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O Lulismo

Em artigo recente na Novos Estudos CEBRAP (leiam esse negócio), o André Singer (cientista político, ex-porta-voz do Lula) apresenta uma análise sobre o “lulismo”, fenômeno que definiremos em um instante. Esse é o tipo de artigo de que nós andamos precisando, uma coisa um pouco mais distanciada da briga política mais imediata, mas que dá mais consistência à discussão. Vamos aos argumentos.

1.

Houve um descolamento muito grande de votos ocorrido entre 2002 e 2006. Embora Lula tenha vencido Serra e Alckmin pelos mesmos 20 milhões de votos, não são os mesmos 20 milhões de votos. Em 2002, embora Lula tenha tido muito mais votos que na eleição anterior, repetiu o perfil que vinha desde 1989, vencendo nas cidades maiores, e com mais votos entre eleitores com maior nível educacional e maior renda.

[rápido esclarecimento: o Brasil é um país muito pobre, de modo que, nas classificações utilizadas para pesquisa, o grupo de maior renda não é milionário, não, é o pessoal que ganha mais de 4 ou 5 mil]

Em 2005, exatamente enquanto eclodia a crise do Mensalão, um deslocamento tectônico acontece, e, ao mesmo tempo em que Lula começa a cair entre os formadores de opinião, começa a disparar entre os eleitores muito pobres (50% da população). O artigo traz um excelente resumo das políticas que produziram esse resultado: BF, obviamente, Salário Mínimo, obviamente, mas também crédito consignado, Luz para todos, o sucesso da política econômica, etc.

Em 2006, Lula ganha com o voto desses pobres. Mas o que justifica falar em lulismo é que o PT mantém exatamente o mesmo padrão anterior: continua ganhando nas maiores cidades e perdendo nas menores.A grande contribuição do artigo é mostrar esse deslocamento, que é algo raro.

Mas como devemos interpretar esse deslocamento? Nessa tarefa muito mais difícil, o Singer se sai menos bem.

2.

Pesquisas do começo do ano 90 sugerem que o eleitorado muito pobre (50% do eleitorado) tem perfil conservador. Por exemplo, entre os muito pobres havia muita gente disposta a usar o exército para reprimir greves. E a auto-identificação esquerda/direita em pesquisas brasileiras constantemente dá que há muito mais direitistas que esquerdistas (nesse caso, as pesquisas apresentadas são mais recentes).

No que se refere ao segundo ponto, se eu entendi direito a Tabela 5, os eleitores de direita defendem mais a intervenção do Estado do que os de esquerda. Na pesquisa de 2006, Lula vence disparado, com a mesma proporção, na esquerda e na direita (tem menos votos no centro). E aí é que vale lembrar que, nessas pesquisas sobre valores, é sempre importante tentar entender o que é que as pessoas acham que está sendo perguntado.

Como nota o Singer, os mais pobres parecem estar fazendo o corte esquerda/direita na linha de desordem/ordem, não na linha igualitarismo/liberalismo. Assim, não lhes parece contraditório votar entusiasmadamente em Lula, que agora é o presidente, uma figura da ordem, que manteve a política econômica do FHC e não subverteu muita coisa, para que ele distribua renda, algo que desejam fortemente, como seria de se esperar.

O Lulismo, então, seria a combinação de uma aspiração por igualdade associado à aversão à contestação mobilizada, característica da parcela da população pobre “desorganizada” (fora de sindicatos, associações de bairro, etc., o que não quer dizer que não tenham suas próprias formas de solidariedade: lendo o Singer, pensei no sucesso do Lula entre setores evangélicos, além, é claro, da tradicional base católica progressista).

O problema com esse procedimento, naturalmente, é que, quando você diz, digamos, que 60% dos pobres votam no Lula, e 60% dos pobres torce pelo Flamengo, você não sabe se são os mesmos 60%. Certamente há eleitores do Lula que torcem pelo Flamengo, mas eles podem, inclusive, ser minoria. Em um exemplo extremo, pode ser que os 40% dos malditos não-flamenguistas sejam eleitores do Lula. Nesse caso, 2 em cada 3 dos Lulistas se decepcionarão todo campeonato.

Há casos em que é fácil distinguir com bom senso (se 50% forem judeus, e 50% anti-semitas, não é muito provável que haja muito overlap). Mas esse talvez não seja um desses casos. Assim, embora a maioria dos pobres seja conservadora, e a maioria dos pobres vote no Lula, nada prova que seja a mesma metade nos dois casos. Eu apostaria, sim, que tem um overlap grande, mas não sabemos o tamanho.

[Se não me falha a memória, o Gary King, fodão da balaxita em Harvard, tinha um método qualquer para lidar com isso. Se alguém se interessar, dê uma olhada]

3.

Suponhamos, com o Singer, que há um enorme contingente de pobres que apóiam Lula com entusiasmo, mas não são de esquerda, nem votam no PT. Há, naturalmente, algo de populismo nisso:

Árbitro acima das classes, o lulismo não precisa afirmar que o povo alcançou o poder ou que “os dominados comandam a política”, como na formulação que Oliveira foi buscar na África do Sul pós?apartheid.Ao incorporar tanto pontos de vista conservadores, principalmente o de que a conquista da igualdade não requer um movimento de classe auto-organizado que rompa a ordem capitalista, como progressistas, a saber, o de que um Estado fortalecido tem o dever de proteger os mais pobres, independentemente do desejo do capital, ele achou em símbolos dos anos de 1950 a gramática necessária. A noção antiga de que o conflito entre um Estado popular e elites antipovo se sobrepunha a todos os outros poderá cair como uma luva para o próximo período. Agora enunciada por um nordestino saído das entranhas do subproletariado, ganha uma legitimidade que talvez não tenha tido na boca de estancieiros gaúchos. Por isso, se a hipótese do realinhamento se confirmar, o debate sobre o populismo ressurgirá das camadas pré?sal anteriores a 1964, em que parecia destinado a dormir para todo o sempre.

Essa tendência existe: vejam esse editorial da Carta Capital sobre discurso do Lula elogiando Vargas. Resta saber se isso é Lula se rendendo ao Varguismo ou Lula reinterpretando o Varguismo para dentro do discurso petista. No primeiro caso o PT passa a ser só corrente de transmissão de Lula, no segundo o Lulismo, o mito político Lula, abre caminho para uma expansão do voto no PT. Não sabemos ainda para que lado isso vai.

Mas isso nos traz à última, e mais importante, dimensão do problema: o risco de despolitização, abordado pelo Giannotti em artigo do Estadão de domingo passado. Embora esse Lula tenha dado uma série de coisas aos mais pobres, não lhes deu poder. Os mais pobres não estão mais organizados depois do governo Lula.

Isso é importante, porque, a princípio, o deslocamento do voto da esquerda para os mais pobres era o objetivo da esquerda desde o início, e é coerente com o que se vê ao redor do mundo. Vejam esta citação de Lula em 1990, logo no começo do artigo do Singer:

A minha briga é sempre esta: atingir o segmento da sociedade que ganha salário mínimo. Tem uma parcela da sociedade que é ideologicamente contra nós, e não há porque perder tempo com ela: não adianta tentar convencer um empresário que é contra o Lula a ficar do lado do trabalhador. Nós temos que ir para a periferia, onde estão milhões de pessoas que se deixam seduzir pela promessa fácil de casa e comida16.

A questão, naturalmente, é que espera-se que a liderança entre os pobres seja conquistada através da mobilização política, não de políticas públicas. Esse bonapartismo lulista correria o risco de ser uma ressureição do populismo, em que o caudilho paira como “pai dos pobres”, distribui benesses, mas não lhes dá acesso ao poder, e reprime sua organização.

Bom, em primeiro lugar, essa análise abstrai fácil demais a diferença entre, como diz o Singer, o retirante e o estancieiro que viram líderes populares. O retirante virou líder popular através de um longo processo de luta política altamente sindicalizado, inteiramente “de baixo para cima”. Embora o PT tivesse bons resultados eleitorais nas áreas mais desenvolvidas (onde, inclusive, havia um proletariado industrial mais forte), ele organizava os de baixo.

