Esse talvez seja o melhor artigo do dossiê. Ele tem dois eixos centrais:
1) A Era Lula foi um período de circulação de elites, em que novas camadas ascendentes desalojam parte da elite anterior e se acomodam com outra parte que se consegue manter no topo (é um raciocínio baseado na teoria das elites do Pareto). A elite é então revigorada com o descarte de alguns membros antigos e a incorporação dos líderes que vêm de baixo.
É fácil ver nisso o clássico “mudar para continuar igual”, mas muita coisa, de fato, muda. Embora não haja uma quebra radical das estruturas de poder, elas são tensionadas para satisfazer demandas dos de baixo, várias das quais foram, de fato, satisfeitas. Em função disso, amplia-se a base social do Lulismo, no processo já analisado pelo Singer, em que a base de apoio do PT se desloca para os setores mais pobres.
Ou seja, longe de ser só a chegada de mais um grupo para repartir as benesses do poder, há toda uma rearticulação social, inclusive no plano político, que passa pelas políticas sociais e pelo realinhamento das preferências partidárias. O que nos leva ao próximo ponto.
O segundo eixo do artigo é a idéia de que a política brasileira pós-Lula não vai mais poder ser uma disputa pelo monopólio do comportamento ético, uma vez que o PT perdeu o direito a essa reinvindicação sem que ninguém mais a o tenha conquistado. Esses últimos parágrafos são tão bons que é difícil selecionar trechos:
Embora seja fácil compreender a guinada do eleitorado mais pobre rumo a Lula em função de seus ganhos econômicos, não é esse mesmo fator que explica a debandada de um grande contingente das classes médias. Apesar de existirem os discursos de viés mais claramente reacionário, como os que tacham de “assistencialista” qualquer política de distribuição de renda (apelidando de “bolsa-esmola” uma política enaltecida até mesmo pelos técnicos economicamente ortodoxos do Banco Mundial), o fator determinante para o afastamento dos setores médios foi a crise moral vivida pelo PT – sobretudo a partir do escândalo do chamado “mensalão”. Aquele que outrora figurara como o “partido da ética na política”, apresentando-se ao eleitorado como o “grilo falante” do país, viu-se enredado num escândalo para o qual a melhor explicação encontrada foi afirmar que nada mais fizera do que agir da mesma forma que todos os demais. Ora, mas era exatamente aí que residia o problema: por sua reputação – demoradamente construída – de algoz moral da nação, o PT não poderia permitir-se agir como os demais. Ao fazer isso, despencou vertiginosamente do altíssimo pedestal que havia erigido para si mesmo.
(…)
Mas, se tais traços eram realmente tão característicos da política nacional, só poderia mesmo ser ilusório o espaço que, num certo momento, pareceu abrir-se à oposição: o da “ética na política”. Tal senda, como se poderia esperar, rapidamente esvaiu com o surgimento de outros mensalões, que solaparam um a um os principais partidos nacionais que ainda gozavam de algum crédito e capacidade de atuar como protagonistas no plano nacional – o PSDB e o PFL (já em sua surrada roupa nova, de DEM).
Desse modo, não sobrou muito espaço para mistificações éticas construídas em torno da busca de um “partido dos puros”, e a política nacional foi reduzida a suas devidas (e mais realistas) proporções: um âmbito da vida social no qual a distinção entre os atores relevantes não se dá entre os “éticos” e os “não éticos”, mas sim entre os que defendem políticas de tipo diverso ou simplesmente disputam o poder de Estado. Nessa hora, diante da perturbadora desaparição das referências morais, os que mais atavicamente se punham contra ou a favor de seus antigos grupos de referência logo encontraram subterfúgios retóricos para justificar a manutenção das posições políticas: postaram-se contra o “neoliberalismo” (esse que, no Brasil, foi sem nunca ter sido) e contra o “aparelhismo” (aquele que só existe quando é feito pelos outros). Mas esses biombos são mais facilmente transponíveis do que as velhas ilusões éticas.
Pode-se dizer que nos prestaram um favor os sucessivos escândalos da era Lula (tanto os que atingiram petistas como os que respingaram em seus opositores): guindaram-nos a uma política pós-ética, bem menos ingênua do que aquela que muitos (sobretudo eleitores petistas) acalentaram durante muito tempo. Nesse novo cenário, as preferências políticas podem se apresentar de forma mais clara (como o que de fato são) e talvez até sobre um espaço para que esquerda e direita voltem a se mostrar de forma nítida – mesmo sem estarem hoje tão distantes uma da outra, como já estiveram no passado.
