Há uma crise no chavismo. Como em todos os assuntos de política latino-americana, o go to blog é o Maurício Santoro. Mas, aos pontos levantados pelo Maurício, acrescentaria uma suspeita que eu tenho.
Há muito tempo que Chávez já disse que quer implantar uma ditadura. Em viagem à Bielo-Rússia, disse que aquele era o regime que ele achava ideal. Está no processo de criar um partido único, o que abriu um conflito com o Partido Comunista Venezuelano, que Chávez já acusa de traição. Já havia fechado a RCTV, e no último fim-de-semana investiu contra as TVs a cabo.
A questão interessante é: porque a Venezuela ainda não é uma ditadura propriamente dita? Uma parte da resposta, naturalmente, é a incompetência épica da oposição venezuelana. Se a oposição resolve não concorrer ao Congresso, como aconteceu, porque o Chávez fecharia o Congresso?
E houve o boom das commodities, que encheu Chávez de dinheiro. Se você tem dinheiro para gastar sem ter que cobrar mais imposto ou tirar de alguém, é fácil evitar conflito.
Mas eu não acho que seja só isso. Eu acho provável que, se Chávez não fecha, é porque há forças que o impedem, e, suspeito eu, forças dentro de sua coalizão.
Especialmente interessante, deste ponto-de-vista, é o exército. Se não me falha a memória, os militares foram importantes para impedir o sucesso do golpe contra Chávez, retirando apoio aos golpistas quando eles resolveram partir para a ditadura aberta. Podemos supor que pelo menos parte do exército venezuelano respeita o discurso nacionalista de Chávez, até porque ele se refletiu em mais dinheiro para o rearmamento do país.
A renúncia do vice-presidente venezuelano, militar de carreira, sugere que algo não vai bem na relação entre Chávez e a turma do fuzil. Os militares, por exemplo, não acham graça nas “milícias bolivarianas” que Chávez criou. Lembrem-se do papel que teve a insubordinação militar (eu sei, não é a mesma coisa que as milícias do Chávez), e a atitude de Jango com relação a ela, na radicalização de setores militares brasileiros que talvez não tivessem aderido ao golpe de 64 (a crer no livro do Gaspari).
[A propósito, toda revolução tem o problema de saber o que fazer com o exército do regime anterior. Enfrentar o exército não é fácil, mas administrar um exército independente também não é. É provável que o regime anterior tivesse contrapesos ao exército, mas, se você é ditador, provavelmente já se livrou deles, e, nesse exato momento, foi assaltado pela dúvida: porque esses caras armados me obedecem?]
Não sei, não, mas acho que o Chávez está meio cambaleante, e acho que seu relacionamento com as FFAA saiu da fase “dormindo de conchinha”. Como diria um gramsciano, quando o cara começa a endurecer é porque a hegemonia está em crise. Agora, quando se abre uma crise dessas, é melhor você ter arma, ou pelo menos ser amigo dos caras que têm.
Não é muito fácil imaginar um desfecho democrático para a crise da Venezuela, mas não é impossível. Aproxima-se a hora de sabermos se a estratégia de contenção sem conflito adotada pelos vizinhos da Venezuela (em especial o Brasil) foi acertada. Sejam quais forem os mecanismos informais de pressão até agora, eles precisam continuar operando.
E vamos ver como a crise afetará o near abroad (Bolívia, Equador, etc.) do Chavismo.



on Jan 27th, 2010 at 4:39 pm
O próprio fato de que em países como Venezuela e mesmo o Brasil ainda se faça a pergunta "O que as Forças Armadas vão fazer?" já é um indício de que essas democracias ainda não chegaram lá. Imagine se nos EUA, Alemanha, etc. teria cabimento uma pergunta dessas. No caso da Venezuela temos um problema adicional, é difícil saber o que realmente se passa por lá, pelo menos para a Globo 2012 já chegou na Venezuela. Acho que o desfecho dessa crise na Venezuela pode ser influenciado inclusive pela corrida eleitoral no Brasil, o Chavez certamente não espera que o Serra organize um grupo de amigos da Venezuela para dar apoio a ele.
on Jan 27th, 2010 at 5:50 pm
Celso – Existe alguns indícios de que o exército, pelo menos não na sua totalidade, apoia Chávez. Logo no início ele fez várias modificações, colocando pessoas de sua confiança em áreas de importância. Ele modificou a hierarquia na FAV. Coisa que os militares odeiam.
