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Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso

Esse livro foi bastante comentado quando saiu, mas quase não foi resenhado, no sentido preciso do termo. Aliás, quase não se resenha mais no Brasil, o que é uma pena.

Trata-se de uma coletânea de artigos e entrevistas selecionados e organizados por Miguel Darcy de Oliveira, que vai desde os velhos tempos do Opinião até aquele último texto sobre o sub-peronismo, que teve algum impacto recentemente.

Antes de mais nada, mais trabalho editorial poderia ter sido feito. Não pelo Darcy de Oliveira, que fez a parte dele, mas pelo editor, mesmo, que poderia ter recrutado alguém para escrever notas e a comentários que situassem um pouco o leitor. Especialmente porque grande parte das entrevistas não está reproduzida na íntegra, alguns textos aparecem muito soltos, e mesmo o leitor informado tem o direito de ficar na dúvida em trechos como o seguinte:

Isso aqui não é um grupo partidário: a composição interna nossa é absolutamente pluralista; várias formações culturais, várias inclinações até políticas. Todos achamos que é preciso encontrar formas de convivência e de discussão. [p.21]

O que é “Isso aqui”? Eu suspeito que seja o CEBRAP, mas eu sou, inclusive, ex-bolsista do CEBRAP. Porque o leitor mais bem informado – digamos, o Armínio Fraga – deveria saber disso? E pode ser que não seja o CEBRAP, sei lá. Há outros pontos em que os trechos selecionados são muito curtos, o que justificaria uma nota explicando porque foi selecionado. Do jeito que está, suspeito que mesmo leitores interessados possam boiar um pouco em trechos inteiros, e ficar com a impressão de que se trata de um aglomerado meio caótico, em especial se não for familiarizado com o minúsculo mundo acadêmico de São Paulo ou com as bizantinas discussões da esquerda brasileira.

Como “minúsculo mundo acadêmico de São Paulo e bizantinas discussões da esquerda brasileira” é comigo mesmo, gostei muito do livro. É um bom retrato da evolução das discussões políticas brasileiras nos últimos quarenta anos. É, naturalmente, um retrato do ponto de vista de um ator inteiramente envolvido com a prática política, mas isso é tanto um bug quanto um feature.

I

Há um trabalho de pesquisa sobre construção da memória esperando para ser escrito sobre a seleção dos artigos, o que tenho certeza que tanto o FHC quanto o Darcy de Oliveira sabem. Não fiz esse trabalho, mas minha impressão é que o o FHC dos anos 70 aqui é menos de esquerda do que o que o FHC da vida real era. E o FHC do livro foi mais presciente com relação à globalização do que o FHC de verdade foi. Mas o autor do futuro trabalho tem que levar em conta que são diferenças de ênfase, não de natureza.

II

A primeira parte do livro reúne artigos e entrevistas sobre o tema da luta contra a ditadura e a transição para a democracia. É interessante que o FHC comece dizendo, em 1972, que o importante é trazer a luta política para a sociedade:

“Seria ilusório, entretanto, pensar que uma oposição desse estilo pode amoldar-se aos quadros partidários criados com o Ato II e congelados pelo Ato V.  Arena e MDB não são partidos na acepção real do termo”

Como se sabe, aos poucos vai se aproximando cada vez mais organicamente do MDB, pela iniciativa do Ulysses de chamar a turma do CEBRAP para escrever o programa do partido em 74. Mas em 77, embora reconheça a importância da derrota do regime nas eleições de 74, ainda acha que não é possível se limitar à luta com o MDB:

O plano de distensão do General Geisel era muito limitado. Nunca se considerou um dado básico: que havia eleições (em 1974) e que o governo poderia perder. Nunca foi considerado que a sociedade poderia ter-se autonomizado, que tivesse surgido sociologicamente um partido. Não é o MDB: quero me referir a uma opinião que transcende muito o quadro partidário do MDB. Uma opinião democrática.

Esse é a primeira idéia sociológica em voga nos anos 70 que aparece claramente nos textos: a idéia da política na sociedade civil, como a feita pelos novos movimentos sociais – feministas, homossexuais, estudantes, moradores de bairro, ecologistas, enfim, segurem o Olavo de Carvalho que ele está surtando lá no fundo.

Há aqui um componente político “por fora do Estado”, de afirmação da autonomia dos movimentos, mas há também uma revisão teórica de fundo, que marcaria a esquerda mundial nos vinte anos seguintes, “para além do materialismo histórico”, como se dizia:

Continuamos pensando que estamos no século XIX e que a determinação da “contradição principal” é suficiente para resolver as questões políticas. Repetimos o óbvio: que existem conflitos entre o capital e o trabalho. Mas nos esquecemos não só de que além de feijão existe o sonho [NPTO: Castoriadis in a nutshell novelística], mas que as demandas culturais e sociais contemporâneas repõem as necessidades básicas noutros planos: como se vive nas cidades, a poluição, o espaço para a liberdade privada (o divórcio, o amor, a educação dos filhos), o problema da “maior minoria” constituída pelas mulheres (que a rigor são uma maioria minorizada [sociólogo gosta dessas coisas – NPTO]), os problemas dos negros, dos índios, da terra, da segurança, dos acidentes no trabalho e no lazer, da ecologia, etc. são temas que se entrelaçam com a oposição entre capital e trabalho e que, numa ótica política não obsoleta, constituem a trama vivida da questão social e da econômica.