Muito bom, concordo com tudo. Talvez fosse interessante relacionar os dois eixos do artigo: a circulação entre as elites geram fenômenos éticos interessantes. Por exemplo, era sem dúvida hipócrita o PFL que, uma vez desalojado do poder, criticava a corrupção do PT, mas esse é o tipo de hipocrisia de que se alimenta o progresso. Quando estouraram os escândalos do Arruda, o PFL foi forçado a expulsar seus membros envolvidos nas falcatruas, o que jamais teria feito se não tivesse antes tentado se firmar como partido defensor da ética.
É possível que o resultado disso tudo seja um cinismo generalizado, não tenho a menor idéia do que vai acontecer, mas não deixem de prestar atenção nos eventuais efeitos positivos que emergem completamente a despeito do que pretendem os autores. E, eventualmente, é possível que consigamos o tipo de progresso ético que funciona: o compromisso entre as forças políticas para desmontar as pressões pela corrupção (financiamento de campanha, dificuldades na formação de maiorias no Congresso, captura regulatória, etc.). É um projeto de longo prazo, mas que não pode ser abandonado porque você está decepcionado com seu político favorito (isso seria narcisismo, não idealismo).



on Jul 29th, 2010 at 9:47 am
Cláudio Couto é craque. São seis da matina, e ainda não tomei café. Desde já, alguns pitacos nessa discussão, lembrando aquilo de que pouca gente se lembra nessa hora:
(1) O PSDB nasceu de uma cisão no interior do PSDB que tinha como uma de suas linhas de força a bandeira da ética na política. Mário Covas e Montoro se contrapunham, em São Paulo, a Orestes Quércia precisamente nos mesmos termos em que o PT irá se contrapôr, mais tarde, ao PSDB de Fernando Henrique: ao contrário dos adversários, eles eram "éticos" e tinham "preocupações sociais".
(2) A bandeira da "ética na política" foi empunhada pelos tucanos de antanho com muito mais consequência do que pelos tucanos hodiernos. Não apenas porque era mais "sincera", mas porque vinha acompanhada por uma reflexão mais profunda a respeito das "reformas políticas" necessárias para se evitar esse esgoto a céu aberto que perdura até hoje. Empunharam primeiro a bandeira do parlamentarismo, ao qual o PT se opôs radicalmente, pois seus planos sempre passaram pela figura carismática de Lula. Depois, com a derrota da emenda, passaram a propugnar o voto distrital misto. Só que, aí, já estavam no poder, e Fernando Henrique faz o mesmo diagnóstico (infelizmente acertado) que Lula também fez – se fosse jogar suas fichas na reforma política, paralizariam o governo e correriam o risco de produzir um Frankenstein pior ainda do que o sistema em vigor. O raciocínio de Lula e de Fernando Henrique é basicamente o mesmo: ou a reforma política vem das ruas diretamente para o Congresso, ou não irá acontecer de jeito nenhum.
(3) O moralismo esteve, tanto na boca do PSDB quanto na boca do PT, associado ao golpismo. Em ambos os casos, o partido na oposição tentou manipular as instituições e o "clamor popular" no sentido de abreviar o mandato do presidente eleito.
(4) A diferença, no caso do PSDB/PFL, é que o moralismo ressurge como farsa. (A imagem groteca do senador Heráclito Fortes cuspindo máximas de boa conduta pela televisão dizia tudo que alguém poderia querer saber sobre aquela campanha.)
(continua)
on Jul 29th, 2010 at 9:48 am
(continuação)
(5) O discurso moralista está relacionado a um dos problemas centrais do jogo político dentro do capitalismo contemporâneo – o esquema de financiamento de campanhas eleitorais. É um engano pensar que não exista um problema de fundo e que ele não seja gravíssimo. O nome do problema (sobre o qual voltarei muitas e muitas vezes neste espaço) é "banditização da política". O político contemporâneo não "é" bandido simplesmente. Ele é OBRIGADO a sê-lo ou, pelo menos, a vincular-se a um esquema criminoso que inclua os agentes encarregados do "trabalhinho sujo". O fenômenos está diretamente vinculado ao financiamento de campanhas políticas na sociedade do espetáculo.