Depois foi a imposição dos militares terem que, ao iniciar e terminar uma conversa com um oficial superior dizer: "patria, socialismo ou muerte". Sim, bem ao estilo Heil Hitler! Eles odiaram e começaram a pintar panfletos criticando essas e outras atitudes dentro dos quarteis.
Depois Chávez expurgou vários militares de suas posições. Há alguns analistas militares que dão conta que as quedas de aeronaves recém adquiridas pela Venezuela tem como causa a falta de treinamento e a colocação de pilotos e oficiais por meio de canetada.
on Jan 27th, 2010 at 5:50 pm
Posteriormente foi a obrigação não oficial de filiação ao PSVU. Oficiais que não fossem filiados ao partido único viam suas chances de promoção diminuirem a 0%. Novamente o paralelo entre o partido nazista e com a Wermacht se faz exato.
Mais um ponto foi a proximidade entre Chávez e as FARC que não agradou alguns militares. Esses, principalmente perto da fronteira, foram substituidos por oficiais aliados a Chávez que ficaram encarregados de fornecer armas (por exemplo os AT-4 encontrados), apoio logísitico e médico aos guerrilheiros.
Lembro que Raúl Isaías Baduel que foi o responsável pela operação que salvou Chávez do golpe, já havia largado o barco, acusando Chávez de ser ditador coisa e tal. Hoje Isaías está em prisão domiciliar, sem acusação formal. Se não me engano há quase um ano. É um dos presos políticos de Chavez que o Itamaraty finge que não vê. Há muito mais.
on Jan 27th, 2010 at 5:50 pm
Outro caso é o que circula nos meios militares é a participação da FAV na ocorrência do plebscito que Chávez perdeu. Sabendo de sua derrota, Chavez quis fraudar o plebscito. Foi contido pelos militares que diziam que caso a população fosse para as ruas, não iriam contê-la. O final das contas foi que Chávez assumiu a derrota, apresentando uma margem muito menor do que foi a real. E isso foi utilizado na época como uma das justificativas para ele implementar na marra o que havia sido negado.
O exército tem se comportado mais como uma âncora a Chávez do que um forte apoiador.
on Jan 27th, 2010 at 6:38 pm
As atuais defecções das hostes chavistas, a radicalilzação contra as emissoras de tv estrangeiras e os violentos choques entre os chavistas e opositores não prenunciam uma solução tranquila para os impasses político-econômicos que a Venezuela parece prestes a enfrentar.
on Jan 27th, 2010 at 6:41 pm
Mauricio, do linque, trocado.
on Jan 27th, 2010 at 7:03 pm
Hoje em dia toda a guarda pretoriana que protege Chavez é composta por cubanos. Por isso mesmo, ele tem que fazer tudo o que o Fidel mandar, sua vida depende disso.
O problema recente do Chavez com os militares se deve à ascensão de oficiais cubanos a posições importantes da hierarquia do exército venezuelano.
on Jan 27th, 2010 at 7:30 pm
É uma colocação interessante. Em que direção você acha que o processo eleitoral brasileiro empurraria o Chávez?
on Jan 27th, 2010 at 7:32 pm
Dados interessantes, Pablo. Quanto à filiação ao PSUV, eu acho que a analogia mais pertinente é o Ba'ath: um negócio bem autoritário, meio esquerdoso e nacionalista, onde se faz o recrutamento das elites do regime. Não sabia da situação do Baduel, vou pesquisar isso aí.
on Jan 27th, 2010 at 7:38 pm
Pablo, aproveitando para comentar também seu comentário abaixo: eu não sabia que as substituições nas FFAA venezuelanas tinham ido a esse ponto, mas eu suspeito que sua colocação nesse comentário (uma parte razoável do exército apóia Chávez) e no outro (o exército é uma âncora, impedindo Chávez de ir muito longe) são precisas, era isso que eu queria dizer com o post.
E esse tipo de intervenção nas FFAA a que você se refere é exatamente o que você deve fazer se quiser perder o apoio dos militares. Por isso é que eu suspeito que a relação Chávez/exército não ande das melhores.
on Jan 27th, 2010 at 7:39 pm
Não, não parece bom o cenário.
on Jan 27th, 2010 at 7:39 pm
É mesmo, foi mal, vou trocar, valeu!
on Jan 27th, 2010 at 7:42 pm
Rapaz, é o anônimo mais célebre da blogosfera brasileira! Não sei dessa história dos cubanos no exército venezuelano, não, mas devo dizer que o Fidel tentou colocar um cara dele no governo Allende, o que causou tensão entre os dois.
on Jan 28th, 2010 at 12:56 am
Acho essa história de oficiais cubanos meio furada, ainda mais considerando a fraqueza atual do estado cubano.
