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No melhor estilo Regina Duarte, eu tenho medo do partido Republicano

Voltei ontem dos EUA, onde novamente fracassei em conseguir ir tomar um café com o Raphael, porque ele preferiu ir trocar um lero com a Marina Silva. Beleza, fica pra próxima. Antes de importuná-los com vários posts “minhas férias”, devo dizer que fiquei meio assustado com o noticiário político por lá.

Que os republicanos devem avançar consideravelmente nas eleições desse ano é claro: a economia não se recuperou a ponto de recuperar a popularidade do Obama, e, como já cansamos de dizer, It’s the economy, etc. Mas o que é assustador é o tipo de Republicano em ascensão.

Um belo dia eu abro o jornal e leio que tem uma briga lá entre dois candidatos em prévias republicanas para ter o apoio da Sarah Palin. E vocês já assistiram Fox News? Meu amigo, quero ver você reclamar do que quer que seja de mídia no Brasil depois de ver a Fox News. A previsão do tempo diz “chuva causada pelas orações de Obama ao deus muçulmano da Chuva”. Paul Krugman, Pol Pot, pra eles é tudo Pol e comunista genocida. E os caras continuam falando em cortar impostos.

Por essas e outras recomendo vivamente o post de hoje do Martin Wolf. Diz o cara:

My reading of contemporary Republican thinking is that there is no chance of any attempt to arrest adverse long-term fiscal trends should they return to power. Moreover, since the Republicans have no interest in doing anything sensible, the Democrats will gain nothing from trying to do much either. That is the lesson Democrats have to draw from the Clinton era’s successful frugality, which merely gave George W. Bush the opportunity to make massive (irresponsible and unsustainable) tax cuts. In practice, then, nothing will be done.

Indeed, nothing may be done even if a genuine fiscal crisis were to emerge. According to my friend, Bruce Bartlett, a highly informed, if jaundiced, observer, some “conservatives” (in truth, extreme radicals) think a federal default would be an effective way to bring public spending they detest under control. It should be noted, in passing, that a federal default would surely create the biggest financial crisis in world economic history.

To understand modern Republican thinking on fiscal policy, we need to go back to perhaps the most politically brilliant (albeit economically unconvincing) idea in the history of fiscal policy: “supply-side economics”. Supply-side economics liberated conservatives from any need to insist on fiscal rectitude and balanced budgets. Supply-side economics said that one could cut taxes and balance budgets, because incentive effects would generate new activity and so higher revenue.

The political genius of this idea is evident. Supply-side economics transformed Republicans from a minority party into a majority party. It allowed them to promise lower taxes, lower deficits and, in effect, unchanged spending. Why should people not like this combination? Who does not like a free lunch?

How did supply-side economics bring these benefits? First, it allowed conservatives to ignore deficits. They could argue that, whatever the impact of the tax cuts in the short run, they would bring the budget back into balance, in the longer run. Second, the theory gave an economic justification – the argument from incentives – for lowering taxes on politically important supporters. Finally, if deficits did not, in fact, disappear, conservatives could fall back on the “starve the beast” theory: deficits would create a fiscal crisis that would force the government to cut spending and even destroy the hated welfare state.

É isso mesmo que eu acho. O partido republicano atual é o PT dos anos 90 sem o mercado para lhe dar uns sustos e discipliná-lo. Quando o PT fica mais animadinho em ser radical, tem uma crise de confiança qualquer, a bolsa cai, o dólar dispara, a Regina Duarte chora, o Olavo de Carvalho vai morar na Virgínia, e o PT é forçado a recuar. Mas quando conservadores ameaçam a boa governança econômica, bate uma miopia e o mercado não precifica o risco político.

Se fosse em Vanuatu, eu até acharia engraçado, mas isso é porque Vanuatu não é a maior potência econômica e militar do mundo, que, entre outras coisas, emite a moeda internacional. Eu tenho medo. Eu tenho muito medo. E olha que eu nem sou mãe da Maria de Fátima.

Eventualmente, os Republicanos vão voltar a ser um partido normal. Mas acho que a vitória nas eleições desse ano vai atrasar muito o processo.

PS: que fim levou a Regina Duarte? Ela é ótima atriz.