(6) O moralismo opera um travamento argumentativo (um "clinche" indefinidamente longo) no discurso político, que passa por um processo de "futebolização". As torcidas organizadas passam a se ver como "moralmente superiores" sob algum aspecto, do mesmo modo que um corinthiano alega superioridade moral sobre um palmeirense ("nós somos coração, nós somos povão, nós somos raça"), e vice-versa ("bando de maloqueiros", "quando entrar na universidade, passa", etc.). Os jornais e revistas encampam o discurso, pois passam a falar para uma dessas torcidas. De algum modo, o leitor tem que sentir que está lendo o veículo "certo", quer dizer – o que "torce" para o seu time.
(7) O "argumento de Lula" ("nós só fizemos o que todos fazem") é PERFEITO tanto do ponto de vista político quanto do ponto de vista ético. Qualquer discurso que não reconheça a correção desse argumento (repito: tanto do ponto de vista político QUANTO do ponto de vista estritamente ÉTICO) está fadado a comprometer-se mais cedo ou mais tarde com alguma forma de "platonismo" (a idéia de que as regras tenham qualquer forma de "anterioridade lógica" em relação às suas condições efetivas de aplicação). Eu só introduziria uma pequena sutileza no "argumento de Lula", que o torna mais explícito: "nós só fizemos aquilo que, de acordo com as regras escritas e não escritas da política atual, qualquer agente político comprometido com um projeto efetivo de poder é OBRIGADO a fazer para se manter no jogo".
(8) Vamos começar a pensar seriamente em reduzir DRASTICAMENTE os custos da política, mediante a adoção de procedimentos como o voto distrital? Com custos reduzidos, poderíamos então dar o golpe mortal naquilo que está no próprio coração do sistema capitalista contemporâneo: o financiamento privado das campanhas eleitorais. É esse o eixo que está perdido no lamaçal do moralismo, e que temos que resgatar para um outro plano de discussão, pois envolve algo MUITO fundamental para o funcionamento do sistema como um todo.
(9) O que está por trás da política externa americana, por exemplo? (Esqueçam as contribuições da viuvinha do interior de Wisconsin. Metade da grana vem de um punhado de grandes corporações.)
(10) Vamos voltar a falar em financiamento público de campanhas?
on Jul 29th, 2010 at 1:26 pm
é…o cinismo já esta´ aqui, né? Há tempos, não?
Tem um livro na praça: O Operador, tá tudo la´ inclusive e sobretudo as diferenças entre mensalões e seus resultados…no voto e no bolso.
Mas, o cinismo.
O Dem expulsou os seus enquanto vcs promoveram os seus, inclusive para o comando da campanha. Faltou pressão ou sobra cinismo?
Vc fala em lulismo. Assumiu? Acabou o ptismo?
E as férias, acabaram? Foi à Bahia?
MAM
on Jul 29th, 2010 at 1:57 pm
"Vocês", quem, marcos? Não estou entendendo o seu comentário. Quem é que você está chamando de cínico, e por quê?
on Jul 29th, 2010 at 2:18 pm
Ainda não li o que vc escreveu.
MAM
on Jul 29th, 2010 at 2:25 pm
Jotavê, concordo, mas tenho minhas dúvidas sobre o quanto o distrital diminuiria a corrupção. Quanto ao parlamentarismo, eu sou parlamentarista.
on Jul 29th, 2010 at 2:26 pm
JV, se você ainda não conhece, esse é um dos trolls aqui da casa.
on Jul 29th, 2010 at 2:32 pm
MAM, se você tivesse passado no concurso, também teria emprego; se tivesse emprego, teria férias. Férias é tipo isso aí que você faz o ano inteiro, mas só trinta dias por ano.
on Jul 29th, 2010 at 2:39 pm
Quanto ao parlamentarismo, concordamos plenamente. É a melhor saída. O problema todo é viabilizar politicamente a idéia. Não é fácil. Os parlamentares estão acostumados ao esquema atual, em que o ônus cai sempre nas mãos do executivo, enquanto eles sobrevivem na base de (i) fatias generosas do orçamento e (ii) postos-chave na máquina pública (leia-se: possibilidade de achacar fornecedores da iniciativa privada). Desconfiam (acertadamente) que, com o parlamentarismo, o jogo ficaria muito mais complicado, e eventualmente irredutível e um mero "toma lá, dá cá". Não trocam o certo pelo duvidoso, enfim.