É por aí que estão discutindo, nesse momento, o Touraine [o interlocutor mais presente nos textos selecionados, ao menos que eu tenha percebido – e não por ele ser autor de uma das entrevistas; no final tem mesmo menção a um “retorno do ator“], o Habermas, o Claus Offe, só gente boa. Novos movimentos sociais, novas clivagens sociais (além de classe), enfim.  Na festa dos 40 anos do CEBRAP, o FHC contava como eles enfiaram tudo isso no programa do MDB de 74, e a coisa acabou parando na Constituição de 88.

[Parênteses que não interessa a ninguém mas o blog é meu:  tudo isso era muito presente na discussão do PT, que nessa época existia já como embrião justamente no tal movimento fora da política que se formava. Anos depois, presenciei um debate entre petistas naquele colégio público ali na Praça Arcoverde (do lado do Gláucio Gil, perto do Sagrado Coração de Maria, onde eu estudei), e um cara de uma tendência marxistazinha minúscula, que certamente deve ter acabado na semana seguinte, dizia que todas as questões raciais e culturais podiam ser reduzidas a questões de classe. Só faltaram jogar ele pela janela. Uma menina deu um esporro tão agressivo no sujeito que eu achei que ele fosse chorar. Nesse mesmo dia, aliás, um sujeito da Convergência Socialista teve um ataque epilético enquanto discursava. Juro.]

Dentro desse movimento “é marxismo mas não é”, algumas formas híbridas interessantes sugiram. Por exemplo, posso estar errado, mas me lembro que no “Para a Reconstrução do Materialismo Histórico”, o Habermas retoma a discussão sobre a sucessão entre os modos de produção introduzindo a idéia de que algumas formas cognitivas acabam se desenvolvendo como condição e como consequência do desenvolvimento material: o desenvolvimento das forças produtivas exige a ciência que exige, em algum grau que seja, a livre-discussão e a liberdade política. Se o Habermas não tiver dito isso e eu estiver inventando, vocês hão de convir que eu tive uma puta idéia. Mas me lembrei (talvez por falsa memória) disso quando li o FHC dizendo o seguinte:

Quem produziu a pressão por participação além das elites não foi o regime. Foi o próprio processo de crescimento econômico da sociedade e o fato de que essa sociedade está vinculada a um sistema internacional. O modelo que está sendo implementado não é um modelo de automatização, de autarquia. É essencial para o crescimento econômico ter um fluxo de idéias. Aqui você não pode fechar totalmente porque é preciso ter desenvolvimento tecnológico. E isso produz um efeito que é contraditório.

Legal, mas a ser provado. O grande experimento em curso a esse respeito é, naturalmente, a China. Por um lado, a China é, hoje, indiscutivelmente mais livre que na época do Mao. Mas, por outro, ainda não fez  a transição para a democracia. Aguardamos o resultado do experimento.

Agora, se me permitem um parágrafo pega-troll: após o discurso do Aécio na convenção do PSDB, ficou na moda dizer que o PT não tinha participado da democratização porque nunca apoiou o MDB. Leiam esse tal de FHC e vejam o papel que tiveram os movimentos, a sociedade civil, “Os Lulas” (p. 31). Mó comuna esse FHC.Vejam que o cara, inclusive, achava os torturadores piores que os guerrilheiros (eu disse que ia ser só um parágrafo, mas não resisto):

A idolatria da violência exemplar não deve ser incensada no altar das ideologias. Mas a justificação da corrupção do Estado pelo uso da violência é erro ainda maior. É crime sem remissão. Não tem a seu favor a generosidade de um sonho de redenção pela força e terá sempre à sua conta um sem-número de cadáveres sem túmulo, de desaparecidos flutuando na consciência da nação e na saudade de parentes e amigos.

É isso aí, FH. Fim do parêntese pega-troll.

Mas onde se percebe a divergência que vai se formar depois entre a turma do FHC e o PT é nos textos ali do final dos anos 70 quando o FHC já se lança abertamente na política; é uma opção, que traz consigo a vantagem de aumentar sua influência e o ônus dos acordos que se precisa amarrar. Nessa hora, a turma que fundou o PT continuou no basismo, a turma do FHC levou essa vivência para a esfera estatal (culminando, creio eu, na Constituinte). Dizia o marido da Dona Ruth:

Não estou de acordo com certa perspectiva que ainda diz: o importante é a base da sociedade. É a base da sociedade, mas ela sente cada pedrada lá em baixo, em cima do seu calo. Você tem que passar disso para o nível político, que é quando junta isso tudo e se formam as alianças, os grupos de força. Isso é política.

