora brasileira (que nunca li, não sei se é boa). Achei meio engraçado, porque os livros do FHC, que a galera toda estava elogiando, sem, obviamente, jamais ter lido, são bem marxistosos (bem mais que eu, por exemplo). Mas, de fato, tinha uma galera na fila que estava mais para Dicta e Contradicta do que para Teoria da Dependência. Vejam as voltas que o mundo dá.

De repente, me toquei que estava totalmente cercado de tucanos. Comecei a ficar meio nervoso, porque vi que o FHC conversava com os caras que iam lá pedir o autógrafo. E se ele me perguntasse

- E aí, rapaz, votou em mim?

Eu teria que responder, pra ser educado:

- Defina “votar”

Com o que ele saberia que estava falando com um colega sociólogo. Se eu fosse advogado, naturalmente responderia, “votei em você para ser a melhor oposição de todos os tempos”, mas até eu tenho meus limites.

E se, quando eu chegasse lá, o cara olhasse pra trás de mim e dissesse:

- Ô Schwartzman, chegou o Paulo Renato, já podemos fazer o corinho: “Ula, ula, ula! Pau no cu do Lula!”

E vissem que só eu não estava cantando? Comecei a ficar meio nervoso, e tentei ler mais do livro. Um trecho da introdução parecia ser uma referência à pesquisa do Daron Acemoglu, e quando um puxa-saco esbarrou em mim, sem querer falei em voz alta, “Acemoglu”.

Felizmente, quando chegou minha vez, apareceu o Kassab pra ir falar com o cara. Aí o FHC só perguntou meu nome rapidinho, deu o autógrafo, e foi falar com o prefeito. Saí correndo, porque, sempre que estou em festa e começa a chegar a galera do PFL, é hora de ir embora, pefelista bêbado é um saco.

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12 Comments on “FHC na Cultura”

  1. #1 He will be Bach
    on Jul 8th, 2009 at 12:07 pm

    É o Salomão Schwartzman? Aquele cara é muito chato. E se acha a última limonada com açúcar do deserto.

  2. #2 João da Luz
    on Jul 8th, 2009 at 1:22 pm

    Muito boa essa do "Acemoglu".
    Falando alto e separando as sílabas deve ter ficado melhor ainda.
    Deveria ter ligado o alarme anti troll tb. Se bem que ali o elemento estranho era vc,

    Acho que passaria mal na Cultura com tanta gente "curta".
    Eu daria um socão no Schwschw de bom gosto. Vc não, HWBB? Ou um croque naquela cabeça brilhante.

  3. #3 NPTO
    on Jul 8th, 2009 at 1:30 pm

    Não, é o Simon: http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/____Ali&a... bem ou mal, preciso linkar esse negócio.

  4. #4 NPTO
    on Jul 8th, 2009 at 1:31 pm

    Rapaz, dado esse amor todo, fiquei curioso em saber quem é o tal do Salomão :)

  5. #5 He will be Bach
    on Jul 8th, 2009 at 1:37 pm

    O Salomão Schwartzman é uma vergonha para o humor judaico. Ele se acha hilário, mas é irritantemente sem graça.

    Ele apresentava um programa na Cultura FM, e era ruim demais. Teoricamente, era um programa de notícias intercalado com música, mas os comentários eram muito fracos; a única vez que realmente dei risada foi, justamente, quando ele contou a piada dos outros (no caso, do glorioso Millôr Fernandes). E o gosto musical dele era horripilante; parecia música de saltimbanco ruim.

    Mas, bem, dado que o Salomão não é careca, acho que não estamos falando do mesmo Schwartzman!
    :^)

  6. #6 Arthur
    on Jul 8th, 2009 at 6:52 pm

    NPTO, bem-vindo a meu mundo! Cercado por tucanos, esp. por aqueles que não tem nem idéia que um dia (bem antigamente…) o PSDB foi um partido de esquerda!!! Hehe

    PS: A econometria do Acemoglu tem muitos problemas! Mas ele ficou famosão com ele!

    Abs

  7. #7 João Paulo Rodrigues
    on Jul 8th, 2009 at 7:40 pm

    Hahaha.
    Vai, Celso, confessa. Você não se mete tanto assim em situações engraçadas. Você inventou isso há umas três semanas e ficou lapindando este texto de humor noites a fio em claro…

  8. #8 Arthur
    on Jul 8th, 2009 at 9:28 pm

    PSTU: o Acemoglu ficou famosão com um paper cuja econometria é ruim. Mas o argumento é bem feito. Tinha escrito errado antes! De qualquer forma ótimo causo!

    Abs

  9. #9 João da Luz
    on Jul 9th, 2009 at 3:02 pm

    Errei de rei.
    Misturbei Salomão com Alexandre.
    Os dois são uns *ostas.

  10. #10 Japajato
    on Jul 9th, 2009 at 5:52 pm

    Rapá, você esteve na companhia dos indivíduos mais influentes do Brasil contemporâneo e só escreveu isso? Tá certo que eles só querem fama, poder e dinheiro, mas vc deve admitir que foi maneiro. E lá na Cultura também deve ter sido bacana :-)

  11. #11 Renato Gimenes
    on Jul 9th, 2009 at 9:46 pm

    Pô Celso, pô Eddie!@ Tô aqui em São Paulo, catso!

    Ei Celso, dá uma olhada no seu email do blog. Estou aqui em Sampa até quarta-feira que vem. Deixei meu telefone para contato. Vamos marcar algo. Abraços!!!!

  12. #12 Felipe Basto
    on Jul 10th, 2009 at 11:28 am

    NPTO, acho que um post sobre a viagem com o Massacration ia ser melhor…Lembra uma vez que a gente encontrou o Grande Otelo no Baixo Gavea? Faz tempo…

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