O distrital, sozinho, não faz nada. Mas ele permite uma enorme redução dos custos de campanha que, por sua vez, viabiliza politicamente o financiamento público. A idéia de que só o distrital resolva é do PSDB, que sempre foi contra o financiamento público. A partir de um determinado ponto (desconfio, cá com meus botões, que um marco nesse processo tenha sido a aliança estratégica, e não apenas tática, com o PFL), eles tiveram acesso a fontes de financiamento privadas que lhes davam (até 2002, pelo menos…) uma vantagem comparativa em relação ao PT. É dessa vantagem comparativa que eles não aceitavam abrir mão de jeito maneira. Atualmente, têm tudo para "repensar" a questão com mais cuidado, considerar novamente a hipótese do financiamento público e, como diz a música, "evoluir de opinião".
on Jul 29th, 2010 at 2:47 pm
O Cláudio Couto foi professor de um grande amigo meu – que embora achasse ele bom, discordava um bocado dele. Gostei da análise sobre a questão do moralismo, mas, honestamente, penso que falta um ponto importante aí, o PT foi vitima de uma espécie de um moralismo inevitável à ética purista cristã que lhe fundou; era um paradoxo, se a força inicial do PT nasce justamente da atuação da esquerda católica e de sua moral religiosa, o que tinha um impacto direto nas relações internas construindo vínculos internos – que permitiam o partido crescer sem se fragmentar -, por outro lado, trazia uma perspectiva purista que se expressava na crítica do partido à corrupção na política nacional e uma inocência profunda quanto às suas relações internas – isto é, se a corrupção política é um caso grave de desvirtuamento humano, logo, para que construir mecanismo internos de prevenção e de combate a ela se é compartilhada internamente uma visão ética que combate a isso?
Esse é o problema de toda ética idealista, seus defensores acreditam que basta que uma pessoa tome conhecimento dos seus preceitos que estará destinado a ser bom, calculando mal como a concretude dos fatos e as necessidades humanas no plano da ação interfere sobre isso. Parafraseando um certo Spinoza, antes de uma ética, isso é uma sátira – sim, sim, se o PT ouvisse mais a Marilena Chauí do que a Igreja teria se saído melhor. O ponto não é não combater a corrupção, mas como fazer isso, o primeiro passo, sem dúvida, é aceitar que na política ela se trata de um fenômeno, via de regra, presente – variando em gradações -, portanto, se faz necessário que se crie mecanismos de prevenção e combate. Ainda que uma ética purista ajude em um primeiro momento, a impossibilidade da realização histórica a qual ela almeja leva ao seu rápido esvaziamento e depois a uma bolha de frustração generalizada que aponta para um niilismo ou para uma forma de cinismo.
No governo Lula, no entanto, essa frustração é refreada por outro fenômeno em relação ao qual nutre relação paradoxal: O resultado do crescimento econômico e dos programas sociais e o quanto isso gera numa parte significativa da população confiança na Política – isto é, aqui no sentido de democracia mesmo -, o que é profundamente positivo. Os efeitos disso sobre o futuro da democracia nacional são excelentes porque de uma forma simples e efetiva prova que eleições podem mudar realmente a sua vida para melhor e que nem toda promessa de campanha é, necessariamente, falsa. O "político é tudo igual" perdeu cada vez mais força e isso é bom. É nessa bolha de otimismo que o PT deve mirar para sua necessária construção ética, mas isso em momento algum significa uma volta a um purismo onde o pecado será afastado milagrosamente, mas a adoção de uma técnica de se comportar que abra mão de ideais ou universais, para se ater a essência do humano, cujos vícios são uma possibilidade real diante da concretude da vida.
on Jul 29th, 2010 at 2:52 pm
Que é isso, rapaz.
on Jul 29th, 2010 at 2:59 pm
Rafael, o MAM é um troll que sempre aparece aqui. Ele avacalha a gente, a gente avacalha ele, mas é tudo num espírito de amizade.
on Jul 29th, 2010 at 3:08 pm
muito bom… tb concordo com análise, mas costumo levar o argumento ainda mais longe.
não é apenas a política brasileira q precisa se assumir como pós-ética, mas a sociedade como um todo.
sejamos francos: somos um país de corruptos ou, pelo menos, um país onde TODO MUNDO, em algum momento, acredita q burlar uma regrinha ou lei qualquer não é tão grave assim… é da nossa cultura querer *levar vantagem em tudo*, pra usar um bordão bem batido, mas ainda muito pertinente.