Ainda é cedo para saber o efeito do lulismo sobre a organização popular. Pode ser, por exemplo, que o voto no PT siga com atraso a mesma trajetória, e, com o PT, chegue a cultura de mobilização que, muito antes de FHC, em São Bernardo, acabou com a “Era Vargas”. Os sinais de indefinição política observados pela pesquisa, como o número de pessoas que não sabe se definir no espectro direita/esquerda, pode simplesmente refletir um iminente realinhamento ideológico.

É desnecessário dizer que esse realinhamento deveria ser um dos principais focos do PT no Pós-Lula. Mas eu tenho sérias dúvidas a respeito da possibilidade de sucesso aqui. Porque o PT tem que entender que, em muitos aspectos ele foi ultrapassado ideologicamente pela população mais pobre, que está agora à sua frente nos debates. Se o PT resolver ser tucano com os mais pobres, e achar simplesmente que não tem nada a aprender, o PT não serve mais pra porra nenhuma.

E o que os “lulistas” têm a ensinar ao PT? Em primeiro lugar, que eles devem ser prioridade para a política de esquerda, com o que quero dizer: não são os funcionários públicos a prioridade, não são os estudantes universitários a prioridade. Os funcionários públicos devem receber exatamente a mesma atenção reservada aos demais trabalhadores, e, quando seus interesses contrariarem os do conjunto dos trabalhadores, a escolha tem que ser fácil. Os estudantes universitários que, por idealismo, quiserem apoiar a esquerda, serão bem-vindos. Mas ninguém precisa deles como cartório.

Nenhum partido vai ser idiota de alienar os setores que o defendem com mais vigor, e o PT tem uma forte base no funcionalismo público. Mas é preciso ter visão, porque a base social do partido não pode se limitar a esses setores altamente organizados. O PT deve ser o lugar da negociação entre os setores organizados e desorganizados, deve se mover a passos lentos, mas a direção é clara: ampliar a base do partido para além dos setores mais organizados, organizando-os.

O caso mais difícil é o dos trabalhadores sindicalizados que, indiscutivelmente, ainda são a base da esquerda em toda parte. Pois é preciso enfrentar a questão da informalidade do trabalho, que, volta e meia, gera conflitos entre os formalizados e os informalizados. O Mangabeira tinha um esboço de proposta de desoneramento da folha de pagamento que poderia ser um bom ponto de partida para esse diálogo.

E, finalmente, o ponto em que os lulistas estão milhas à nossa frente é em aceitar a política econômica responsável. Não adianta você dar cinquenta reais por mês de BF para o cara e deixar e inflação transformar em 30 em três meses. Não adianta aumentar o mínimo em 10% ao ano se você deixar a inflação ser mais que isso. É preciso dar atenção à reinvindicação de estabilidade por parte dos mais pobres, inclusive no campo da segurança pública.

Os muito pobres defendem a estabilidade porque eles são os caras na posição mais frágil: qualquer sacudida no barco, eles vão pro fundo. O pessoal, especialmente dentro do PT, que pede uma política com mais emoção, sei lá, menos careta, antes tem que nos provar que não vai afundar essa galera.

PS: O Chico de Oliveira andou dizendo que o Lulismo é a hegemonia às avessas: a classe trabalhadora exerce o poder, mas implanta o programa do capital. Só vi citado, não li no original, mas, a princípio, Navalha de Ockham: isso seria a glória suprema da hegemonia capitalista, não algo que exija um novo conceito.

PSTU: citado no artigo do Singer, artigo de célebres blogueiros brasileiros!

PSTUdoB: vou deixar para comentar as reportagens sobre os 30 anos do PT na Folha em outro post.

PSOL: com um sono miserável, não vai dar pra editar muito o post, não. Quem achar erro, avise.

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115 Comments on “O Lulismo”

  1. #1 André Egg
    on Feb 8th, 2010 at 10:29 am

    Peraí!

    Nem terminei de ler, mas tiove que escrever este comentário.

    "Sucesso de Lula entre os evangélicos"??!!

    Pintam ele como o próprio capeta. Sei por experiência própria. Depende do caso, se disser que votei nele sou expulso da igreja.

  2. #2 André Egg
    on Feb 8th, 2010 at 10:41 am

    Tem uma coisa aí que já ouvi dizer, mas não sei se procede.

    Esse bonapartismo lulista está a provocar uma severa mudança nos modelos de atuação do Estado, quando quebrou a lógica do localismo, no sentido de que antes do Governo Lula os recursos públicos chegavam sempre por uma longa via que passava por deputados, governadores, prefeitos e coronéis locais.

    Ao passar o benefício diretamente para cidadão, como um direito e não mais uma coisa que o cara tem que mendigar em troca do voto, está provocando uma mudança substancial no modo de se fazer política, que atinge principalmente os "grotões".

    Por outro lado, o governo Lula parece que sempre que a opção apareceu no horizonte, preferiu sacrificar o PT e seus ideais republicanos, em troca de apoio de partidos mais "fisiológicos". Não tenho dados, mas parece que o governo Lula está desmobilizando o PT – cada vez mais é um partido de políticos profissionais, e não dos movimentos populares. Neste sentido, é cada vez mais PSDB, enquanto o PSDB vai cada vez mais não-sei-pra-onde.

  3. #3 Amiano
    on Feb 8th, 2010 at 11:26 am

    Como um dos malditos não flamenguistas que no entanto não votam no Lula (;-), tenho que admitir que gostei muito do post. Felizmente o Lula entendeu isso, o Singer também, e os eleitores também, mas o PT não. Não sei se isso é um problema real, porque estou de fora, mas é algo que me chama a atenção: Lula fez uma candidata muito (não vou dizer totalmente) descolada do PT, mas próxima ao grupo político duro do lulismo. Mas, para manter a feliz distinção entre lulistas e petistas, para animar as bases e botar a campanha nas ruas o PT ainda depende do discurso da "emoção na política" que você mencionou. E isso não é feito por hipocrisia, é feito por convicção: veja o PT do Rio, por exemplo.

  4. #4 André
    on Feb 8th, 2010 at 11:29 am

    E tem como governar sem sacrificar alguns ideais? Vejam o Psol que tem três deputados e vivem se pegando, se esse pessoal chegar ao poder o que eles vão fazer? Os indignados com o esgarçamento moral dessas alianças do PT não estão sendo sinceros, esse teatro faz parte da luta política. Mas me parece que o eleitor já aprendeu a aceitar isso muito antes do que o pessoal mais ideológico, está na hora de entender melhor o "rouba mas faz".

  5. #5 João Paulo Rodrigues
    on Feb 8th, 2010 at 11:55 am

    Outro post daqueles. Cara, cê tem que fundar logo a ShumPTer, e lançar as suas, sei lá, "Teses de Fevereiro".
    Eu só não sei se há uma ruptura histórica entre varguismo e lulismo, talvez haja mesmo é uma linha de continuidade (ou ela esteja sendo criada pelo Lula). Acho que a visão disso é obliterada pela tradição sociológica, que crê muito nas teses do Ianni e, sobretudo, do Weffort, na qual se vê um corte muito forte entre o que vem "de cima" (o populismo) e o que vem "de baixo" (a organização trabalhista) com a primeira engolindo a segunda e apelando de forma tutelar aos desorganizados. O PT, apesar do discurso da independência sindical, já fazia a ponte entre a Era Vargas e um futuro de defesa de algumas das instituições criadas por Vargas. O populismo tradicional foi menos "de cima" do que se pensa e não perdeu suas raízes, apesar do golpe de 64, como parecem pensar muitos.
    Resta saber se é possível a organização de gente que tem como base de sustentação uma inserção no mercado de trabalho que é marcada pela instabilidade. Aquela época do operário de 40 anos no mesmo chão de fábrica foi pro espaço. Como esperar que de uma experiência compósita e fluída ele crie as mesmas redes de solidariedade e luta que seus pais ou avós? Tem que se tentar, mas isso é difícil pacas. Lá na Europa, com maior tradição no ramo, os caras tão há uns 30 anos empacados nessa.
    Ainda assim, o post é certeiro. Particularmente, gostei da puxada de orelha em relação à relação especial com meus camaradas de serviço público. Acho que já escrevi aqui, mas se não houver alguns choques entre o PT e minha classe, vai ser difícil aprofundar as mudanças para o pessoal sem estabilidade no emprego. Espero que isso ocorra, algum dia.