Isso o PT só aprendeu nos anos 90, e, mais dolorosamente, no governo. Isso é que dá não ouvir sociólogo só porque a gente é chato pra cacete. Em uma sacada bacana, o Darcy de Oliveira pôs esse texto perto de um fragmento sobre 68 na França que diz o seguinte:

Mas, na hora da onça beber água, se não houver uma força política, uma vontade organizada que conduza a mudança e que esteja em consonância com as pressões populares, o impasse reaparece. Se houver, do lado conservador, como houve na França, uma inteligência política organizada, a ordem se restabelece. Mas nunca mais será aquela. Pode ser pior se faltar a inteligência política conservadora (veja-se o Chile de Pinochet) ou pode ser mais contemporizdora, como a França de Giscard. Mas o equilíbrio anterior se rompe para sempre.

A última frase é importante. Em um certo sentido, das inúmeras possibilidades abertas pela luta contra a ditadura, só algumas foram realizadas, e houve uma grande acomodação, que persiste até hoje, pela qual as forças políticas que se opuseram ao regime foram “normalizadas”. Mas é meio idiota dizer que nada mudou. O Sarney ainda está por aí, mas é indiferente que seja presidente do partido da ditadura ou senador em um regime democrático? Não, não é. O equilíbrio anterior se rompeu, outro equilíbrio se formou. É um saco ficar vendo o Sarney, mas não se pode perder o quadro mais amplo de vista.

III

Talvez a coisa mais crucial do livro, depois dos textos sobre a transição democrática, sejam os momentos em que o FH discute partidos. O único bug/feature aqui é que essas coisas são escritas quando ele já é político. Por exemplo, vejam esse trecho:

O PMDB é um partido que eu chamo omnibus. Em certos países, a forma de partido que existe é próxima à do Partido do Congresso da Índia, porque essas sociedades produzem esse tipo de partido com tendências desencontradas. São sociedades que passam para a industrialização rapidamente, sob controle das grandes empresas estatais e multinacionais, e que têm, ao mesmo tempo, uma classe média profissional, uma forte penetração de modelos culturais por meio do mass media e uma grande inovação do capital internacional criando classes novas.

Dificilmente, no meu entender, essas sociedades geram partidos como os de antigamente, como os da Europa, onde há um partido comunista, um socialista, um conservador, representando os vários setores de uma sociedade que se estratificou durante séculos. Nos Estados Unidos, os partidos não são ideológicos [NPTO: isso é erradíssimo], são partidos-máquinas de fazer votos e que agregam interesses.

No Brasil, o quadro partidário não será nem americano nem europeu. Teremos algo do antigo caudilhismo latino-americano, em que o personagem pesa muito, mas ao mesmo tempo os partidos continuarão a ter núcleos ideológicos fortes. Mais fortes do que nos Estados Unidos, mas não tão fortes que dêem a forma total do partido.

É difícil saber se isso é fruto de uma reflexão acadêmica ou reflexo do fato de que o FHC era do PMDB, que tentava se tornar hegemônico nos anos 80 (e conseguiu por um curto período, na eleição do Plano Cruzado, única que o FH ganhou antes de ser presidente).

Mas, supondo que seja uma idéia mesmo, há perguntas interessantes aí. A importância das empresas estatais para o desenvolvimento ligariam o empresariado ao Estado de forma a enfraquecer um partido de direita “puro” ? O que os mas media estão fazendo nessa teorização? É por representarem um mecanismo de controle do partido hegemônico, ou por situar um espaço fora da máquina onde pode haver reflexão?

A ascenção da polaridade PT vs. PSDB desmentiu a tendência idenfiticada pelo FHC, mas o debate voltou agora que parte da oposição resolveu levantar o fantasma de uma hegemonia petista permanente.  A aliança PT/PMDB pode se tornar um partido hegemônico, como o Partido do Congresso (ou como PSDB/PFL queriam ser por vinte anos)? Não sei não. Mais dados são necessários. Por mais que a oposição esteja tentando se desintegrar sozinha, uma hora outra coisa se forma, supondo que a democracia sobreviva, o que é uma suposição razoável. Voltaremos a isso.

No fundo, o FHC parece mais ou menos mudar de opinião quando sai do PMDB, o que não deixa de querer dizer alguma coisa. Aí ele quer fazer um partido social-democrata, só que tem um problema: partido social-democrata é um negócio que quem faz é sindicato.

E o FHC sabe disso:

Muita gente pergunta: mas como é que pode haver um partido social-democrata sem o movimento sindical? Bom, mas nós não estamos na Europa. Não estamos refazendo o percurso histórico. O que houve na Europa foi que, sem se desligar das forças sindicais, a social-democracia ampliou para as forças novas da classe média e do empresariado novo. Eu diria que  nós temos o mesmo problema, mas inverso: como é que nós, tendo já uma parte desse empresariado novo e das classes médias reformadoras, ampliamos  para os sindicatos. (p.75)

Mas, se não se trata de copiar a fórmula européia, porque copiar o nome?  Social-Democrata é uma marca associada a certo tipo de projeto, não vira enganação usar a marca sem o projeto? Certo, é porque depois vai se cooptar os sindicatos; começou diferente, mas vai dar na mesma mistura, digamos, que o New Labour.

Mas aí tem o problema:

(…) existe alguma ação direta das populações pobres que, no caso do Brasil, estão sob a influência dos partidos que estão contra as reformas. Embora estejam a favor dos pobres, eles acreditam que as reformas são contra os pobres.

Eu não acredito nisso.