é como no caso do *mito da democracia racial*… a gente pode até não gostar, e pensar q não é bem assim, mas basta ver o sujeito colocado numa situação em q, por exemplo, ele vai levar uma multa de trânsito, pra ver se ele não dispõe rapidamente a pagar o *cafezinho* do guarda.
a regra sempre é boa e pertinente para os outros. para mim e para os meus, é sempre possível flexibilizá-la *só um pouquinho*…
os nossos políticos são apenas reflexo de nossa sociedade, nossa cultura.
abs!
on Jul 29th, 2010 at 4:37 pm
Na Prática a Teoria é Outra,
Se tiver comissão na venda da revista Cult pode pedir a parte da minha compra. Já disse que não gosto de ler o que Lula escreve ou diz e penso o mesmo sobre as análises porque não as vejo fugir do lugar comum. Não parece ser esse o caso do texto de Cláudio Gonçalves Couto. É tudo que eu gostaria de ter escrito.
Discordo dele quando no final da parte que você transcreveu, ele diz:
“Nesse novo cenário, as preferências políticas podem se apresentar de forma mais clara (como o que de fato são) e talvez até sobre um espaço para que esquerda e direita voltem a se mostrar de forma nítida – mesmo sem estarem hoje tão distantes uma da outra, como já estiveram no passado”.
O que ele diz só faz sentido se ele está tomando o PSDB como um partido de direita. O PSDB não é de direita. No futuro, se as eleições continuarem a ser uma disputa entre o PT e o PSDB, o PSDB se tornará um partido de direita em que o Índio da Costa poderá se sentir bem à vontade. Agora, numa realidade em que o PT se afastou de uma esquerda radical e o PSDB é tomado como um partido de direita, faz sentido dizer que a direita e a esquerda estão mais próximas hoje.
O post fez-me recordar de minhas duas divergências com o PT: a idéia da ética na política que o PT defendia, e eu penso ser impraticável, e não ter o PT defendido o aumento da carga tributária. Salvo um artigo de Fernando Pientel na Folha de São Paulo no início da década de 90 não há nenhum texto de economista do PT que defendesse o aumento da carga tributária pelo menos até o Plano Real. No PSDB também não se achará defensor do aumento da carga tributária, salvo o Gustavo Franco.
E em relação a ética, considerar, como eu considero, a ética impraticável na arena política em um modelo democrático, ainda que a democracia seja informada pelo princípio ético fundamental da igualdade, não significa que esse processo legislativo e de execução das leis não tenha que ser regido por normas coercitivas com sanções penais de exclusão. Expressei pelo menos mais a minha resistência a possibilidade da etica ser princípio normativo na atividade política do parlamento em discussão que eu travei com JCCMeirelles junto ao post “Serra e o BNDES” de 22/07/2010 aqui no seu blog.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/07/2010
on Jul 29th, 2010 at 5:09 pm
Jotavê (#1) (29/07/2010 às 09:47 am),
Não concordo com a sua idéia que me pareceu implícita de que o PT deva ser valorizado porque há no partido quem queira que a atividade de composição de interesses conflitantes, estando os interesses sendo representado por representantes dos interessados e não pelos próprios interessados, obedeça a princípios éticos. O mais próximo da etica que o representante poderia fazer seria renunciar, mas o representante só pode renunciar aos próprios interesses.
O que não se pode é descumprir a lei onde eventualmente há preceitos éticos, mas o cumprimento da lei não pode ser tomado como um princípio ético. É um princípio ético, mas de uma ética heterônoma, mas penso que ética como tal deve ser só a autônoma.
Nesse sentido discordo de Na Prática a Teoria é Outra quando ele diz que:
“E, eventualmente, é possível que consigamos o tipo de progresso ético que funciona: o compromisso entre as forças políticas para desmontar as pressões pela corrupção”.