  6. #6 Marcelo Dutra
    on Feb 8th, 2010 at 12:02 pm

    "Está na hora de entender melhor o 'rouba mas faz'."

    Ok. Então o PT também vai assumir que perdeu a bandeira da ética e parar de condenar a corrupção nos outros partidos? Ou o "rouba mas faz" só vale para o PT?

  7. #7 Pablo Vilarnovo
    on Feb 8th, 2010 at 1:12 pm

    "Ao passar o benefício diretamente para cidadão, como um direito e não mais uma coisa que o cara tem que mendigar em troca do voto, está provocando uma mudança substancial no modo de se fazer política, que atinge principalmente os "grotões".

    Se é benefício não é direito. Esse é o primeiro ponto.

    Olha, eu sou um dos que considera o Bolsa Família um bom programa, mas que o PT/Lula utilizam o programa da mesmíssima maneira que os coronéis utilizavam o toma-la dá cá, ah utiliza sim. Basta ver que semana sim e outra também sai uma notinha, um comentário um "deslize" de alguém do PT com a ameaça que se eles perderem a eleição o programa vai acabar.

  8. #8 Zé Knust
    on Feb 8th, 2010 at 1:34 pm

    Essa coisa de "ameça" do fim do Bolsa Família não me parece divergir de certo padrão comum na política de ameaçar que as coisas bem vistas no seu governo acabaram com a vitória da oposição. Por exemplo, o PSDB usou do mesmo artifício em 2002 com relação à estabilidade econômica.

  9. #9 André
    on Feb 8th, 2010 at 1:42 pm

    O que diferencia o BF é o fato do benefício ser considerado um direito de quem atende os pré-requisitos, e assim, não precisar pedir favor a ninguém para receber. O efeito tomaladaca é bastante diluído pelo fato do cadastro ser feito localmente pelas prefeituras. E o "terrorismo" eleitoral que o PT faz com o BF seria muito menor se o PSDB não tivesse batido tanto na tecla do Bolsa-Esmola. Agora pagam o preço que o PT pagou por chamar o Real de eleitoreiro (o que em parte era verdade, em vista da âncora cambial e da desvalorização de 99).

  10. #10 André
    on Feb 8th, 2010 at 1:50 pm

    Eu não estava pensando especificamento no PT. Mas foi bom que o mensalão tenha abrandado o discurso moralista do PT. Não acho de se deva parar de criticar a corrupção alheia, desde essa não seja a única bandeira política do partido e, principalmente, que não seja acompanhada de doses cavalares de hipocrisia por parte da mídia.

  11. #11 Carlos
    on Feb 8th, 2010 at 1:54 pm

    Bom, esses posts sobre Lulismo sempre me parecem uma confusão do descritivo com o normativo…. Comentário de um trotskista que escreveu uma tese sobre Keynes: as massas não podem pular artificialmente as etapas do seu desenvolvimento político. Num país onde a maior parte da classe trabahadora está sempre na fronteira do lumpesinato, a universalização de uma renda mínima de inserção (que é o que o BF é) mostra, (1) que o capitalismo no Brasil ainda tem espaço para sua legitimação política; mas, ao mesmo tempo que (2) ao eliminar em parte o espectro da destituição absoluta, o BF abre caminho para as massas se verem como sujeitos políticos e, em algum momento, fazerem demandas mais radicais. Comentários?

  12. #12 fredk
    on Feb 8th, 2010 at 2:58 pm

    Ética não é bandeira: é princípio. Sem isso, a prática política é esvaziada por interesses outros que não o público.

  13. #13 fredk
    on Feb 8th, 2010 at 3:08 pm

    Um dado que seria interessante trazer -nem sei se alguém já fez isso- é o índice de manutenção da situação nos locais beneficiados pelo bolsa-família. Isso poderia dar uma eventual dimensão de um tomaladaca, pois, ainda que o benefício seja um direito para o qual basta ter a qualificação, a percepção dos beneficiados poderia ser uma mistura de "gratidão" com governo municipal e com governo federal.

    Não sei se há menção a isso no artigo do Singer, ams eu li uma entrevista com ele no Estadão no qual ele falou sobre o lulismo, e como ele se diferencia do varguismo por ser voltado para a população carente rural, e não para a população urbana trabalhadora, como Vargas. O alcance dessa política seria demonstrada pelo sucesso dos candidatos municipais da base governista nos lugares mais periféricos, em comparação com o fracasso nas grandes capitais.

    Singer diz que chamar Lula de varguista seria usar conceitos antigos para tentar descrever um fenômeno novo.

  14. #14 Rubens
    on Feb 8th, 2010 at 3:29 pm

    Se você alega que só você é ético e que, quando eleito, vai levar a ética para Brasília e expulsar os vendilhões tucanos neoliberais assassinos submissos ao FMI e ao George Bush do Templo e ainda colocar umas vestais bonitinhas no lugar, é uma bandeira, sim.

  15. #15 André
    on Feb 8th, 2010 at 3:49 pm

    Ética é diferente de moralismo.

  16. #16 André
    on Feb 8th, 2010 at 3:57 pm

    Claro que existe uma percepção de gratidão com os governos municipais e federal. E é bom que tenha, senão não haveria BF e outros programas sociais. Para mim, a diferença entre o Varguismo e o Lulismo é que o primeiro era muito mais personalista que o segundo, e pegou uma sociedade com um nível de exclusão muito maior. Bem ou mal, desde a constituição de 88 já existia a percepção que as políticas de inclusão sociais eram necessárias. O mérito do Lula foi ter percebido que inclusão social não é gasto, é investimento.

  17. #17 João Paulo Rodrigues
    on Feb 8th, 2010 at 4:07 pm

    E com o tempo o nível de gratidão tende a baixar. A manutenção do direito retira dele esse caráter vinculado a fulano ou sicrano.
    E já que se está enveredando pela discussão comparativa, é preciso lembrar que se há um lulismo, ele é diferente de um petismo e, portanto, seria preciso tomar mais cuidado em tomar a vitória no interior e a derrota nas capitais, ocorridas com candidatos petistas, como expressão do avanço do lulismo.

  18. #18 Rubens
    on Feb 8th, 2010 at 5:08 pm

    Acho praticamente impossível. Os trabalhadores não chegariam a uma postura mais radical por conta própria. Haja "consciência vinda de fora" para radicalizá-los. Se a Esquerda nunca conseguiu vender a narrativa da Luta de Classes para gente que sentia os lobos uivando às suas portas, eu não vejo como a venderia logo agora que a dívida social "está finalmente sendo paga" ou pelo menos é o que todo mundo diz. Pelo contrário, o BF deve convencer os trabalhadores de que o melhor é não balançar o barco e tratar de colocar alguém com sensibilidade social e bom senso, "alguém como a gente" na Presidência.

  19. #19 Carlos
    on Feb 8th, 2010 at 5:35 pm

    Que seja, por enquanto. E a Luta de classes agora virou narrativa? O gozado é o paternalismo que se deduz da sua idéia – que a classe trabalhadora, tendo o suficiente para matar a fome, não vai mais reivindicar nada, mesmo que viva numa periferia suja e poluída, onde seus filhos pegam doenças respiratórias de respirar fezes em pó, molestada pelos patrões, pelas milícias, pelos traficantes, tendo de se humilhar para cada ato da vida…

  20. #20 André
    on Feb 8th, 2010 at 6:05 pm

    A classe trabalhadora brasileira tem paciência infinita. E já demonstrou que, mesmo tendo pouco, o receio de perder esse pouco é muito grande. Eu não vejo outra explicação que justifique o Geraldo Alckimin ser favorito para governador de SP.