A questão, afinal, é: o que o PSDB teria feito em oito anos de governo para tentar forjar essa aliança com os sindicatos começando de cima? Não consigo me lembrar de nada (o que não quer dizer, naturalmente, que o governo FHC não tenha muitos outros méritos). A turma que sabe fazer social-democracia foi para o PT. Mas demorou até ela perceber que era nisso que ela era boa. Muita gente lá ainda não sabe, a começar pelos intelectuais.

Houve, sim, durante o governo FHC, um esforço de aproximação com as ONGs, que, já vimos, eram um tema da turma do CEBRAP desde os anos 70. Não sei bem o quão bem-sucedido foi isso, mas o fato é que só reforçou a reversão da trajetória social-democrata clássica, que começa sindical e vai se abrindo para outros setores.

A impressão que dá é mesmo que a reflexão teórica, nos textos pós-presidência, está, para usar um termo da geração dos caras, meio fora do lugar. O discurso de posse do FHC ainda é muito bom, mas os últimos textos são notavelmente inferiores, vagos o suficiente para você perceber que foram escritos por político. E é cada vez mais difícil perceber a ligação do que o cara está falando com a sua prática política (embora fosse interessante contrastar algumas das coisas que ele diz, ainda hoje – e eu acredito que seja sinceramente –  com o que dizem seus apoiadores conservadores atuais).

É inteiramente de se esperar que a prática política divirja da prática acadêmica, mas também é legítimo perguntar em que ponto a política pegou a teoria de surpresa. E aqui é fácil. O FHC, como todo mundo, demorou a perceber o tamanho da onda globalista.

IV

Na introdução, e na última parte do livro, o FH tenta jogar que a teoria da dependência antevia a globalização, mas isso me parece bem forçado. Verdade, a dependência não era mais a teoria marxista do imperialismo; mas ainda era uma teoria da singularidade dos países pobres; no próprio trecho acima sobre o partido indiano, vê-se que o FHC acredita, até os anos 80, que o capitalismo com fortíssima presença estatal estava aí para ficar.

Justamente porque o capital e o Estado estavam muito próximos, a luta agora era para tornar público o estatal (um slogan que no PT já repetiram tanto que encheu o saco), que era, em grande parte, o econômico. Quando a sociedade entrasse no Estado, muitos dos problemas sociais seriam automaticamente colocados em pauta, porque a economia estava (mais ou menos) sob controle do Estado.

Isso nos leva a outra tese famosa do FHC, a dos anéis burocráticos, que aparecem aqui em um texto do Opinião escrito em 73:

Há em gestação um novo aranjo, não democrático, entre Estado e sociedade pelo qual os grupos dominantes na sociedade, entre os quais em papel predominante os setores empresariais nacionais e estrangeiros, se articulam com a burocracia do Estado. Em lugar dos partidos funcionam na realidade anéis que ligam e solidarizam os interesses de grupos privados e de setores das empresas do Estado e do próprio Estado.

Hoje em dia, o FHC tenta ligar essa idéia à discussão do Chico de Oliveira sobre o papel dos fundos de pensão no surgimento de uma “nova classe” de gestores dos fundos ligados aos sindicatos. Aquele texto recente dele falando do Lula nesses termos aparece aí no final do livro.

Não é absolutamente a mesma coisa; a reflexão do CdO depende crucialmente da existência de um partido dos sindicalistas (que quando ganha a eleição forma 2/3 da gestão dos fundos, com os representantes do governo e dos sindicatos). Quem observou o processo de privatização sabe que não foi o PT que inventou esse negócio de se meter nos fundos de pensão; o que há é uma briga política por esses recursos, que passa pela disputa eleitoral. O modelo dos anéis burocráticos é explicitamente concebido como algo que existe na ausência do jogo político aberto.

O raciocínio dos anéis burocráticos se encaixa muito melhor no caso das agências reguladoras, que podem ser entendidas como esforço de tornar o jogo das redes mercado/Estado mais transparente. É altamente questionável que tenha conseguido qualquer coisa remotamente semelhante a isso, mas a idéia era mais ou menos essa. Não é que com as agências outros atores tenham sido chamados a participar do processo; eles já participavam do processo, mas exercendo pressão fora do campo de visão do público.

A presença de uma arena política democrática diminuiria o peso dos anéis burocráticos, mas, e se for verdade que países de capitalismo dependente terão sistemas partidários como o indiano? Aí o partido, agindo como partido único, se aproximaria mesmo de um grande gestor coletivo dos fundos. Mas isso é provável?

De qualquer maneira, a questão foi redimensionada nos anos 90, porque o neoliberalismo (uso o termo sem ofensa) quebrou de novo a fronteira entre Estado e mercado, e esse Estado em que entraram as ONGs do FHC, ou os fundos de pensão do PT, era muito menor que o Estado de que falava o FHC quando defendia que a sociedade civil entrasse no Estado; não tanto em termos de tamanho bruto (arrecadação, etc.), mas em termos do que se aceitava que o Estado poderia regular.