O compromisso é o legal que já existe e as pressões pela corrupção podem ser estancadas, mas jamais desmontadas, pelo menos em um sistema capitalista que deve ter bem pelo menos uns 50 anos pela frente. E serão estancadas pela aplicação da lei com suas sanções.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/07/2010
on Jul 29th, 2010 at 5:50 pm
Tudo isso está certo, Hugo. No entanto, eu gostaria de tentar recuperar uma parte do discurso moralista do PT, que era um discurso, como você bem mostrou, autêntico, na medida em que tinha origem principalmente no elemento católico presente no "mix" original do partido. A turma dos sindicatos já estava acostumada ao jogo barra pesada, e os intelectuais consideravam a corrupção um problema residual. O moralismo dos tucanos é reativo e meramente oportunista.
No entanto, eu tenho a impressão de que, após o mensalão, passou a prevalecer dentro do partido a outra metade. Os sindicalistas, em sua grande maioria, enfiaram o pé na jaca com mais gosto ainda, e um mínimo de escrúpulo – o estritamente necessário, digamos assim, para não ir parar na cadeia. A antiga visão dos intelectuais, de que esse era um problema residual, de menor importância, passou a ser voz corrente, só que agora associada a uma espécie de fatalismo – "política é assim mesmo".
O grande problema é que a política contemporânea É ASSIM, MESMO. É nessa base que funcionam as grandes democracias atualmente. Na base do jogo, encontramos sempre a mesma coisa – a necessidade de financiar campanhas milionárias com dinheiro captado na iniciativa privada.
Não conseguiria falar da situação em outros países. No Brasil, porém, isso NÃO É um problema residual, derivado ou secundário. O problema não tem nada a ver com ética. Isso é bobagem. De um ponto de vista ético, o discurso de um político que se associa a esse sistema em nome de um projeto nacional é PLENAMENTE SUSTENTÁVEL. Conforme formos discutindo a questão mais a fundo, espero ir demonstrando esse ponto. O problema é outro – de natureza econômica e social. Temos atualmente no país um sistema político que cria um grupo de empresas e indivíduos ocupados em vampirizar o estado. Isso gera um gigantesco desperdício de recursos escassos e cria uma casta que passa a defender seus privilégios com unhas e dentes.
O que era o mensalão? Ao que tudo indica, não tinha absolutamente nada a ver com compra de votos. Tratava-se de um sistema de redistribuição de verbas no interior da base de apoio do governo (aí incluído o próprio PT), tendo-se em vista fazer frente a gastos eleitorais passados e futuros. Deveria, é claro, estar associado a um mecanismo de pressão – ou nos apóia, ou não recebe mais nem um tostão. Mas sua lógica não nascia nem se esgotava nas votações em plenário. Era parte da lógica partidária vigente, na qual os partidos são obrigados a levantar quantias astronômicas de dinheiro para se manter no jogo democrático.
Qual era a origem do dinheiro? Basicamente, ele vinha (e continua vindo) do achaque a empresários cujas empresas dependem de decisões governamentais – fornecedores de bens e serviços para obras e também operadores do mercado financeiro, como Daniel Dantas, por exemplo. É essa a origem do dinheiro. O empresário bota um sobrepreço e é obrigado a devolver parte da grana ao mundo da política. O dinheiro entra numa ciranda, para não ser facilmente rastreável, e depois retornar aos partidos para ser eventualmente redistribuído entre eles. Provavelmente é isso que explica, por exemplo, a troca na direção dos Correios, assinada ontem pelo presidente Lula. Após o escândalo do mensalão, foi necessário colocar um pessoal de perfil mais técnico nos postos-chave. Agora, com a proximidade das eleições, o cara honesto é posto no olho da rua, e no seu lugar colocam um cupincha do Joaquim Roriz. Isso imediatamente sinaliza ao "mercado" que Joaquim Roriz não é galinha morta. Vale a pena cacifá-lo, pois ele ainda exerce grande influência nas indicações políticas. Lula sabe o que está fazendo, e não tem outra opção senão fazer isso mesmo, e pedir para um acessor dar uma desculpa esfarrapada qualquer.
