O ano começou com um motivo de celebração que hoje não valorizamos o suficiente: George Bush não está mais na direção do Planeta Terra. Vocês viram o que o Bush fez essa semana? Nem eu. Cadê o Bush? Sumiu. Vamos nos concentrar nesse fato por um minuto. Não tem mais Bush. O presidente dos EUA é o Bush? Não, não é o Bush. Então o Bush é o presidente de alguma outra coisa? Não, não é. Vice? Não. Autorizado a rastejar humildemente nas bordas exteriores do lodo do ostracismo? Não, só lá no fundão. Acabou Bush. Sem Bush. Tchau, Bush.
E antes que me apareça um michê de Belzebu pra dizer que o Obama no fundo foi a mesma coisa:
Obama, who is not just “Bush-lite” but Bush-same! (Remember when Bush attempted to negotiate an international climate deal, pass a jobs-focused economic stimulus, reform the nation’s health care industry, and come up with a hopefully coherent plan to end the Afghanistan war in one year? And remember how his attempts at all those things were stymied by an uncooperative and undemocratic Senate, but he still managed to make real and tangible gains on each of them? Oh, no, you probably don’t remember that because it was a joke we were making about how you have lost all sense of perspective.) [tirado daqui]
E:
(Tirado daqui)
E:
Notem que o vermelhinho parou de cair, pelo menos por enquanto. Tirado daqui. Espero fazer um post sobre o estado da crise para o começo do ano que vem, estou tentando descobrir um negócio aqui antes.
Enfim, da beira do abismo ao chão se vai rápido, da beira do abismo à segurança se rasteja. Por isso os neocons pareciam uns caras tão dinâmicos, que faziam as coisas: porque fazer merda é a maior moleza.
A crise produziu alguns bons livros. Os dois melhores que li até agora (mas tenho a sincera esperança de acabar o Schiller ainda esse ano) foram o Posner e o Morris, talvez mais o Morris. A tag Crash 2008 rendeu bastante coisa.
A política brasileira não teve um ano tão movimentado:
a) A Folha fez o editorial da ditabranda, que ficou parecendo meio idiota quando, depois, publicou o relato do César Benjamin dizendo que o Lula tinha tentando comer a dunra de um companheiro de cela, e acompanhou a história com um relato das atrocidades que fizeram com ele na cana branda. Para não ficar atrás, o Globo publicou esse espetáculo de matéria sobre o Bolsa-Família.
b) O PT livrou o Sarney, como Reinaldo Azevedo o teria aconselhado a fazer se o Luciano Coutinho saísse do BNDES agora e lhe desse grana para fazer uma revista que ele eventualmente levaria à falência. De qualquer maneira, não foi um negócio bonito de ver.
c) Os principais candidatos à presidência serão Dilma, Serra e Marina. Marina ainda não foi o fenômeno eleitoral que prometia ser, mas esperemos. Ciro está ainda espreitando oportunidades. Marina também inspirou um dos posts mais comentados do ano.
d) O PFL passou mais um ano sendo ele mesmo.
e) Pegaram o Gabeira fazendo um merda aí.
No pessoal, eu novamente me expus ao ridículo . Tive meu primeiro sonho profético, mas errei essa outra profecia aqui. Voltei à UNICAMP pela primeira vez em vários anos, o que foi excelente. Fui desclassificado do concurso do IPEA porque ainda não tinha conseguido convalidar meu diploma de doutorado (aliás, falta pouco para conseguir agora), mas depois soube que todos os aprovados foram alocados em Brasília, o que em muito diminuiu minha decepção. Por algum motivo, andei esbarrando no FHC, o que, da última vez, foi bacana. Fui a Nova York. Meus cafés favoritos no mundo fecharam.E tive minha primeira experiência de proximidade com a morte.
O Campeonato Carioca terminou como de hábito.
Teve golpe em Honduras (Reinaldo Azevedo falou disse que não teve, não) e eleição fraudada no Irã (Lula falou que não teve, não). A crise hondurenha eventualmente se resolveu com o que me parece ter sido uma vitória dos golpistas (que talvez convenha ao Itamaraty aceitar; mas não vale dizer que não foi vitória dos golpistas). A luta no Irã continua.
Na blogosfera, Andrew Sullivan, que doutrinou as grandes empresas de comunicação na cobertura da revolução iraniana, e Felix Salmon escreveram coisas bacanas sobre o ato de blogar. Uma briga entre blogueiros me deu a oportunidade de reiterar minha tese de que somos uns bostas.
E o ano foi bem ruim para a Blogosfera Brasileira: Idelber, Pedro Dória, e para terminar o ano, o Ao Mirante, Nelson! picaram a mula, e não apenas por fazer críticas mordazes ao Reinaldo Azevedo. No mês em que PD e Idelber se mandaram, ganhei uns 60 leitores a mais por dia (que acho que ainda estão por aí), o que suponho que tenha acontecido com outros blogs sobre política. Mas ainda não surgiu um ponto focal que os substituísse nos debates. Por outro lado, dois velhos chapas meus aderiram à blogosfera.
Na área assuntos esquerdosos, gostei do livro do Vacca, e a Série Gramsci 2009 teve um feedback bem positivo, como também o post sobre a morte do G.A. Cohen. Por causa desse post, o Idelber me mandou um texto que inspirou esse outro, também sobre marxismo analítico.
E, para terminar o ano, testemunhei um evento de proporções épicas, que certamente faz empalidecer tudo o que aconteceu no último ano, e na maioria dos precedentes.
Quer dizer, para terminar mesmo o ano, novamente esqueci de checar se o calendário do wordpress estava certo, e esse post saiu com um dia de atraso. Mal aí.
E Feliz 2010!




on Jan 2nd, 2010 at 1:58 am
Parabéns pelo post, que possui inúmeras boas qualidades — o bom humor característico sendo uma delas. De fato, a gente às vezes deve pinicar o braço e sentir a glória que é ter um mundo em que o nome Bush caminha para o esquecimento, e que temos no timão da política global uma pessoa que — menos do que digna de desprezo, é digna de nossa (sempre crítica e vigilante) ADMIRAÇÃO.
E se alguém não acredita que Obama — com seus defeitos — é o cara mais sensato, inteligente e COMPLEXO a encarapitar-se na Casa Branca em décadas, então leiam o que tem a dizer sobre ele o David Brooks, o melhor articulista do New York Times em atividade, na minha opinião.
David Brooks é um neoconservador, da cepa de Mankiw, Posner e do recém-finado Irving Kristol. E, nada obstante, Kristol é um co-obaminete mesmo assim — essas as ironias e vicissitudes de tempos excessivamente interessantes, hehehe!
http://www.nytimes.com/2009/12/04/opinion/04brook...
But we should still be glad that he is governing the way he is. I loved covering the Obama campaign. But amid problems like Afghanistan and health care, it simply wouldn’t do to give gauzy speeches about the meaning of the word hope. It is in Obama’s nature to lead a government by symposium. Embrace the complexity. Learn to live with the dispassion.
on Jan 3rd, 2010 at 5:26 pm
Muito bom o post! Ótimo balanço de fim de ano!
Obrigado