Vale dizer, a participação dos sindicatos na gestão dos fundos de pensão seria o tipo de coisa que o FHC dos anos 70/80 acharia o máximo: se os fundos de pensão realmente fossem os grandes organizadores do capitalismo brasileiro (o que não são), esse seria um exemplo interessante de interpenetração entre sociedade civil e mercado, ocorrido por dentro do Estado. Mas como se perdeu a fé no Estado como regulador (e não foi à toa), esse encontro (“encounter”, para usar um termo que já esteve na moda) não parece mais tão benigno.

VI

Uma maneira interessante de pensar como esse choque externo de liberalismo bateu no que poderiam ter sido as duas metades da esquerda democrática brasileira é a partir dessa pergunta, que o FHC faz retoricamente em 89:

(…) o que é o interesse popular nas condições de hoje? Como é que ele cruza com o interesse nacional nas condições de hoje? O pensamento de esquerda, especialmente na América Latina, se baseou muito na idéia de que o fundamental era o desenvolvimento, de que o Estado era a agência central para esse desenvolvimento e de que os instrumentos coletivos de ação primavam sobre os individuais.

Hoje, a tese de que o Estado é fundamental para o desenvolvimento não deve mais ser um dogma de esquerda. Já há categorias sociais específicas que cuidam do desenvolvimento: os empresários [NPTO: antes não havia empresários? Ou só agora nós notamos que eles servem pra alguma coisa?] Não é uma questão que a esquerda deva tomar com o denodo com que tomou no passado. Ela tem que perguntar é pela distribuição. E aí há o risco do populismo, de pensar em distribuição sem produção. (p.73)

Então, companheiro FH, eu concordo com isso plenamente, e acho um bom jeito de pensar o período Lula. Mas a redistribuição também não encaixa lá muito fácil com o programa econômico dos anos 90, que, entretanto, foi bom para o país. A verdade é que a sua pergunta inicial, como conciliar o interesse nacional com o interesse popular (Gramsci! Gramsci!), não encontrou resposta plenamente satisfatória até você virar presidente, e, se você fez muito para resolver nossos problemas, foi porque se aliou aos liberais, que tinham outra agenda inteiramente diferente.

Em uma entrevista já na virada para os anos 90, o FHC já parece perceber que alguma coisa aconteceu, que a maré virou, que a esquerda precisa lidar com a queda do socialismo real, mas já é bem tarde, e a hora em que o mundo que o FHC tinha tentando descrever muda profundamente é mais ou menos a hora em que o FHC chega ao poder.

Daí em diante, devo dizer, FHC virou um bom político. Nos anos 80, depois da desastrada campanha para prefeito, ninguém acreditava que pudesse ser, e eu, como petista, fiquei a campanha de 94 inteira esperando ele, sei lá, declarar que fumou maconha enquantro estuprava uma freira, alguma coisa assim. Mas virou um praticante hábil da realpolitik, com um programa econômico muito bom, e fez uma boa gestão no Ministério da Fazenda, e um bom governo (o segundo). O fato de ter sido um mau teórico de si mesmo é um mal menor.

V

A turma que atualmente apóia o FHC é que precisa agora parar e se perguntar: como nosso interesse cruza com o interesse nacional? O eleitor pobre, ele tem a ganhar o que com o que eu estou propondo? Antes de responder a isso vocês continuarão a ficar cada vez mais parecidos com o PT dos anos 90.

VI

Enfim, um livro cheio de coisa que eu gosto de discutir (tem muito mais do que o comentado aqui), e bacana para quem gostar de política brasileira.

PS: Uma apresentação do FHC sobre o livro pode ser vista aqui.

PSTU: só pra não deixar de comentar: é interessante notar como sempre volta, nos diferentes textos, a questão da busca por um sentimento de comunidade meio perdido pela modernidade, “O” tema clássico da sociologia; no começo, é a teologia da libertação e a Igreja contra a ditadura, no final são os fundamentalismos. Em nenhum dos textos isso é desenvolvido, sempre aparece meio jogado em meio a outros assuntos, mas sempre aparece.

PSTUdoB: e aí outro dia um troll veio aqui e disse que, como a esquerda não tinha quadros, nós precisamos roubar os deles. He.

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175 Comments

  1. Tiago says:

    Só a derrubada da ordem existente e a formação d eum Estado-de-Todo-o-Povo podem libertar o Povo Brasileiro.

  2. Clever Mendes de Oliveira says:

    Jotavê (#161) (22/07/2010 às 12:09 am),

    E se não fosse o tempo perdido com os testes, eu ia exatamente fazer uma comparação entre o seu comentário (#117) 20/07/2010 às 01:39 pm e o meu (#101) de 17/07/2010 às 05:17 pm. No que eu disse só ficou faltando a bela expressão Wishful thinking, mas embora um tanto torto e talvez até parecendo que eu dissesse o contrário, pensei quase o mesmo que você.

    No meu comentário, eu digo que vou falar de flores em relação ao que FHC dissera e ao que Na Prática a Teoria é Outra dissera porque considerei bonito o que FHC disse e correto o que Na Prática a Teoria é Outra disse. Na Prática a Teoria é Outra fora correto porque demonstrava que a China poderia ser um contra exemplo do que FHC falara. E em relação à fala de FHC, essa crença no valor da democracia como fator de desenvolvimento tecnológico é uma crença bonita. Na verdade é o que você chama de Wishful thinking.