  21. #21 Túlio
    on Feb 8th, 2010 at 6:56 pm

    Em primeiro lugar, não se trata de paternalismo, se trata de uma estimativa-certa ou errada, errar é humano- tendo em vista que nunca faltaram motivos para que os trabalhadores incendiassem o Brasil e comprassem os remédios mais radicais da farmacopéia marxista para curar os males urgentes e terríveis do Brasil; se os sujeitos que não "têm nada a perder além de suas cadeias" ainda não fizeram isso, não vai ser justamente quando eles acham que têm algo a perder e que estão se tornando sócios do Sistema que eles vão se rebelar. Além disso, não fui quem inventou que os trabalhadores, sejam de Petrogrado ou de Guaranhuns, se deixados aos seus próprios recursos, acabam fazendo exigências mais imediatas e urgentes do que gostariam seus tutores marxistas, foi um tal de Lenin quem bateu nessa tecla incessantemente, apostou na consciência política vinda de fora do Proletariado e praticamente substituiu o Proletariado por uma vanguarda profissional e disciplinada. Sem falar que, para o Proletariado, apostar em um líder sensível a suas causas e capaz de conseguir concessões significativas da classe dominante pode, pelo menos no curto prazo, ser uma estratégia mais racional do que "vamos-para-as-barricadas-fazer-uma-revolução-que-se-Marx-quiser-não-será-esmagada-pelo-aparelho-de-repressão-do-Estado-ou-pelo-Imperialismo-nem-porque-o-espírito-de-Trotsky-vela-por-nós- será-traída- ou-sequestrada-pelo-estamento-burocrático-que- vai-destruir-as conquistas-políticas-e-se-apropriar-de-boa-parte-das-conquistas -econômicas-tudo- isso-a-um-custo-enorme-de-recursos-vidas-tempo-e-traumas".
    Além disso, tudo depende do Povo comprar o diagnóstico e o receituário das Esquerdas: se frustração e falta de perspectivas tornassem as pessoas esquerdistas, o sistema de castas, o fascismo e o Brasil não teriam durado dois dias. É uma questão de percepção: se você puder convencer os eleitores de que o problema da violência é culpa do exército não estar nas favelas fazendo com os traficantes o que os milicianos já estão fazendo, não precisa dar conta das causas socias e econômicas mais profundas por trás da situação. Aliás, salvo engano meu, os problemas que você listou não são exatamente novos; se eles ainda não foram suficientes para acender o pavio quando a eles se juntava a fome, não sei como eles seriam agora que uma política social menos idiota diminuiu o risco da fome. Aliás, boa parte desses trabalhadores provavelmente diria que seria uma ingratidão aumentar o tom de voz logo agora que o Governo tão bondosamente resolveu finalmente fazer algo útil; o fato de isso ser uma análise errada não quer dizer que não seja comum (parafraseando uma personagem de uma crônica de Carlos Eduardo Novaes, quando Sarney era presidente, "O Sarney nunca fez nada por mim, mas se não fez mais é porque não pôde").
    Quanto à narrativa, o que eu quis dizer é que não me parece que a explicação marxista (os burgueses dominam os meios de produção, se apoderam da mais-valia, etc.) para os problemas do proletariado tenha penetrado muito nas consciências dos trabalhadores brasileiros. Sem isso, o máximo que se pode esperar são algumas exigências mais óbvias e o surgimento de algumas lideranças sindicais a serem cooptadas. Não há ação revolucionária sem consciência revolucionária se você me permite emendar Lenin e Plekhanov. Enfim, não mate o mensageiro, por favor.

  22. #22 fredk
    on Feb 8th, 2010 at 7:09 pm

    O que o PT prostituiu pelo poder foi sua ética. Nada mais, nada menos.

    Não há nenhum moralismo, nenhum udenismo. Simplesmente o PT abdicou de sua ética, componente importante de seu capital político.

  23. #23 fredk
    on Feb 8th, 2010 at 7:12 pm

    Personalismo por personalismo, o fato de Lula ter aprovação maior do que seu governo já diz bem sobre a percepção que as pessoas têm sobre a política atual.

    E dizer que a sociedade que Lula pegou era mais excludente do que aquela praticamente pré-agrária e pré-industrialista do GV é um exercício de lesa lógica.

    E sim, concordo com vc quando fala que Lula percebeu que inclusão social não é gasto, mas sim investimento. Principalmente porque percebeu que era um investimento com excelente retorno eleitoral.

  24. #24 André
    on Feb 8th, 2010 at 7:18 pm

    Eu disse o contrário, a sociedade que Vargas pegou era mais excludente.

  25. #25 marcos moraes
    on Feb 8th, 2010 at 7:24 pm

    Domingo passado foi ontem?

    MAM

  26. #26 João Paulo Rodrigues
    on Feb 8th, 2010 at 7:29 pm

    Na realidade, o André está errado, e, assim, a sua réplica também. A idéia de que investimento social não é gasto está no DNA do PT e do Lula desde 80. A idéia de que se optou pelo BF pela caráter eleitoreiro é estapafúrdia porque a causa está antes que o efeito; porque é uma negação da própria política; porque é cego para algo evidente independente da posição política de cada um – o de que Lula acredita ser sua missão mudar definitivamente a vida dos pobres (não entra em questão se o faz, se o faz bem ou mal etc., mas o de que sinceramente acredita o fazer).

  27. #27 João Paulo Rodrigues
    on Feb 8th, 2010 at 7:30 pm

    Em lugar de: "A idéia de que se optou pelo BF pela caráter eleitoreiro é estapafúrdia porque a causa está antes que o efeito", leia-se: "A idéia de que se optou pelo BF pela caráter eleitoreiro é estapafúrdia porque O EFEITO está antes que A CAUSA".

  28. #28 André
    on Feb 8th, 2010 at 7:30 pm

    Não entendi o que a diferença entre as aprovações do Lula e do governo dizem sobre a percepção que as pessoas têm sobre a política atual. Penso que essa diferença vem do fato que a população entende que o governo não é feito de uma só pessoa e que existem limitações para o governante impor sua vontade. Além do que, pessoas sempre contam com mais boa vontade que instituições. Se a situação econômica do Brasil fosse exatamente a mesma, mas o Lula fosse super-antipático, esnobe, arrogante, etc. a aprovação do governo talvez fosse maior que a dele.

  29. #29 André
    on Feb 8th, 2010 at 7:41 pm

    Quando disse mérito do Lula, não foi em relação ao PT, mas em relação aos demais presidentes. Com relação ao DNA é difícil dissociar o Lula do PT médio, já que este é formado por muitas correntes. Acredito que os termos Lulismo e Petismo sirvam para definir muito mais as atuais práticas e a visão do futuro do que as origens.

  30. #30 marcos moraes
    on Feb 8th, 2010 at 7:48 pm

    então, já tem vc!

    MAM

  31. #31 fredk
    on Feb 8th, 2010 at 7:51 pm

    Verdade. Mal aí.

  32. #32 fredk
    on Feb 8th, 2010 at 7:55 pm

    A aprovação do Lula sempre foi dissociada da aprovação a seu governo, e mesmo da aprovação a seus colegas de turma.

    Basta ver como ele conseguiu passar incólume pelo mensalão. É apenas por isso que hoje discutimos um lulismo e não mais um petismo, pois o PT, aquele clássico de 1980, foi pra lata de lixo da história ao tomar as posições que tomou desde 2003. Basta ver a situação constrangedora do PT em São Paulo para ver o buraco sem fundo em que se encontra o partido. Pra coroar a situação atual, só se Mercadante perder pra senador, ou nem sair.

  33. #33 fredk
    on Feb 8th, 2010 at 7:57 pm

    E não achar que não existe algum cálculo político por trás do bolsa-família é crer demasiado em voluntarismo político, o que, obviamente, não tira o mérito de Lula ao aplicar a provavelmente mais bem sucedida política de inclusão nunca antes vista na história desse país, quiçá do mundo.

  34. #34 Pablo Vilarnovo
    on Feb 8th, 2010 at 8:08 pm

    Eu diria componente importante de sua propaganda política. Porque o PT já era corrupto bem antes de assumir o governo federal. A República de Ribeirão Preto não me deixa mentir.

  35. #35 Kbção
    on Feb 8th, 2010 at 8:10 pm

    O descolamento do Lulismo em relação ao petismo hardcore é algo evidente. Já o petê mainstream há tempos se encontra desfigurado ideologicamente, tornando-se algo inclassificável, algo como um bando de bichos desnorteados seguindo o intuitivo instinto de sobrevivência do macho-alfa . O lumpesinato que hoje apoia o Messias o faz pela combinação do pragmatismo macroeconômico que mantém o dragão inflacionário distante com o populismo mais desbragado, reacionário até. O debate de valores pra esta turma que, logicamente, pensa com a barriga fica compreensivamente em segundo plano, até porque em matéria de usos e costumes o tal povo é flagrantemente conservador. Agora uma coisa nem o artigo do Singer nem o post do NPTO mencionam, o fato de que também (perdão pelo termo) a burguesia encontra-se encantada pel'O Cara, que ousa manter um ex-tucano liberal no comando do BC, a ponto de vermos por aí o "eu-tenho-medismo" sendo espalhado pelos petistas em relação a Serra.