Uma eventual queda do fascismo teria, realmente, consequências muito interessantes nos países bolivairanos. O Equador, na verdade, ainda me parece um país viável sem ajuda venezuelana. O Estado Boliviano, por sua vez, parece-me completamente baseado na ajuda venezuelana. Só pra dar uma medida da situação, Evo viaja em avião venezuelano, protegido por militares venezuelanos.
O que mais me preocupa nessa história é que a oposição, digamos, política, está esvaziada. Quem está comandando o processo opositor, pelo que se lê, são setores da militância estudantil. Ou seja, não há, por enquanto, uma figura viável para um pós Chávez na oposição.
on Jan 28th, 2010 at 11:08 am
Não faço a menor idéia se o Chávez já considerou essa possibilidade. Mas, se eu fosse ele, eu seria mais cuidadoso para não sofrer uma nova tentativa de golpe, porque o Brasil (caso o Serra ganhe) não vai tomar a dianteira para defendê-lo. Além disso, a vitória da direita no Chile e a dianteira do Serra nas pesquisas pode sugerir que o esquerdismo na AL estaria perdendo força. Embora isso seja muito menos importante que manter uma boa relação com as Forças Armadas e conseguir vender a idéia de que os problemas econômicos na Venezuela não são culpa dele.
on Jan 28th, 2010 at 12:28 pm
Sim, ele está certo. Todos os seguranças pessoais de Chavez são cubanos. E Chavez meio que obriga parte de seus militares a passarem por uma "reciclagem" em Cuba. O serviço de inteligência venezuelano é treinado e possui muito cubanos.
Sobre o Allende há uma lenda que na verdade ele foi "martirizado" pelos seus seguranças cubanos. Mas aí não possuo nenhuma informação concreta, é mesmo uma lenda.
on Jan 28th, 2010 at 12:32 pm
A única coisa que não é fraca no estado cubano são suas forças de defesa e polícia política. Isso eles possuem experiência de sobra.
E você está certíssimo. E coloco outro perigo. Chávez mais cedo ou mais tarde terá que realizar concessões em sua "revolução". Na verdade já iniciou conversas com as mesmas empresas que expulsou da Venezuela para a produção de petróleo.
O risco existe pois Chávez armou diversas milícias extremistas e periga ele perder o controle justamente desses grupos caso eles entendam que Chávez se tornou um traidor do bolivarianismo.
A Venezuela pode passar um período de guerra civil, apesar dessa possibilidade HOJE ser remota. Mas existe esse risco por conta da disponiblização de armamento a esses grupos extremistas.
on Jan 28th, 2010 at 12:34 pm
Não acho que Serra fará muita coisa contra Chávez. É possível que opine em certos assuntos, mas se quisesse já teria dito algo mais pesado, o que ainda não aconteceu.
Acho que adotará uma política pragmática mas sem aproximação.
on Jan 28th, 2010 at 12:45 pm
Não é fazer algo contra o Chávez, é não tomar a dianteira em assuntos polêmicos como a condenação ao golpe em Honduras e a formação de um grupo de apoio ao Chávez (numa situação bem específica como aquela da tentativa de golpe). Não há nada na biografia do Serra que leve a crer que ele seja solidária a qualquer coisa que seja.
on Jan 28th, 2010 at 12:51 pm
Todas essas informações de milícias armadas, seguranças cubanos, etc. são de fontes confiáveis? Porque essa história toda me parece muito com o perigo vermelho no Brasil de 64. A pergunta não é retórica nem provocativa, se essas informações viessem do MAM eu nem me daria ao trabalho de perguntar.
on Jan 28th, 2010 at 1:34 pm
Essa de seguranças cubanos eu não conhecia.