    Agora observe que eu queria mais informações sobre quando FHC dissera isso. Como eu disse no comentário (#122) de 21/07/2010 às 02:36 am para Alba sempre desconfiei dos argumentos democráticos dos teóricos do PSDB. Sempre considerei o arrogante autoritarismo da empáfia soberba da presunçosa sapiência do tucanato pretensioso como incompatível com a crença na democracia popular. Assim, embora achasse bonito o que FHC dissera, não cria nem mesmo que se tratasse de Wishful thinking, mas da natural impostação, do genuíno engodo, da pura contrafação. Há muito que o tucanato tem a mania de dizer aquilo que os outros querem ouvir e não aquilo que eles pensam. Ética na política, “governo bom o povo põe, governo ruim o povo tira”, “a inflação é o mais injusto dos tributos” e muito mais não são idéias que eles acreditam.

    E há mais razões para eu não ter muitas expectativas na democracia como capaz de gerar o progresso. Como venho enfatizando bastante quando trato de avaliar a democracia, eu mesmo sou reticente quanto a crer na superioridade do resultado da democracia. Creio que a democracia só pode ser considerada superior se a avaliação for só pelo processo em si e, nesse sentido, pelo que o processo funda-se no princípio da igualdade. E o resultado da democracia só não é de todo negativo porque os processos eleitorais e o exercício ainda novo de cargos executivos permitem desenvolver em personalidades com carisma e espírito de liderança habilidades gerenciais. Além disso, como a máquina pública é um grande mastodonte, pouca diferença faz na capacidade do jóquei que a conduz.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 21/07/2010

    1. Alba says:

      Clever,

      Você coloca coisas interessantes, não só neste último comentário, mas em outros, que me haviam me escapado, como aquele do direito de falar merda, que aparentemente, é o que todos nós, não especialistas e autoridades sobre variados temas, fazemos o tempo todo, ao comentar em blogs. :-)

  3. Jotavê says:

    Acabei de ler o livro. Trata-se de uma "seleção panegírica", mas que não chega a ser intelectualmente desonesta. Fernando Henrique Cardoso está ali, perfeitamente reconhecível.
    Há uma inflexão importante que não foi abordada. O presidente, bem posterior ao sociólogo, nasceu de um acidente de percurso no campo da economia: o Plano Real. Cercou-se de pessoas brilhantes nessa área, que desenharam e depois implementaram o Plano e todo o seu contorno. É em contato com essas pessoas, que tinham clara ascendência intelectual sobre ele no campo do debate econômico, que ele molda sua concepção do Estado "meramente regulador", que entrega ao fluxo internacional de capital especulativo a tarefa de financiar o desenvolvimento nacional. Serra era uma das únicas vozes discordantes (continua sendo, até hoje). Essa depreciação do papel do Estado como indutor do desenvolvimento acabou se refletindo nas políticas sociais, relativamente tímidas, se comparadas ao governo Lula em termos de volume de recursos investidos e de centralidade na estratégia geral de governo. A superação da miséria passou a ser vista como subproduto de médio e longo prazo do desenvolvimento econômico. Políticas sociais intensivas, visando à redistribuição imediata e direta da renda, não foram completamente abandonadas, mas ocuparam um lugar secundário nas preocupações de Fernando Henrique. Ela era movido o tempo todo pelo sentimento de que, no final das contas, não era aí que as coisas se decidiam. Lula entrou no governo convencido de que ele e seu partido estavam enganados quanto a todas as críticas que haviam feito (de modo tão irresponsável) ao governo FHC, com exceção desse único ponto. Políticas de redistribuição direta de renda têm um papel fundamental em países como o Brasil. Quando veio a crise, todos perceberam que ele havia acertado em cheio. O mercado interno segurou as pontas, enquanto o resto do mundo se esborrachava.

  4. Victor says:

    Ótimo post, é difícil conviver pacificamente com a realpolitik,,,

    Me fez lembrar uma "frase" que tinha em um banheiro da FFLCH:

    " Fernando Henrique cagou aqui"
    e a resposta embaixo
    " E onde ele não cagou ?"

