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Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso

Esse livro foi bastante comentado quando saiu, mas quase não foi resenhado, no sentido preciso do termo. Aliás, quase não se resenha mais no Brasil, o que é uma pena.

Trata-se de uma coletânea de artigos e entrevistas selecionados e organizados por Miguel Darcy de Oliveira, que vai desde os velhos tempos do Opinião até aquele último texto sobre o sub-peronismo, que teve algum impacto recentemente.

Antes de mais nada, mais trabalho editorial poderia ter sido feito. Não pelo Darcy de Oliveira, que fez a parte dele, mas pelo editor, mesmo, que poderia ter recrutado alguém para escrever notas e a comentários que situassem um pouco o leitor. Especialmente porque grande parte das entrevistas não está reproduzida na íntegra, alguns textos aparecem muito soltos, e mesmo o leitor informado tem o direito de ficar na dúvida em trechos como o seguinte:

Isso aqui não é um grupo partidário: a composição interna nossa é absolutamente pluralista; várias formações culturais, várias inclinações até políticas. Todos achamos que é preciso encontrar formas de convivência e de discussão. [p.21]

O que é “Isso aqui”? Eu suspeito que seja o CEBRAP, mas eu sou, inclusive, ex-bolsista do CEBRAP. Porque o leitor mais bem informado – digamos, o Armínio Fraga – deveria saber disso? E pode ser que não seja o CEBRAP, sei lá. Há outros pontos em que os trechos selecionados são muito curtos, o que justificaria uma nota explicando porque foi selecionado. Do jeito que está, suspeito que mesmo leitores interessados possam boiar um pouco em trechos inteiros, e ficar com a impressão de que se trata de um aglomerado meio caótico, em especial se não for familiarizado com o minúsculo mundo acadêmico de São Paulo ou com as bizantinas discussões da esquerda brasileira.

Como “minúsculo mundo acadêmico de São Paulo e bizantinas discussões da esquerda brasileira” é comigo mesmo, gostei muito do livro. É um bom retrato da evolução das discussões políticas brasileiras nos últimos quarenta anos. É, naturalmente, um retrato do ponto de vista de um ator inteiramente envolvido com a prática política, mas isso é tanto um bug quanto um feature.

I

Há um trabalho de pesquisa sobre construção da memória esperando para ser escrito sobre a seleção dos artigos, o que tenho certeza que tanto o FHC quanto o Darcy de Oliveira sabem. Não fiz esse trabalho, mas minha impressão é que o o FHC dos anos 70 aqui é menos de esquerda do que o que o FHC da vida real era. E o FHC do livro foi mais presciente com relação à globalização do que o FHC de verdade foi. Mas o autor do futuro trabalho tem que levar em conta que são diferenças de ênfase, não de natureza.

II

A primeira parte do livro reúne artigos e entrevistas sobre o tema da luta contra a ditadura e a transição para a democracia. É interessante que o FHC comece dizendo, em 1972, que o importante é trazer a luta política para a sociedade:

“Seria ilusório, entretanto, pensar que uma oposição desse estilo pode amoldar-se aos quadros partidários criados com o Ato II e congelados pelo Ato V.  Arena e MDB não são partidos na acepção real do termo”

Como se sabe, aos poucos vai se aproximando cada vez mais organicamente do MDB, pela iniciativa do Ulysses de chamar a turma do CEBRAP para escrever o programa do partido em 74. Mas em 77, embora reconheça a importância da derrota do regime nas eleições de 74, ainda acha que não é possível se limitar à luta com o MDB:

O plano de distensão do General Geisel era muito limitado. Nunca se considerou um dado básico: que havia eleições (em 1974) e que o governo poderia perder. Nunca foi considerado que a sociedade poderia ter-se autonomizado, que tivesse surgido sociologicamente um partido. Não é o MDB: quero me referir a uma opinião que transcende muito o quadro partidário do MDB. Uma opinião democrática.

Esse é a primeira idéia sociológica em voga nos anos 70 que aparece claramente nos textos: a idéia da política na sociedade civil, como a feita pelos novos movimentos sociais – feministas, homossexuais, estudantes, moradores de bairro, ecologistas, enfim, segurem o Olavo de Carvalho que ele está surtando lá no fundo.

Há aqui um componente político “por fora do Estado”, de afirmação da autonomia dos movimentos, mas há também uma revisão teórica de fundo, que marcaria a esquerda mundial nos vinte anos seguintes, “para além do materialismo histórico”, como se dizia:

Continuamos pensando que estamos no século XIX e que a determinação da “contradição principal” é suficiente para resolver as questões políticas. Repetimos o óbvio: que existem conflitos entre o capital e o trabalho. Mas nos esquecemos não só de que além de feijão existe o sonho [NPTO: Castoriadis in a nutshell novelística], mas que as demandas culturais e sociais contemporâneas repõem as necessidades básicas noutros planos: como se vive nas cidades, a poluição, o espaço para a liberdade privada (o divórcio, o amor, a educação dos filhos), o problema da “maior minoria” constituída pelas mulheres (que a rigor são uma maioria minorizada [sociólogo gosta dessas coisas - NPTO]), os problemas dos negros, dos índios, da terra, da segurança, dos acidentes no trabalho e no lazer, da ecologia, etc. são temas que se entrelaçam com a oposição entre capital e trabalho e que, numa ótica política não obsoleta, constituem a trama vivida da questão social e da econômica.

É por aí que estão discutindo, nesse momento, o Touraine [o interlocutor mais presente nos textos selecionados, ao menos que eu tenha percebido - e não por ele ser autor de uma das entrevistas; no final tem mesmo menção a um "retorno do ator"], o Habermas, o Claus Offe, só gente boa. Novos movimentos sociais, novas clivagens sociais (além de classe), enfim.  Na festa dos 40 anos do CEBRAP, o FHC contava como eles enfiaram tudo isso no programa do MDB de 74, e a coisa acabou parando na Constituição de 88.

[Parênteses que não interessa a ninguém mas o blog é meu:  tudo isso era muito presente na discussão do PT, que nessa época existia já como embrião justamente no tal movimento fora da política que se formava. Anos depois, presenciei um debate entre petistas naquele colégio público ali na Praça Arcoverde (do lado do Gláucio Gil, perto do Sagrado Coração de Maria, onde eu estudei), e um cara de uma tendência marxistazinha minúscula, que certamente deve ter acabado na semana seguinte, dizia que todas as questões raciais e culturais podiam ser reduzidas a questões de classe. Só faltaram jogar ele pela janela. Uma menina deu um esporro tão agressivo no sujeito que eu achei que ele fosse chorar. Nesse mesmo dia, aliás, um sujeito da Convergência Socialista teve um ataque epilético enquanto discursava. Juro.]

Dentro desse movimento “é marxismo mas não é”, algumas formas híbridas interessantes sugiram. Por exemplo, posso estar errado, mas me lembro que no “Para a Reconstrução do Materialismo Histórico”, o Habermas retoma a discussão sobre a sucessão entre os modos de produção introduzindo a idéia de que algumas formas cognitivas acabam se desenvolvendo como condição e como consequência do desenvolvimento material: o desenvolvimento das forças produtivas exige a ciência que exige, em algum grau que seja, a livre-discussão e a liberdade política. Se o Habermas não tiver dito isso e eu estiver inventando, vocês hão de convir que eu tive uma puta idéia. Mas me lembrei (talvez por falsa memória) disso quando li o FHC dizendo o seguinte:

Quem produziu a pressão por participação além das elites não foi o regime. Foi o próprio processo de crescimento econômico da sociedade e o fato de que essa sociedade está vinculada a um sistema internacional. O modelo que está sendo implementado não é um modelo de automatização, de autarquia. É essencial para o crescimento econômico ter um fluxo de idéias. Aqui você não pode fechar totalmente porque é preciso ter desenvolvimento tecnológico. E isso produz um efeito que é contraditório.

Legal, mas a ser provado. O grande experimento em curso a esse respeito é, naturalmente, a China. Por um lado, a China é, hoje, indiscutivelmente mais livre que na época do Mao. Mas, por outro, ainda não fez  a transição para a democracia. Aguardamos o resultado do experimento.

Agora, se me permitem um parágrafo pega-troll: após o discurso do Aécio na convenção do PSDB, ficou na moda dizer que o PT não tinha participado da democratização porque nunca apoiou o MDB. Leiam esse tal de FHC e vejam o papel que tiveram os movimentos, a sociedade civil, “Os Lulas” (p. 31). Mó comuna esse FHC.Vejam que o cara, inclusive, achava os torturadores piores que os guerrilheiros (eu disse que ia ser só um parágrafo, mas não resisto):

A idolatria da violência exemplar não deve ser incensada no altar das ideologias. Mas a justificação da corrupção do Estado pelo uso da violência é erro ainda maior. É crime sem remissão. Não tem a seu favor a generosidade de um sonho de redenção pela força e terá sempre à sua conta um sem-número de cadáveres sem túmulo, de desaparecidos flutuando na consciência da nação e na saudade de parentes e amigos.

É isso aí, FH. Fim do parêntese pega-troll.

Mas onde se percebe a divergência que vai se formar depois entre a turma do FHC e o PT é nos textos ali do final dos anos 70 quando o FHC já se lança abertamente na política; é uma opção, que traz consigo a vantagem de aumentar sua influência e o ônus dos acordos que se precisa amarrar. Nessa hora, a turma que fundou o PT continuou no basismo, a turma do FHC levou essa vivência para a esfera estatal (culminando, creio eu, na Constituinte). Dizia o marido da Dona Ruth:

Não estou de acordo com certa perspectiva que ainda diz: o importante é a base da sociedade. É a base da sociedade, mas ela sente cada pedrada lá em baixo, em cima do seu calo. Você tem que passar disso para o nível político, que é quando junta isso tudo e se formam as alianças, os grupos de força. Isso é política.

Isso o PT só aprendeu nos anos 90, e, mais dolorosamente, no governo. Isso é que dá não ouvir sociólogo só porque a gente é chato pra cacete. Em uma sacada bacana, o Darcy de Oliveira pôs esse texto perto de um fragmento sobre 68 na França que diz o seguinte:

Mas, na hora da onça beber água, se não houver uma força política, uma vontade organizada que conduza a mudança e que esteja em consonância com as pressões populares, o impasse reaparece. Se houver, do lado conservador, como houve na França, uma inteligência política organizada, a ordem se restabelece. Mas nunca mais será aquela. Pode ser pior se faltar a inteligência política conservadora (veja-se o Chile de Pinochet) ou pode ser mais contemporizdora, como a França de Giscard. Mas o equilíbrio anterior se rompe para sempre.

A última frase é importante. Em um certo sentido, das inúmeras possibilidades abertas pela luta contra a ditadura, só algumas foram realizadas, e houve uma grande acomodação, que persiste até hoje, pela qual as forças políticas que se opuseram ao regime foram “normalizadas”. Mas é meio idiota dizer que nada mudou. O Sarney ainda está por aí, mas é indiferente que seja presidente do partido da ditadura ou senador em um regime democrático? Não, não é. O equilíbrio anterior se rompeu, outro equilíbrio se formou. É um saco ficar vendo o Sarney, mas não se pode perder o quadro mais amplo de vista.

III

Talvez a coisa mais crucial do livro, depois dos textos sobre a transição democrática, sejam os momentos em que o FH discute partidos. O único bug/feature aqui é que essas coisas são escritas quando ele já é político. Por exemplo, vejam esse trecho:

O PMDB é um partido que eu chamo omnibus. Em certos países, a forma de partido que existe é próxima à do Partido do Congresso da Índia, porque essas sociedades produzem esse tipo de partido com tendências desencontradas. São sociedades que passam para a industrialização rapidamente, sob controle das grandes empresas estatais e multinacionais, e que têm, ao mesmo tempo, uma classe média profissional, uma forte penetração de modelos culturais por meio do mass media e uma grande inovação do capital internacional criando classes novas.

Dificilmente, no meu entender, essas sociedades geram partidos como os de antigamente, como os da Europa, onde há um partido comunista, um socialista, um conservador, representando os vários setores de uma sociedade que se estratificou durante séculos. Nos Estados Unidos, os partidos não são ideológicos [NPTO: isso é erradíssimo], são partidos-máquinas de fazer votos e que agregam interesses.

No Brasil, o quadro partidário não será nem americano nem europeu. Teremos algo do antigo caudilhismo latino-americano, em que o personagem pesa muito, mas ao mesmo tempo os partidos continuarão a ter núcleos ideológicos fortes. Mais fortes do que nos Estados Unidos, mas não tão fortes que dêem a forma total do partido.

É difícil saber se isso é fruto de uma reflexão acadêmica ou reflexo do fato de que o FHC era do PMDB, que tentava se tornar hegemônico nos anos 80 (e conseguiu por um curto período, na eleição do Plano Cruzado, única que o FH ganhou antes de ser presidente).

Mas, supondo que seja uma idéia mesmo, há perguntas interessantes aí. A importância das empresas estatais para o desenvolvimento ligariam o empresariado ao Estado de forma a enfraquecer um partido de direita “puro” ? O que os mas media estão fazendo nessa teorização? É por representarem um mecanismo de controle do partido hegemônico, ou por situar um espaço fora da máquina onde pode haver reflexão?

A ascenção da polaridade PT vs. PSDB desmentiu a tendência idenfiticada pelo FHC, mas o debate voltou agora que parte da oposição resolveu levantar o fantasma de uma hegemonia petista permanente.  A aliança PT/PMDB pode se tornar um partido hegemônico, como o Partido do Congresso (ou como PSDB/PFL queriam ser por vinte anos)? Não sei não. Mais dados são necessários. Por mais que a oposição esteja tentando se desintegrar sozinha, uma hora outra coisa se forma, supondo que a democracia sobreviva, o que é uma suposição razoável. Voltaremos a isso.

No fundo, o FHC parece mais ou menos mudar de opinião quando sai do PMDB, o que não deixa de querer dizer alguma coisa. Aí ele quer fazer um partido social-democrata, só que tem um problema: partido social-democrata é um negócio que quem faz é sindicato.

E o FHC sabe disso:

Muita gente pergunta: mas como é que pode haver um partido social-democrata sem o movimento sindical? Bom, mas nós não estamos na Europa. Não estamos refazendo o percurso histórico. O que houve na Europa foi que, sem se desligar das forças sindicais, a social-democracia ampliou para as forças novas da classe média e do empresariado novo. Eu diria que  nós temos o mesmo problema, mas inverso: como é que nós, tendo já uma parte desse empresariado novo e das classes médias reformadoras, ampliamos  para os sindicatos. (p.75)

Mas, se não se trata de copiar a fórmula européia, porque copiar o nome?  Social-Democrata é uma marca associada a certo tipo de projeto, não vira enganação usar a marca sem o projeto? Certo, é porque depois vai se cooptar os sindicatos; começou diferente, mas vai dar na mesma mistura, digamos, que o New Labour.

Mas aí tem o problema:

(…) existe alguma ação direta das populações pobres que, no caso do Brasil, estão sob a influência dos partidos que estão contra as reformas. Embora estejam a favor dos pobres, eles acreditam que as reformas são contra os pobres.

Eu não acredito nisso.

A questão, afinal, é: o que o PSDB teria feito em oito anos de governo para tentar forjar essa aliança com os sindicatos começando de cima? Não consigo me lembrar de nada (o que não quer dizer, naturalmente, que o governo FHC não tenha muitos outros méritos). A turma que sabe fazer social-democracia foi para o PT. Mas demorou até ela perceber que era nisso que ela era boa. Muita gente lá ainda não sabe, a começar pelos intelectuais.

Houve, sim, durante o governo FHC, um esforço de aproximação com as ONGs, que, já vimos, eram um tema da turma do CEBRAP desde os anos 70. Não sei bem o quão bem-sucedido foi isso, mas o fato é que só reforçou a reversão da trajetória social-democrata clássica, que começa sindical e vai se abrindo para outros setores.

A impressão que dá é mesmo que a reflexão teórica, nos textos pós-presidência, está, para usar um termo da geração dos caras, meio fora do lugar. O discurso de posse do FHC ainda é muito bom, mas os últimos textos são notavelmente inferiores, vagos o suficiente para você perceber que foram escritos por político. E é cada vez mais difícil perceber a ligação do que o cara está falando com a sua prática política (embora fosse interessante contrastar algumas das coisas que ele diz, ainda hoje – e eu acredito que seja sinceramente –  com o que dizem seus apoiadores conservadores atuais).

É inteiramente de se esperar que a prática política divirja da prática acadêmica, mas também é legítimo perguntar em que ponto a política pegou a teoria de surpresa. E aqui é fácil. O FHC, como todo mundo, demorou a perceber o tamanho da onda globalista.

IV

Na introdução, e na última parte do livro, o FH tenta jogar que a teoria da dependência antevia a globalização, mas isso me parece bem forçado. Verdade, a dependência não era mais a teoria marxista do imperialismo; mas ainda era uma teoria da singularidade dos países pobres; no próprio trecho acima sobre o partido indiano, vê-se que o FHC acredita, até os anos 80, que o capitalismo com fortíssima presença estatal estava aí para ficar.

Justamente porque o capital e o Estado estavam muito próximos, a luta agora era para tornar público o estatal (um slogan que no PT já repetiram tanto que encheu o saco), que era, em grande parte, o econômico. Quando a sociedade entrasse no Estado, muitos dos problemas sociais seriam automaticamente colocados em pauta, porque a economia estava (mais ou menos) sob controle do Estado.

Isso nos leva a outra tese famosa do FHC, a dos anéis burocráticos, que aparecem aqui em um texto do Opinião escrito em 73:

Há em gestação um novo aranjo, não democrático, entre Estado e sociedade pelo qual os grupos dominantes na sociedade, entre os quais em papel predominante os setores empresariais nacionais e estrangeiros, se articulam com a burocracia do Estado. Em lugar dos partidos funcionam na realidade anéis que ligam e solidarizam os interesses de grupos privados e de setores das empresas do Estado e do próprio Estado.

Hoje em dia, o FHC tenta ligar essa idéia à discussão do Chico de Oliveira sobre o papel dos fundos de pensão no surgimento de uma “nova classe” de gestores dos fundos ligados aos sindicatos. Aquele texto recente dele falando do Lula nesses termos aparece aí no final do livro.

Não é absolutamente a mesma coisa; a reflexão do CdO depende crucialmente da existência de um partido dos sindicalistas (que quando ganha a eleição forma 2/3 da gestão dos fundos, com os representantes do governo e dos sindicatos). Quem observou o processo de privatização sabe que não foi o PT que inventou esse negócio de se meter nos fundos de pensão; o que há é uma briga política por esses recursos, que passa pela disputa eleitoral. O modelo dos anéis burocráticos é explicitamente concebido como algo que existe na ausência do jogo político aberto.

O raciocínio dos anéis burocráticos se encaixa muito melhor no caso das agências reguladoras, que podem ser entendidas como esforço de tornar o jogo das redes mercado/Estado mais transparente. É altamente questionável que tenha conseguido qualquer coisa remotamente semelhante a isso, mas a idéia era mais ou menos essa. Não é que com as agências outros atores tenham sido chamados a participar do processo; eles já participavam do processo, mas exercendo pressão fora do campo de visão do público.

A presença de uma arena política democrática diminuiria o peso dos anéis burocráticos, mas, e se for verdade que países de capitalismo dependente terão sistemas partidários como o indiano? Aí o partido, agindo como partido único, se aproximaria mesmo de um grande gestor coletivo dos fundos. Mas isso é provável?

De qualquer maneira, a questão foi redimensionada nos anos 90, porque o neoliberalismo (uso o termo sem ofensa) quebrou de novo a fronteira entre Estado e mercado, e esse Estado em que entraram as ONGs do FHC, ou os fundos de pensão do PT, era muito menor que o Estado de que falava o FHC quando defendia que a sociedade civil entrasse no Estado; não tanto em termos de tamanho bruto (arrecadação, etc.), mas em termos do que se aceitava que o Estado poderia regular.

Vale dizer, a participação dos sindicatos na gestão dos fundos de pensão seria o tipo de coisa que o FHC dos anos 70/80 acharia o máximo: se os fundos de pensão realmente fossem os grandes organizadores do capitalismo brasileiro (o que não são), esse seria um exemplo interessante de interpenetração entre sociedade civil e mercado, ocorrido por dentro do Estado. Mas como se perdeu a fé no Estado como regulador (e não foi à toa), esse encontro (“encounter”, para usar um termo que já esteve na moda) não parece mais tão benigno.

VI

Uma maneira interessante de pensar como esse choque externo de liberalismo bateu no que poderiam ter sido as duas metades da esquerda democrática brasileira é a partir dessa pergunta, que o FHC faz retoricamente em 89:

(…) o que é o interesse popular nas condições de hoje? Como é que ele cruza com o interesse nacional nas condições de hoje? O pensamento de esquerda, especialmente na América Latina, se baseou muito na idéia de que o fundamental era o desenvolvimento, de que o Estado era a agência central para esse desenvolvimento e de que os instrumentos coletivos de ação primavam sobre os individuais.