  36. #36 Kbção
    on Feb 8th, 2010 at 8:11 pm

    Onde consta compreensivamente leia-se compreensivelmente.

  37. #37 Pablo Vilarnovo
    on Feb 8th, 2010 at 8:12 pm

    Mérito de Lula??? Poxa André, o BF família já existia antes de Lula, todos sabem que o BF nada mais é que a junção de outros programas da era FHC. O programa do Lula era o Fome Zero que naufragou por dificuldades operacionais.

    Lula teve o mérito de aumentar o programa, isso é inquestionável (ou sim, mas é outro debate), mas dizer que os Lula percebeu isso em detrimento de outros não dá…

  38. #38 Pablo Vilarnovo
    on Feb 8th, 2010 at 8:15 pm

    Ora Carlos, mas a luta de classes é entre o patrão, o capitalista, o sr. mais valia e os empregados. Nunca é entre o governo progressista e os que pagam impostos.

    E o BF serve bem para isso não é? Como reclamar do governo já que ele dá 90,00 reais por mês para nós?

  39. #39 Túlio
    on Feb 8th, 2010 at 8:37 pm

    Ah, bom, quando o PT criticava o fisiologismo do Governo FHC, era a "luta política.

  40. #40 André Egg
    on Feb 8th, 2010 at 10:12 pm

    Não sei não, sou servidor público estadual, nem sou tão petista assim.

    Acho que os únicos setores do serviço público que tem algo parecido com boas condições de trabalho e salários não-miseráveis são os caras do judiciário e carreiras especiais da Receita Federal.

    Da área de educação, saúde, serviços públicos em geral, a situação melhorou um pouco – mas ainda tá todo mundo a pão e água. E boas condições para o servidor público são fundamentais para bons serviços públicos.

  41. #41 Kbção
    on Feb 8th, 2010 at 10:25 pm

    É isso mesmo , Pablo. A tão propagada ética petista era só isso mesmo: uma bandeira, um slogan – que serviu para acumular muito capital político e ajudou demais na chegada ao poder – o Chico Oliveira que o diga. A prova do caráter instrumental desse discurso para O Partido é que, no pós-Lula, quem ousasse trazer o tema para o palco de debates era imediatamente taxado de udenista pelo governo e seus áulicos. Então o que o petâ fazia nos tempos de oposição então era um udenismo supersônico…

  42. #42 André
    on Feb 8th, 2010 at 11:55 pm

    Claro. E o PSDB resolveu copiar essa postura udenista do PT e agora está numa sinuca.

  43. #43 André
    on Feb 8th, 2010 at 11:56 pm

    É evidente que era. Por acaso houve alguma devassa no governo anterior?

  44. #44 André
    on Feb 9th, 2010 at 12:04 am

    O BF é um dos programas sociais, na minha opinião o que foi até mais significativo foram os aumentos reais no salário mínimo. E desde quando ampliar (bastante) um benefício e abandonar uma iniciativa que não deu certo é demérito?

  45. #45 Carlos
    on Feb 9th, 2010 at 12:19 am

    Seu post, lamento lhe dizer, é de um elitismo imenso. O povo brasileiro sempre realizou a luta de classes, apenas não no grau de consciência política que intelectuais pequeno-burgueses desejam que tenha, e o BF pode muito bem ser uma etapa no desenvolvimento de uma consciência política própria, que tem dificuldades de desenvolver-se numa sociedade que ainda é uma sociedade com tanta "lei" quanto a masmorra de 120 dias de Sodoma…E Lenin, que você cita, diria que os intelectuais podem organizar a consciência das massas, não substituir-se a elas (achar que ele pensava tal coisa foi um pecado de juventude de L. Davidovitch).

  46. #46 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:32 am

    André, eu pensei nos evangélicos do Rio, ano passado eu vi bastante evangélico que votava no Lula. Mas se você diz que não é assim, vou corrigir no post.

  47. #47 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:32 am

    Pois é!

  48. #48 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:36 am

    André, essa é a esperança: o BF é completamente diferente do clientelismo tradicional (os sociólogos tucanos têm que saber isso, é Sociologia I), uma vez que os critérios para concessão são universais. O govern ameaçar que o adversário vai acabar com o programa é prática padrão na democracia (lembram do FHC dizendo que o Lula ia desvalorizar o Real? E a beleza é que depois ele desvalorizou), o que havia antes é o cara pedir favor ao coronel, ou a coisa que valhesse, que concedia cada favor com base no julgamento sobre a lealdade pessoal do eleitor. Era muito, muito, muito mais fácil o coronel negar o benefício do que o governo hoje cancelar o BF com base no voto do cara.

  49. #49 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:38 am

    André que não é o Egg: sim, sempre temos que fazer compromissos, mas o rouba mais faz é um negócio diferente (se você estiver falando do que o Adhemar fazia, o Maluf fazia), em que o político enche o próprio bolso.

    Na verdade, acho que você está se referindo mesmo é à prática de cooptar aliados com corrupção. Isso pode não ter jeito mesmo, mas sempre é sinal de uma patologia do processo.

  50. #50 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:40 am

    Em um cenário ideal, o PT quando voltar a ser oposição vai pedir menos impeachment mas vai continuar cobrando. O pior cenário é um em que todo mundo concorda que investigar não leva a nada, e vambora.

  51. #51 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:41 am

    SIm, não pode ser a única bandeira. Mas o risco aqui no Brasil é que não seja mais bandeira de ninguém relevanta, apenas de partidos menores, que, afinal, nunca vão precisar governar, mesmo.

  52. #52 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:43 am

    Sim, fredk, mas aí entra a velha tensão, que nunca pode acabar com nenhum dos lados, entre ética de princípios e de responsabilidade. O governante também não pode achar que ficará em paz com sua consciência se ele perder oportunidades de promover os interesses da população sempre que isso entrar em choque com sua auto-imagem de um sujeito honesto.

  53. #53 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:45 am

    Pablo, não era assim não. O problema em Ribeirão já foi pouco tempo antes da eleição presidencial. Procure na administração Erundina que você não acha nada.

  54. #54 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:50 am

    Kbção, esse papo de "udenista" é ruim, mesmo, mas não era hipocrisia o negócio. Os dirigentes do PT, até a eleição do Lula em 2002, tinham uma vida bastante simples (vá ver a casa do Genoíno), e o partido era até meio fanático. Eu fui em uma reunião em que os militantes foram lá para descer o cacete em um sujeito que distribuía camiseta durante a campanha, o que era considerado compra de voto. Na mesma campanha, em 92, o candidato adversário distribuía tíquete do leite extraviado da prefeitura nas esquinas da cidade. Os caixas 2 do PT e dos outros sempre foi incomparavelmente menor. Naturalmente, depois isso mudou, mas houve sim uma época em que a corrupção era muito, muito menor que nos outros partidos. Até 94, por exemplo, nunca vi cabo eleitoral pago no PT.

  55. #55 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:51 am

    Esse papo é ruim, mesmo. Claro que era também luta política, mas não era só isso; como hoje em dia também não é.

  56. #56 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:52 am

    Pois é, não. O que, como todo mundo sabe, reflete muito mais capacidade de formar base aliada coesa do que honestidade. Todos esses escândalos foram rachas na base.

  57. #57 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:54 am

    Valeu, majestade. Pois é, esse fator "emoção na política" é crucial para a gente saber como a coisa vai se desenrolar. Mas o que seria triste é se isso fosse feito com volta ao discurso político anterior.

  58. #58 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:58 am

    JPR, a SchumPeTer aguarda sua decisão de ser nosso candidato a presidente. Eu tenho a impressão de que essa discussão com a literatura "crise do populismo" já deve estar rolando, mas eu tenho medo de virar um negócio "Vargas era o mó legal". E a questão dos desorganizados é exatamente isso, um problema da esquerda mundial (vou tentar voltar a isso em post próximo).

  59. #59 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 12:59 am

    É isso mesmo (se tivesse visto seu comentário antes não tinha comentado lá em cima).

