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Marcelo Néri

Excelente entrevista do Marcelo Néri no Estadão de ontem, é até difícil escolher que trechos destacar. Fico com três:

A desigualdade caiu bastante:

Nos números da Pnad de 2001 a 2008, se observa uma queda muito forte na desigualdade. Ela só tinha se alterado significativamente no Brasil uma vez: nos anos 60, e para cima. A desigualdade aumentou na época do milagre econômico. Por isso o (economista) Edmar Bacha cunhou o termo “Belíndia” (segundo o qual, em termos sócio-econômicos, o Brasil seria uma mistura de Bélgica e Índia). Apenas de 2004 para cá, 32 milhões de brasileiros subiram para a classe ABC. Em cinco anos, 19,3 milhões saíram da pobreza. Então, a boa notícia é que dá para transformar o País rapidamente, aos saltos. A má é que a desigualdade continua grande: ela ainda precisa cair três vezes para convergir ao nível norte-americano, que já é muito alto.

A classe média cresceu bastante:

O crédito pode ter feito a roda da economia girar mais, gerando mais renda. Mas esse é um efeito extra. O que aconteceu de fato foi o que já chamei de “o segundo Real”. O grande marco da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso foi o Plano Real. No Ipea, nós fomos os primeiros a mostrar que o Real tinha diminuído a pobreza. Um ganho veio da estabilidade, do fato de o cidadão poder prever o futuro, sair da inflação de 40% ao mês. Em certo sentido, isso se repetiu em 2003, quando Lula assumiu a Presidência e mostrou aos mercados que manteria as regras e contratos. Depois vieram os programas sociais em grande escala e a volta do crescimento econômico. A classe C no Brasil aumentou de 32% para 37% com o Plano Real. Com o “segundo Real”, agora, passou de 37% para 52%.

E, para quem gosta de taxa de crescimento de dois algarismos, lá vai:

O crescimento da renda per capita dos pobres de 2001 a 2008 foi de 72%. Fazendo uma conta simples, dá quase 10% ao ano – semelhante aos índices chineses. Com uma diferença. O (economista Carlos Geraldo) Langoni (diretor do Centro de Economia Mundial da FGV), que esteve na China recentemente, me disse que ela parece o Brasil dos anos 60: crescendo muito, mas com a desigualdade aumentando. O crescimento geral da economia brasileira é menor em quantidade, mas melhor em qualidade, em relação à China. Somos uma democracia – e vimos ao longo da década de 80 o quanto aprender a ser uma democracia gera custos econômicos -, nosso tratamento ambiental é melhor, ainda que com problemas, e o caráter desse crescimento é outro, distributivo.

Só para repetir: o crescimento da renda dos pobres em menos de uma década foi de 70%!!!

A propósito, tem um negócio que me deixou meio confuso:

Economistas como Claudio Dedecca, da Unicamp, afirmam que não se pode falar em queda de desigualdade, uma vez que a diferença entre a renda do capital e do trabalho continua crescendo no País…

Discordo. Primeiro porque a gente não sabe bem o que houve com a desigualdade entre capital e trabalho: há problemas de medição, é muito difícil captá-la. E existe toda uma tradição de linha marxista com esse foco, que abomina o crescimento do capital no Brasil como se ele fosse o problema. Minha linha é outra: precisamos de um “choque de capitalismo” para os pobres. A pergunta da Pnad é simples: Quanto dinheiro você tem no bolso? É a soma da renda do trabalho, do que o aposentado da família ganha de pensão, do valor recebido dos programas sociais. Para o cidadão comum, é isso o que importa: o conforto que ele leva para a casa da família. E você nota que o bolso do pobre cresceu mais, proporcionalmente, que o do rico.

Faz um tempo que eu ouço essa história de que a desigualdade não caiu porque a diferença capital/trabalho cresceu. Eu nunca comentei muito isso porque nunca entendi o que queria dizer; jamais me passou pela cabeça que viesse do Marx. Alguém tem um texto teórico que explique isso?  Minha impressão inicial é que está erradaço. Aquelas proporções d’O Capital não são medidas de bem-estar individual, servem para outra coisa.

O Néri parece ser um dos poucos caras que estão prestando atenção no que se passa, um dos poucos caras acordados.

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431 Comments

  1. andy says:

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  2. Austin says:

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  15. Orlan says:

    Ainda não consegui ler tudo, mas vou.

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