Hoje, a tese de que o Estado é fundamental para o desenvolvimento não deve mais ser um dogma de esquerda. Já há categorias sociais específicas que cuidam do desenvolvimento: os empresários [NPTO: antes não havia empresários? Ou só agora nós notamos que eles servem pra alguma coisa?] Não é uma questão que a esquerda deva tomar com o denodo com que tomou no passado. Ela tem que perguntar é pela distribuição. E aí há o risco do populismo, de pensar em distribuição sem produção. (p.73)

Então, companheiro FH, eu concordo com isso plenamente, e acho um bom jeito de pensar o período Lula. Mas a redistribuição também não encaixa lá muito fácil com o programa econômico dos anos 90, que, entretanto, foi bom para o país. A verdade é que a sua pergunta inicial, como conciliar o interesse nacional com o interesse popular (Gramsci! Gramsci!), não encontrou resposta plenamente satisfatória até você virar presidente, e, se você fez muito para resolver nossos problemas, foi porque se aliou aos liberais, que tinham outra agenda inteiramente diferente.

Em uma entrevista já na virada para os anos 90, o FHC já parece perceber que alguma coisa aconteceu, que a maré virou, que a esquerda precisa lidar com a queda do socialismo real, mas já é bem tarde, e a hora em que o mundo que o FHC tinha tentando descrever muda profundamente é mais ou menos a hora em que o FHC chega ao poder.

Daí em diante, devo dizer, FHC virou um bom político. Nos anos 80, depois da desastrada campanha para prefeito, ninguém acreditava que pudesse ser, e eu, como petista, fiquei a campanha de 94 inteira esperando ele, sei lá, declarar que fumou maconha enquantro estuprava uma freira, alguma coisa assim. Mas virou um praticante hábil da realpolitik, com um programa econômico muito bom, e fez uma boa gestão no Ministério da Fazenda, e um bom governo (o segundo). O fato de ter sido um mau teórico de si mesmo é um mal menor.

V

A turma que atualmente apóia o FHC é que precisa agora parar e se perguntar: como nosso interesse cruza com o interesse nacional? O eleitor pobre, ele tem a ganhar o que com o que eu estou propondo? Antes de responder a isso vocês continuarão a ficar cada vez mais parecidos com o PT dos anos 90.

VI

Enfim, um livro cheio de coisa que eu gosto de discutir (tem muito mais do que o comentado aqui), e bacana para quem gostar de política brasileira.

PS: Uma apresentação do FHC sobre o livro pode ser vista aqui.

PSTU: só pra não deixar de comentar: é interessante notar como sempre volta, nos diferentes textos, a questão da busca por um sentimento de comunidade meio perdido pela modernidade, “O” tema clássico da sociologia; no começo, é a teologia da libertação e a Igreja contra a ditadura, no final são os fundamentalismos. Em nenhum dos textos isso é desenvolvido, sempre aparece meio jogado em meio a outros assuntos, mas sempre aparece.

PSTUdoB: e aí outro dia um troll veio aqui e disse que, como a esquerda não tinha quadros, nós precisamos roubar os deles. He.

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174 Comments on “Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso”

  1. #1 marcos
    on Jul 9th, 2010 at 1:40 am

    Muito bom! Tomara que essa eleição acabe logo pra vc poder discutir mais coisas bacanas como esta…

    Se for levada a bom termo deverá bater todos os recordes de palpites felizes. Pelo menos é o que espero!

    Desconfio que não é colegio publico, mas escola publica.

    MAM

  2. #2 japecanga
    on Jul 9th, 2010 at 1:51 am

    Vc é um dos poucos que dão importância a esse mala do FHC. Melhor assim: fhc, já que não há subscritos à disposição. Não sei se ele algum dia acreditou naquilo que escreveu, tamanha é sua falta de caráter.
    Melhor fazia o hermenauta, marcado em cima o Tio Rei. Este pelo menos sabe escrever. Coisa que FHC jamais aprendeu.

  3. #3 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 1:55 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Li essa observação final que você fez:
    “PSTUdoB: e aí outro dia um troll veio aqui e disse que, como a esquerda não tinha quadros, nós precisamos roubar os deles. He.”
    E pensei, é melhor aproveitar isso para dizer de que lado eu estou. Então digo:
    “Que eles venham e o pegam de volta, pois não faz falta”.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  4. #4 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 1:59 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Começando pelo começo onde você diz livraço. Bem, você leu o livro e eu não e assim você está mais gabaritado para avaliar o livro, mas dizer que os escritos de FHC formam um livraço é difícil de eu engolir.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  5. #5 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 2:07 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso precisa ter a entrevista que ele deu ao Jornal do Brasil em final de fevereiro de 1986.
    Durante muito tempo eu dizia que foi a única vez que FHC disse alguma coisa. Paguei a pesquisa do JB para me fornecer uma cópia da entrevista. Veio a entrevista e mais repercussões durante uma semana. Quando eu li a entrevista eu fiquei matutando: “Eu juro que ele dizia alguma coisa na entrevista”.
    De todo modo, como na entrevista ele criticava o governo da Nova República e como no mesmo dia da entrevista saiu o Plano Cruzado, mesmo sem dizer nada, FHC ficou durante uma semana negando o que ele dissera na entrevista.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  6. #6 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 2:22 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    E essa é difícil de entender:
    “Hoje, a tese de que o Estado é fundamental para o desenvolvimento não deve mais ser um dogma de esquerda. Já há categorias sociais específicas que cuidam do desenvolvimento: os empresários [NPTO: antes não havia empresários? Ou só agora nós notamos que eles servem pra alguma coisa?] Não é uma questão que a esquerda deva tomar com o denodo com que tomou no passado. Ela tem que perguntar é pela distribuição. E aí há o risco do populismo, de pensar em distribuição sem produção. (p.73)”
    Isso é, é difícil de entender o seu comentário posterior como se vê a seguir transcrito:
    “Então, companheiro FH, eu concordo com isso plenamente, e acho um bom jeito de pensar o período Lula”.
    Ora, ora, ora. O que FHC disse pareceu-me mais uma forma dissimulada de ressucitar a tese de Delfim Netto:
    “é preciso primeiro deixar o bolo crescer para depois distribuir”.
    E tese da qual eu não discordo muito sob o aspecto econômico (É bom que se diga que não sou economista). O desenvolvimento é maior se se faz como a China, criando incentivos para a produção e descuidando da distribuição, mas sou contra esse modelo.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  7. #7 Manuel
    on Jul 9th, 2010 at 2:27 am

    Aquilo que vc imputou ao Habermas o Georg Simmel já disse em 1907, na Filosofia do Dinheiro, quando ele fala da "infinita reciprocidade" entre estruturas econômicas e estruturas ideais. Ele dizia que querer "construir um novo andar abaixo do materialismo histórico de modo que o valor explicativo da incorporação da vida econômica entre as causas da cultura intelectual seja preservado, enquanto essas formas econômicas são reconhecidas como resultado de valorações mais profundas e correntes de pré-condições psicológicas ou mesmo metafísicas" (tradução minha)

  8. #8 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 2:33 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Falar de livros de FHC leva a isso: o lugar comum se reproduz. Assim, ele diz:
    “Pode ser pior se faltar a inteligência política conservadora (veja-se o Chile de Pinochet) ou pode ser mais contemporizadora, como a França de Giscard. Mas o equilíbrio anterior se rompe para sempre.”
    Ou seja, o mundo evolui. E você complementa:
    “. . . . Mas é meio idiota dizer que nada mudou.”
    Assim você acaba merecendo o elogio que um professor escreveu em um trabalho meu:
    “Uma obra prima de tautologia, enriquecida com pérolas de truísmo”.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  9. #9 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 2:50 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Faltou uma recomendação de leitura prévia ou posterior a este post “Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso” de 09/07/2010. Trata-se de outro post “Entrevista do FHC no Estadão” de 05/04/2010 aqui no seu blog e que acabou não tendo a repercussão que devia.
    Se alguém preencher os espaços em branco que FHC deixa na fala dele, ele se torna uma figurinha fácil de entender. E a entrevista para o Estadão ajuda nessa compreensão e os comentários que foram enviados para o seu post também servem a esse propósito de revelar quem é FHC.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  10. #10 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 2:59 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Lembrando de FHC, fez-me lembrar de José Serra e a lembrança de José Serra fez-me lembrar do post “Serra e o genérico de Aécio” de 07/07/2010 às 08:13 no blog do Luis Nassif (hoje quase à meia noite o post já está na página 4) com reprodução de artigo de Marcelo Coelho na Folha de São Paulo de 07/07/2010 com o título de “No laboratório de Serra”.
    Bem, lembrando do Marcelo Coelho dá oportunidade para eu mencionar o post “O adeus a Samuel Huntington” de 30/12/2008 às 05h03 no antigo blog do Pedro Doria em que eu transcrevo um trecho de um artigo de Marcelo Coelho publicada na Folha de S. Paulo de 05/04/2006 em que ele corrige a minha memória sobre um episódio envolvendo Cláudio Lembo, FHC e Samuel Huntington.
    Recomendo então a leitura do meu comentário com o trecho do Marcelo Coelho.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  11. #11 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 3:09 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Minha crítica a FHC tem limites. Comparando-o com Lula diria que nunca compraria um livro com textos de Lula. O mesmo eu não posso dizer sobre os livros de FHC, até porque já comprei alguns.
    De todo modo, quem melhor analisou os escritos de FHC e o deixou em muito boa companhia foi Millôr Fernandes no livro “Crítica da razão impura ou O primado da Ignorância” em que Millôr Fernandes analisa Brejal dos Guajas de José Sarney e Dependência e Desenvolvimento na América Latina de FHC.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  12. #12 Hugo Albuquerque
    on Jul 9th, 2010 at 3:10 am

    Bacana ter feito a resenha, muito embora discorde de algumas bolas que você levantou nela – o livro eu não li e, possivelmente, não terei tempo de ler tão logo, me refiro a determinadas análises especificamente ao governo FHC e outras, conceituais. Em um primeiro momento, atendo-me aos aspectos políticos da carreira dele, eu passo ao largo de ser o maior admirador de FHC: Trata-se de um sociólogo um pouco distante da realidade que, na verdade, compreendeu mal a coletividade a qual pertence, construindo belas peças retóricas, com pretensão de literatura sociológica – algo como livros de aristocratas russos francófonos sobre a vida dos muzhiks que ele odeia. Ele alterou o curso de sua carreira política nos fins dos anos 70 por descrer de uma política basista, incorporando algo como o velho vanguardismo da esquerda brasileira – um mistura do elitismo de parte dos quadros com Leninismo, sendo o próprio eivado de influências incontestáveis da teologia cristã e do pensamento pequeno-burguês, mas isso é outra história – adequado a uma estratégia de disputa, em certa medida até pessoal, da hegemonia do Estado Burguês.

    FHC torna-se Presidente do Brasil em um cenário no qual o Estado Nacional-desenvolvimentista era um cadáver insepulto há mais de uma década e algo novo precisava ser construído – e alguns setores bem organizados politicamente da elite brasileira, mas não necessariamente instalados nos setores mais produtivos do capitalismo nacional, desejavam que tudo mudassem, sem mudar nada. O projeto petista, social-democrata desde o primeiro momento, integrado ainda com movimentos de base da Igreja, sindicatos e variados movimentos de reivindicação de direitos aparecia como uma ameaça – que era aumentada e desenhada como um bicho-papão vermelho, algo que era potencializado por um fato de inteligência da própria militância petista, que errava a mão na forma de fazer muitas críticas, embora fossem pertinentes e necessárias.

    Seu governo foi um fracasso, pois o que pôs em prática foi um modelo no qual o cão perseguia a própria cauda sem sabê-lo: Se desse certo, ele mordia a cauda, enquanto isso não acontecia, ele girava em círculos; a política de resolução da inflação por meio de cavalo de pau que dependia da paridade da moeda nacional em relação ao dólar – e aos juros gigantescos que essa política demandava – somado a um processo burro de privatizações, nos quais o Estado praticamente pagou para privatizar empresas que poderiam ser recuperadas, jogaram o país na maior crise de desemprego da sua história, em uma crise energética e outras tantas – nunca antes vimos tantos brasileiros emigrarem nem tanta violência urbana.

    FHC foi e é um grande falante de javanês, que, como sociólogo, soube identificar, pelo menos, uma certa faceta da sociedade em que vive: Refiro-me a sua própria classe social, seu patrimonialismo, cartorialismo e suas superstições – sobretudo, como usar isso para chegar ao poder. Só errou porque subestimou um cadinho a plebe e sua capacidade de, por vias tortas e no momento certo, de dar o troco.

  13. #13 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 3:57 am

    Hugo Albuquerque (#12) (09/07/2010 às 03:10 am),
    Assim, não sobra mais nada para eu dizer.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/07/2010

  14. #14 Ticão
    on Jul 9th, 2010 at 7:59 am

    Tava sentindo falta.

  15. #15 pagl
    on Jul 9th, 2010 at 1:09 pm

    "e aí outro dia um troll veio aqui e disse que, como a esquerda não tinha quadros, nós precisamos roubar os deles. He."

    No que ele acertou em cheio. FHC nunca poderia ter criado o plano Real, os programas sociais do seu governo ou a LRF, copiados e unificados depois pelo Marcos Lisboa na gestão Palocci. Foram os economistas neoliberais e ortodoxos…

    Celso, lê o livro do Palocci, p favor.

  16. #16 pagl
    on Jul 9th, 2010 at 1:11 pm

    ops corrigindo:

    FHC nunca poderia ter criado o plano Real, a LRF ou os programas sociais do seu governo , copiados e unificados depois pelo Marcos Lisboa na gestão Palocci.

    Celso, lê o livro do Palocci, p favor.

  17. #17 Tweets that mention Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso | Na Prática a Teoria é Outra -- Topsy.com
    on Jul 9th, 2010 at 1:53 pm

    [...] This post was mentioned on Twitter by Ricardo C., A V N Brandizzi. A V N Brandizzi said: @NPTO cita o Gláucio Gil (http://tinyurl.com/2f5yrtd); aí olho pela janela e vejo o próprio! Coisa boba, mas achei legal :) [...]

  18. #18 brandizzi
    on Jul 9th, 2010 at 2:50 pm

    Eu não sei muito sobre política/economia, mas essa afirmação parece injusta. É certo que FHC não crtiaria o Plano Real sozinho – precisava de economistas ortodoxos, mas também de um monte de outros profissionais, de apoio político etc. etc.

    FHC merece crédito não por ter a ideia da implementação do Plano Real em si, mas por fazer a coordenação política necessária e dar a cara a tapa. É vero que os economistas por trás do plano quase não são tão creditados, mas isso é do jogo político: o PSDB tinha de lucrar em cima disso e não iria dar certo dizer no horário eleitoral que quem fez aquilo tudo na verdade foi o Edmar Bacha…

    Mandou bem o FHC que foi lá e coordenou* as pessoas certas. Não concorda?

    * Ia dizer "escolheu", mas nem sei se foi isso mesmo…

  19. #19 brandizzi
    on Jul 9th, 2010 at 2:59 pm

    Celso, excelente resenha! Confesso que fiquei meio perdido – acho que para entendê-la de verdade precisa ler o livro, e o próprio livro tem pré-requisitos… Mas, mesmo assim, o debate resultante é fascinante. Vou reler a resenha para ver se pego mais algumas coisas, mas já gostei!

  20. #20 Carlos
    on Jul 9th, 2010 at 4:29 pm

    Concordo plenamente com você. O Celso parece acreditar nas hierarquias canônicas e nas idéias recebidas, e fica perdendo tempo com esse amontoado de mediocridade intelectual, puro marxismo vulgar da variedade Kautsky com uma roupagem moderninha. Dá para resumir assim: "O desenvolvimento econômico é o caldo de cultura que dissolve o autorirtarismo e a luta de classes ao criar uma pequeno-burguesia satisfeita com seu possante, sua churrascada, os 'seus os meus e os nossos' filhos, e a preocupação com o caçula ser o viadinho do 701…". Sinceramente, o fascismo rábico do Astrólogo e seus seguidores enfurecidos me diz bem mais sobre as contradições REAIS da nossa sociedade….

  21. #21 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 9th, 2010 at 4:37 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Penso ainda em fazer alguas críticas a sua resenha, mas antes aproveito a discussão sobre o Plano Real e deixo a minha opinião, sem, entretanto, esquecer de relembrar que sou leigo em economia.
    1) Na época do Plano Real não havia nem meia dúzia de paises com inflação. Talvez a Colômbia com inflação de 30%, a Turquia de 50%, o Brasil se encaminhando novamente para a hiperinflação e no Zimbabwe.
    2) FHC foi importante na coordenação das pessoas certas para fazer e administrar o Plano Real e obter algumas conquistas no Parlamento que tornassem a vida do Plano Real mais fácil.
    3) Há duas avaliações corriqueiras sobre o Plano Real. O Plano Real foi um Plano que seguiu as orientações do FMI e modelos de combate à inflação já adotados em outros países, sendo o modelo de Menen/Cavallo na Argentina o mais mencionado, com um ou outro erro também comum em planos como esse. E o Plano Real foi uma grande obra de engenharia com o único problema do juro elevado posto em prática pelo G. Henrique Barroso F. Não me filio a nenhuma das duas análises. Sou contra planos para acabar de uma vez com a inflação em países de dimensões continentais como o Brasil. E sou contra que plano assim seja feito em época de eleição. E mais ainda se for usado para eleger o presidente. E penso que o efeito ruim do plano feito para eleger um presidente fica ainda maior quando esse presidente não fora sequer presidente de um grêmio recreativo na juventude quando as pessoas com tendências a assumir postos de liderança aprendem e desenvolvem habilidades gerenciais de tomadores de decisão. É claro que isso não é tão grave quando se sabe que o Estado é uma espécie de mastodonte que pouca diferença faz no jóquei que está no comando dele.
    4) A pessoa certa no comando do Plano Real foi G. Henrique Barroso F. Sem ele o Plano Real não teria dado certo, se certo for entendido como garantir a eleição de FHC e depois ter a emenda da reeleição aprovada. G. Henrique Barroso F. era o autor de “Fiscal Reforms and Stabilization: Four Hyperinflation Cases Examined” que saiu publicada em The Economic Journal, Vol. 100, no 399, (March 1990), pp. 176-187.). No artigo G. Henrique Barroso F. demonstra que para acabar com a hiperinflação é necessário aumentar as receitas e não diminuir as despesas como todos os acadêmicos do PSDB acreditavam, como se pode ver nos textos de Lara Resende sobre a política econômica do governo militar ou de Celso L. Martone no artigo “Análise do Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG) (1964-1966)” que saiu em “Planejamento no Brasil” de Betty Mindlin na série debates em economia da editora Perspectiva.
    E resumindo, para mim, o Plano Real não foi nada excepcional e com o defeito indelével de se acabar com a inflação de uma vez e que precisou do bom trânsito de FHC no parlamento e contou com as armas insuperáveis de G. Henrique Barroso F. para que a inflação pudesse cair, sendo que dessas três armas só uma que era boa (O aumento de receita) enquanto as outras duas (juro elevado e câmbio valorizado) aumentaram a dívida pública, desmantelaram a competitividade do Brasil e deixaram o Brasil submisso aos caprichos de uma banca internacional. Não custa lembrar que desde a crise dos fundos de pensão nos Estados Unidos no final do governo Reagan, o FED aumentou a liquidez para recuperar a economia americana, mas o que tornou o capital barato. Em 1995 o processo já estava se revertendo.
    Quando tiver tempo falo mais.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 09/07/2010

  22. #22 Amiano
    on Jul 9th, 2010 at 6:15 pm

    Caraca, como tem cara de pau nessa internet. Um monte de cara criticando um livro e uma resenha sem ter lido o livro. NPTO, meu amigo, foi isso o que a internet fez com a sociologia: todo mundo dá pitaco, todo mundo entende muito. É que nem futebol. Tem uma crônica antiga do Veríssimo em que ele diz que motoristas de táxi e barbeiros deveriam governar o país, pois eles tinham solução para tudo. O problema, ele apontava, é que isso deixaria os generais (a crônica é antiga) para dirigir os táxis e cortar os cabelos, o que não seria legal. Com a internet todo mundo acha que sabe tudo, um inferno.

  23. #23 TIago
    on Jul 9th, 2010 at 7:18 pm

    É a moral burguesa que estimula esse tipo de comportamento irresponsável e irracional.

  24. #24 pagl
    on Jul 9th, 2010 at 8:32 pm

    "FHC merece crédito não por ter a ideia da implementação do Plano Real em si, mas por fazer a coordenação política necessária e dar a cara a tapa. É vero que os economistas por trás do plano quase não são tão creditados, mas isso é do jogo político: o PSDB tinha de lucrar em cima disso e não iria dar certo dizer no horário eleitoral que quem fez aquilo tudo na verdade foi o Edmar Bacha… "

    Uma voz coerente nesse blog. Depois eu que sou "troll", seja lá o que isso for… Deve ser muito Senhor dos Anéis na cabeça…

  25. #25 marcos
    on Jul 9th, 2010 at 10:24 pm

    Porra, quebrei a minha cara!

    Só tem palpite infeliz!

    MAM

  26. #26 André
    on Jul 9th, 2010 at 10:25 pm

    O FHC não é um sociólogo, ele está mais para "high-societyólogo".

  27. #27 Lourival Pessanha
    on Jul 10th, 2010 at 2:18 am

    Amiano,

    Por outro lado, só Deus sabe o que o psycho do Clever estaria fazendo se não houvesse a internet para entretê-lo.

