
Bom, como aqueles entre vocês que me mandaram email já sabem, o Intense Debate não está funcionando pra mim, por isso não estou participando do debate. Curiosamente, o debate está melhor do que de costume.
Bom, nos posts novos, vou tentar comentar assim que sair o comentário de vocês, para que não se perca o fio da meada. Mas para o post passado, que já tem uns 80 comentários (bacana), achei mais fácil fazer outro post respondendo, quem quiser comentar pode comentar nesse ou no outro.
Igor e Pablo, vocês não pediram, mas eu vou lhes dar um conselho: mantenham sua integridade intelectual e se distanciem o quanto puderem do partido republicano atual. Uma hora ele vai voltar ao normal, mas ainda não voltou. Leiam os dissidentes do partido, ou, se quiserem algo mais institucional, os Tories, que, na minha opinião, sempre foram intelectualmente superiores aos republicanos.
Não há um mainstream moderado nos tea-parties. A manifestação de 12/09 foi convocada pelo Glenn Beck (foto acima), um sujeito que, além de ridiculamente ignorante (leiam o site dele), não é nada que ninguém considere um moderado. Vai ter que estudar muito para ser o Garotinho, é uma espécie de Ann Coulter com menos cara de traveco.
À manifestação compareceram 70.000 pessoas, o que, dado o grau de divulgação pela Fox, foi um fracasso tremendo. O real motivo da manifestação é dado pelo comentário do Kristol na época do Hillarycare: eles sabem que, se os democratas implementarem um sistema de saúde universal europeu, os republicanos vão ficar fora do poder por muitos anos. Isso aí somos nós do PT em 94 na hora em que vimos que o Plano Real ia mesmo acabar com a inflação, pensando, “agora nós nos fudemos”.
Quanto à comparação malucos contra Obama / malucos contra Bush: há uma diferença fundamental, notada por um comentarista do Sullivan. Quando os EUA tiveram uma crise nacional sob Bush (9/11), 90% dos americanos o apoiaram, e os democratas apoiaram suas guerras na base da confiança (hoje soa ridículo, mas não era no clima pós-ataquers). A crise que explodiu sob Obama é muito pior, mas todo o partido republicano se converteu em 9/11 denialists da crise econômica. Nada do que o Krugman tenha dito contra o Bush chega aos pés das coisas que estão saindo de Chicago agora em termo de partidarismo.
Os reupublicanos foram o partido de Lincoln, mas o sistema partidário contemporâneo só se forma com a luta contra a segregação, quando os democratas perdem o Sul por terem combatido o Apartheid sulista. O partido republicano de hoje em dia, para não falar nas igrejas evangélicas que lhes dão base, tiveram um papel absolutamente vergonhoso na defesa do racismo.
Faz pouco tempo, o líder dos republicanos na câmara disse que se o candidato racista Storm Thummond tivesse sido eleito, muitos problemas teriam sido evitados. Os caras na linha de frente do combate ao racismo nos EUA eram, mesmo, à esquerda dos democratas mainstream, alguns inclusive com ligações com o partido comunista.
Já quanto ao pessoal de esquerda que joga o adjetivo “fascista” contra qualquer um (porra, teve um cara aí que, se eu entendi direito, chamou ou a Marina ou o Gabeira de fascistas), essa turma tem mais é que ir à merda, mesmo.


on Sep 21st, 2009 at 2:07 pm
Caríssimo, obrigado pelo conselho, mas não acho que preciso tomar distância do Partido Republicano, pois sequer estou perto. Você já o disse, e eu concordo, sobre a "palinização" do partido. É lamentável, mesmo. Recusei-me a apoiar McCain nas últimas eleições, não vai ser agora que me empolgarei. Como disse antes, meu objetivo nos comentários não era advogar pelo Partido Republicano, que precisa de uma reciclada, mas ser um pouco o fiel da balança diante de certo espírito de "supremacismo" moral-ideológico na caixa de comentários. Além da tentativa de enfatizar contrapontos válidos e do apelo a uma leitura honesta destes.
Sobre os Tories, acho que estão tristes de engolir também. Cameron se mostrou um populista e, pior, um populista meio garotão. Quiseram imitar a virada conservadora na Suécia, mas ficaram só no pastiche.
Abração,
on Sep 21st, 2009 at 2:22 pm
Pois é. É triste ser pautado por Glenn Beck. Para quem quiser um pouco mais das, aham, influências do pensamento do sujeito, vale ler este artigo da Salon: http://bit.ly/Zn7lO
(Curiosidade brazuca: quem aqui lê o que escreve o Olavo de Carvalho, vai reconhecer vários temas desenvolvidos pelo filósofo-astrólogo…)
on Sep 21st, 2009 at 3:01 pm
Pois é… o político americano que mais tendo a concordar é Ron Paul, justamente um dos que ficou nos 10% que ficaram contra Bush. É conhecido até mesmo dentro do partido Republicano como "Dr. No" por votar constantemente até contra o partido republicano. Foi o único senador republicano que votou contra as guerras no Iraque, Afeganistão e se mostrou contrário às leis que retiravam liberdades individuais por conta da suposta segurança.
Não gosto de partidos políticos. Prefiro idéias de pessoas. Esse negócio de "homem-massa" (Copyright Ortega Y Gasset) não é comigo. Por isso acho ridículo as pessoas apostarem todas as fichas em alguém que só aparece bonito na foto quando comparado a um ser como Bush.