  5. Clever Mendes de Oliveira says:

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Vou transcrever um outro comentário que eu enviei terça-feira, 20/07/2010 às 13:39 para o blog do Luis Nassif junto ao post “A falta que FHC faz” de segunda-feira, 19/07/2010 às 12:32. Desta feita o comentário foi junto ao comentário de terça-feira, 20/07/2010 às 00:28 de Andre Araujo que pela vez dele fazia considerações junto ao comentário de segunda-feira, 19/07/2010 às 23:53 de José Luiz Ribeiro da Silva que acusara o discurso de FHC ser aquele decorrente das políticas ditadas pelo Consenso de Washington.
    Andre Araujo é um comentarista freqüente no blog do Luis Nassif. Como um dirigente sindical patronal do setor elétrico-eketrônico tem uma opinião conservadora, mas também como tal foi crítico das políticas econômicas pós Plano Real. Tem sobre isso livros publicados como “Mercados Soberanos”, “Moeda e Prosperidade” e “A Escola do Rio Fundamentos políticos da nova economia brasileira”. Fiz essa referência maior ao André Araujo porque no post “A falta que FHC faz” há outros comentários dele que apesar de revelarem o viés conservador dele traz bons argumentos. Na resposta que ele dá ao comentário de José Luiz Ribeiro da Silva ele inicia assim:
    “Fernando Henrique Cardoso não obedeceu ao Consenso de Washington por sabujismo. Ele correspondeu a um ciclo completo na história econômica, iniciado em 1980 pelo movimento conjunto dos Governos Thatcher e Reagan, pelo esgotamento do ciclo estatizante anterior, pelo início da prevalência do capitalismo sobre o estatismo que levou ao esgotamento do mundo comunista. FHC não “”obedeceu”” ao Consenso de Washington por prazer. O mundo inteiro seguiu o mesmo caminho”.
    Quando se trata de analisar a economia brasileira e mundial na maioria das vezes eu concordo com ele. Aqui e ali, entretanto, o viés conservador dele se manifesta e pior muitas vezes impregnado de um preconceito de classe. É assim que ele termina o comentário dele como se vê a seguir:
    “O Governo Lula não tem essa popularidade por mero acaso. Ele é subproduto de um ciclo econômico e este se engata no anterior e assim sucessivamente”
    Transcrevo então o meu comentário enviado terça-feira, 20/07/2010 às 13:39 em resposta às observações do André Araujo (Se for necessário algum acréscimo ou correção os farei em maiúsculas, salvo erros de digitação):
    – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
    “Andre Araujo,
    Concordo em muito com você. Recentemente diante da idolatria que muitos ainda fazem ao Plano Real, eu lembrei que ali quando foi feito, embora o sucesso dele decorresse da mão de ferro de G. Henrique de Barroso F., no mundo todo já não existiam uma meia dúzia de países com inflação (Colômbia, cerca de 30%, Turquia, cerca de 50%, Brasil, Zimbábue e uns outros dois países).
    Na questão de privatização [QUE A ESQUERDA APRESENTA COMO O EXEMPLO MOR DA GRANDE CAPITULAÇÃO DE FHC AO NEOLIBERALISMO], eu sempre menciono um economista de esquerda, Ignácio Rangel, como um dos que foram um dos primeiros a defender que o governo deveria buscar nos grandes fundos de pensão mecanismos de financiamento desses serviços.
    Penso, entretanto, que cabe algumas ressalvas no seu comentário. Não custava nada, por exemplo, mesmo que você não quisesse dizer superproduto, que você dissesse que “O governo Lula . . . . é o produto de um ciclo econômico” e não que era o subproduto.
    E na avaliação das lideranças mundiais e brasileiras que conduziram esse processo deve-se especificar a natureza de cada uma delas para que não se ponha na mesma taça personalidades tão diferentes. Margaret Thatcher era conservadora como Ronald Reagan, mas Margareth Thatcher se preocupava com o déficit público coisa que nunca foi preocupação de Ronald Reagan.
    FHC era e é uma pessoa da esquerda, ainda que por brincadeira no post “Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso” no blog de Na Prática a Teoria é Outra que eu já mencionei em outro comentário eu tenha reagido a uma brincadeira de Na Prática a Teoria é Outra sobre declaração de um troll de que a esquerda não tinha quadros e por isso rouba os quadros da direita, dizendo que era melhor que a direita viesse buscar o FHC.
    Então FHC não fica bem na mesma taça em que se encontram Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Além disso, não cabe bem a FHC esse papel de liderança que você dá a ele ainda que seja de liderança de uma onda ocorrendo na periferia. Penso até que um dos defeitos de FHC é ir com a onda. É só acompanhar como ele pegou a onda da globalização e introjetou completamente toda a idéia, sem sequer atinar que os que falavam de globalização, certamente não sabiam do que estavam falando e quando sabiam do que estavam falando ou falavam do que não existia ou do que já existia com um outro nome muito mais adequado (Imperialismo, capitalismo, civilização). Enfim, FHC não conduziu uma onda, como Margaret Thatcher e Ronald Reagan, dentro da capacidade que cada um dispunha, conduziram. Cabe bem a FHC cantar, como o duque de Mântua, o trecho da ópera Rigoletto que diz “La donna é mobile” e sair levemente e deslumbrando-se com ele mesmo tal pluma ao vento.”

    – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
    Bem, aproveitei para transcrever esse comentário sobre Fernando Henrique Cardoso porque nele eu faço referência à facilidade de Fernando Henrique Cardoso transitar entre uma idéia ou outra. É claro que FHC não incorpora uma ideologia de direita conservadora, mas ele fica qual uma pluma ao vento passando de uma teoria para outra com muita facilidade isso quando na exposição dele há a assunção de qualquer teoria. Como estou lendo o livro “Relembrando o que escrevi” e já encontrei várias partes em que Fernando Henrique Cardoso parece um surfista por sobre a onda, me pareceu válido trazer aqui esse meu comentário. Aliás creio que há mais tempo em um post no blog do Luis Nassif eu tenha mencionado a canção de Caetano Veloso “Diamante Verdadeiro” pela passagem:
    “Pois todo toque do que você faz e diz
    Só faz fazer de Nova Iorque algo assim como Paris”.