    Lourival

  28. #28 ppppp
    on Jul 10th, 2010 at 1:08 pm

    Uma reportagem desta edição de VEJA analisa o episódio – bizarro – em que Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República, assinou e depois voltou atrás a respeito do conteúdo de seu programa de governo, dando publicidade a uma segunda versão do texto, mais amena do que o original furiosamente esquerdista.

    Além de revelar a falta de controle da candidata sobre os radicais de seu partido, o fato deixa evidente o descaso dos governistas com um documento programático que, por sua natureza, deveria ter sido fruto da mais detida atenção. Mas não reside nessa confusão o potencial de dano maior do episódio. O mais espantoso é a permanência no segundo documento petista de uma visão de mundo distorcida e perigosa, em especial no que se refere a um dos pilares consagrados da democracia – a liberdade de expressão.

    Estava no primeiro texto, e foi mantida no segundo, a afirmação de que os órgãos de imprensa são “pouco afeitos à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático”, sendo, portanto, necessário “compensar o monopólio e concentração dos meios de produção”.

    Além do uso ignorante do adjetivo “afeito”, a proposta do PT trai o mesmo e irrefreável ímpeto liberticida que na União Soviética, Cuba e Coréia do Norte serviu de base para a supressão da imprensa independente. A liberdade de jornais, revistas, televisão e rádio começa a morrer quando um governo acredita ser seu papel avaliar e aprimorar os meios de comunicação.

    Expressões como essas não passam de eufemismos para esconder as reais intenções. Ninguém pode cobrar do PT que entenda o papel da imprensa nas democracias, como não se pode cobrar de um índio do Xingu que formule a Segunda Lei da Termodinâmica. Mas nenhum programa de governo, petista ou não, pode se arvorar em juiz da imprensa ou quaisquer outras atividades que, por serem conquistas civilizatórias, não pertencem ao universo oficial.

    A imprensa não tem lições a receber de quem não compreende esse valor universal da democracia – à esquerda ou à direita. Para justificar a supressão de jornais livres, o ditador comunista Vladimir Lênin disse que “nosso governo não aceitaria uma oposição de armas letais. Mas idéias são mais letais que armas”. Na mesma linha, o ditador fascista Benito Mussolini afirmava que “os franceses eram decadentes por culpa da sífilis, do absinto e da liberdade de imprensa”.

    Que o PT não perca de vista que ambos, e suas respectivas ideologias, foram varridos da história – enquanto a imprensa livre sobreviveu aos totalitarismos que ajudou a combater.

  29. #29 Lourival Pessanha
    on Jul 10th, 2010 at 1:53 pm

    Concordo! Não é apenas o atentado à liberdade de imprensa que o PT tem cozinhado, mas também o PT combate a vida inteligente no Brasil. No mundo ideal do PT, a única imprensa que seria permitida seria a oficialista de Franklin Martins e aquela vendida e estúpida de Luis “jabaculê” Nassif e o retardalha do Paulo Henrique Amorim.

  30. #30 He will be Bach
    on Jul 10th, 2010 at 2:57 pm

    "Muita gente lá ainda não sabe, a começar pelos intelectuais."
    Hehe. Fantástica.

    "embora fosse interessante contrastar algumas das coisas que ele diz, ainda hoje – e eu acredito que seja sinceramente – com o que dizem seus apoiadores conservadores atuais"
    Creio que parte da polarização PT x PSDB se deve a uma associação muito forte do PSDB (e, conseqüentemente, de FH) como sendo um partido de ultra-direita extremista. Daí, acaba agregando quadros dessa ultra-direita mesmo; por conseguinte, cria-se esse descompasso entre uma turma da direita insana e um ex(?)-socialista(?).

    Agora, meio off-topic: dia desses, tava lembrando de uma reflexão que fiz 8 anos atrás, filosoficamente tomando água de coco (mas sem biscoito globo): o Lula está assumindo e vai repetir/continuar muita coisa que o FHC fez, mas não vai demorar para o PSDB se opor loucamente a tudo isso, e vai demorar menos ainda para os apoiadores do PSDB afirmarem, à la 1984, que nunca defenderam aquilo, que isso é, sempre foi e sempre será invenção da cabeça tresloucada daquele operário analfabeto.

  31. #31 jccmeirelles
    on Jul 10th, 2010 at 2:58 pm

    Hugo,

    Salvo a questão da privatização financiada pela Governo, coisa que o Governo Lula aprimorou com a PPPs, pois com elas se garante o lucro, dá para fazer uma crítica mais detalhada do governo FHC, pois dizer que o governo FHC ao aumentar os juros explodiu a dívida pública é simplista demais, especialmente pq não foi só isso, como se evidencia toda a política de compra das dívidas públicas dos estados, que estão ainda insolventes, como evidencia o problema do não pagamento dos precatórios

    Isso para não falar que a sua descrição sobre como se deu o controle da inflação não leva em consideração que o Lula está fazendo o mesmo ao longo desses últimos anos, pois descontada a inflação o dolar é mais barato hoje do que era em janeiro de 1999, o que nos leva a conclusão que o Governo Lula está fazendo as mesmas coisas que o Governo FHC, mas que deu sorte de não ter enfrentado crises internacionais como enfrentou o FHC.

    E antes que vc diga que o Lula enfrentou uma crise pior, essa foi uma crise do sistema central, com fuga de capital dos EUA para cá: em todas as crises do Governo FHC, foi o contrário: fuga de capital em direção ao Tesouro Americano.

    Ou seja, Lula = FHC + sorte

  32. #32 Lourival Pessanha
    on Jul 10th, 2010 at 3:28 pm

    “Seu governo foi um fracasso”

    Essa foi a frase mais nefelibata que li em muito tempo. Pode-se dizer o que você quiser do governo FHC, mas foi tudo menos um fracasso. Ao invés, foi o governo que construiu e institucionalizou o Brasil de hoje em dia, deixando para todos os seus sucessores uma camisa de força institucional que, somente-os-imbecis-podem-negar, força seus opositores a seguirem as mesmas políticas que ele desenhou.

    Privatização? O PT no poder não só não reverteu como também continuou o mesmo modelo.

    Metas de inflação? Mesma coisa.

    Supremacia do agronegócio? O PT no poder aprofundou-a.

    Políticas sociais focalizadas? O PT no poder aprofundou-as.
    Reforma da Previdência Social? Passada por Lula em seu primeiro ano de governo.

    Etc etc

  33. #33 J_P_Rodrigues
    on Jul 10th, 2010 at 4:01 pm

    Eu não diria que as privatizações foram burras. Elas derivaram tanto de um cálculo econômico quanto político. Em vez de delinear novas formas de gestão, gastar tempo e capital político saneando focos de descontentamento e de pressões, optou-se (acertadamente) por deixá-las à iniciativa privada, que efetivamente dinanizou aquelas empresas e livrou o Estado de alguns abacaxis, como os bancos estaduais e as ferrovias. Isso não justifica, é claro, a forma como alguns leilões foram conduzidos, mas eu não conheço nenhum processo de privatização ou de estatização que seja bonito de ver.

  34. #34 Mona
    on Jul 10th, 2010 at 8:44 pm

    Essa é a "Carta ao leitor" da Veja desta semana, que foi transcrita no blog do meu ídolo Tio Rei neste sábado (só por isso eu sei, uma vez que não leio esse carro-chefe do PIG…)

  35. #35 brandizzi
    on Jul 10th, 2010 at 9:52 pm

    Aliás, se me permitem a pergunta semi-off-topic, o Plano Real foi assim tão ortodoxo? Aquele negócio de manter uma URV pareada com dólar que depois vira moeda não me parece economia da mais tradicional… Não que que tenha sido uma má ideia, mas me parece mais inventivo e criativo do que os manuais dos economistas tradicionais (que também foram aplicados, felizmente)…

    Havia uma literatura sobre isso antes? Era mainstream? Eu pergunto sinceramente: quão ortodoxo era o plano?

  36. #36 Hugo Albuquerque
    on Jul 10th, 2010 at 10:34 pm

    Júlio,

    Se você precisa recorrer a uma superstição como a 'sorte' pra explicar o que quer que seja, acho que é porque não tem muito o que dizer. O Governo Lula racionalizou em vários aspectos a relação com as empresas públicas, melhorou a gestão das estatais e, embora cometa erros na política cambial, isso não se compara com o que houve no Governo FHC. Aliás, ou eu muito me engano ou o Brasil quebrou em crises bem menores do que essa nos anos 90. Crises internacionais como a de que FHC? Faz-em rir.

    Lourival,

    Dois pontos: Políticas anti-cíclicas, responsabilidade fiscal de verdade e políticas sociais reais e não para inglês ver – investimento em pesquisa e ensino nas federais também. Se tudo fosse igual e diferisse apenas em detalhes, pessoas como você não estariam o tempo inteiro tão irritadas nem o Brasil teria quase quebrado em 2002 – e o candidato tucano teria sido derrotado.

  37. #37 Hugo Albuquerque
    on Jul 10th, 2010 at 10:38 pm

    Sim, foram burras. A questão é bem simples, JPR, o Brasil tinha empresas públicas que davam prejuízo, ou você melhorava a gestão delas – o que eu teria buscado fazer – ou as vendia – por um bom preço, de forma racional, e usava os recursos para diminuir a dívida pública, o que não tinha muito como por conta da natureza das atividades delas e da conjuntura econômica. Resultado, emprestou-se dinheiro para que grupos privados comprassem as estatais, levando desvantagem por conta do ágio. Isso é burrice – ou esperteza em demasia. A dívida líquida do setor público bateu nas estrelas.

  38. #38 jccmeirelles
    on Jul 10th, 2010 at 11:03 pm

    Hugo,

    Se vc lesse Maquiavel além do Príncipe descobriria que fortuna e virtù são elementos que se misturam na história de qualquer sociedade e de seus governantes.

    Por isso, quando digo que Lula teve sorte em relação às crises econômicas, isso é um fato, pois como ele não teve ingerência sobre a economia mundial, ela só ter dado problema no 07 ano de seu governo é acidente, sorte, boa fortuna ou o que vc quiser, mas nada tem a ver com alguma qualidade de seu governo (se é que as teve).

    E a crise que ele enfrentou foi diversa das crises (México, Coreia, Russia e Brasil), que o FHC enfrentou, pois enquanto a crise de 2009 levou a fuga de capitais do EUA para a periferia nas outras houve corrida para o EUA, inclusive de capital que estava no Brasil . Se isso não é diferente é então o que?

    E quanto a boa gestão do patrimônio público, o governo Lula assim como o governo FHC foram lenientes com isso: basta olhar para o fracasso da iniciativa em relação às PPPs, mesmo o governo Lula oferencendo garantia de lucro para os serviços a serem privatizados. Nem o FHC ousou tanto em garantir a mamata para os empresários.

    E olha que não quero falar da relação promíscua que as Agências Reguladoras tem estabelecido com as empresas privadas concessionárias, ANAC e ANATEL a frente.

    Isso para não falar no rico dinheirinho que o Lula dá aos bancos: de cada 100 reais arrecadados pela União, 35 são para dívida pública, que aumentou em termos absolutos no governo Lula: isso é que é boa gestão do patrimônio, dos bancos.

    O resto é péssima análise dos fatos feita por vc, para tentar provar algo que é irrelevante: quem foi menos pior, FHC ou Lula.

  39. #39 pppppp
    on Jul 11th, 2010 at 1:00 am

    Mona,

    Qual a sua posição sobre a troca de programas de governo da Dilma? Não parece algo desonesto com o eleitor?

    Segundo, o que vc acha disso:

    "os órgãos de imprensa são “pouco afeitos à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático”, sendo, portanto, necessário “compensar o monopólio e concentração dos meios de produção”."

  40. #40 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 11th, 2010 at 2:22 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Para o seu post “A Crise de 2005, 5 anos depois” de 23/05/2010 tendo como referência o artigo no Valor Econômico “Como Lula deu a volta por cima” de 21/05/2010 de autoria de Cristiano Romero e Raymundo Costa e tendo em vista a intervenção do próprio Cristiano Romero que despojado e atenciosamente veio ao post para dar as explicações dele, eu pretendia dizer para Cristiano Romero que admirava ele ter vindo ao post não porque havia antagonismo entre o que ele dissera e o que você diz por estas plagas, mas pelo antagonismo da ideologia dele com a de alguns comentaristas. E diria mais, que em relação a você havia muita concordância. Você admirava como ele FHC. Você elogiava como ele o Plano Real e você como ele estava do lado de Henrique Meirelles. Esses são pontos em que eu divirjo de Cristiano Romero e de você.
    PS. Fiz um comentário (#40) em 11/07/2010 às 01:55 am para o comentário (#22) de Amiano enviado em 09/07/2010 às 06:15 pm e que parece que ficou preso na moderação. Só aparece quando não deixo baixar o intensedebate
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 10/,7/2010

  41. #41 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 11th, 2010 at 2:28 am

    Amiano (#22) (09/07/2010 às 06:15 pm),

    Há uma tese que a direita incorporou de bom grado que é a do filósofo Harry G. Frakfurt no livro “Sobre falar merda”. Para o filósofo, tudo que nós estamos falando sobre assunto que não entendemos é falar merda. E isso seria pior que a mentira (Para isso ele usa a taxonomia da mentira de Santo Agostinho filósofo da idade média)

    Eu prefiro Montaigne (En vérité, le mentir est un maudit vice. Nous ne sommes hommes et ne nous tenons les uns aux autres que par la parole. . . .), um filósofo mais próximo do meu tempo pois ainda sou da antiga, mas não é o caso. O caso é que a direita aceitou essas idéias de Harry G. Frakfurt porque elas prestam aquilo que a direita sabe melhor fazer: interditar o debate. No meu comentário (#10) de 09/07/2010 às 02:59 am, eu remeto para “O adeus a Samuel Huntington” de 30/12/2008 às 05h03 no antigo blog do Pedro Doria em que eu transcrevo um trecho de um artigo de Marcelo Coelho publicada na Folha de S. Paulo de 05/04/2006 em que ele corrige a minha memória sobre um episódio envolvendo Cláudio Lembo, FHC e Samuel Huntington, exatamente porque FHC no episódio tenta interditar o debate. FHC não é da direita, mas tem essa índole como muitos na esquerda também têm de acreditar que o processo democrático pode ser apreendido no seu todo por especialistas e só esses poderiam falar sobre o processo.

    Enfim, não compreendem que a democracia é exatamente um processo executado por leigos e que não existe um ser superior ou um especialista que possa dizer para cada caso concreto qual o interesse maior da nação (Ou o interesse nacional de que FHC fala em um dos textos). Assim, todos estamos falando merda, mas que é evidententemente muito melhor do que mentir. Pelo menos na democracia. Em um modelo científico, talvez o falar merda fosse realmente errado.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 10/07/2010

  42. #42 Anti-troll
    on Jul 11th, 2010 at 12:48 pm

    Tá recebendo quanto do serra hein?

  43. #43 Lourival Pessanha
    on Jul 11th, 2010 at 1:31 pm

    É no mínimo interessante ver o Hugo Albuquerque chamando alguém de burro… Não deve ter espelho no estábulo da figura…

    Quanto às privatizações, não se escolheu tentar melhorar a gestão porque isso vinha sendo feito desde sempre e sem sucesso.

    Quanto à forma de privatização, os empréstimos do BNDES foram uma exigência da esquerda (inclusive do PT) e da direita nacionalista para garantir que o capital nacional pudesse manter o controle das empresas (Obviamente, você não sabe disso porque você é um moleque ignorante que ainda usava fraldas naquela época).

  44. #44 Lourival Pessanha
    on Jul 11th, 2010 at 1:37 pm

    Responsabilidade fiscal de verdade? Vai tomar banho… A dívida pública bruta está explodindo apesar da conjuntura altamente favorável.

    Política anti-cíclica é herança bendita do governo FHC, afinal sem as reformas feitas durante o governo FHC, não teríamos o sistema de metas de inflação (diga-se de passagem, uma criação tupiniquim adotada contra o conselho das instituições internacionais).

    Políticas sociais reais é figura de retórica e propaganda tua. O Bolsa Família não passa de um Bolsa Escola desvirtuado para fins eleitorais (com muito sucesso).

  45. #45 Marola1
    on Jul 11th, 2010 at 1:45 pm

    Livro de ou sobre FHC? Acho mais interessante observar tinta secando na parede ou grama crescendo do que desperdiçar meu tempo dissecando as baboseiras que êle escreveu. Pior do que isso só a atitude basbaque de certos setores da mídia tupiniquim diante do Touraine lecturing (não encontrei em Português uma palavra que exprimisse com mais precisão) os brasileiros sobre as realidades geopolíticas de … seu próprio país.

  46. #46 Mona
    on Jul 11th, 2010 at 2:34 pm

    PPPPPPP,
    Nesse episódio da troca dos programas, parece-me que quem sintetizou tudo com muita propriedade foi o Nani, com sua charge "maldita"., reproduzida no blog do Josias de Souza. A galera petista está uma arara… teve direito a réplica, tréplica e escambau.
    Veja o link aí: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch20
    Ah, sim: só falei que o texto lá de cima era da Veja, porque acho legal sempre apresentar os devidos créditos.
    E, quanto à liberdade da imprensa e a liberdade de expressão, é o tipo da coisa que quanto mais, melhor. Qualqer tentativa de tolhê-las deve ser encarada pelo seu valor de face, ou seja: ação de grupos que estão no poder e que se sentem incomodados por críticas e/ou cobranças que lhes são feitas por quem não adota comportamento de manada. Se todos os meios de comunicação se comportassem como assessoria de imprensa do governo de plantão, esse assunto nem seria lembrado, quanto mais ser objeto de uma conferência exclusiva com essa temática (a tal da Confecom).

  47. #47 Lourival Pessanha
    on Jul 11th, 2010 at 4:11 pm

    Como sempre disse: DIlma Vagaba Rousseff, a falsificadora de credenciais.

  48. #48 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 11th, 2010 at 4:42 pm

    Lourival Pessanha (#44) (11/07/2010 às 01:37 pm)
    Há um texto bom de FHC, “A originalidade da cópia”, que provavelmente não consta no livraço. Nele, FHC, copiando os amigos dele que beberam em fonte da dialética, defende que mesmo que copiado, a cópia tinha um quê de original. Assim se entende você dizer que:
    “o sistema de metas de inflação . . . [é] . . . uma criação tupiniquim adotada contra o conselho das instituições internacionais”.
    É bem aceita a crença de o regime de metas de inflação ser uma evolução teórica nos modelos de controle de inflação. Sobre isso há o bom artigo de Jose Luis Oreiro e André Lúcio Neves “O regime de metas de inflação: uma abordagem teórica” (Artigo recebido em mar. 2007 e aceito para publicação em dez. 2007) e que saiu em Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 29, n. 1, p. 101-132, jun. 2008. Não custa lembrar que a Fundação de Economia e Estatística (FEE) é uma instituição de pesquisa, vinculada à Secretaria do Planejamento e Gestão do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e foi onde a Dilma Rousseff fez estágio como estudante de economia e depois no governo de Alceu Collares foi indicada presidente da Fundação no período de 1991 a 1993.
    De todo modo não se pode esquecer que na prática a teoria é outra.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 11/07/2010

  49. #49 TIago
    on Jul 11th, 2010 at 4:55 pm

    Fora com a social-democracia, traidora e fascista! Viva o Povo Brasileiro!

  50. #50 André
    on Jul 12th, 2010 at 1:24 am

    Tiago, depois de 16 anos de fascismo, o fato de você ainda estar por aqui, gordo e falante, indica que você é um agente infiltrado desses porcos capitalistas que usurparam o poder do povo brasileiro.

  51. #51 TIago
    on Jul 12th, 2010 at 2:04 am

    Isso só prova que os fascistas tucanos e seus aliados petistas pelegos ainda não conseguiram escravizar o Povo Brasileiro e os movimentos sociais. Hitler precisou do incêndio do Reichstag para conseguir poder total, Mussolini precisou consolidar o seu poder na Itália, Vargas precisou de 7 anos e um plano falso, o Plano Cohen, para implantar o fascismo no Brasil. A Social-democracia é fascista, deve ser esmagada!
    "Os comunistas não ocultam suas opiniões e objetivos. Declaram abertamente que seus fins só serão alcançados com a derrubada violenta da ordem social existente. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista. Os proletários não tem nada a perder nela, além de seus grilhões. Têm um mundo a conquistar.
    Proletários do Mundo, uni-vos!"