Sobre o Evo viajar em avião venezuelano e sob segurança venezuelana, eu li em uma reportagem da revista "Piauí".
on Jan 28th, 2010 at 2:36 pm
Acontece coisas na Venezuela que só rindo (para não falar o contrário). Atualmente uma juiza chamada Maria de Lourdes Afiuni que está presa desde o dia 10 de dezembro. Seu crime: fornecer liberdade condicional a Eligio Cedeño um dos desafetos de Chavez. Eligio estava preso e não havia nenhuma prova contra ele e o Ministério Público ficava adiando seu julgamento por conta disso. A juiza analisou o caso e concedeu o HC, seguindo as próprias leis venezuelanas. Inclusive a o Grupo de Detenções Arbitrárias da ONU já havia se posicionado sobre esse caso. Ele estava preso a três anos sem acusação. Depois que foi solto o cara escapou para os EUA onde foi preso na imigração.
on Jan 28th, 2010 at 2:36 pm
(Cont…)
Chávez entrou em um dos atos oficiais dele dizendo que a juiza deveria ser presa e ficar trinta anos na cadeia. E ela foi presa! Está na cadeia até hoje. Ela foi presa pela polícia política de Chávez. Foi uma das coisas mais absurdas que eu já vi.
http://veja.abril.com.br/agencias/afp/veja-afp/de...
"É preciso meter a pena máxima nesta juíza, 30 anos, peço isto em nome da dignidade do país (…). Ela deve ir para a cadeia", disse Chávez em um ato oficial no Palácio de Miraflores.
U.N. criticizes Venezuela's President Chavez for judge's arrest
http://www.latimes.com/news/nation-and-world/la-f...
on Jan 28th, 2010 at 3:29 pm
Isso é certamente um hoax direitista, copiado dos tempos da Guerra Civil Espanhola, quando os franquistas acusavam os republicanos de serem um exército soviético. Sinceramente, não acho que o prontuário das direitas latino-americanas as autorize a quererem identificar-se com a Nação, muito pelo contrário….
on Jan 28th, 2010 at 4:49 pm
Não. São fatos. Quando houve um atentado a uma das tvs opositoras uma câmera de rua filmou os atacantes se evadindo em um veículo militar venezuelano.
É comum motoqueiros encapuzados atacar manifestantes contrários a Chavez.
E a milícia faz parte de um dos braços militares venezuelanos. É oficial.
"Os corpos de combatentes civis são unidades de cidadãos que trabalham em organizações públicas ou privadas que são registradas, organizadas e treinadas pelo comando geral da Milícia Bolivariana, que será composta pela Guarda Territorial, pelos Corpos Combatentes e estará sob o comando do presidente do país."
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,...
on Jan 28th, 2010 at 6:13 pm
Pablo, fica difícil argumentar sem parecer uma devesa do bolivarianismo. Não gosto do Chávez, do modo como age e das soluções que propõe, então não me entenda mal. Conheço muito pouco da Venezuela, mas esse caso do Elígio está muito parecido com o do Cacciola. A juíza disse que iria atrás do Elígio até debaixo das pedras, ela vai ter que se esforçar já que o cara foi para os EUA. A DISIP já existia antes do Chávez e parece ser um misto de Abin com PF, que também já foram muito criticadas por implantar no Brasil um Estado Policial. Faltou elaborar mais esse lance das milícias e dar links para o caso dos seguranças cubanos.
on Jan 28th, 2010 at 7:11 pm
Bom, que a "oposição" venezuelana é golpista, que se apoia sobre paramilitares (a chusma habitual do tipo rent-a-thug que qualquer burguesão usa na nossa AL) e que o Chávez quer organizar uma milícia territorial (do mesmo tipo que é previsto na constituição americana, num artigo utilizado pelos lobbistas da NRA para justificar o coméricio livre de armas) para defender-se, isso é fato. Agora, quanto aos cubanos, qual é a evidência que você tem?
on Jan 28th, 2010 at 7:42 pm
Mais ou menos. Entendo sua comparação com Cacciola pois ambos fugiram. Acontece que havia uma acusação contra Cacciola e ele foi solto de acordo com as leis do país. São ruins? Concordo, mais ao invés de criticar o juíz, critiquemos as leis e vamos lutar para que o legislativo a mude. Porque a mesma lei que soltou o Cacciola, solta diaramente traficantes, assassinos, estupradores que não possuem o mesmo poder financeiro dele.
O problema com o Elígio é que o governo da Venezuela trancafiou uma pessoa por três anos sem acusação. Sempre que era marcada uma audiência o Ministério Público não comparecia.
O difícil André é defender o direito do bandido. Isso é dificil pacas. Mas ele os tem.
on Jan 28th, 2010 at 7:45 pm
Pablo, entendo o que você está dizendo, mas preferia ver alguma coisa mais sólida sobre os tais oficiais e guarda-costas cubanos.
on Jan 28th, 2010 at 7:47 pm
André – Acabei de descobri que o provável motivo da renúncia do Vice de Chávez que era também o Ministro da Defesa foi a incorporação de quatro generais cubanos à Guarda Nacional da Venezuela. Ainda estou tentando confirmar essa notícia, assim que tiver confirmação eu passo aqui.