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34 Comments

  1. james says:

    Você que teve a experiencia de ficar um tempo nos USA, queria saber por que os Democratas sempre abaixam a cabeça para tudo que os Republicanos fazem? Por que
    nao mostram as incoerencias do discruso Republicano?

  2. fps3000 says:

    Bom, isso até lembra o PSDB de hoje, dominado pelos grupos radicais que não sabem o que fazer a não ser bater até sair sangue.

  3. Jotavê says:

    No fundo, no fundo, eu acho que o Republicano dos EUA não está pensando em números. A questão dele é "como é que este país funciona", "o que fez de nós a maior potência do mundo", e coisas do gênero. Um elemento crucial da resposta, para o Republicano, é a impiedade do sistema com os perdedores. Como diz o Martin Wolf, o emprego é a única rede de proteção com que uma pessoa em idade de trabalho pode contar. Sejam lá quais forem os méritos dessa ideologia em seu ambiente próprio (os EUA), transposta para o Brasil ela vira piada. Jogando uma gotinha da pimenta eleitoral em nosso angu, eu lembraria aqui a proposta do Indio da Costa de criminalizar a esmola. Ou, então, o discurso esgrimido por boa parte da oposição durante os últimos quatro anos (e agora convenientemente posto em quarentena), segundo o qual programas de distribuição direta de renda seriam disfuncionais, pois induziriam à indolência e à acomodação. O problema é que, aqui, estamos falando de populações abandonadas à própria sorte durante décadas, gente que já nasceu sem a mais remota chance de ascenção. É idéia fora do lugar sem filtro e sem medo de ser feliz..

    Além de boa atriz, Regina Duarte é uma pessoa inteligente e uma patriota, que ousou dizer aquilo que qualquer pessoa de bom senso deveria estar pensando naquele momento, caso não tivesse passado os últimos dez anos no planeta Marte. Ao contrário dela, votei em Lula. Meu último pensamento, antes de apertar o "confirma" foi – "seja o que Deus quiser". Algo me diz que ele mesmo pensou algo desse tipo em cima daquele palanque, quando sentiu o peso da faixa que Fernando Henrique pôs sobre o seu ombro. Ultrapassou qualquer expectativa. Minha admiração por esses dois brasileiros não tem limites. Depois de Sarney, Collor e Itamar, nós bem que merecíamos, mesmo.

  4. Logan says:

    Eu lembro de ter falado disso aqui mesmo num post seu sobre a demissão de um conhecido intelectual republicano cujo nome esqueci agora, você postou um texto dele dizendo que quem mais saiu perdendo no debate sobre a reforma no sistema de saúde foram os próprios republicanos, a medida que quem mais tem rescido em popularidade nos ultimos anos, a partir da crise de 2008, tem sido os comentaristas e setores da mídica radical republicano e não os políticos republicanos "de verdade", em um processo cada vaz mais alarmante de radicalização do discurso anti-obama, meu medo "reginaduarteano" é que as reformas não consigam causar o impacto necessário e a situação não melhore muito e em 2012 um "Bush Neto" seja eleito.

  5. André says:

    Efetivamente, qual a diferença entre os Democratas e os Republicanos? Não digo em questões menores, como pesquisa com células tronco, casamento gay, etc. O que os EUA estariam fazendo agora (ou não fazendo) se a Sarah Palin tivesse ganho do Joe Biden? Seria melhor ou pior para nós?

  6. Pô, cara, pena que não deu… Na hora em que você me ligou eu tava no subsolo da Strand, uma livraria bacana daqui, por isso não recebi a ligação. Esperei você ligar de novo, mas nada. Enfim… agora só no Rio.

    Aquele abraço,
    Rapha

  7. Jotavê says:

    Qualquer pessoa que não esteja cega pela ideologia sabe reconhecer nestas declarações a voz de uma pessoa digna: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq29072

  8. Francisco says:

    Você esqueceu de colocar, (…) Regina Duarte chora, o Olavo de Carvalho vai morar na Virgínia (…), e o Reinaldo Azevedo posta que está sendo perseguido por um grupo de nazi-comuno-fascistas petistas que postam mensagens de ameaça, que irão lhe esfaquear com uma faca enferrujada (é sério). Ele é o Glenn Beck brasileiro.

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