  52. #52 Hugo Albuquerque
    on Jul 12th, 2010 at 2:55 am

    Jccmeirelles,

    Obrigado, já li Machiavelli, gosto de algumas coisas dele, mas, lamento, sorte não existe – para mim, isso é só uma possibilidade que não foi considerada. Sua leitura da crise, desculpe, é fraca. Ela se trata de um efeito dominó no sistema econômico global que que deflagrou os problemas patentes do modelo europeu – o Euro, principalmente – e pôs fim ao sistema industrial-exportador da China, o que terá consequências econômicas imprevisíveis – aliás, os chineses só não foram afetados pela crise mundial de modo a ter queda na produção porque usaram todos os mecanismos possíveis para aquecer o mercado interno, sim falo de políticas anti-cíclicas, o que resulta num déficit nominal na casa de 3% do PIB. O mesmo, em escala difrente, vale para o Brasil: O PIB só não desabou mais ainda porque durante anos economizamos nos tempos da vacas gordas e gastamos agora, com o BNDES entrando com um aporte pesado junto ao setor produtivo. Algo até mais radical aconteceu na Índia. Na Rússia ou no México, grandes países emergentes, a situação foi inversa, afinal, tivemos em ambos os casos grande queda no PIB, o que desmente sua tese de que essa crise atraiu dinheiro para os emergentes de forma aleatória. Nada disso, ela só não foi mais severa naqueles que souberam ser disciplinados e criativos nos anos anteriores e souberam intervir no momento que o bicho pegou – gastando, claro, recursos acumulados nos anos anteriores. O ajuste disso só aconteceu mesmo no Governo Lula. A defesa de responsabilidade no lide do erário público conjugado com políticas sociais é algo que consta nas cartas-programa do PT desde 89. Sim, o governo do PT poderia ter praticado juros menores no período da crise, mas esse foi o melhor gerenciamento de uma crise que eu vi algum presidente promover. Isso, até os meus amigos tucanos concordam.

  53. #53 Hugo Albuquerque
    on Jul 12th, 2010 at 3:00 am

    No meu estábulo a única coisa que eu vejo é a sua cara de anta anêmica, quando vou lhe alimentar com esterco todo dia. A esquerda não exigiu que o Brasil tomasse prejuízo nessas operações. Engraçado, FHC emprestando com juro baixo para comprarem o que é nosso e tomando empréstimos com jurão lá fora. Ora, se tinha como arrumar recursos lá fora por que não usou para sanear as empresas públicas? Se elas não servissem para dar lucro, ninguém as haveria de comprar mesmo. Isso é uma obviedade entre obviedades. Já que resolveu vender, que fizesse dinheiro então. Não fez. Fez dívida. Tenha santa paciência.

  54. #54 Hugo Albuquerque
    on Jul 12th, 2010 at 4:09 am

    E o FHC sabe disso:

    Muita gente pergunta: mas como é que pode haver um partido social-democrata sem o movimento sindical? Bom, mas nós não estamos na Europa. Não estamos refazendo o percurso histórico. O que houve na Europa foi que, sem se desligar das forças sindicais, a social-democracia ampliou para as forças novas da classe média e do empresariado novo. Eu diria que nós temos o mesmo problema, mas inverso: como é que nós, tendo já uma parte desse empresariado novo e das classes médias reformadoras, ampliamos para os sindicatos. (p.75)

    Mas, se não se trata de copiar a fórmula européia, porque copiar o nome? Social-Democrata é uma marca associada a certo tipo de projeto, não vira enganação usar a marca sem o projeto? Certo, é porque depois vai se cooptar os sindicatos; começou diferente, mas vai dar na mesma mistura, digamos, que o New Labour.

    Reza a lenda na PUC-SP que Franco Montoro e sua ala é que tiveram a ver com isso, FHC foi contra o nome, tanto é que sempre insisti: 'Social-democrata' não é uma nomenclatura que tenha explicado, politicamente, aquele partido em qualquer momento – talvez apenas uma expectativa de certas alas ali dentro. Por uma perspectiva sociológica, muito menos.

  55. #55 Lourival Pessanha
    on Jul 12th, 2010 at 11:00 am

    “A esquerda não exigiu que o Brasil tomasse prejuízo nessas operações.”

    Nem o Brasil tomou prejuízo nessas operações. Por sorte ou arte, as telecomunicações foram privatizadas no pico da bolha do final dos anos 90.

    “ Engraçado, FHC emprestando com juro baixo para comprarem o que é nosso e tomando empréstimos com jurão lá fora. Ora, se tinha como arrumar recursos lá fora por que não usou para sanear as empresas públicas?”

    Porque não existe empresa pública saneada.

    “ Se elas não servissem para dar lucro, ninguém as haveria de comprar mesmo. Isso é uma obviedade entre obviedades. Já que resolveu vender, que fizesse dinheiro então. Não fez. Fez dívida. Tenha santa paciência.”

    Non-sense. As privatizações foram vendidas muito bem e graças à privatização nossa dívida NÃO explodiu como teria explodido se as privatizações não tivessem ocorrido (as privatizações representaram aproximadamente 10% do PIB de redução de dívida pública).

    Não que eu espere que você saiba disso, você não passa de um baixo clero juvenil e idiotizado.

  56. #56 Arthur
    on Jul 12th, 2010 at 12:16 pm

    Dica do dia: uma artigo do José Luís Oreiro nunca é bom.

  57. #57 Arthur
    on Jul 12th, 2010 at 12:31 pm

    Ta aí uma das minhas grandes dúvidas com relação ao PSDB.

    Será que eles queriam fazer um partido social-democrata sem sindicatos e devido as mudanças no contexto econômico mundial e o surgimento de oportunidades políticas de aliança com liberais eles acabaram caminhando contra a idéia de um partido social-democrata (ou pelo menos se desvinculando com os grupos sociais que esses partidos usualmente tentam atrair)?

    Ou será que 'social-democrata' estava simplesmente no nome e a idéia desde sempre era fazer um partido centrista de classes médias urbanas como ele é hoje?

    Já ouvi que o Covas dizia abertamente que essa distância dos sindicatos e dos movimentos sociais era uma das principais falhas de concepção do PSDB. E se pensarmos bem, fora de São Paulo (onde o fato de ser governo – federal ou estadual – a muito tempo ajudou muito!), muitos quadros com perfil mais a esquerda saiu do PSDB nos anos 1990. Apenas p/ dar um exemplo: nos anos 1980 quando o PSDB surgiu, uma parte significativa da esquerda católica mineira (bastante forte localmente, esp. em BH) estava nele. Hoje não tem mais ninguém. Essas coisa me fazem pensar que tinha muita gente que pensava o PSDB como partido social-democrata. Mas vai saber…

  58. #58 J_P_Rodrigues
    on Jul 12th, 2010 at 1:01 pm

    O PSDB sempre foi um partido de muito cacique e pouco Índio.

  59. #59 André
    on Jul 12th, 2010 at 2:28 pm

    Essa característica faz com que as soluções tucanas sejam, em geral, pouco negociadas com a sociedade, eles acham que "soluções brilhantes de pessoas iluminadas" podem ser impostas livremente, e que a ralé tem mais é que agradecer. Quando se trata de tucanos, mesmo bons projetos acabam gerando atritos que poderiam ser evitados a custos bem baixos, se não fosse a arrogância de quem acha que tudo sabe, e que quem discorda não passa de um jumento que precisa estudar mais.

  60. #60 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 12th, 2010 at 4:18 pm

    Arthur (#56) (12/07/2010 às 12:16 pm,
    Sua dica do dia:
    “um artigo do José Luís Oreiro nunca é bom”
    Faz parte do que eu critico em meu comentário (#40)de 11/07/2010 às 01:55 am, mas que infelizmente ainda está aguardando em moderação. Minha crítica é à interdição do debate normalmente feita pela direita, mas que a esquerda também gosta de lançar mão como fez FHC no episódio que, no meu comentário (#10) de 09/07/2010 às 02:59 am, eu faço referência ao remeter para o post “O adeus a Samuel Huntington” de 30/12/2008 às 05h03 no antigo blog do Pedro Doria. No post “O adeus a Samuel Huntington”, em comentário que para lá enviei, eu transcrevo um trecho de um artigo de Marcelo Coelho publicada na Folha de S. Paulo de 05/04/2006 em que ele corrige a minha memória sobre um episódio envolvendo Cláudio Lembo, FHC e Samuel Huntington, exatamente porque FHC no episódio tenta interditar o debate.
    Bem, ao utilizar o advérbio temporal “nunca” você não se limita ao tempo e assim praticamente preenche todos os espaços do universo em que o artigo não poderia ser referido. Pode ser que você não quis ser tão amplo e talvez tenha feito a restrição dentro de um universo particular de economista. Como eu não sou economista, o artigo foi bom para mim. Serviu para eu verificar que eu estava enganado em tratar o regime de metas de inflação como um atraso teórico. O artigo mostra-o como um avanço da teoria. O que evidentemente não me impediu de dizer que na prática a teoria é outra.
    Além disso, minha intenção era indicar que mesmo se tratando de um avanço teórica não havia razão para o regime de metas de inflação ser considerado uma criação tupiniquim como aventou Lourival Pessanha no comentário (#44) de 11/07/2010 às 01:37 pm.
    E como acréscimo saliento que o conteúdo do artigo “O regime de metas de inflação: uma abordagem teórica” é o cap. 2 da Dissertação de Andre Lucio Neves “Uma análise pós-keynesiana do Regime de Metas de Inflação sobre a Distribuição de renda e o crescimento econômico”.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 12/07/2010

  61. #61 Hugo Albuquerque
    on Jul 12th, 2010 at 4:23 pm

    Arthur,

    Sim, é isso. Você pega uma figura como Montoro em São Paulo e ele era uma figura que estava à esquerda do que seria uma democracia cristã e à direita do que seria uma social-democracia mais radicalizada, ainda assim, eu não o imaginaria fora de um SPD na Alemanha ou de um PS em Português ou na França. Era essa ala que mais ou menos deu o nome para o partido. Covas estava um pouco à direita disso, mas tanto ele como Serra estavam à esquerda do que FHC pensava – o que, no duro, era uma espécie de partido liberal que passasse à esquerda da direita que foi ligada ao regime militar (e também da direita nacional-desenvolvimentista) ao mesmo tempo que se opunha a qualquer projeto de radicalização social-democrata ou, sobretudo, de crítica ao capitalismo.

    Em suma, o PSDB não era heterogêneo mesmo, embora concordasse na não confrontação com o sistema de produção capitalista – no máximo, em relação a certos efeitos seus – e de que não passaria à esquerda da direita tradicional brasileira, promovendo uma espécie de modernização que substituísse o Estado Varguista. Ademais, existe um aspecto importante no PSDB que é o fato de além de ter sido formado por políticos paulistas, na verdade, a ala esquerda do PMDB local que recebeu como estímulo o verdadeiro golpe que Orestes Quércia deu na legenda quando se tornou governador – seja em termos de desgaste ou o modo como ele controlou a máquina, confrontar isso ia demandar tempo e energias de políticos que já tinham um projeto diferente. As limitações do alcance nacional do PSDB tem a ver com o próprio caráter pequeno-burguês de seus quadros, da sua restrição ao âmbito da academia paulista e uma dificuldade de compreensão crônica da coletividade da qual faziam e fazem parte (no topo). Tanto é que o PSDB, para governar o Brasil, mais do que se aliar com a complexa teia de caciquismo regional do PMDB, também teve de entregar nacos do território nacional ao instrumento-mór da coronelagem nacional: O PFL, hoje DEM – isso, inclusive, implicou na destruição de alguns PSDB's locais que tinham vocação…social-democrata, mas eram nanicos e, portanto, inúteis para o jogo (sur)realpolitikeiro. Um exemplo disso é o que houve com o PSDB da Bahia.

    Em suma, estamos tratando de uma espécie de confusão parecida com o Partido Social-Democrata de Portugal – ambos são verdadeiros "casos de livro" do que acontece quando você tenta fomentar uma social-democracia in vitro com alguns quadros que não são social-democratas. A resposta para suas duas primeiras perguntas é: Ambas. Os dois fenômenos se deram em paralelo se interseccionando, mas o elemento que determinou o que o PSDB é hoje, foi a vitória de FHC para presidente e como isso tornou o PSDB o que ele queria.

  62. #62 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 12th, 2010 at 4:40 pm

    Hugo Albuquerque (#54) (12/07/2010 às 04:09 am),
    Esse trecho de FHC que você transcreveu até consegue demover-me da minha percepção de considerar o discurso de FHC atabalhoado e não objetivo. No trecho ele me parece bastante claro.
    O PSDB tentou agregar no nome o que ele perdia no objetivo. Ao prometer trazer a ética para a política, o PSDB se aproximava do PDC de Franco Montoro, mas o principal interesse era trazer para o partido os órfãos da UDN. Só que ao se transformar em cais da antiga UDN ele perdia os políticos do antigo PSD. Para resolver esse imbróglio adotou o nome de social democracia e assim dava aconchego para antigas lideranças do PSD.
    Enfim era só marketing que estava fadado a desaparecer se não fosse o Plano Real e a coincidência das eleições de governadores com a de presidente da República que permitiu dá sobrevida ao partido na eleição de governador em São Paulo. Trunfo que tem como efeito negativo a rejeição do candidato do partido nos demais estados do Brasil. Rejeição que só não se agrava pelo antagonismo com o PT que é um partido com alto índice de rejeição, mas que torna o PSDB um partido cada vez mais identificado com a direita (O que sem dúvida era a posição tanto da UDN como do PSD).
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 12/07/2010

  63. #63 Hugo Albuquerque
    on Jul 12th, 2010 at 4:43 pm

    Sim, André, o PSDB sempre sofreu de uma síndrome aguda de demiurgo, algo que de certa forma é herança da social-democracia europeia mesmo, mas que aqui aparece de forma extremamente piorada pelo caráter do partido, que se fecha em si mesmo, se distanciando da sociedade, fazendo com que haja muito pouca – ou quase nenhuma – vida interna dentro do partido.

    Quando falo de síndrome de demiurgo, refiro-me à concepção de um partido como uma organização política técnico-burocrática, com sentido em si mesmo, pronta a organizar os setores 'de baixo' e moblizar as forças progressistas; o partido aí é o impulso, o ser que organiza tudo e faz os relógios marcarem meio-dia ao mesmo tempo, ele não é instrumento político-partidário de um movimento maior que envolve outros setores da vida social, mas sim uma estrutura partidária que interfere, por meio da política, no resto.

    O PSDB se vê como essa "vontade política organizada", mas não com esse dever – afinal, a simetria formal que existe entre empregados e empregadores é tomada como simetria material em sua forma de agir -, de promover uma espécie de reformismo permanente dentro da estruturas de poder tal como elas são – atendo-se mais ao Estado como ele é na prática, do que ao seu plano lógico-constitucional, o que torna passível da interferência dos setores dominantes. Trata-se de um demiurgo que muitas vezes não organiza esses setores, mas sim os "adequa" a um plano maior – o que implica em determinação dura.

    Isso o faz um partido de direita, mesmo que por acidente, pois ele acaba dependendo da alavancagem – é esse o termo, o conceito de alavanca se adequa perfeitamente ao caso – de setores como a grande mídia ou a certos setores do Estado e da classe dominante que precisam defender suas posições – e tem recursos para transformar abóboras em carruagens. Sim, estou dizendo que o PSDB está mais à direita do que realmente deveria no seu projeto – que é falho e por isso, na prática, o levou a essa situação. Se de alguma maneira a direita é refém de seu projeto por falta de opções, o partido também é refém de todo esquema das estruturas dominantes, sem as quais não consegue lotar um kombi para um comício de um candidato seu.

  64. #64 iprtu
    on Jul 12th, 2010 at 5:50 pm

    Leia o texto do Gustavo Franco sobre o Plano, acho que está no site dele. Os manuais não tratam desse assunto pq ficou no passado e só em lugares com políticas bananeiras, tipo Zimbábue.

    Tenha em mente que a URV sozinha não faria nada. Leia também sobre o Plano Cruzado e as coisas vão ficar mais claras.

    Acima de tudo, tenha em mente que o Plano Real foi concebido por economistas da PUC- Rio, formados nas melhores universidades dos EUA.

    Se vc souber inglês, isso aqui vai te ajudar bastante: http://www.princeton.edu/~pkrugman/KW32.pdf

  65. #65 ppppp
    on Jul 12th, 2010 at 5:53 pm

    nada. eu nem gosto do Serra, ele é careca e é um economista heterodoxo.

  66. #66 fredericokling
    on Jul 12th, 2010 at 6:56 pm

    O único plano econômico ortodoxo que já houve no Brasil foi parido, veja só, pelo Celso Furtado, o Plano Trienal, abatido em pleno voo pela ditadura.
    De resto, só heterodoxia.

  67. #67 Radical Livre
    on Jul 12th, 2010 at 9:12 pm

    Manda aí seus estudos sobre a dívida pública. quero ver seus números e projeções para os próximos dez anos, please.

    que eu lembre, a dívida pública estava em torno de 52% quando Lula assumiu, baixou até 38% antes da crise e subiu agora para pouco mais de 42%. Então, eu quero ver de onde saiu ou para onde foi esta sua explosão de dívida pública.

    E caceta, anti-cíclico é uma coisa que o governo FHC nunca foi – era só ouvir um traque lá fora que, bumba, juros a 25%, 30%, até 45% teve, além dos habituais cortes horizontais nos programas sociais, verbas de educação, saúde e infra-estrutura.

    vai trollar mal assim lá longe, mano.

  68. #68 ppppp
    on Jul 12th, 2010 at 11:13 pm

    aham

  69. #69 Lourival Pessanha
    on Jul 13th, 2010 at 12:15 am

    "que eu lembre, a dívida pública estava em torno de 52% quando Lula assumiu, baixou até 38% antes da crise e subiu agora para pouco mais de 42%. Então, eu quero ver de onde saiu ou para onde foi esta sua explosão de dívida pública."

    Deixa de ser vagabundo e procura os dados da divida bruta do setor publico, voce pode encontra-los no Banco Central ou no Tesouro.

  70. #70 Hugo Albuquerque
    on Jul 13th, 2010 at 3:27 am

    O problema é que nem torcendo vai, meu bom Radical, aí fica aquele discurso com um pé na trollagem e outro na implosão do debate.

  71. #71 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 13th, 2010 at 3:50 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Há um bom post no blog do Luis Nassif. Trata-se de “Entrevista de Armínio Fraga ao Valor” de seg, 12/07/2010 às 15:00 com a reprodução de entrevista de Armínio Fraga no Valor Econômico de 12/07/2010 feita por Sergio Lamucci com o título “Ajuste de 1999 do Brasil é exemplo, diz Armínio”.
    Menciono este post tendo em vista a discussão sobre o Plano Real e a boa análise de um comentarista, Kluasklaus, lá no blog do Luis Nassif que disse em comentário enviado seg, 12/07/2010 às 16:25 o seguinte:
    “Meu Deus; o que ele esconde é que o ajuste brasileiro foi feito com base em um aumento de impostos de quase 10 pontos do PIB ao contrário do que “eles” propõem para a Europa, que é um ajuste com cortes de gastos… Segunda coisa: mesmo esse ajuste fiscal brasileiro apenas foi consolidado quando o Brasil retomou sua capacidade de crescimento, graças a um “choque externo” benigno que funcionou “como se” tivéssemos tido uma máxi desvalorização cambial sem a necessidade de enfrentarmos os problemas dela decorrentes. Ora, o ajuste que se quer na europa é que esse aumento de competitividade venha por uma deflação de preços e de ativos, mecanismo de ajuste ineficaz e extremamente custoso socialmente… É como se tivéssemos que ajustar a qquebra do real de 1998 sem podermos desvalorizar o câmbio. Nem ele quis isso quando assumiu. Enfim, esse Armínio é um baita “esperto” em defender o interesse dos financistas daquie e de lá, mas só se engana quem quer.”
    Achei tão pertinente e incisivo o comentário que fiz o seguinte elogio (Ainda não foi liberado lá no post no blog do Luis Nassif:
    “Kluasklaus (seg, 12/07/2010 às 16:25),
    Um comentário com o qual eu concordasse mais é quase impossível. Por mim, eu só acrescentaria a acusação que FHC faz ao Lula como justificativa para a maxidesvalorização de 2002. Quer dizer, para FHC a maxidesvalorização se originou no temor que a eleição de Lula causava no investidor externo e interno. Não é por nada não, mas se eu fosse o PT não abriria mão dessa acusação. Afinal, Lula começou a governar em 2003, mas a única coisa boa do governo de FHC, a maxidesvalorização que catapultou o crescimento econômico nos anos que se seguiram, não foi fruto do governo de FHC, mas do governo de Lula que ainda viria.”
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 12/07/2010

  72. #72 jccmeirelles
    on Jul 13th, 2010 at 6:53 pm

    Hugo,

    Hugo,

    1. A economia e a vida é cheia de externalidades, acidentes e eventos sobre os quais não temos controle: para simplificar um debate;

    2. Esclarecido isso, foi uma externalidade, acidente ou evento sobre o qual não há controle por parte do Brasil que os 06 primeiros do governo lula não ter havido crise internacional que afetasse o ambiente de negócios internacionais, o que favoreceu o Brasil.

    Especialmente pq, para o bem ou para o mal, reforçamos nossa posição como exportadores de produtos primários (principalmente alimentos e minerais), que durante esse tempo tiveram elevação nos seus preços internacionais, favorecendo a balança comercial.

    3. O governo lula surfou nessa boa fase da economia mundial, que impulsionou o crescimento brasileiro, sem que tenha resolvido qualquer problema sério do Brasil, como a dívida interna, os juros altos, a falta de investimento a taxas maiores de 20% ou a educação de qualidade.

    3. Agora, além de ainda estarmos no meio de uma crise mundial, os preços das commodities estão em baixa, o que nos afetará fortemente. O

    4. O que não impede de reconhecer que a crise que passa o Mundo hoje é diversa da crise que passou no final da década passada: seu epicentro é o EUA o que num primeiro momento levou a saída de fluxo de capital do EUA para a periferia, especialmente o Brasil com a sua taxa de juros maravilha para os bancos.