Venezuela: Crisis militar Carrizalez renunció por “asimilación” de cubanos
http://www.vlinea.com/index.php?option=com_conten...
on Jan 28th, 2010 at 7:57 pm
No caso do Cacciola havia perigo muito grande de fuga pois ele tinha cidadania italiana, o juiz desconsiderou isso. Culpa-se muito as leis brasileiras, mas pouco se fala das interpretações absurdas dos juízes. O caso desse Elígio eu não acompanhei.
on Jan 28th, 2010 at 8:06 pm
Último parágrafo:
http://www.infolatam.com/entrada/venezuela_expert...
Aqui numa reportagem do El país em imagem.
http://doc.noticias24.com/0712/md16.html
Aqui em vídeo
http://www.noticias24.com/actualidad/noticia/1051...
on Jan 28th, 2010 at 8:08 pm
A reportagem do El País é bem completa.
on Jan 28th, 2010 at 8:20 pm
Não sou advogado, mas acho que o problema com as leis é justamente esse: não há espaço para interpretação. E como se fosse automático o benefício. E no caso dele é pior pois eu acho que ele estava recorrendo a uma condenação se não me engano.
Essa coisa de recorrer em liberdade que não entendo.
on Jan 29th, 2010 at 9:11 am
Se o MAM sou eu vc está absolutamente certo em não se dar ao trabalho de perguntar, porque as informações serão sempe confiaveis.
MAM
on Jan 29th, 2010 at 1:33 pm
Há um universo de diferença entre as milícias independentes, locais e desarticuladas dos EUA (que, aliás, se apresentam como grupos de cidadãos que buscam se defender do Estado) e as milícias bolivarianas, armadas pelo Estado, que juram defender o chefe de governo e que têm um caráter nacional. Não que os grupelhos americanos sejam louváveis, muito pelo contrário. Mas são coisas bem diferentes.
on Jan 29th, 2010 at 3:11 pm
As milícias americanas reais são grupos armados de Extrema-Direita. Mas O PRINCÍPIO da milícia, como expresso na Constituição dos EUA, é de um grupo de cidadãos auto-constituído como parte da estrutura do Estado, mesmo princípio da milícia bolivariana, que nada tem de totalitária em si mesma.
on Jan 29th, 2010 at 3:15 pm
O princípio da coisa é louvável: não se pode deixar um possível inocente apodrecendo na cadeia enquanto não há condenação definitiva. Na realidade, serve de matéria-prima de chicana a favor dos powerful ones.
on Jan 29th, 2010 at 4:31 pm
Discordo. As milícias bolivarianas funcionam como um exército particular de Chávez, muito diferente das milícias americanas (que não tem absolutamente NADA de extrema-direita, a não ser que considere que alguém que defenda um direito expresso na constituição seja um extremista, concordando com esse direito ou não) que existem para se contrapor a tudo o que Chávez representa: totalitarismo.
on Jan 29th, 2010 at 5:02 pm
É verdade em parte. Mas naquele final do século XVIII o que se queria evitar era um exército territorial (acho que é assim que chamavam), pois isso sim seria a porta para o despotismo, como diziam (além de fonte de impostos). Ou seja, o princípio era o de evitar a manipulação pelos governantes, ainda que servisse para "manter o estado". Mas é que essa noção, a da diferença entre um corpo (mal) armado em defesa do estado e da sociedade (em prícípio ao menos) e o de um corpo pretoriano (bem financiado) de controle da sociedade é difícil às vezes de perceber. Não chega a ser totalitarismo, pois o totalitarismo não suporta milícias. É só um autoritarismo mesmo. O que já é uma bela merda.
on Jan 29th, 2010 at 6:14 pm
Meu deus, que cara de pau, que sem vergonha! Não existe absolutamente semelhança alguma entre as tais milícias bolivarianas com o aquilo que é previsto na constituição americana.
on Jan 29th, 2010 at 6:21 pm
A outra que o Chavez aprontou recentemente com as Forças Armadas foi conclamar os soldados e oficiais inferiores a dedurarem quais – acima deles na hierarquia – estariam "traindo a revolução".
Não é de se surpreender que Chavez hoje em dia não confie em venezuelanos para sua segurança pessoal. Ele é um homem marcado para morrer. Só falta algum herói da pátria puxar o gatilho.