  60. #60 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:00 am

    Precisamente.

  61. #61 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:01 am

    Carlos, eu naturalmente não acredito mais em revolução socialista, mas do ponto de vista ortodoxo é exatamente isso que você disse.

  62. #62 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:04 am

    Na verdade, a questão é que os trabalhadores sempre tiveram mais consciência do que a consciência que veio de fora. Se um dia surgir uma alternativa real de socialismo democrático, aí a gente vê o que eles fazem e discutem. Mas, se não me falha a memória, o velho presidente da Fiat nos anos 30 mandava os operários para a URSS para eles voltarem ex-comunistas. Os trabalhadores da Europa Ocidental sabiam bem no que não estavam se metendo.

  63. #63 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:05 am

    Sim, Carlos, mas essas reinvindicações são mais de cidadania do que de classe, não? Não estou dizendo que são coisas sem relação uma com a outra, mas são diferentes.

  64. #64 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:07 am

    Olha aí, gente, esse pessoal que parece ter paciência infinita, quando perde a paciência, é fogo. E, galera, atenção: a situação dos mais pobres tem melhorado bastante, não é só medo de perder, não, é satisfação de ter ganho.

  65. #65 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:07 am

    Pablo, não sei se entendi seu argumento.

  66. #66 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:10 am

    Túlio, gostei do resumo da estratégia, muito bom, mas não sei se entendi o final do texto.

  67. #67 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:11 am

    Carlos, você está falando de meu post ou do comentário do Túlio? Na verdade, se não me engano, o Lenin do Que Fazer era bem mais elitista do que o do Estado e a Revolução. Era isso?

  68. #68 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:11 am

    Não, não, foi uma semana atrás. É que o post foi ao ar ainda domingo.

  69. #69 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 1:13 am

    Kbção, um ponto importante: os muito pobres não são, em geral, lumpen: o cara que trabalha no McDonald`s tem um salário ruim, mas é claramente integrado ao sistema. O lumpen é o pessoal excluído no sentido estrito, em atividades ilegais, desempregados de longo prazo, sub-empregados, enfim.

  70. #70 He will be Bach
    on Feb 9th, 2010 at 1:57 am

    In the fly, André. Você me fez lembrar do perigo do outro extremo, a saber, o do Serra, que, a pretexto de aumentar a eficiência do Estado, trata o funcionalismo estadual a pão estragado e água suja.

    Até onde sei, não só a Receita, mas o funcionalismo federal como um todo tem sido muito bem tratado – exceto pelo café, é claro. É só ver a recente lei que deu uma bela turbinada nas principais carreiras do Executivo – de Itamaraty a CVM, passando por SUSEP, Banco Central, CGU e o próprio MPOG.

  71. #71 Carlos
    on Feb 9th, 2010 at 2:40 am

    Um sociólogo da escola do Bourdieu, o Loic Waquant, considera esta idéia de "underclass" (_sub_proletário) altamente ideológica. Um biscateiro é um proletário como outro qualquer, não é porque não bate ponto regularmente que não o é, a não ser pq insistimos em transformar a aristocracia operária em metro de todas as coisas.

  72. #72 Carlos
    on Feb 9th, 2010 at 2:45 am

    Do Túlio. Bom, sobre Lenin… será que há uma contradição tão profunda? Há um texto de 1920 em que ele diz que ainda é todo pelo ideal da cozinheira governando o Estado, mas que para _começar_ a pensar nisso na prática era preciso primeiro , no mínimo, exterminar o analfabetismo na Rússia Soviética.

  73. #73 NPTO
    on Feb 9th, 2010 at 3:06 am

    Carlos, excelente ponto, o conceito de underclass é meio estranho, mesmo.

    Ele chamou atenção nos anos 80 quando houve um certo deslocamento entre uma classe média negra ascendente nos EUA e os negros pobres que foram parar nos projetos habitacionais, em que a taxa de desemprego chegava a 70%, 80%. Estava associado também a comportamentos como gravidez adolescente e crime. Aquele cara da curva do sino (Charles Murray? Esqueci o nome) brincou muito com essa idéia, mas, eventualmente, estudos mostraram que cada uma dessas características – desemprego, gravidez, drogas, crime, etc. – evoluiu de maneira bastante independente das outras, sugerindo que não era bem um cluster de características, como se espera de uma classe social.

    Acho que o conceito de exclusão substituiu com muitas vantagens o de subclasse, o que não quer dizer que ele também não seja usado para muito mais coisas do que ele serve. A questão aqui é que nem subclasse, nem lumpen, nem exclusão, foram idéias criadas para descrever sujeito com salário baixo.

  74. #74 Carlos
    on Feb 9th, 2010 at 9:58 am

    Mas será que uma Revolução não é isso, sempre? É aquela estória/história famosa do Luis XVI informado da Queda da Bastilha: É uma Revolta? – diz o Rei (quer dizer, esses burgueses chatos estão reivindicando menos impostos, a cabeça de um ministro, essas coisas?). E diz o cortesão: Não , sire, é uma Revolução (não, agora eles querem o Poder, mesmo).

  75. #75 Túlio
    on Feb 9th, 2010 at 11:09 am

    O BF pode ser uma etapa do desenvolvimento da consciência. Ou não. A verdade é justamente que não sabemos. "O povo brasileiro sempre realizou a luta de classes…" Com os resultados que já conhecemos. Repare que isso não é uma crítica, é simplesmente uma avaliação: apesar da enorme quantidade de males que você citou, até agora, o trabalhador brasileiro não se radicalizou. Dizer que ele vai fazer isso, logo agora que o Sistema começou a cumprir algumas de suas promessas, é um chute que pode acabar em um golaço ou em um gol contra. Quanto a Lenin, é necessário levar em conta que, além da tradição de mobilização dos sovietes, a desarticulação do Governo Provisório em meio a uma guerra desastrosa, ele contava com o apoio da Guarnição de Petrogrado, que foi quem tomou o poder à revelia dos sovietes-representantes dos trabalhadores-, que foram colocados diante de um fato consumado. Agora, se em vez de luta de classes, estamos falando em golpe-como o da Guardição de Petrogrado 1917-, os golpistas sempre acham que um golpe cai bem, faça chuva ou faça sol. Não deixa de ser interessante que Marx tinha uma descrição mais ou menos detalhada da ordem dos fatos que levariam à Revolução enquanto os marxistas atuais, inspirados por Lenin, brincam de "cara eu ganho, coroa você perde": "se as coisas pioram, isso leva ao fortalecimento da consciência política, radicalizando memso os trabalhadores mais conformados", mas "se as coisas melhoram, os trabalhadores perderao o medo dos seus opressores e ficarão ousados em suas reivindicações sociais", porém "se tudo permancer como está, o trabalhador será levado pela falta de perspectivas a se radicalizar". Que esssa bobagem voluntarista disfarçada de evangelho marxista tenha fracassado em prever ou explicar 500 anos de História do Brasil não parece incomodar aqueles que estão pregando no deserto. Talvez devesse. Não é à toa que se disse que Lenin não tinha feito a Revolução só contra o Capital econômico, mas também contra o Capital, de Marx. Em tempo: a Rússia Tzarista não tinha Bolsa Família.

  76. #76 André
    on Feb 9th, 2010 at 11:16 am

    Nessa época o PT estava, salvo algumas exceções, fora do poder. E havia ainda muita utopia e inocência no partido. A realidade do poder mudou um pouco o partido, embora eu não ache que o PT seja o partido mais corrupto da história, muito pelo contrário.

  77. #77 Túlio
    on Feb 9th, 2010 at 11:18 am

    O meu argumento é : se desigualdades sociais e mazelas sociais e arbitrariedade tivessem o Poder de radicalizar as pessoas, independentemente de outras variáveis, a História do Brasil e do Mundo teriam sido completamente diferentes. O próprio Brasil já foi, sob muitos aspectos, um lugar bem mais insuportável.
    Lenin e Plekhanov apontavam que a teoria revolucionária é necessária à ação revolucionária, eu estou apontando que a consciência de que o atual estado de coisas é injusto e de que há uma opção razoável de mudanças-além daquela representada pela concessão de benefícios por um líder sensível aos assuntos sociais- é necessária para a radicalização dos trabalhadores. Até agora, as pessoas cuja função é trazer essa consciência para os proletários não conseguiram vender seu peixe: o trabalhador prefere comprar na banca do Cara e, quando o peixe de lá parar de agradar, vai voltar a comprar na banca dos tucanos. Se isso é injusto ou justo, bom o mal, sei lá, mas até agora tem sido assim, sim.