    Ou como é que vc explica que, apesar de nossas exportações frente às importações estarem diminuindo e o corte de investimentos diretos, o dolar continua baixo? Milagre? Foi a entrada de dinheiro especulativo, que uma hora sai. Igual no governo fhc.

    Roubini acabou de dizer justamente isso, que a falta de controle na entrada de capitais pode afetar o brasil, mas quem precisa ouvir o Roubini se temos o lula.

    OBS.: Dar méxico e rússia como contra exemplo está te transformando em café com leite, hugo, pois o méxico é usadependente e a rússia sofreu com a diminuição do preço do petróleo e do gas e com o baque na europa, justamente seu principal comprador dessas commoditie.

    5. E sobre a dívida pública, durante os 08 anos de governo fhc saiu de R$ 272 bilhões para chegar aos 709 bilhões acima apontados. Já o governo lula saiu de R$ 709 bilhões ao final de 2002 e chegando a R$ 1.614 tilhões em maio de 2010, de modo que o lula ainda tem 07 meses para aumentar a dívida interna.

    E olha que o lula não teve que enfrentar o controle das contas dos estados e municípios, com compra de dívida feita pela União, nem outros esqueletos, como o do BB, que obrigou o Tesouro a tb comprar a sua dívida e a média dos juros na época do fhc foi maior.

    Mesmo assim, num período menor, a dívida cresceu o dobro do valor que cresceu na época do fhc. Isso é que é governo bom.

  73. #73 boto - ssa
    on Jul 13th, 2010 at 8:24 pm

    rs.
    porra, o troll é divertido. só aqui para achar um tucano que defende FHC e as privatizações.
    Sei não, acho que o pataxó poderia abrir mão da vaga de vice em prol do lourival.
    sim, eu sei: minha mãe é isso, meu pai é aquilo etc.

  74. #74 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 14th, 2010 at 12:43 am

    Hugo Albuquerque,
    Coisas que acontecem. O seu comentário que sem o intensedebate deveria vir depois do meu comentário (#71) de 13/07/2010 às 03:50 am e antes do comentário (#72) de JCCMeirelles enviado em 13/07/2010 às 06:53 pm não aparece quando o intensedebate não é baixado. Já o meu comentário (#40) de 11/07/2010 às 01:55 am que sem o intensedebate vem com a mensagem “Your comment is awaiting moderation” não aparece quando o intensedebate é baixado. E eu só baixo o intensedebate no fim de semana, assim ficarei até sexta sem ver seu comentário.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 13/07/2010

  75. #75 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 14th, 2010 at 2:57 am

    JCCMeirelles (#72) (13/07/2010 às 06:53 pm),
    Penso que há uma distinção básica do governo FHC com o governo Lula quando se faz a comparação pela ocorrência das crises. As crises no governo de FHC originaram no país e se agravavam pela existência de situações semelhantes no resto do mundo. As crises do governo de FHC deveriam ser comparadas com a crise de 1982. Mesmo sabendo que a crise de 1982 se devia a forma desregrada como João Figueiredo e Delfim Netto trataram o endividamento externo brasileiro (Na época Delfim Netto dizia que “Dívida não se paga, rola”), não se pode esquecer que 1979 quando Paul Volcker assumiu o FED houve uma elevação brutal dos juros americanos que destruiu o preço das commodities e realmente deixou os países do terceiro mundo de pires na mão. Enquanto no período de FHC a subida do juro foi ritmada e demorada. A década de 90 se iniciou com o juro lá embaixo para recuperar a economia americana da crise dos fundos de pensão do final do governo Reagan e início do governo de George Bush. E foi subindo devagar. No período o Brasil só foi pelo buraco pelo fetiche de acabar com a inflação e pelo esforço para se eleger FHC. Foi isso que nos deixou durante os oito anos na pior situação possível.
    Já a crise que houve no governo Lula foi totalmente externa e se o Brasil estivesse na mesma situação que se encontrava durante o governo FHC se descubriria que o buraco seria ainda muito mais embaixo.
    E Lula teve sorte sim, mas não pelo preço das commodities (O preço das commodities em elevação em 2007 e 2008 só nos servia para aumentar o juro para evitar a inflação). A sorte do foi a maxidesvalorização de 2002. Essa foi o grande instrumento de alavancagem do cresciento econômico no período de Lula (Que só não foi maior pela necessidade de se fazer boa figura nas eleições em 2004 o que obrigou a reduzir muito o juro no segundo semestre de 2003, mas em compensação aumentar muito o juro em todo o ano de 2005).
    Em meu comentário (#71) de 13/07/2010 às 03:50 am, eu menciono um comentário em um post – “Entrevista de Armínio Fraga ao Valor” – no blog do Luis Nassif
    que eu avaliei como muito bom, mas que o autor faz menção apenas ao choque externo como fator de crescimento da economia. Parece-me que a esquerda não gosta de defender o crescimento decorrente da maxidesvalorização e arruma mil e uma justificativas quando esse crescimento acontece. Em 1984 e 1985 o Brasil cresceu em razão da maxidesvalorização de março de 1983. Vinte anos depois tudo recomeçou. Só que na hora de analisar dizem que o Brasil não cresceu no período de FHC em razão das políticas neoliberais de FHC. Não é verdade. Com o aumento de impostos FHC jamais poderá ser considerado um liberal (Ele é no muito um aculturado que se deixa levar por qualquer conversa de estrangeiro). E mais, o consumo interno de veículos em 1997 só foi alcançado pelo consumo em 2007. O que inviabilizou o crescimento foi a moeda valorizada. E não foi a política social de Lula que fez o país crescer. O país cresceu e pôde manter o crescimento no longo prazo em razão da maxidesvalorização de 2002.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 13/07/2010

  76. #76 Moacir
    on Jul 14th, 2010 at 11:23 am

    O que é sempre melhor do que defender mensaleiros, dólares na cueca e o controle "social" da Imprensa.

  77. #77 boto - ssa
    on Jul 14th, 2010 at 12:23 pm

    verdade.
    não esqueça dos dólares nas caixas de uísque…

  78. #78 Arthur
    on Jul 14th, 2010 at 2:06 pm

    Hugo, interessante sua explicação.

    Só discordo que as limitações de alcance nacional do PSDB tenham a ver com seu caráter pequeno burguês e paulista. Já no início dos anos 1990, o PSDB era forte na Bahia, no Ceará, em Minas. Todos eles com características distintas, mas todos eles à esquerda do PSDB de hoje. Fora que para mim é normal que o PSDB tivesse sua força motriz em São Paulo (assim como o PT também sempre teve).

    Mas concordo que o que possivelmente transformou o PSDB no que ele é hoje foi a eleição do FHC em 1994. Isso possivelmente ocorreu tanto porque a visão de mundo dele afastou o partido dos movimentos de esquerda em geral tanto porque a aliança com o PFL sufocou vários PSDBs locais (vale lembrar que na época o PFL era bem maior que hoje, especialmente no NE).

    Enfim, isso hoje é história. Mas vale para pensar limites e caminhos que alternativas muitas vezes de centro-esquerda ao PT (muito aventadas por descontentes com algumas coisas do PT) têm.

  79. #79 Moacir
    on Jul 14th, 2010 at 3:21 pm

    Foi um evolução, né? Deve ser melhor que carregar o dinheiro na cueca.

  80. #80 jccmeirelles
    on Jul 14th, 2010 at 4:40 pm

    Clever,

    Quem falou em crescimento? Não entrei no mérito de qual período gerou mais ou menos crescimento, mas que o governo lula enfrentou um cenário muito mais tranquilo para operar (aliás, a sua referência a desvalorização ocorrida ainda no governo fhc só reforça o que disse) e mesmo assim conseguiu fazer um governo tão ruim quando se observa o aumento da dívida pública dívida pública e quanto o Brasil gasta de seu orçamento para financiá-la.

    Em 08 anos de fhc a dívida interna aumentou em 160% e em 7 anos e 5 meses de lula a dívida interna já aumentou em 130 %, isso com média de juros mais baixa, inflação menor e o governo federal já tendo incorporado as dívidas dos estados e municípios na época do fhc. Em termos absolutos a coisa é mais escandalosa, pois no governo fhc o aumento da dívida foi de aproximadamente de 440 bilhões de reais enquanto que no governo lula o aumento foi de 900 bilhões contados até maio desse ano.

    Em 2009, para cada 100 reais arrecados pelo lula, 35 foram para a dívida interna. Enquanto isso, saúde, educação e assistência receberam 10 de cada 100. Mesmo assim a dívida só tem aumentado e o quanto se paga para financiá-la tb.

    É por isso que eu não levo a sério qualquer governo no Brasil.

    P. S.

    Se vc considera que o combate à inflação era um fetiche, é uma opinião que não compartilho. É verdade que inflação não mata uma economia, como por exemplo uma crise cambial, e não precisamos viver uma inflação próxima de zero, mas o ritmo da coisa no início dos anos 90 não era boa e desorganizava a economia.

  81. #81 Dawran
    on Jul 14th, 2010 at 6:54 pm

    Clever Mendes de Oliveira, so o Plano Real não teve nada de excepcional, como a estabilidade foi mantida de 1994 até 2002 e os mecanismos implementados vigoram até hoje? Ou seja, nada de excepcional foi realizado no período 2003/2010, pois, em termos de reconstituição da capacidade de fazer políticas públicas (fiscal, monetária, incluso a cambial) os alicerces já estavam prontos. E como responder, dentro de seu raciocínio, sobre a crescente olipolização da economia, com a contrafação da perda de poder das Agências Reguladoras e dos ataques frntais à Lei de Licitações, TCU etc.?

  82. #82 Hugo Albuquerque
    on Jul 14th, 2010 at 7:43 pm

    Arthur,

    O esquema político do PSDB no Ceará era incapaz de servir como sustentáculo de um projeto nacional do PSDB no Nordeste, primeiro, porque as cabeças do PSDB sempre estiveram em São Paulo e pouco se preocuparam em desenvolver um projeto verdadeiramente nacional – mas pensavam de um projeto de hegemonia central a partir de São Paulo -, segundo, isso fez com que o maquiavelismo vulgar de FHC o fez repetir o que todas as forças de direita a ocuparem o poder central fizeram: Se aliar com os coronéis do Nordeste e deixar-lhes fazer o que desejavam em seus 'feudos'. Por isso, a política pra o nordeste, nos tempos de FHC, era a política de ACM, isso difere consideravelmente das alianças de Lula na região. Ainda assim, insisto. As decisões do PSDB estão demasiadamente concentradas em São Paulo. Basta ver como Aécio Neves foi atropelado dentro das estruturas do partidos. Não falo de um quadro qualquer. Falo de Aécio. No fim das contas, eu penso um pouquinho diferente: O PT é a alternativa de centro-esquerda. O que se opõe a ele, normalmente está à sua direita – a parte mais organizada e relevante dela, pelo menos -, restando setores minoritários à sua esquerda – ou tentando estar.

    abraço

  83. #83 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 15th, 2010 at 12:18 am

    JCCMeirelles (#80) (14/07/2010 às 04:40 pm),
    Pensei que você referia a sorte de Lula para explicar o maior crescimento. Pela sua contrariedade vejo que me enganei. O que significa que para você, Lula teve sorte de não ter enfrentado crises internacionais. Em relação a isso, é o que eu já disse. As crises ocorridas no período de FHC eram no Brasil e em decorrência da supervalorização do Real necessária para acabar com a inflação de uma vez. A ausência de crise no governo de Lula ou o maior crescimento no período de Lula foi em decorrência da desvalorização de 2002. Foi sorte de Lula a maxidesvalorização, mas segundo FHC a maxidesvalorização não foi sorte, pois foi obra de Lula.
    Nós tivemos o câmbio administrado (câmbio arrastado) até o Real. Era um câmbio que dava um saldo mensal de U$ 1 bilhão. Mantido o saldo cresceríamos e não teríamos crise no país e as reservas cresceriam como vinham crescendo. Para manter o saldo o câmbio teria que ser arrastado (desvalorizando junto com a inflação). Isso significava que só o carregamento da inflação de junho que repercutiria em julho daria uma desvalorização de 20% no real, ou seja, começaríamos agosto com o câmbio a 1,2 mais o restante da inflação de julho (algo em torno de 5%), ou seja, iniciaríamos 1995 com o câmbio em torno de 1,4. Evidente que assim não acabaríamos com a inflação. Optamos por acabar com a inflação, mas nos sujeitamos às crises.
    Quanto a inflação desorganizar a economia eu concordo quando não há controle sobre a inflação. Havendo o controle ela não desorganiza a economia.
    Quem desorganizou a economia trazendo a inflação sem controle foi a turma do PSDB que no PMDB implantou o Plano Cruzado esquecendo que o país crescera 4% em 1984 e mais de 7% em 1985. Bastava o governo reduzir o crescimento (Via aumento de impostos e com um pouco de ajuda dos juros amigos) para algo em torno de 5% e provavelmente teríamos a diminuição paulatina da inflação. Não fizeram isso porque a esquerda sempre foi contra o aumento dos impostos. Se tivéssemos feito talvez o PIB brasileiro fosse hoje igual ao da China. Ou seja, perdemos um Brasil pela incompetência de André Lara Resende, Pérsio Arida e Edmar Bacha. Se fosse na China eles iriam para o pelourinho.
    De todo modo, foi essa incompetência que nos permitiu ter uma das constituições mais liberais e de esquerda no mundo. Para mim que nada sofri com as incompetências do pessoal do Plano Cruzado foi um bom preço.
    E ainda tivemos, antes d Plano Real, uma segunda oportunidade de recuperação econômica sem apelar para planos que acabem de uma vez com a inflação. Foi com Marcílio Marques Moreira no governo Collor. Em dezembro de 1991, a inflação estava em torno de 27%. Caiu para perto de 20% em abril de 1992 e, salvo a elevação natural de maio com o aumento do salário mínimo (Na época o aumento era quadrimestral), deveria cair nos meses seguintes se não fosse a denúncia de Pedro Collor que desestabilizou o governo. E Itamar não quis dar continuidade ao combate da inflação, preferindo priorizar o crescimento com juros menores. E quando FHC veio ele juntou a fome com a vontade de comer. Quanto maior a inflação mais que cresciam as reservas do país, ou talvez se devesse dizer: mais as reservas cresciam, mas crescia a inflação. E alem disso FHC sabia que lá na frente as reservas seriam importantes para segurar o Plano Real e quanto maior a inflação maior seria o efeito eleitoral do Plano Real.
    Há uma competência de Lula em relação a FHC. Palocci por não ser economista (Com muito aprendizado que a chefia de executivo de uma grande cidade como Ribeirão Preto incute) e Mantega por natureza são humildes não se arvoram em donos da verdade. Para mim, o Brasil começou a enfrentar a crise do quarto trimestre de 2008 a partir dos primeiros sinais da crise com as perdas do subprime americano no primeiro semestre de 2007. Acolheu conselhos de quem sabia mais (Já disse aqui que talvez o James Gordon Brown tenha sido um dos conselheiros de Mantega). O governo de FHC sempre foi autosuficiente, impregnado do que eu chamo de petulância autoritária da presunção pretenciosa da sapiência arrogante do tucanato. Deu no que deu. E deixou para Lula uma herança maldita que pertencendo a um partido sem apoio majoritário na sociedade Lula jamais conseguiria romper. Por sorte de Lula, a herança maldita podia ser usada contra os inimigos dele, o que ele tem feito com maestria nos quase oito anos de governo
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 14/07/2010

  84. #84 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 15th, 2010 at 12:56 am

    Dawran (#81) (14/07/2010 às 06:54 pm),
    Eu respondi em meu comentário (#83) 15/07/2010 às 12:18 am para JCCMeireles pensando em seus questionamentos.
    Acrescento que a inflação controlada tem um efeito econômico conhecido: diminui a demanda. É o mesmo efeito da poupança que tantos endeusam. Quando acabaram com a inflação no Brasil os testas de ferro do capital internacional correram para divulgar que o Brasil não tinha poupança interna e, portanto, precisava da poupança externa.
    Você pergunta “como a estabilidade foi mantida de 1994 até 2002″?
    Essas é uma das razões: o interesse do capitalista externo em ver o capital dele valorizado. Nessa conta do interesse externo pela inflação interna baixa entra a ajuda do FMI, de Bill Clinton e de George Bush. Houve também o aumento dos tributos (A única boa herança do governo de FHC). O tributo só existe porque existe inflação, pois se não existisse inflação em vez de tributar era melhor imprimir dinheiro.
    O conhecimento técnico também já sabia como domar a inflação. Os dois instrumentos mais poderosos são o aumento da receita (E para isso os tributos são importantes e a venda das estatais também encontram boa justificativa, ou melhor, a única justificativa, segundo as palavras que eu uma vez ouvir de um súdito inglês em palestra na Associação Comercial de Minas Gerais) e o aumento dos juros. Como eu disse, no mundo todo, a inflação não era mais problema (No máximo havia uma meia dúzia de países com inflação mais alta).
    Em relação a oligopolização, eu insisto na minha opinião. A competição, salvo para fornecimento ao setor público, é apenas uma crença infantil do esquerdista recém convertido ao capitalismo. O capitalismo sobrevive com investimentos. Quanto mais investimentos mais crescimento. Pulverizar a economia de pequenas empresas reduz o lucro e a sede de ganhar mais e as condições para investir. É só acompanhar a concentração de terra nos Estados Unidos que se sabe do que eu estou falando.
    E insisto em outro ponto. Não sou economista. Há pessoas muito mais abalizadas do que eu com profundo conhecimento em economia que pensam o oposto de mim. Nunca me convenceram de que eu estivesse errado. Talvez seja falha no meu raciocínio. De todo modo, há também economistas abalizados de quem, quando eu leio, eu furto essas opiniões.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 14/07/2010

  85. #85 jccmeirelles
    on Jul 15th, 2010 at 3:51 am

    Clever,

    Seu raciocínio sobre tributos e inflação só tem um pequeno problema histórico: em vários momentos os estados financiaram seus gastos com uso do seu patrimônio, como no estado mercantilista ou no estado soviético.

    A figura moderna do tributo decorre do estado de direito, que procura separar a figura do governante da figura do estado, sendo esse financiado pela sociedade.

    No mais, a própria idéia de abstrair que o Estado concorre com o particular na compra de um conjunto finito de bens (comida, imóveis, combustíveis e por aí vai) dispondo da máquina de fazer dinheiro e isso não interferiria no equilíbrio de preços é no mínimo criticável.

    Fora isso, qual a diferença entre poupança, investimento e entesouramento, para ver se compreendo o que vc disse no post acima sobre a falácia da taxa de poupança como elemento que impulsiona o crescimento econômico?