    É mais ou menos o que me vem a lembrança quando leio algum texto de FHC. Nova York, Paris, tudo o mais é igual. Fernando Henrique Cardoso, parece-me um aculturado e eu fico querendo saber porque, entre comentaristas e blogueiros que eu admiro, há tantos admiradores dele aqui e em outros blogs.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 02/08/2010

  6. Clever Mendes de Oliveira says:

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Esqueci de fazer referência em meu comentário (#168) de 03/08/2010 às 01:25 am a um especial da Folha de S. Paulo que saiu no suplemento Mais! de 02/10 de 1994 com o título de “Eu perdi! – A comemoração da derrota um dia antes da eleição de quatro candidatos à presidência da República – por Da Redação, FHC por Mauro Rasi, Brizola por Gianfrancesco Guarnieri, Lula por Marcos Caruso e Jandira Martini, Enéas por Plínio Marcos”. Há quem faça críticas ao tipo de produto que se obteve, mas em minha avaliação a cultura brasileira cresceu aquele dia.
    Como eleitor de Leonel Brizola, gostei muito da peça de Gianfrancesco Guarnieri tratando da derrota de Leonel Brizola. O texto de Mauro Rasi sobre Fernando Henrique Cardoso, pareceu-me fútil. Lembro por alto que com a derrota FHC combina com Ruth ir para Paris assistir um espetáculo de balé. Já na época eu considerava Fernando Henrique Cardoso um aculturado, mas não tive a sensibilidade de perceber que Mauro Rasi transmitia na peça exatamente o caráter volúvel de Fernando Henrique Cardoso. O que me parecera fraqueza da peça era em que consistia a personalidade de Fernando Henrique Cardoso. Aliás, antes da eleição, fora perguntado a Fernando Henrique Cardoso o que ele faria se fosse derrotado. Ele respondeu que voltaria para a cátedra. Não creio que isso ocorreria, mas a resposta dele revelava uma desconsideração pela própria candidatura e pelo próprio plano Real. Mais que um aculturado era um nefilibata.
    PS: As quatro peças seriam encenadas no próprio domingo em que saiu publicado o suplemento Mais!. E a eleição naquela época não se fazia no primeiro domingo de outubro como se fazia então mas no dia 03 de outubro.
    Clever Mendes de Oliveira
    02/08/2010

  7. Clever Mendes de Oliveira says:

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Primeiro uma correção na frase a seguir transcrita, alterando a palavra nefilibata por nefelibata:
    “Mais que um aculturado era um nefelibata”.
    E, em seguida, uma referência a um bom post de Luis Nassif sobre Serra e FHC. O titulo do post é “Serra e FHC, uma relação delicada” e saiu no domingo, 01/08/2010 às 23:14. O post foi uma maneira de Luis Nassif explicar a análise canhestra que ele já fazia no início da década de 90 de considerar José Serra o brasileiro mais preparado para ser presidente da República. Na época eu não aceitava esse julgamento de Luis Nassif, principalmente porque parecia que Luis Nassif o dava não como uma opinião, mas como uma revelação que os altos conhecimentos que ele obtivera junto aos mais ilustrados da capital paulista lhe permitiam fazer objetivamente e afirmar categoricamente a capacidade administrativo-política de José Serra.
    No post ele traz a mudança de opinião. Agora, Fernando Henrique Cardoso passa a ser superior a José Serra.
    Penso que Luis Nassif sempre esteve errado sobre José Serra e a atual tentativa de fazer de José Serra um joão-ninguém também é despropositada. De todo modo como o post percorre um longo período e é muito elogioso com Fernando Henrique Cardoso e traz muitas informações sobre a política brasileira nos últimos quase 20 anos envolvendo os dois intelectuais e personalidades políticas, penso que ele ajuda a compreender melhor a figura de Fernando Henrique Cardoso o que talvez possa ajudar a achar algo de útil nos escritos do uma vez escolhido o príncipe dos sociólogos brasileiros. Fica então aqui a indicação.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 03/08/2010

  8. […] da esquerda européia, mas a diferença de contexto torna os casos incomparáveis. Como vimos lá no livro do FHC, o PSDB começou do ponto oposto ao da social-democracia européia: o Labour, por exemplo, foi […]

  9. […] da esquerda européia, mas a diferença de contexto torna os casos incomparáveis. Como vimos lá no livro do FHC, o PSDB começou do ponto oposto ao da social-democracia européia: o Labour, por exemplo, foi […]

  10. magnoolivenca says:

    Vocês falam sobre teses, resenhas, leis, democracia. Coisas que estão fora da realidade de muitas pessoas. Falam vários idiomas, mas não conseguem entender o que muitos dos jovens precisam. Do que lhes adiantam tudo isso? Porque O "GOVERNO" pode gastar 463,5 milhões com campanha eleitoral e não pode usar 10% desse valor para ajudar pessoas no sertão. Vocês vivem em uma realidade totalmente diferente das quais muitos vivem no Brasil. Uma pergunta para reflexão. Vocês acreditam que a miséria pode acabar aqui no Brasil? Eu acredito que sim. E vocês que são PHDeuses? Acreditam.

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