  78. #78 André
    on Feb 9th, 2010 at 11:40 am

    Estava me referindo a obras mesmo. Um hospital superfaturado salva mais vidas que dinheiro em caixa, asfalto com a cervejinha inclusa ainda é melhor que rua de lama, etc. É evidente que quando o desvio deixa de ser uma fração da obra (Maluf?) a coisa complica. Devemos buscar sempre o não-rouba-mas-faz e punir a sujeira que for descoberta. Mas na prática os candidatos mais bem sucedidos são os "realizadores" que nem sempre são os mais honestos.

  79. #79 João Paulo Rodrigues
    on Feb 9th, 2010 at 11:47 am

    Oi André,
    Não falei, e acho que nem o NPTO, em servidores estaduais. Os federais ganham entre bem e muito bem. Mas a questão nem é tanto o salário. Na realidade é todo o ordenamento do Estado, sua burocratização em certas áreas, ausência de carreiras, sobreposição de funções, áreas terceirizáveis (ó o anátema aí) etc. etc.

  80. #80 Pablo Vilarnovo
    on Feb 9th, 2010 at 11:49 am

    Eu gosto da Erudina. E porque será que ela se mandou do PT??? :)

    Celso todos os partidos são corruptos. O PT também era. Não existe ilusão para isso. Se não roubava de prefeituras, roubava de sindicatos. Ora é a mesma coisa.

    E não é porque é o PT ou o PSDB. E a estrutura da política e da burocracia de governo no Brasil que proporciona isso.

  81. #81 Pablo Vilarnovo
    on Feb 9th, 2010 at 11:52 am

    "os sociólogos tucanos têm que saber isso, é Sociologia I"

    Mas Celso o BF nada mais é que os programas tucanos aglutinados!!!!!!!!

    Mas não muda não do Coronelismo, a diferença hoje é que eles podem incluir no programa quem não está capacitado para tal. Pior, muitas pessoas deixam de ter suas carteiras assinadas para continuarem a receber do programa.

  82. #82 Pablo Vilarnovo
    on Feb 9th, 2010 at 11:53 am

    Ora, não por culpa do PSDB. Era só olhar os programas políticos do PT pré Carta aos Brasileiros.

  83. #83 Pablo Vilarnovo
    on Feb 9th, 2010 at 11:56 am

    Poxa, mas eu afirmei o contrário!! Olha o que eu escrevi: "Lula teve o mérito de aumentar o programa, isso é inquestionável"

    A questão do debate vai ao ponto que o BF não passa de um programa assistencialista que no final das contas não apresenta saidas ao cidadão para deixar de participar do programa, ou melhor não impõe condições REAIS para que as pessoas deixem de participar.

    Na verdade deveriamos torcer para que o programa diminuisse e não aumentasse.

    Espero que entenda essa afirmação.

  84. #84 André
    on Feb 9th, 2010 at 12:18 pm

    Como não muda o coronelismo? Você faz a inscrição na prefeitura e depois recebe por um cartão. Não tem que beijar a mão de ninguém, e o único condicionante é manter os filhos na escola. E que bom que agora as pessoas não deixam de trabalhar para receber o BF, somente optam por não ter a carteira assinada. O que também ocorre por outros motivos, como evitar os descontos obrigatórios, manter a flexibilidade ou devido à precariedade do trabalho.

  85. #85 marcos moraes
    on Feb 9th, 2010 at 12:30 pm

    Não estou achando o danado. Tem como fornecer?

    MAM

  86. #86 fredk
    on Feb 9th, 2010 at 12:41 pm

    A realidade do poder não mudou o partido -estraçalhou o partido.

  87. #87 André
    on Feb 9th, 2010 at 12:54 pm

    Só se esse estraçalhamento tiver um delay muito grande, porque o PT continua um dos maiores partidos do Brasil.

  88. #88 marcos moraes
    on Feb 9th, 2010 at 2:09 pm

    Duvidas que enviarei aos poucos, pois o carnaval comanda os esforços maiores…

    Vc diz que os lulistas estão milhas à nossa frente. Nossa aí é quem?

    MAM

  89. #89 André
    on Feb 9th, 2010 at 4:48 pm

    Elaborando. Se um programa social é considerado um gasto então faz sentido gastar o menos possível e não faz sentido ampliá-lo. Se um programa social é considerado um investimento então faz sentido gastar o máximo possível e ampliá-lo. A porta de saída do BF existe e é inexorável, basta os filhos fazerem 18 anos. O que não impede o MBES de tentar implantar outras portas de saída como programas de capacitação, por ex..

  90. #90 Tio "O"
    on Feb 9th, 2010 at 4:55 pm

    "O BF é um dos programas sociais, na minha opinião o que foi até mais significativo foram os aumentos reais no salário mínimo."

    Na sua opinião sim… Mas não na opinião de quem estuda políticas sociais no Brasil e compartilha do consenso que aumentos no salário mínimo tem efeitos negligíveis no bem estar dos 20% mais pobres * que qualquer brasileiro bem informado deve saber *, não recebem salário mínimo.

  91. #91 André
    on Feb 9th, 2010 at 5:27 pm

    Não me expressei bem, considero os ganhos reais do SM mais importantes que o BF para ajudar no crescimento econômico e não na redução da miséria. Como, de fato, não estudo políticas sociais e, parece, não estou bem informado, baseio os meus achismos na realidade que me cerca e no que leio na imprensa. É pouco mas é o que dá para fazer.

  92. #92 Pablo Vilarnovo
    on Feb 9th, 2010 at 5:56 pm

    "A porta de saída do BF existe e é inexorável, basta os filhos fazerem 18 anos."

    Ai esses filhos, sem educação e qualidade, sem treinamento vão fazer exatamente o que? Mais filhos para entrar no programa é uma resposta?

  93. #93 André
    on Feb 9th, 2010 at 6:10 pm

    Mas a condicionante é que os filhos fiquem na escola. O BF não melhora a qualidade da educação. Que se cobre os secretários de educação dos estados ou o ministro da educação.

  94. #94 Pablo Vilarnovo
    on Feb 9th, 2010 at 6:26 pm

    Ah, ou seja, o BF não é solução para o problema da pobreza. No máximo um paleativo (necessário, não digo o contrário)…

    Mas melhorar educação dá um trabalho…

  95. #95 André
    on Feb 9th, 2010 at 6:48 pm

    Não é solução mas é parte da solução. E mesmo uma educação sofrível é melhor que educação nenhuma. Melhorar a educação dá um trabalho … e custa tanto dinheiro …

  96. #96 Tiago
    on Feb 10th, 2010 at 11:02 am

    Não se deixem iludir: petistas e tucanos são cabeçorras da mesma hidra reacionária. A solução para lidar com essa hidra é a mesma adotada por Herácles: Não basta cortas as cabeças, pois outras aparecem no lugar; a solução é esmagá-las. Esmaguem-nas.

  97. #97 adroaldo
    on Feb 10th, 2010 at 1:26 pm

    Nos grotões o salário mínimo era uma ficção e carteira assinada uma quimera. É onde o BF produz maior impacto. Equivale a uma carta de alforria que liberta o sujeito de uma semi-escravidão. Os maiores detratores do BF são os que se beneficiavam dessa mão-de-obra grátis. Basta verificar o que a bancada ruralista pensa do programa. O mínimo que dizem é que incentiva a vagabundagem. Afinal, está difícil conseguir quem trabalhe por 200 pilas por mês.