  86. #86 marcos
    on Jul 15th, 2010 at 4:51 pm

    Vc anda muito discreto, na sua…sequer vibrou com a expulsão dos presos dissidentes cubanos, graças a discreta atuação do governo LULA, conforme vc sugeriu…

    MAM

  87. #87 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 15th, 2010 at 5:07 pm

    JCCMeirelles (#85) (15/07/2010 às 03:51 am),
    Pareceu-me que muitos questionamentos que você lança surgiram da leitura do meu comentário (#84) de 15/07/2010 às 12:56 am em resposta ao comentário (#81) de 14/07/2010 às 06:54 pm feito pelo Dawran. E que na verdade deveria também ser endereçado a você.
    Quando comecei a ler o seu comentário e vi que você diz que o meu “raciocínio sobre tributos e inflação só tem um pequeno problema histórico:”. Pensei cá comigo. Ele me pegou pela história. E eu podia ter ficado livre desse questionamento que eu imaginava que você estaria fazendo porque ele me ocorrera enquanto eu escrevia o comentário. Enfim, pensei que você ia dizer que o tributo surgiu antes da idéia mesmo de dinheiro. Não estou falando de dinheiro como moeda, mas de dinheiro como metal que em “A Aventura do Dinheiro” de Oscar Pilagallo pela PubliFolha teria surgindo 2.500 AC. Não achei que devia entrar nesse caminho, porque deveria estar claro que eu não estava dando esse passeio histórico em meu comentário para o Dawran. Eu me restringia ao período do Estado Democrático de Direito.
    De todo modo o seu questionamento à ligação que faço do tributo com a inflação era de outra ordem. Para você o que eu dizia não explicava “estados financiaram seus gastos com uso do seu patrimônio, como no estado mercantilista ou no estado soviético”.
    Bem quanto a isso eu vou contar duas histórias.
    No final de 89 depois da queda do muro de Berlim, eu fiz um texto propondo medidas para o aumento da carga tributário em que em um preâmbulo mais demorado eu apresentava vários aspectos da carga tributária e em um deles eu explicava assim o término da União Soviética. Marx, baseado na idéia da tendência dos lucros decrescentes, imaginou o Estado como aquele que ficaria com os lucros decrescente até que quando os lucros acabassem não houvesse mais Estado. Então, o problema da União Soviética foi não possuir um sistema tributário. Sem sistema tributário não há Estado (Cidades de jogos e poços de petróleo com o nome de Estado são apenas um estágio de transição entre o fim ou o começo).
    Segunda história. O princípio jurídico da proibição do confisco com fins tributários é um princípio econômico tributário. Isso é, tributo é pago em moeda que é expressão de valor que é expressão de trabalho e, portanto, tributo é trabalho. Trabalho na Física é força x deslocamento. Assim, se em um determinado instante o Estado arrecadar todo o dinheiro que há na economia mediante um confisco, ele não arrecadará tributo, ou seja, não trará para os cofres públicos trabalho e, portanto, não poderá usar o que arrecadou para combater a inflação. Essa situação fica clara se ao mesmo tempo que fizer o confisco ele declarará que durante os próximos três anos ninguém mais precisa pagar os tributos, pois nos próximos três anos o governo cobrirá os gastos do Estado com o dinheiro arrecadado com o confisco.
    O terceiro parágrafo de seu comentário me acusa de dizer o que eu não disse. É claro que o Estado fazer dinheiro interfere no equilíbrio de preços. E foi isso que eu disse. E disse que se por acaso não interferisse, possibilidade só para argumentação, pois sei impossível, não se precisaria de tributos (A não ser para obrigar as pessoas ter esse ou aquele comportamento (As empresas fazerem a escrita contábil que dá mais produtividade, as pessoas terem mais ou menos filhos, etc.))
    Quanto a discussão sobre a poupança penso que ela é um tanto complicada. Volto ao assunto depois. De todo modo, penso que é o investimento que revela a poupança. E não gosto do termo poupança, principalmente quando falo de saldo comercial que é uma revelação da poupança interna. Não gosto do termo poupança, porque só os ricos poupam e o saldo na Balança Comercial é conseguido mediante a poupança de todos. Assim eu uso o termo sacrifício. Saldo na Balança Comercial é um sacrifício imposto à população que deixa de aproveitar de muito do que é produzido no país. É um sacrifício que impulsiona o crescimento pelo investimento que o setor exportador fará na seqüência e que na seqüência se estenderá para toda a economia. E que lá na frente não se sujeita a crises no Balanço de Pagamento que impedem a continuidade do crescimento
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 15/07/2010

  88. #88 Hugo Albuquerque
    on Jul 16th, 2010 at 2:34 am

    Jccmeirelles,

    Você colocou textualmente que "E a crise que ele enfrentou foi diversa das crises (México, Coreia, Russia e Brasil), que o FHC enfrentou, pois enquanto a crise de 2009 levou a fuga de capitais do EUA para a periferia nas outras houve corrida para o EUA, inclusive de capital que estava no Brasil", daí eu surjo com dois exemplos de periféricos – e grandes como México e Rússia – que quebraram e isso desconstruiu inteiramente sua tese,. O argumento central dessa bola que você levantou é que a dinâmica da crise atual e seus efeitos para os periféricos explicaria perfeitamente os motivos porque o Brasil se comportou bem diante da Crise, isso não aconteceu. Confundir aqui a entrada de capital especulativo com a aplicação dos mecanismos anti-cíclicos não tem nada absolutamente a ver – são fenômenos distintos. Portanto, se quiser debater alguma coisa ótimo, se quer provar que você está certo a qualquer custo, lamento, mas não tenho tempo a perder, já passei dessa idade.

    um abraço

  89. #89 jccmeirelles
    on Jul 16th, 2010 at 4:53 am

    Hugo,

    Não construi uma teoria para explicar o que aconteceu por completo com a crise que vivemos. O que coloquei foi que o dinheiro saiu dos EUA e rumou para os países emergentes com taxa de juros altas, especialmente o Brasil.

    Como no mundo deve ter mais de 150 países emergentes, minha afirmação genérica sempre terá contra exemplo, com países emergentes que não receberam fluxo de capital novo, imagino que talvez Uganda, Burkina Faso ou Alto Volta.

    De qualquer forma, vc não provou que o Brasil deixou de receber esse fluxo de capital a partir do início da crise. Mesmo que tenha sido o único a receber. Até que vc prove o contrário, sua crítica é fraca.

    E os seus supostos contra exemplos são risíveis, pois vc não me apontou dados estatísticos que comprovam que esses países não receberam fluxo de capital extra com a crise. Isso pode ter acontecido e mesmo assim eles terem naufragado, pelas razões que expus. De qualquer forma não advoguei que especificamente Rússia e México receberam fluxos de capitais extras.

    No mais, narrei uma situação que aconteceu e ainda acontece com o Brasil, que mantém a cotação do dolar abaixo de 2 reais mesmo com a queda das exportações. Se vc acha que as políticas anticíclicas do lula têm a ver com isso prove a correlação entre aumento da debanda interna e manutenção da valor do dólar baixo.

    Enquanto isso, contento-me em ser papagaio do Roubini, que quando esteve aqui apontou que o fluxo de capital no Brasil deveria ser controlado para evitar problemas, dada a pressão que faz sobre a taxa de cambio e competitividade as exportações.

    Sobre isso, vc não demonstrou que estou errado, usando para debater o assunto a velha tática de responder uma pergunta sobre física quântica discorrendo sobre o último fla-flu, no que tratou sobre as políticas anticiclícas do lula.

    Não entrei em nenhum momento no mérito da aplicação de políticas anticíclicas pontuais, especialmente as que considero preocupantes, como redução de impostos para compra de produtos duraveis, em geral a prazo, o que tem levado agora a um aumento da inadimplência.

    O que estou afirmando é que a gestão do lula quanto ao câmbio e ao endividamento interno foram tão ruins quanto ao do fhc. É sobre isso que restringi minha crítica, inclusive com apresentação de dados, sobre os quais vc não se pronunciou.

    Mas tudo bem, isso não passa da minha tática de provar que estou certo a qualquer custo.

  90. #90 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 16th, 2010 at 5:04 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Talvez possa transparecer nesses últimos comentário que se tenha fugido um pouco do assunto falando-se sobre crescimento econômico que provavelmente não deve ser a seara do livro de FHC. Penso, entretanto, que essa comparação de Lula e FHC é útil para se entender em que consistiu a diferença entre os dois e em que os escritos de FHC se identificam com aspectos do que o presidente FHC foi. É claro que não se devia fazer essa comparação e essa identificação pelos aspectos do crescimento econômico, porque a economia nunca foi o forte de FHC como ele próprio declarava (Quando se pedia a ele para analisar qualquer medida econômica ele sempre dizia para perguntar aos economistas do partido, pois ele não era economista), embora quando assumiu o cargo de Ministro de Economia gabou-se de que quando Delfim Netto dava aula de Contabilidade, ele dava aula de História do Pensamento Econômico.
    Esse intróito é para justificar a transcrição de um comentário que eu fiz para um post antigo seu e que eu descrevo a política econômica do governo Lula. O meu comentário datado erroneamente de 07/11/2009 foi enviado em 07/12/2009 para o post “Brasil no Longo Prazo” de 31/10/2008 aqui no seu antigo blog no wordpress e a que eu chegara provavelmente de forma aleatória (Na verdade procurava comentários meus em que eu falasse sobre a Lei Ficha Limpa).
    Disse eu lá no meu comentário:
    - – - – - – - – - – - – -
    “Na Prática a Teoria é Outra,
    Na prática a teoria sobre ser bem visto pelos olhares externo é outra. É preferível que o exterior tenha menos interesse pelo Brasil. Com exportações elevadas, nós podemos crescer continuadamente por mais de 20 anos sem que dependamos tanto do capital externo. Pena que o blog do José Dirceu não tenha os posts dele com os comentários no período do segundo semestre de 2006 quando eu ficava censurado o José Dirceu por ele tecer loas à queda do risco Brasil.
    Para mim, o grande mérito do George Walker Bush, o Bush filho, foi estigmatizar o capital externo. Com ele, as nações foram forçadas a escolher uma via mais independente de desenvolvimento econômico, pois a dependência ao capital externo, que tinha os Estados Unidos como epicentro, ficou mal vista pela população.
    O valor da democracia eu creio que não possa ser avaliado pelo resultado econômico. A situação do Brasil não é assim tão melhor do que a da Rússia sob o aspecto econômico. Provavelmente, o rublo está mais desvalorizado do que o real e assim em dois ou três anos a situação russa estará melhor do que a nossa. E a situação nossa só não será melhor exatamente porque em razão da democracia, o governo resolveu adotar as políticas econômicas mais adequadas a ganhar a eleição em 2010: aumentar o consumo interno, substituindo um desenvolvimento econômico puxado pelo mercado externo por um desenvolvimento econômico que privilegia o mercado interno. A opção melhor no longo prazo seria deixar o dólar em 2,3 do final de 2008 e esperar que as exportações fossem paulatinamente levando o país ao crescimento econômico. Se o Brasil estivesse adotado essa alternativa talvez a taxa de crescimento anualizada desse terceiro trimestre que deverá ser divulgado este fim de semana ou o início da semana que vem ficasse inferior a 3% ao ano, enquanto os dados que devem ser informados pelo IBGE configurariam um crescimento de quase 8% (O que indica que o Banco Central deve aumentar o juro muito mais cedo do que se prognostica). A ver se o IBGE não vai fornecer uma taxa inferior à taxa real para não meter medo no Banco Central. Prova disso são as correções sempre a maior que se fazem da taxa de crescimento do PIB de anos passados.
    Crescimento pelo mercado interno foi o modelo que FHC tentou adotar no período que ele foi governo, principalmente no primeiro governo dele, mas a dificuldade em atrair o capital externo manteve o juro alto que inibia o crescimento econômico. No curto prazo é a melhor política até que crises de estrangulamento externo fazem o país recuar. Delfim Netto tentou adotar essa política quando voltou a atuar como condutor da economia no período militar no governo do João Batista Figueiredo. Ele deu com os burros n’água e foi obrigado a recorrer ao FMI. No primeiro governo FHC, houve três crises no Balanço de Pagamentos, a do México com repercussão no Chile em 1995, a dos Tigres Asiáticos em 1997, a da Rússia em 1998. Todas pegaram o país de calças na mão. Nos três casos o Brasil começava a se aprumar em um desenvolvimento que privilegiava o mercado interno, pois o saldo na Balança Comercial era negativo.
    O governo de Lula tem mais cancha para manter um crescimento puxado pelo mercado interno por mais tempo, pois as reservas nossas são elevadas. No longo prazo, entretanto, esse modelo nos levará a nova crise no Balanço de Pagamentos. A Rússia provavelmente não terá essa crise.
    O valor da democracia, no entanto, torna para mim a realidade brasileira melhor do que a realidade russa.”
    - – - – - – - – - – - – -
    Já escrevi coisas semelhantes no seu atual blog. Com certeza há algo semelhante nos comentários que eu enviei para o seu post Marcelo Néri de 06/02/2010, mas aqui quero reforçar o que venho dizendo nos dois últimos semestres. Com um BC submisso e com uma boa carga tributária, o governo gerenciou tudo para que ao se fornecer em maio deste ano de 2010 o PIB do primeiro trimestre os valores pudessem impressionar as convenções dos grandes partidos.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 16/07/2010

  91. #91 Declínio? Talvez o fim de um sonho e começo de outro (uma Segunda Edição, pelos auspícios do blog NPTO):: « Causa::
    on Jul 16th, 2010 at 5:30 pm

    [...] do brigadeiro Sampaio, ordena…) a todos os oito ou nove assíduos uma visita ao último post do companheiro não-companheiro enepê, piloto o melhor blog sobre política em nossa língua: [...]

  92. #92 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 16th, 2010 at 11:11 pm

    Na Prátca a Teoria é Outra,
    As críticas que eu faço a sua resenha não é à resenha em si, mas as contradições entre o título do seu post e pontos fracos no livro. Assim você diz que o livro é um livraço e sapeca lá na sua crítica ao pouco trabalho editorial:
    “Especialmente porque grande parte das entrevistas não está reproduzida na íntegra”.
    Ora, não dá para levar a sério um livro que é só reprodução de textos que sai censurando partes dos textos.
    E mais à frente, no item I da resenha você aponta mais carência no livro e diz:
    “. . . minha impressão é que o o FHC dos anos 70 aqui é menos de esquerda do que o que o FHC da vida real era. E o FHC do livro foi mais presciente com relação à globalização do que o FHC de verdade foi”.
    Enfim, o livro revela onde não há o que revelar e esconde o que precisa esconder. E você chama isso de livraço. Não foi, entretanto, essa sua, no meu entender, quase contradição que me levou a transcrever o trecho de sua resenha. Transcrevi-o apenas para dar a oportunidade de perguntar: “O que é esta tal de globalização que você tanto fala”? Não vale responder que globalização é isso ai. E quando FHC foi mais presciente com relação a globalização? Nos discursos no México, se não me engano em 1997, no mesmo ano que a Folha de S. Paulo fez um suplemento especial sobre a globalização, mas na mesma época em que John Kenneth Galbraith dizia, em entrevista publicada na Folha de S. Paulo em 02/11/1997 e que foi concedida a Enio Carreto do Il Corriere della Sera, como resposta diante da seguinte questão feita pelo Enio Carreto:
    “Corriere – Mas as reações em cadeia não seriam também um efeito da globalização?”
    “Galbraith – Globalização é um termo que eu não uso. Não é um conceito sério. Nós, os americanos, o inventamos para dissimular nossa política de entrada econômica nos outros países. E para tornar respeitáveis os movimentos especulativos de capital, que sempre são causa de graves problemas.”
    Espero alguma resposta sua sobre o seu entendimento da globalização até para tornar possível o entendimento do que você considera a presciência de FHC apresentada no livro sobre a mesma. Nesse sentido transcrevo a seguir um texto que já devo ter transcrito várias vezes inclusive aqui no seu blog.
    “Qualquer QI acima de 100 sabe que Globalização é um termo que não admite definição consistente.
    Se um QI acima de 100 conseguir fazer uma definição consistente de globalização, ele perceberá que o seu significado já é de uma definição conhecida: Imperialismo, Capitalismo, Comércio Exterior, Telecomunicação, Internet, Queda do muro de Berlim, Fim da URSS, etc.
    Mas se esse intelecto privilegiado, aprimorar a sua definição e chegar a algo ainda não definido, sem dúvida que ele não conseguirá dar duas ou mesmo uma conseqüência ou efeito importante ao seu novo achado terminológico.
    Mas, supondo ainda que não se trata de um mero achado, e sim de uma definição precisa e inovadora fruto de um QI já chegando aos 200 e de um esforço abnegado (ai tá uma contradição: um esforço abnegado não é próprio de um QI privilegiado).
    Então chegamos a este ponto: estamos diante de uma definição consistente, que não é sinônimo de outro termo e possui uma ou duas conseqüências importantes. Bem nesse caso, há um muro intransponível: encontrar para ela um termo inicial. Essa já não é mais uma tarefa para um super dotado. Para sair desse atoleiro, é preciso ser Deus. Isto se a própria definição não for Deus. O que cai na primeira esparrela: é sinônimo de uma definição pré existente. Ou na última: um termo inicial. E esta última, se nos orientarmos por um achado de Fernando Pessoa, é intransponível: “. . . não haver Deus é um Deus também . . .””
    Essa crítica era endereçada para os que usam o termo “Globalização” aleatoriamete. Para esses eu ainda fazia a complementação:
    “De todo modo, eu espero que nos próximos textos, quando utilizarem o termo globalização façam ao menos uma referência ao sentido que se quer dar à expressão. Algo como: globalização, aqui entendido como a circunavegação, ou, globalização neste texto usado para referir-se as normas de Direito Romano, etc, etc e tal.”
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 16/07/2010

  93. #93 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 12:55 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Para quem com uma bagagem de sociólogo entende a frase:
    “Arena e MDB não são partidos na acepção real do termo”
    justifica ver na frase alta significação e se torna bem apropriado a transcrição que você fez. Para quem como eu sou leigo, mas assistiu na juventude embates políticos entre a Arena (forte) e MDB (fragilizado) há a necessidade de se esclarecer o que quer FHC dizer com “partidos na acepção real do termo”.
    Assim, diria que você fez bem à sua resenha em transcrever a frase, mas não fez bem ao não a traduzir.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 16/07/2010

  94. #94 Arthur
    on Jul 17th, 2010 at 2:31 pm

    Hugo, eu concordo em quase tudo da sua análise.

    Só acho que não é possível confundir os rumos que o FHC e também o contexto político deram pro PSDB nos anos 1990 com o caráter original do partido.

    Não acredito que o PSDB é o que é hoje porque era um partido formado por setores de classe média e mais fortes em São Paulo e sim porque as alianças e as escolhas políticas do governo FHC causaram isso.

    Isso significa que também acho que o PT é a alternativa de centro-esquerda (apesar de precisar descobrir isso melhor). Mas também acho poderia ter sido o PSDB (junto ou não do PT).

  95. #95 Tiago
    on Jul 17th, 2010 at 2:54 pm

    Todo o poder aos operários, soldados, camponeses e intelectualidade progressista!

  96. #96 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 3:12 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Ainda sobre a frase Arena e MDB não são partidos na acepção real do termo, lembro que essa era uma idéia que percorria as cabeças das massas pensantes do sul maravilha. Não creio que FHC fora o autor da frase. O mais próprio dele é a cópia. E normalmente quando ele copia ele o faz assim de modo desleixado, “en passant, como quem não quer nada e também não se obriga a nada, mas ao mesmo tempo dizendo que o assunto é tão óbvio que não necessita explicação.
    Arena e MDB não eram partidos lá na USP, mas se os Estados Unidos fossem uma ditadura militar com o exército indicando os presidentes, o Partido Republicano e o Partido Democrata poderiam funcionar como tm funcionado ê seriam felizes por muito tempo e a única diferença seria que não haveria primárias que poderia ser inventada para eleger os líderes dos partidos.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  97. #97 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 3:15 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Já sei colocar em itálico. O problema é como terminar com ele.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  98. #98 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 4:08 pm

    Na Prátoca a Teoria é Outra,
    Eis aqui uma história fantástica:

    Em tempo algum, em lugar nenhum, ninguém conseguirá fazer-se maior do que FHC se faz. Enfim, lembrando aqui só dois aspectos importantes, o Plano Cruzado e os dois anos de pressão popular (incluindo associações, sindicatos e confederações) em cima dos constituintes de 1986 são fichinha perto do trabalho que os gênios paulistas executaram no CEBRAP.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  99. #99 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 4:24 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    O que se vê em FHC é sempre o mesmo problema. Com muito conhecimento, ele diz qualquer bobagem, pois sabe que qualquer coisa que ele disser não estará de todo errado. Dai a frase:

    Só que quando ele elabora um pouco mais o argumento ele acaba se sujeitando à crítica como a que você fez e deixou entre colchetes na seguinte passagem:

    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  100. #100 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 4:57 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Vou transcrever os meus comentários (#96) de 17/07/2010 às 04:08 pm e (#97) de 17/07/2010 às 04:24 pm que saíram sem os trechos que eu pretendia que saíssem em itálico.
    No primeiro eu disse:
    “Na Prática a Teoria é Outra,
    Eis aqui uma história fantástica:
    “Na festa dos 40 anos do CEBRAP, o FHC contava como eles enfiaram tudo isso no programa do MDB de 74, e a coisa acabou parando na Constituição de 88″
    Em tempo algum, em lugar nenhum, ninguém conseguirá fazer-se maior do que FHC se faz. Enfim, lembrando aqui só dois aspectos importantes, o Plano Cruzado e os dois anos de pressão popular (incluindo associações, sindicatos e confederações) em cima dos constituintes de 1986 são fichinha perto do trabalho que os gênios paulistas executaram no CEBRAP.”
    E a seguir transcrevo meu segundo comentário acrescentando os itálicos que apagaram:
    “Na Prática a Teoria é Outra,
    O que se vê em FHC é sempre o mesmo problema. Com muito conhecimento, ele diz qualquer bobagem, pois sabe que qualquer coisa que ele disser não estará de todo errado. Dai a frase:
    “Arena e MDB não são partidos na acepção real do termo”.
    Só que quando ele elabora um pouco mais o argumento ele acaba se sujeitando à crítica como a que você fez e deixou entre colchetes na seguinte passagem:
    “Nos Estados Unidos, os partidos não são ideológicos [NPTO: isso é erradíssimo], são partidos-máquinas de fazer votos e que agregam interesses”
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  101. #101 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 5:17 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Para não dizer que eu não falei de flores, há coisas boas, como tanto o que disse FHC como o que você o elogia e menciona a China para se conferir a validade do discurso de FHC. Reproduzo os dois trechos a seguir.
    Primeiro o trecho de FHC (Em relação a esse trecho seria interessante saber quando isso foi dito e o quanto de novidade há no discurso de FHC):
    “Quem produziu a pressão por participação além das elites não foi o regime. Foi o próprio processo de crescimento econômico da sociedade e o fato de que essa sociedade está vinculada a um sistema internacional. O modelo que está sendo implementado não é um modelo de automatização, de autarquia. É essencial para o crescimento econômico ter um fluxo de idéias. Aqui você não pode fechar totalmente porque é preciso ter desenvolvimento tecnológico. E isso produz um efeito que é contraditório.”
    E em seguida a sua análise:
    “Legal, mas a ser provado. O grande experimento em curso a esse respeito é, naturalmente, a China. Por um lado, a China é, hoje, indiscutivelmente mais livre que na época do Mao. Mas, por outro, ainda não fez a transição para a democracia. Aguardamos o resultado do experimento.”
    Bem, em algum lugar aqui no seu blog alguém já disse que a China não serve como modelo. Talvez seja o que se possa contestar no seu argumento, em meu entendimento correto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  102. #102 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 17th, 2010 at 10:45 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Quanto a entrevista ao Estadão que você indicou, não há muitos reparos a se fazerem, pelo menos na parte primeira que é mostrada. Quer dizer, ele responde a uma questão sobre os perigos do autoritarismo de que ele ja tratar e ele ameniza um pouco falando sobre a burguesia do Estado. Se se imagina que ele estava falando sobre uma elite vinculada ao Estado, isto é, pessoas como ele (Ligadas à Universidades, às grandes estatais, às áreas de maior conhecimento e poder na burocracia estatal) que iria paulatinamente (à medida que o Estado se tornasse mais forte) se tornando cada vez mais importantes, não há porque negar que ele teria um pouco de razão.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  103. #103 Alba
    on Jul 18th, 2010 at 2:27 am

    Celso,

    Imagino que deva estar ocupado, mas acho que valeria a pena dar uma olhada num interessantissimo post do bitt, em seu blog, o Causa, que sugere um entrelaçamento entre a sua magnífica resenha e um texto do Ricúpero garimpado por esta que vos fala.