    Lula provavelmente vai transferir esses votos para Dilma, que representa o lulismo, não o PT. E a política de alianças que garantiu a governabilidade vai impedir que a distância entre o tamanho eleitoral existente entre Lula e o PT diminua

  98. #98 Hugo Albuquerque
    on Feb 10th, 2010 at 11:57 pm

    Eu li esse artigo do Singer há mais ou menos um mês, eu vejo uns pontos um pouco preocupantes: O primeiro é que ele foca demais em pesquisas de opinião e não se baseia em dados mais concretos – as votações para a Presidência de 89 para cá, p.ex. – assim como foi simplista demais nas classificações do que é esquerda e direita no Brasil – são categorias que beiram muitas vezes a metafisíca, mas que dentro do contexto europeu ocidental (parlamentar e com partidos fortes) é uma coisa mais rigída do que no Brasil, ainda que aqui haja um eleitorado mais "progressista" que pode ser deduzido das votações. Vejo problemas graves também em conceitos como "subproletariado" e, principalmente, nessa história de "conservadorismo popular" – isso merece uma investigação um pouco mais apurada, seja à luz da psicanálise ou da psicologia social, mas é um fenômeno muito mais complexo do que parece e merecia um exame mais profundo, abordando por exemplo, a dinâmica do trabalho urbano, a questão da moradia e a relação entre partidos políticos e a sociedade.

    Se pegarmos a votação dos candidatos "de esquerda" de 89 para cá – mesmo que isso tenha um significado diverso dos conceitos europeus que a politologia transplante com frequência nas suas análises -, ele sempre tiveram um piso que girava por volta de 33% – isso se confirma com todo mundo concorrendo em 89, Lula e Brizola em 94, Lula com Brizola em 98, Lula em 02 e Lula e HH em 06. O que aconteceu foi agregamento do voto – a política brasileira não é tão dinâmica assim para simplesmente se operar uma mudança tão grande na base do eleitorado de um candidato, ela aconteceu, mas menos, menos…Quem votava em Lula antes votou massivamente nele em 06 e não virou tucano, mas há sim uma mudança de relação entre esse eleitorado "de esquerda" e o PT.

    Sobre o varguimo e o petismo, você acertou na mosca: As greves do ABC foram o início do fim do Estado Varguista mesmo e Lula simplesmente reinterpetra certos aspectos do multifacetado Varguismo à luz do prisma petista, nada mais – se ele fosse realmente varguista, este post certamente já teria sumido e este debate não poderia acontecer…

  99. #99 NPTO
    on Feb 11th, 2010 at 12:44 am

    Os petistas.

  100. #100 NPTO
    on Feb 11th, 2010 at 12:46 am

    "a política de alianças que garantiu a governabilidade vai impedir que a distância entre o tamanho eleitoral existente entre Lula e o PT diminua"

    É o meu medo.

  101. #101 NPTO
    on Feb 11th, 2010 at 12:50 am

    Hugo, também impliquei um pouco com esse negócio do conservadorismo popular. Não que não seja verdade, mas tinha que ter sido melhor demonstrado.

    "se ele fosse realmente varguista, este post certamente já teria sumido e este debate não poderia acontecer…"

    Pois é, a preocupação é exatamente essa: o Vargas como governante democrático acabou numa crise que nós sabemos onde deu. O que se pode fazer com o varguismo numa democracia? Não é fácil dizer.

  102. #102 NPTO
    on Feb 11th, 2010 at 12:52 am

    Exatamente, HwbB: nas carreiras de maior prestígio na área federal, o funcionalismo teve anos muito bons, eu inclusive. Mas não sei se essa é a realidade da maior parte dos funcionários públicos brasileiros, como bem lembrou o André.

  103. #103 NPTO
    on Feb 11th, 2010 at 12:57 am

    Em 2002 é verdade, mas em 1998 o PSDB disse que se o PT ganhasse, ia desvalorizar o câmbio, ganhou, desvalorizou o câmbio.

  104. #104 NPTO
    on Feb 11th, 2010 at 12:58 am

    "E com o tempo o nível de gratidão tende a baixar. A manutenção do direito retira dele esse caráter vinculado a fulano ou sicrano."

    É exatamente isso.

  105. #105 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 1:20 am

    Ô sÔ, cê é Ptista? Pensei que era errado só por ser flamengo…

    Mas cê tem certeza de que é Giannotti? Não acho em lugar algum!

    MAM

  106. #106 NPTO
    on Feb 11th, 2010 at 2:52 am

    Hehe, demorou pra descobrir, hein, rapaz? Olha só, achei o artigo aqui:

    http://migre.me/jDM3

  107. #107 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 11:10 am

    Primeiro, obrigado pelo texto. Já acessei.

    Segundo, vc me enganou. Afinal, vc é sempre educado nas respostas, he, he.

    É bem verdade que quando afirmou que FHC e LULA seriam os melhores presidentes que o Brasil já teve eu inferi: Epa! É Ptista!

    Quase tive certeza quando vc criticou o Ruy Fausto pela proposta da revista, quando ele deixou claro que a proposta é por um partido socialista e democratico…

    Agora tenho certeza! Só lhe sobra de bom ser carioca, he, he… Não! esse blog é muito bom! Nem ouse parar com a desculpa mentirosa de que vai parir ou que acumulou 1 milhão de entradas!

    Parabéns!

    MAM

  108. #108 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 2:28 pm

    Ah, sim!

    Tive quase certeza quando vc elogiou Aécio e, com "raiva", disse que ele era mais isso e aquilo; que o governo dele, suspeitava vc!, era melhor que o de Serra!

    Doutor, no Bacen, e suspeitava?

    Leva mal não, o governo ele é horroroso.

    MAM

  109. #109 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 2:37 pm

    Barbaridade. Eu tenho medo da frase. Vc conseguiu entende-la? Daria pra explicar?

    Se for possivel, explique tb como é que a tal governabilidade se perderia sem a aliança…

    MAM

  110. #110 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 2:47 pm

    Foi por isso que ela saiu!

    E nos fundos de pensão? E nas estatais?

    MAM

  111. #111 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 2:50 pm

    Uau! Auto-imagem? Essa foi forte…

    Quer dizer que tudo se resume à imagem? Não tem valor, principio como disseram acima?

    Não é sem razão que lá embaixo alguem falou em psicanalise…tá faltando é psiquiatra.

    MAM

  112. #112 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 2:51 pm

    Do jeito que se discute a questão aqui, parece que quase todos concordam com isso, inclusive vc.

    MAM

  113. #113 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 3:04 pm

    Sim, é verdade. Mas o PT faria a desvalorização do cambio entre outras coisas. Tanto é verdade que 4 anos depois teve que assinar a carta, colocar o Meirelles, jogar o superavit pro espaço.

    Hoje, fala-se na BF para assustar a plebe rude que é o que LHES resta.

    MAM

  114. #114 marcos moraes
    on Feb 11th, 2010 at 4:29 pm

    Interessante!

    Há meses lia Hermenauta e a partir dele conheci este blog. Aprendi muito sobre como pensa a esquerda, elegante ou má educada.

    Mas não me lembro de alguém ter pedido psicologia ou psicanálise como variavel em qualquer discussão. Agora sim.

    Penso que a proposta tem sentido. Ao lermos o hipertexto sobre o PT, impera a visão sociologia. No artigo sobre Neri a visão economica. Mas, juntando os dois fico com a sensação de que iremos envelhecer, endurecer e nos conformar, enquanto a roubalheira e a putaria continuarão a serem justificadas em nome do povo, sempre com conceitos cada vez mais complexos.

    Maluf roubava pra si; LULA rouba pro povo!
    Lenin disse! Marx disse! Keynes disse!
    Aécio é mais gostoso e seu governo melhor que de Serra;
    FHC é neoliberal…
    Marxismo ou Patrimonialimo explicam o Brasil?

    Enquanto isso, cresce a campanha de uma mulher que não consegue sequer articular uma frase, não raro falando o contrário do que deveria e entregando o jogo em atos falhos e lapsos absurdos. Uma mineira que não sabe se está em Valadares, JF ou POA, demonstrando que tem nítidos problemas psicologicos, o que deixaria qualquer um preocupado com o que possa acontecer caso ela ganhe.

    Mas isso não importa; o que importa é aprofundar o conceito de conservadorismo popular à luz de Freud ou Piaget. Sei não, mas penso que está faltando psicologia social ou psicanálise é aqui.

    Afinal, tem gente que acredita que depois da descoberta do inconsciente a História deveria ser revista…

    MAM

  115. #115 caderno de notas urbanas :: reações na internet aos 30 anos do PT :: February :: 2010
    on Feb 12th, 2010 at 9:16 pm

    [...] Comentário do blogue NPTO ao texto de André Singer publicado na revista Novos Estudos do Cebrap. [...]

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