    Abraçao

  104. #104 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 18th, 2010 at 3:28 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Aproveito para testar o uso do itálico e faço uma correção no meu comentário (#100) de 17/07/2010 às 10:45 pm. O verbo tratar deveria vir no pretérito mais-que-perfeito e assim a frase ficaria (E acrescento algo mais em maiúscula):
    >”Quer dizer, ele responde a uma questão sobre os perigos do autoritarismo de que ele já tratara e ele (APROVEITA PARA PEDIR DESCULPAS PELOS EXCESSOS QUE COMETERA NA CRÍTICA A LULA E) ameniza um pouco falando sobre a burguesia do Estado”.<
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 17/07/2010

  105. #105 Fábio Carvalho
    on Jul 18th, 2010 at 4:19 am

    "Apoiar a instalação do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e TV (…)" e "garantir a fiscalização da programação das emissoras de rádio e TV, com vistas a assegurar o controle social (…) e a penalizar as empresas (…) que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos".

    Copiei do PNDH II (FHC) – e não do III (Lula). Pouquíssima gente honesta anotou isso. Digo honesta porque foram alertadas sobre o fato e, mesmo assim, preferiram entoar o coro do Moacir aqui reproduz – porque foi induzido a erro, possivelmente.

    Na última versão, surge a ideia de ranking nacional, que é de implementação difícil ou impossível. Mas a expressão "controle social", simplesmente, não aparece.

  106. #106 J_P_Rodrigues
    on Jul 18th, 2010 at 2:16 pm

    Isso sem contar que das figuras que tentam controlar a imprensa, temos dois tucanos de alta plumagem: Aecinho, que manda demitir jornalistas, e Serra, que critica perguntas em entrevista e ataca os que lhe incomodam.

  107. #107 Radical Livre
    on Jul 18th, 2010 at 2:18 pm

    Alba, só faltou o link para o blogo do bitt.

    Eu já estive lá, me lembro, fui bem-tratado e tal e coisa apesar de discordar do blogueiro (era o causo do canhão paraguaio) – mas não consigo localizar.

  108. #108 J_P_Rodrigues
    on Jul 18th, 2010 at 2:18 pm

    Todo o poder aos funcionários de telemarketing!

  109. #109 Alba
    on Jul 18th, 2010 at 2:46 pm

    Putz, tem toda razão, Radical. O link é http://jbitten.wordpress.com/

    Abração

  110. #110 Alba
    on Jul 18th, 2010 at 3:30 pm

    JP

    :-)

  111. #111 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 18th, 2010 at 3:52 pm

    Radical Livre (#105) (18/07/2010 às 02:18 pm),
    Além do link que a Alba colocou no comentário dela (#107) de 18/07/2010 às 02:46 pm., o próprio J. Bitten já tinha vindo aqui e lincado para o blog dele no comentário (#89) de 16/07/2010 às 05:30 pm.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 18/07/2010

  112. #112 Alba
    on Jul 18th, 2010 at 5:15 pm

    Clever,

    Passe por lá. Acho que está na sua medida. E termino por aqui este marketing deslavado. :-(

  113. #113 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 18th, 2010 at 10:23 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Relendo o que eu escrevi eu me avaliei um pouco crítico em relação a sua resenha. Mesmo se a reler, a não ser para copiar e colar as frases do meu interesse, eu não posso negar que aprendi um pouco sobre você e sobre FHC com sua resenha.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 18/07/2010

  114. #114 Ticão
    on Jul 19th, 2010 at 1:52 am

    Eis o link do "Causa" http://jbitten.wordpress.com/

  115. #115 fabio
    on Jul 20th, 2010 at 1:13 pm

    20/07/2010 – 09:17h “Serra caminha para a direita”, levado por um vice que é “um político menor da direita litorânea”

    “Serra Palin”
    FERNANDO DE BARROS E SILVA – FOLHA SP

    SÃO PAULO – O título não é meu, infelizmente. Vi pela primeira vez a conexão entre o vice de Serra, Indio da Costa, e Sarah Palin, a vice de John McCain na campanha americana de 2008, num blog chamado “Na Prática a Teoria É Outra” (www.napraticaateoriaeoutra. org), ou “NPTO”, do cientista social Celso Rocha de Barros.
    É, vale destacar, um blog excelente, com análises ao mesmo tempo muito finas e cheias de humor sobre “política e adjacências”, de um autor que se diz “meio esquerdoso, social-democrata não tucano (nem anti-tucano), que acredita que o PT (e a rede de movimentos sociais que o compõem) ainda pode ser salvo de si mesmo”.

  116. #116 J_P_Rodrigues
    on Jul 20th, 2010 at 1:25 pm

    Aêêêê! Tá podendo! Página 2 da Pholha, "Serra Palin" correndo a imprensa, pautando o debate nacional. Celso mandando ver…

    Legal mesmo.

    Agora vê se pára de trabalhar e volta a blogar. O Índio dando bordoada (não me canso de piada fácil), o Lourival passando dicas de como ser calhorda para a campanha do Serra e você nem tchuns!

  117. #117 Jotavê
    on Jul 20th, 2010 at 1:39 pm

    "É essencial para o crescimento econômico ter um fluxo de ideias. Aqui, você não pode fechar totalmente porque é preciso ter desenvolvimento tecnológico."

    Wishful thinking. O caso mais espetacular de desenvolvimento tecnológico no século XX foi a URSS stalinista. Atualmente, a China. "Ah, mas é mais democrática do que era sob Mao." Convenhamos – não é muito difícil. O fato é que é uma ditadura, e das "baita". Ponto.
    O que não pode é proibir livro de matemática e de física. Livros de sociologia, filmes de arte e romances podem ser proibidos à vontade, que nada se altera. Mais cedo ou mais tarde, vamos ter que rever o discurso sobre a democracia produzido no final do século. Pollyanna com chantilly. Não me confunda – eu também adoro livrinhos de sacanagem. Não saberia viver sem isso. Mas não me iludo. É parte dos meus prazeres. Só isso.

    Grande blog, cara! Foi direto para os favoritos.

  118. #118 Diego Tamborin
    on Jul 20th, 2010 at 2:47 pm

    Olá,
    Esse negócio de pedir para vc comentar texto é coisa muito chata, mas este texto do Perry Anderson vale a pena: http://boitempoeditorial.wordpress.com/

  119. #119 Gaius Baltar
    on Jul 20th, 2010 at 2:53 pm

    Grande NPTO,

    Deu na Folha de S.Paulo, hein. Muito justo, parabéns pela citação do interessante articulista Fernando de Barros e Silva. Aguardo sua “análise fina e cheia de humor”. E o deu, é claro, foi no bom sentido.

    Abraço

  120. #120 Alba
    on Jul 20th, 2010 at 4:02 pm

    Ora, bravo, Celso! O artigo da Folha foi a primeira coisa que li de manhã. :-)

  121. #121 Professora Margareth
    on Jul 20th, 2010 at 6:13 pm

    Foi só você elogiar o FHC (maior vendedor de empresa estatal da história da humanidade) que o seu blog saiu no órgão oficioso tucano. É o que estou dizendo, rapaz: a continuar nesse ritmo, em breve você vai pertencer ao Manhattan Connection (glória suprema do jornalismo brazuca).

  122. #122 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 2:36 am

    Alba (#110) (18/07/2010 às 05:15 pm),
    Já havia passado algumas vezes no blog do J. Bitten. E fui lá no blog dele quando ele fez a chamada aqui neste post de Na Prática a Teoria é Outra. Embora a argumentação dele seja mais teórica e com mais conteúdo, eu não penso muito diferente dele e ai praticamente não tenho muito o que falar.
    Prefiro os blogs da esquerda do que os blogs de direita, mas freqüento mais os blogs onde o blogueiro tem opinião diferente da minha do que os blogs com blogueiros com opiniões semelhantes.
    O Pedro Doria, por exemplo, é de esquerda, mas tem uma posição um tanto udenista para o meu gosto, assim sempre ia lá (No blog antigo dele e vou com menos freqüência no blog dele no Estadão) dá o meu contraponto (Dá o contraponto, mas com a veleidade de mudar a opinião do blogueiro). O Na Prática a Teoria é Outra também tem alguns pontos de vista em total oposição ao que eu penso, como, aliás, eu realcei no meu comentário (#39) de 11/07/2010 às 02:22 am ao aproximar a posição de Na Prática a Teoria é Outra à posição de Cristiano Romero, pois ambos admiravam FHC, elogiavam o Plano Real e estavam do lado de Henrique Meirelles, pontos em que, como eu disse, eu divirjo dele e de Cristiano Romero.
    E no artigo de hoje, 20/07/2010, na Folha de S. Paulo, de Fernando de Barros e Silva “Serra Palin”, o articulista da Folha de S. Paulo me lembrou de outra divergência. Sou por natureza anti-tucano desde que vi que o PSDB foi montado e tem agido em uma verdadeira contrafação (O nome do partido, a fundamentação para existência do partido, os slogans eleitorais e econômicos, etc tudo sempre foi um engodo).
    Agora, quanto a você dizer que o blog do J. Bitten está na minha medida, eu tomo a semelhança mais pelo tamanho dos meus comentários quase tão extensos quanto os posts de J. Bitten, mas destaco de novo o embasamento mais teórico dos argumentos dele. Eu sou um tanto, como diria, perfunctório. Meu conhecimento é mais prático havendo no máximo uma checagem das minhas conclusões com afirmações de quem eu sei que sabe mais, mas só após saber que interesse quem sabe mais defende.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 10/07/2010

  123. #123 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 2:51 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Já que os olhos do mundo estão focados em você, para não ficar feio na fita faço correção de erros nos comentários que eu fiz. Assim, no meu comentário (#111) de 18/07/2010 às 10:23 pm onde eu disse a respeito de sua resenha:
    ,
    Deve-se ler:
    .
    E aproveito para testar o itálico,
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 18/07/2010

  124. #124 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:05 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    O conserto que eu fiz no meu comentário (#121) de 21/07/2010 às 02:51 am não deu certo. Repito-o sem utilizar o itálico.
    Já que os olhos do mundo estão focados em você, para não ficar feio na fita faço correção de erros nos comentários que eu fiz. Assim, no meu comentário (#111) de 18/07/2010 às 10:23 pm onde eu disse a respeito de sua resenha:
    “Mesmo se a reler, . . . .”,
    Deve-se ler:
    “Mesmo sem a reler, . . . .”.
    Desta vez evidentemente não aproveitei para testar o itálico.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 18/07/2010

  125. #125 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:18 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    O jeito é fazer um teste mais específico.
    Então:
    , , e teste4.
    E ainda:
    , i, i e teste8i.
    Talvez a presença de apóstrofes faça diferença. Assim: , , e “teste12″.
    E um pouco diferente:
    , i, i e “teste16″i
    Depois vejo outras possibilidades.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  126. #126 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:29 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Um vez precisava esclarecer sobre uma resolução e me pus a pesquisar, mas eram tantas as remissões que me perdi e um colega assim versificou:
    A Resolução não resolve,
    Nem esclarece tão pouco,
    O último que a tentou entender,
    Coitado ficou louco.
    Bem, faço agora o teste em linha, sem parágrafos: O jeito é fazer um teste mais específico. Então: , , e teste4. E ainda: , i, i e teste8i. Talvez a presença de apóstrofes faça diferença. Assim: , , e “teste12″. E um pouco diferente: , i, i e “teste16″i. Depois vejo outras possibilidades.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  127. #127 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:35 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Agora um teste menor: i>teste< e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  128. #128 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:38 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Semelhantemente ao anterior, mas com o deslocamento da letra do itálico: >iteste< e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  129. #129 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:41 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Semelhantemente ao anterior, com acréscimo de letra do itálico: >itestei< e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  130. #130 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:45 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Há ainda mil e uma possibilidades, mas a paciência já esgotada colocando a letra do itálico no exterior dos sinais: i>teste<i e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  131. #131 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:48 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Repetindo os comentários anteriores, mas invertendo os sinais: ii e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  132. #132 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 3:53 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Repetindo os comentários anteriores ao último, mas invertendo os sinais e colocando as duas letras do itálico no interior: e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/201

  133. #133 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:06 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Há pelo menos uma regra clara. Se se quiser tornar o comentário invisível basta iniciá-lo pelo sinal menor que e findá-lo com o sinal maior que. Como não tenho esse interesse, restrinjo-me a colocar os sinais só de um lado. Primeiro o sinal maior que e a letra i antes do sinal: i<teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  134. #134 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:18 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Agora o sinal maior que e a letra i antes do sinal e a letra i após: i e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  135. #135 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:29 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Errei no comentário anterior ao descrever o que eu iria fazer. Em vez de fazer o que escrevi coloquei foi o sinal maior que após a palavra teste e esta evidentemente desapareceu. Desta feita espero fazer o que prometo. Primeiro o sinal maior que e a letra do itálico antes do sinal e depois da palavra teste, o mesmo sinal maior que e a letra i após o sinal: i<teste<i e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  136. #136 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:33 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    E deslocando a primeira letra do itálico para o interior do sinal em relação ao último comentário: <iteste<i e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  137. #137 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:35 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    E deslocando a primeira letra do itálico para o interior do sinal em relação ao último comentário e acrescentando o apóstrofe: <i"teste"<i e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  138. #138 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:38 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    E agora com as duas letras do itálico no interior do sinal em relação e com apóstrofe: <i"teste"i< e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  139. #139 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:43 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    E agora a tentativa de colocar o apóstrofe no sinal: “>teste<" e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  140. #140 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:48 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    E na seqüência o apóstrofe após o sinal de maior que e antes do menor que: >“teste”< e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  141. #141 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:55 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Usando só a letra do itálico presa pelos sinais menor que e maior que antes e depois da palavra teste: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  142. #142 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 4:58 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Usando só a letra do itálico presa pelos sinais menor que e maior que antes e depois da palavra teste e repetindo mais uma letra do itálico presa: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  143. #143 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:01 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Usando só a letra do itálico presa pelos sinais menor que e maior que antes e depois da palavra teste e repetindo mais uma letra do itálico presa e repetindo mais uma vez: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  144. #144 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:05 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Usando só a letra do itálico presa pelos sinais menor que e maior que antes e depois da palavra teste e repetindo mais uma letra do itálico presa e repetindo mais uma vez e colocando espaço entre as repetições: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  145. #145 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:07 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Usando só uma letra do itálico presa pelos sinais menor que e maior que antes e duas depois da palavra teste: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  146. #146 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:14 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Estou de volta ao meu comentário (#95) de 17/07/2010 às 03:15 pm em que eu disse que já sabia como colocar o itálico e o problema agora é só como terminar com ele.
    Bem, não exatamente igual porque no comentário (#95) eu pensei que sabia colocar um texto em itálico e agora eu sei.
    Recapitulando e usando apenas uma vez a letra do itálico presa antes da palavra teste: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  147. #147 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:24 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Uma última tentativa e usando apenas uma vez a letra do itálico presa antes da palavra teste e a letras a também presa, mas após a palavra teste: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  148. #148 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:29 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Nova tentativa usando agora a letra b e usando apenas uma vez a letra do itálico presa antes da palavra teste e a letra b também presa, mas após a palavra teste: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  149. #149 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:32 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Uma tentativa diferente usando agora a letra n e usando apenas uma vez a letra do itálico presa antes da palavra teste e a letra n também presa, mas após a palavra teste: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  150. #150 NPTO
    on Jul 21st, 2010 at 5:41 am

    Valeu, Fabio, estou viajando, so vi agora.

  151. #151 NPTO
    on Jul 21st, 2010 at 5:42 am

    JP, finalmente comecamos a construir nosso imperio mundial de midia! Rupert Murdoch, comece a correr!

  152. #152 NPTO
    on Jul 21st, 2010 at 5:42 am

    Valeu, Jotave! Apareca!

  153. #153 NPTO
    on Jul 21st, 2010 at 5:43 am

    Valeu, Gaius. Em especial pelo esclarecimento.

  154. #154 NPTO
    on Jul 21st, 2010 at 5:43 am

    Valeu, Alba!

  155. #155 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 5:44 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Última tentativa usando apenas uma vez a letra do itálico presa antes da palavra teste e os sinais menor e maior mas sem letra presa, após a palavra teste: teste e vejamos como fica todo o texto.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 20/07/2010

  156. #156 NPTO
    on Jul 21st, 2010 at 5:46 am

    E mesmo, e tudo um plano! Mas ja disse que so aceito ir para o Manhattan Connection se for para ser um daqueles caras que moram em Nova York. Pra ficar que nem um mane falando com tela de TV aqui no Brasil eu nao quero nao. Avisa os caras ai sobre minhas exigencias, aguardo resposta.

  157. #157 NPTO
    on Jul 21st, 2010 at 5:47 am

    "os olhos do mundo estão focados em você"

    Hahahaha, grande Clever.

  158. #158 Alba
    on Jul 21st, 2010 at 7:47 pm

    Clever em momento "gramática para a internet". :-)
    Louvo a sua disciplina, porque eu já desisti disso faz tempo. Quanto ao blog do bitt, você tem razão, ele é muito informado sobre aquilo que comenta , principalmente as questões técnicas. Porém, os textos de que gosto mais são aqueles que entrelaçam as questões militares com as questões econômica e histórica. E aí também sempre há bons e sólidos argumentos, embora nem sempre eu concorde com tudo.

    O caso do PD no Estadão, eu não tenho tanta certeza sobre o udenismo, mas estou certa de que ele, ao continuar escrevendo muito bem, está, digamos, numa fase de excessivo encantamento com o poder da Internet, como consta do último post.

    Um abraço

  159. #159 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 11:29 pm

    Alba (#158) (21/07/2010 às 07:47 pm),
    Espero que depois Na Prática a Teoria é Outra apague as lições ocultas e invisíveis que eu repassei ontem a noite. Não foi a disciplina, foi a certeza de que o êxito estava próximo. Bastava eu ter consultado na Google sobre a formatação de textos na internet que a solução seria imediata (Depois do sucesso de Hamlet, pensei que um pouco de método na loucura fosse suficiente para chegar ao paraíso, mas me enganei). A barra (/) colocada junto e antes da letra presa (letra presa, ou seja, entre os sinais menor que e maior que) e após o texto a ser formatada encerra a formatação.
    Bem, talvez eu devesse riscar chamar o Pedro Doria de udenista. Meu pai era udenista, mas de um udenismo de direita. Houve, entretanto, nas grandes cidades do Sul Maravilha um udenismo de esquerda e era com esse modelo em mente que eu o qualificava. E lembrar que ele deu uma boa resposta (concordo com o que ele disse) para o seu comentário e para os meus, sendo um deles que eu coloquei junto ao seu lá no blog dele no Estadão ao post “Quando todo mundo estiver online, o Congresso será inútil?” de 18/07/2010 às 19h36.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 21/07/2010

  160. #160 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 21st, 2010 at 11:52 pm

    Alba (#158) (21/07/2010 às 07:47 pm),
    Aproveito para testar o itálico transcrevendo um comentário que eu enviei terça, 20/07/2010 às 00:52 para o blog do Luis Nassif no post intitulado “A falta que FHC faz” de seg, 19/07/2010 às 12:32. Para Luis Nassif, o discurso de FHC é de melhor qualidade do que o discurso de José Serra. Faço a transcrição porque serve para indicar este post do Luis Nassif e também porque no meu coentário eu faço referência ao J. Bitten.
    Então, disse eu lá o seguinte:
    “Luis Nassif,
    A questão é a falta do discurso de FHC no discurso de José Serra. Eu tenho resistência ao discurso de FHC, mas vá lá que você tenha razão! Bem, nesse caso teria que se analisar os dois discursos e então verificar o que falta e excede em um e o que falta e excede em outro.
    Ajudaria bastante se se pudesse pesquisar antigos posts nos seus blogs, seja no projetobr, seja no Ig (Nele o melhor é o post “Mitomania, a doença dos ex” de 25/03/2009 às 09:15), mas isso agora está impossível. Seus posts desapareceram como que por encanto, ou como diria Roy Batty para Rick Deckard no filme Blade Runner, “perderam-se no tempo como lágrimas na chuva”.
    De todo modo deixo cinco indicações onde se faz uma boa análise do discurso de FHC. A primeira indicação é o post “Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso” saído no blog de Na Prática a Teoria é Outra em 09/07/2010. O post é a resenha do livro de FHC “Relembrando o que escrevi”. Não faço a indicação do livro porque ainda não o li.
    Para a segunda indicação eu vou aproveitar o meu comentário (#58) de 12/07/2010 às 04:18 [Aqui neste post de Na Prática a Teoria é Outra] (Obs.: A numeração e a data e horário do comentário só aparecem quando não se baixa o intensedebate) e transcrever a parte inicial dele onde eu faço uma indicação. Disse eu lá criticando um comentarista que afirmou que “um artigo do José Luis Oreiro nunca é bom”:
    “Arthur (#56) (12/07/2010 às 12:16 pm,
    Sua dica do dia:
    “um artigo do José Luís Oreiro nunca é bom”
    Faz parte do que eu critico em meu comentário (#40)de 11/07/2010 às 01:55 am, mas que infelizmente ainda está aguardando em moderação. Minha crítica é à interdição do debate normalmente feita pela direita, mas que a esquerda também gosta de lançar mão como fez FHC no episódio que, no meu comentário (#10) de 09/07/2010 às 02:59 am, eu faço referência ao remeter para o post “O adeus a Samuel Huntington” de 30/12/2008 às 05h03 no antigo blog do Pedro Doria. No post “O adeus a Samuel Huntington”, em comentário que para lá enviei, eu transcrevo um trecho de um artigo de Marcelo Coelho publicada na Folha de S. Paulo de 05/04/2006 em que ele corrige a minha memória sobre um episódio envolvendo Cláudio Lembo, FHC e Samuel Huntington, exatamente porque FHC no episódio tenta interditar o debate.”
    Bem, então a segunda indicação é o post “O adeus a Samuel Huntington” que se encontra no antigo blog do Pedro Doria e ao meu comentário, o último no post.
    A terceira indicação é o post também no blogue de Na Prática a Teoria é Outra intitulado “Entrevista do FHC no Estadão” de 05/04/2010.
    A quarta indicação é o post “Declínio? Talvez o fim de um sonho e começo de outro (uma Segunda Edição, pelos auspícios do blog NPTO)” de 15/07/2010 saído no blog do J. Bitten no wordpress. O J. Bitten pareceu-me menos admirador de FHC do que Na Prática a Teoria é Outra, ou seja, a opinião de J. Bitten é mais coincidente com a minha.
    E finalmente, a quarta indicação é “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância: sobre Brejal dos Guajas, de José Sarney e Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso”, livro de Millôr Fernandes.
    Depois tentarei fazer indicações para facilitar o entendimento do discurso de José Serra. De todo modo, deixo aqui resumidamente a seguinte consideração. O discurso do tucanato é bastante conhecido. Costumo dizer que é o discurso da arrogância autoritária, da petulância presunçosa, da sapiência pretenciosa. O discurso de FHC e o discurso de Jose Serra são ambos discursos próprios do tucanato, mas se observa que no discurso de FHC está mais presente a empáfia do pavão. FHC é puro pavonada enquanto que o discurso de José Serra peca mais pelo autoritarismo sapiente”.

    Essa transcrição ficou bastante repetitiva tendo em vista o que eu já dissera antes neste post. Vai assim mesmo, pois pelo menos serve para teste da barra (/)
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 21/07/2010

  161. #161 Jotavê
    on Jul 22nd, 2010 at 12:09 am

    Caraca… Só dá você, Cléver. Isso é que é vontade de ser lido…

  162. #162 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 22nd, 2010 at 12:46 am

    Jotavê (#161) (22/07/2010 às 12:09 am),
    Como eu disse para Alba em meu comentário (#160) de 21/07/2010 às 11:52 pm os 27 comentários que eu postei enfileirados do #123 ao #149 e mais o #155 constituiam apenas um teste para ver como se faz o itálico, o sublinhado, o negrito, o colorido, etc. E o pior foi que fracassei. Deveria ter pedido a ajuda dos universitários ou feito a pesquisa na Google.
    Minha esperança é o Na Prática a Teoria é Outra vir aqui apagar a maioria deles. Só prestam e assim mesmo com a informação complementar repassada no comentário (#160) de 21/07/2010 às 11:52 pm enviado para a Alba, os comentários (#141) de 21/07/2010 às 04:55 am, (#147) de 21/07/2010 às 05:24 am e (#148) de 21/07/2010 às 05:29 am
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 21/07/2010

  163. #163 Tiago
    on Jul 22nd, 2010 at 1:34 am

    Só a derrubada da ordem existente e a formação d eum Estado-de-Todo-o-Povo podem libertar o Povo Brasileiro.

  164. #164 Clever Mendes de Oliveira
    on Jul 22nd, 2010 at 1:56 am

    Jotavê (#161) (22/07/2010 às 12:09 am),
    E se não fosse o tempo perdido com os testes, eu ia exatamente fazer uma comparação entre o seu comentário (#117) 20/07/2010 às 01:39 pm e o meu (#101) de 17/07/2010 às 05:17 pm. No que eu disse só ficou faltando a bela expressão Wishful thinking, mas embora um tanto torto e talvez até parecendo que eu dissesse o contrário, pensei quase o mesmo que você.
    No meu comentário, eu digo que vou falar de flores em relação ao que FHC dissera e ao que Na Prática a Teoria é Outra dissera porque considerei bonito o que FHC disse e correto o que Na Prática a Teoria é Outra disse. Na Prática a Teoria é Outra fora correto porque demonstrava que a China poderia ser um contra exemplo do que FHC falara. E em relação à fala de FHC, essa crença no valor da democracia como fator de desenvolvimento tecnológico é uma crença bonita. Na verdade é o que você chama de Wishful thinking.
    Agora observe que eu queria mais informações sobre quando FHC dissera isso. Como eu disse no comentário (#122) de 21/07/2010 às 02:36 am para Alba sempre desconfiei dos argumentos democráticos dos teóricos do PSDB. Sempre considerei o arrogante autoritarismo da empáfia soberba da presunçosa sapiência do tucanato pretensioso como incompatível com a crença na democracia popular. Assim, embora achasse bonito o que FHC dissera, não cria nem mesmo que se tratasse de Wishful thinking, mas da natural impostação, do genuíno engodo, da pura contrafação. Há muito que o tucanato tem a mania de dizer aquilo que os outros querem ouvir e não aquilo que eles pensam. Ética na política, “governo bom o povo põe, governo ruim o povo tira”, “a inflação é o mais injusto dos tributos” e muito mais não são idéias que eles acreditam.
    E há mais razões para eu não ter muitas expectativas na democracia como capaz de gerar o progresso. Como venho enfatizando bastante quando trato de avaliar a democracia, eu mesmo sou reticente quanto a crer na superioridade do resultado da democracia. Creio que a democracia só pode ser considerada superior se a avaliação for só pelo processo em si e, nesse sentido, pelo que o processo funda-se no princípio da igualdade. E o resultado da democracia só não é de todo negativo porque os processos eleitorais e o exercício ainda novo de cargos executivos permitem desenvolver em personalidades com carisma e espírito de liderança habilidades gerenciais. Além disso, como a máquina pública é um grande mastodonte, pouca diferença faz na capacidade do jóquei que a conduz.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 21/07/2010

  165. #165 Alba
    on Jul 22nd, 2010 at 3:09 pm

    Clever,

    Você coloca coisas interessantes, não só neste último comentário, mas em outros, que me haviam me escapado, como aquele do direito de falar merda, que aparentemente, é o que todos nós, não especialistas e autoridades sobre variados temas, fazemos o tempo todo, ao comentar em blogs. :-)

  166. #166 Jotavê
    on Jul 23rd, 2010 at 12:47 pm

    Acabei de ler o livro. Trata-se de uma "seleção panegírica", mas que não chega a ser intelectualmente desonesta. Fernando Henrique Cardoso está ali, perfeitamente reconhecível.
    Há uma inflexão importante que não foi abordada. O presidente, bem posterior ao sociólogo, nasceu de um acidente de percurso no campo da economia: o Plano Real. Cercou-se de pessoas brilhantes nessa área, que desenharam e depois implementaram o Plano e todo o seu contorno. É em contato com essas pessoas, que tinham clara ascendência intelectual sobre ele no campo do debate econômico, que ele molda sua concepção do Estado "meramente regulador", que entrega ao fluxo internacional de capital especulativo a tarefa de financiar o desenvolvimento nacional. Serra era uma das únicas vozes discordantes (continua sendo, até hoje). Essa depreciação do papel do Estado como indutor do desenvolvimento acabou se refletindo nas políticas sociais, relativamente tímidas, se comparadas ao governo Lula em termos de volume de recursos investidos e de centralidade na estratégia geral de governo. A superação da miséria passou a ser vista como subproduto de médio e longo prazo do desenvolvimento econômico. Políticas sociais intensivas, visando à redistribuição imediata e direta da renda, não foram completamente abandonadas, mas ocuparam um lugar secundário nas preocupações de Fernando Henrique. Ela era movido o tempo todo pelo sentimento de que, no final das contas, não era aí que as coisas se decidiam. Lula entrou no governo convencido de que ele e seu partido estavam enganados quanto a todas as críticas que haviam feito (de modo tão irresponsável) ao governo FHC, com exceção desse único ponto. Políticas de redistribuição direta de renda têm um papel fundamental em países como o Brasil. Quando veio a crise, todos perceberam que ele havia acertado em cheio. O mercado interno segurou as pontas, enquanto o resto do mundo se esborrachava.

  167. #167 Victor
    on Jul 26th, 2010 at 7:36 pm

    Ótimo post, é difícil conviver pacificamente com a realpolitik,,,

    Me fez lembrar uma "frase" que tinha em um banheiro da FFLCH:

    " Fernando Henrique cagou aqui"
    e a resposta embaixo
    " E onde ele não cagou ?"

  168. #168 Clever Mendes de Oliveira
    on Aug 3rd, 2010 at 1:25 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Vou transcrever um outro comentário que eu enviei terça-feira, 20/07/2010 às 13:39 para o blog do Luis Nassif junto ao post “A falta que FHC faz” de segunda-feira, 19/07/2010 às 12:32. Desta feita o comentário foi junto ao comentário de terça-feira, 20/07/2010 às 00:28 de Andre Araujo que pela vez dele fazia considerações junto ao comentário de segunda-feira, 19/07/2010 às 23:53 de José Luiz Ribeiro da Silva que acusara o discurso de FHC ser aquele decorrente das políticas ditadas pelo Consenso de Washington.
    Andre Araujo é um comentarista freqüente no blog do Luis Nassif. Como um dirigente sindical patronal do setor elétrico-eketrônico tem uma opinião conservadora, mas também como tal foi crítico das políticas econômicas pós Plano Real. Tem sobre isso livros publicados como “Mercados Soberanos”, “Moeda e Prosperidade” e “A Escola do Rio Fundamentos políticos da nova economia brasileira”. Fiz essa referência maior ao André Araujo porque no post “A falta que FHC faz” há outros comentários dele que apesar de revelarem o viés conservador dele traz bons argumentos. Na resposta que ele dá ao comentário de José Luiz Ribeiro da Silva ele inicia assim:
    “Fernando Henrique Cardoso não obedeceu ao Consenso de Washington por sabujismo. Ele correspondeu a um ciclo completo na história econômica, iniciado em 1980 pelo movimento conjunto dos Governos Thatcher e Reagan, pelo esgotamento do ciclo estatizante anterior, pelo início da prevalência do capitalismo sobre o estatismo que levou ao esgotamento do mundo comunista. FHC não “”obedeceu”” ao Consenso de Washington por prazer. O mundo inteiro seguiu o mesmo caminho”.
    Quando se trata de analisar a economia brasileira e mundial na maioria das vezes eu concordo com ele. Aqui e ali, entretanto, o viés conservador dele se manifesta e pior muitas vezes impregnado de um preconceito de classe. É assim que ele termina o comentário dele como se vê a seguir:
    “O Governo Lula não tem essa popularidade por mero acaso. Ele é subproduto de um ciclo econômico e este se engata no anterior e assim sucessivamente”
    Transcrevo então o meu comentário enviado terça-feira, 20/07/2010 às 13:39 em resposta às observações do André Araujo (Se for necessário algum acréscimo ou correção os farei em maiúsculas, salvo erros de digitação):
    - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – -
    “Andre Araujo,
    Concordo em muito com você. Recentemente diante da idolatria que muitos ainda fazem ao Plano Real, eu lembrei que ali quando foi feito, embora o sucesso dele decorresse da mão de ferro de G. Henrique de Barroso F., no mundo todo já não existiam uma meia dúzia de países com inflação (Colômbia, cerca de 30%, Turquia, cerca de 50%, Brasil, Zimbábue e uns outros dois países).
    Na questão de privatização [QUE A ESQUERDA APRESENTA COMO O EXEMPLO MOR DA GRANDE CAPITULAÇÃO DE FHC AO NEOLIBERALISMO], eu sempre menciono um economista de esquerda, Ignácio Rangel, como um dos que foram um dos primeiros a defender que o governo deveria buscar nos grandes fundos de pensão mecanismos de financiamento desses serviços.
    Penso, entretanto, que cabe algumas ressalvas no seu comentário. Não custava nada, por exemplo, mesmo que você não quisesse dizer superproduto, que você dissesse que “O governo Lula . . . . é o produto de um ciclo econômico” e não que era o subproduto.
    E na avaliação das lideranças mundiais e brasileiras que conduziram esse processo deve-se especificar a natureza de cada uma delas para que não se ponha na mesma taça personalidades tão diferentes. Margaret Thatcher era conservadora como Ronald Reagan, mas Margareth Thatcher se preocupava com o déficit público coisa que nunca foi preocupação de Ronald Reagan.
    FHC era e é uma pessoa da esquerda, ainda que por brincadeira no post “Livraço: “Relembrando o que escrevi”, de Fernando Henrique Cardoso” no blog de Na Prática a Teoria é Outra que eu já mencionei em outro comentário eu tenha reagido a uma brincadeira de Na Prática a Teoria é Outra sobre declaração de um troll de que a esquerda não tinha quadros e por isso rouba os quadros da direita, dizendo que era melhor que a direita viesse buscar o FHC.
    Então FHC não fica bem na mesma taça em que se encontram Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Além disso, não cabe bem a FHC esse papel de liderança que você dá a ele ainda que seja de liderança de uma onda ocorrendo na periferia. Penso até que um dos defeitos de FHC é ir com a onda. É só acompanhar como ele pegou a onda da globalização e introjetou completamente toda a idéia, sem sequer atinar que os que falavam de globalização, certamente não sabiam do que estavam falando e quando sabiam do que estavam falando ou falavam do que não existia ou do que já existia com um outro nome muito mais adequado (Imperialismo, capitalismo, civilização). Enfim, FHC não conduziu uma onda, como Margaret Thatcher e Ronald Reagan, dentro da capacidade que cada um dispunha, conduziram. Cabe bem a FHC cantar, como o duque de Mântua, o trecho da ópera Rigoletto que diz “La donna é mobile” e sair levemente e deslumbrando-se com ele mesmo tal pluma ao vento.”

    - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – -
    Bem, aproveitei para transcrever esse comentário sobre Fernando Henrique Cardoso porque nele eu faço referência à facilidade de Fernando Henrique Cardoso transitar entre uma idéia ou outra. É claro que FHC não incorpora uma ideologia de direita conservadora, mas ele fica qual uma pluma ao vento passando de uma teoria para outra com muita facilidade isso quando na exposição dele há a assunção de qualquer teoria. Como estou lendo o livro “Relembrando o que escrevi” e já encontrei várias partes em que Fernando Henrique Cardoso parece um surfista por sobre a onda, me pareceu válido trazer aqui esse meu comentário. Aliás creio que há mais tempo em um post no blog do Luis Nassif eu tenha mencionado a canção de Caetano Veloso “Diamante Verdadeiro” pela passagem:
    “Pois todo toque do que você faz e diz
    Só faz fazer de Nova Iorque algo assim como Paris”.

    É mais ou menos o que me vem a lembrança quando leio algum texto de FHC. Nova York, Paris, tudo o mais é igual. Fernando Henrique Cardoso, parece-me um aculturado e eu fico querendo saber porque, entre comentaristas e blogueiros que eu admiro, há tantos admiradores dele aqui e em outros blogs.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 02/08/2010

  169. #169 Clever Mendes de Oliveira
    on Aug 3rd, 2010 at 2:32 am

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Esqueci de fazer referência em meu comentário (#168) de 03/08/2010 às 01:25 am a um especial da Folha de S. Paulo que saiu no suplemento Mais! de 02/10 de 1994 com o título de “Eu perdi! – A comemoração da derrota um dia antes da eleição de quatro candidatos à presidência da República – por Da Redação, FHC por Mauro Rasi, Brizola por Gianfrancesco Guarnieri, Lula por Marcos Caruso e Jandira Martini, Enéas por Plínio Marcos”. Há quem faça críticas ao tipo de produto que se obteve, mas em minha avaliação a cultura brasileira cresceu aquele dia.
    Como eleitor de Leonel Brizola, gostei muito da peça de Gianfrancesco Guarnieri tratando da derrota de Leonel Brizola. O texto de Mauro Rasi sobre Fernando Henrique Cardoso, pareceu-me fútil. Lembro por alto que com a derrota FHC combina com Ruth ir para Paris assistir um espetáculo de balé. Já na época eu considerava Fernando Henrique Cardoso um aculturado, mas não tive a sensibilidade de perceber que Mauro Rasi transmitia na peça exatamente o caráter volúvel de Fernando Henrique Cardoso. O que me parecera fraqueza da peça era em que consistia a personalidade de Fernando Henrique Cardoso. Aliás, antes da eleição, fora perguntado a Fernando Henrique Cardoso o que ele faria se fosse derrotado. Ele respondeu que voltaria para a cátedra. Não creio que isso ocorreria, mas a resposta dele revelava uma desconsideração pela própria candidatura e pelo próprio plano Real. Mais que um aculturado era um nefilibata.
    PS: As quatro peças seriam encenadas no próprio domingo em que saiu publicado o suplemento Mais!. E a eleição naquela época não se fazia no primeiro domingo de outubro como se fazia então mas no dia 03 de outubro.
    Clever Mendes de Oliveira
    02/08/2010

  170. #170 Clever Mendes de Oliveira
    on Aug 3rd, 2010 at 11:10 pm

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Primeiro uma correção na frase a seguir transcrita, alterando a palavra nefilibata por nefelibata:
    “Mais que um aculturado era um nefelibata”.
    E, em seguida, uma referência a um bom post de Luis Nassif sobre Serra e FHC. O titulo do post é “Serra e FHC, uma relação delicada” e saiu no domingo, 01/08/2010 às 23:14. O post foi uma maneira de Luis Nassif explicar a análise canhestra que ele já fazia no início da década de 90 de considerar José Serra o brasileiro mais preparado para ser presidente da República. Na época eu não aceitava esse julgamento de Luis Nassif, principalmente porque parecia que Luis Nassif o dava não como uma opinião, mas como uma revelação que os altos conhecimentos que ele obtivera junto aos mais ilustrados da capital paulista lhe permitiam fazer objetivamente e afirmar categoricamente a capacidade administrativo-política de José Serra.
    No post ele traz a mudança de opinião. Agora, Fernando Henrique Cardoso passa a ser superior a José Serra.
    Penso que Luis Nassif sempre esteve errado sobre José Serra e a atual tentativa de fazer de José Serra um joão-ninguém também é despropositada. De todo modo como o post percorre um longo período e é muito elogioso com Fernando Henrique Cardoso e traz muitas informações sobre a política brasileira nos últimos quase 20 anos envolvendo os dois intelectuais e personalidades políticas, penso que ele ajuda a compreender melhor a figura de Fernando Henrique Cardoso o que talvez possa ajudar a achar algo de útil nos escritos do uma vez escolhido o príncipe dos sociólogos brasileiros. Fica então aqui a indicação.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 03/08/2010

  171. #171 Em busca de um programa abraçado ao qual perder | Na Prática a Teoria é Outra
    on Aug 25th, 2010 at 3:57 am

    [...] da esquerda européia, mas a diferença de contexto torna os casos incomparáveis. Como vimos lá no livro do FHC, o PSDB começou do ponto oposto ao da social-democracia européia: o Labour, por exemplo, foi [...]

  172. #172 O fim da atual oposição « nuno naife
    on Aug 25th, 2010 at 5:20 am

    [...] da esquerda européia, mas a diferença de contexto torna os casos incomparáveis. Como vimos lá no livro do FHC, o PSDB começou do ponto oposto ao da social-democracia européia: o Labour, por exemplo, foi [...]

  173. #173 magnoolivenca
    on Oct 10th, 2010 at 11:55 am

    Vocês falam sobre teses, resenhas, leis, democracia. Coisas que estão fora da realidade de muitas pessoas. Falam vários idiomas, mas não conseguem entender o que muitos dos jovens precisam. Do que lhes adiantam tudo isso? Porque O "GOVERNO" pode gastar 463,5 milhões com campanha eleitoral e não pode usar 10% desse valor para ajudar pessoas no sertão. Vocês vivem em uma realidade totalmente diferente das quais muitos vivem no Brasil. Uma pergunta para reflexão. Vocês acreditam que a miséria pode acabar aqui no Brasil? Eu acredito que sim. E vocês que são PHDeuses? Acreditam.

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    on Oct 22nd, 2013 at 6:15 am

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