Isso é normal? É óbvio que não é normal. Isso tem um custo altíssimo para o país em termos de competitividade, por exemplo. Quando o jogo político é tão pesado que até mesmo a indicação do presidente dos Correios é determinada pela necessidade de manter os custos governamentais superfaturados, o que temos é um país que gasta vinte, trinta por cento de seus esforços para sustentar quadrilhas organizadas para vampirizar o Estado. Essa é a situação.
on Jul 29th, 2010 at 5:51 pm
Espera aí. Se já tivéssemos o Parlamentarismo, o primeiro-ministro seria o Sarney ou o Severino em vez de Lula. Nunca na história desse país, um partido montou em um presidente tão popular, mesmo assim, é duvidoso que o PT e seus aliados ideológicos (ou o PSDB e seus aliados ideológicos) venham a fazer maioria no Congresso. O partido vencedor nas eleições desse ano vai ter que herdar o PMDB e os pardidos nanicos (ou o DEM) para governar. Qual é a tese de vocês? Chega de intermediários: o PMDB no Palácio do Planalto? Assim eu não brinco mais.
on Jul 29th, 2010 at 6:10 pm
Acho que você me entendeu mal, Clever. O que eu disse é algo um pouco diferente. De um ponto de vista ético, um político pode perfeitamente justificar seus atos dizendo o seguinte:
"Essas são as regras vigentes. É assim que todos agem, e é assim que todos TÊM QUE AGIR caso queiram continuar no jogo. A alternativa é chutar o balde, sentar em cima de uma esteira e ficar repetindo um mantra."
O que é que você responderia para ele? Ou, melhor – o que é que você faria no lugar dele? Fingiria que não está vendo, mas continuaria usando a estrutura partidária paga você sabe perfeitamente como? É o que faz o nobre senador Suplicy, por exemplo. Ou será que, mesmo a um custo pessoal altíssimo, você entraria de peito aberto no tiroteio e, a exemplo do que fez o bravo e honesto José Genoíno, correria todos os riscos em nome de seus companheiros e do projeto que você abraçou e, depois, quando um parente querido, que lhe fazia um favor, for apanhado com dólares na cueca, sangraria até a morte na rua da amargura, jogando no lixo uma vida dedicada à política, mas não cometendo a infâmia de abrir o bico? Se quisermos falar em ética, podemos falar, sim. Mas será preciso lembrar, antes de mais nada, o abismo que separa um José Genoíno de um Roberto Jefferson. Uma ética que não distinga pessoas tão distintas é só uma coleção de preceitos mortos, e não serve para coisa nenhuma.
on Jul 29th, 2010 at 6:18 pm
Se tivéssemos o parlamentarismo, homens como Sarney, Severino e companhia teriam que assumir a responsabilidade pelo que fazem. O PMDB é o fruto mais típico do presidencialismo que temos, no qual um partido não precisa assumir o ônus do governo para ter o bônus do domínio sobre o aparelho de estado. Como é que você acha que o PMDB cresceu, Moacir? Por que é que você acha que eles optaram por jamais concorrer à presidência? Por que é que os mesmos peemedebistas que serviam a Fernando Henrique servem hoje ao Lula e serviriam até ao Hitler se fosse o caso? De onde é que você tirou a idéia de que o presidencialismo FAZ MAL, ou representa uma espécie de ENTRAVE a um partido como o PMDB? Não lhe parece uma trivialidade dizer que o PMDB que nós todos tanto odiamos sobrevive GRAÇAS ao presidencialismo vigente, e não a despeito dele?
on Jul 29th, 2010 at 6:48 pm
DA MATTA, Roberto – Carnavais, Malandros e Heróis. Para Uma Sociologia Do Dilema Brasileiro
on Jul 29th, 2010 at 8:54 pm
Ôuquêi, digamos que o MAM seja um troll, quando reclama do cinismo. O caso é que ele traduz a decepção de uma parte importante do eleitorado do PT logo depois do escândalo do mensalão. Como já disseram com propriedade, o partido construiu sua reputação duramente, por 20 anos, para, subitamente se ver envolvido em variados escândalos. Conheço gente e não é pouca, que chorou por dias, com o mensalão. Verdade que como poderia dizer o Clever, há um forte componente de udenismo aí, e essa postura é alimentada pela grande imprensa e pelos blogs do tipo Reinaldão. É hipócrita, em muitos casos? Bastante. O que não elimina o fato de que há uma demanda por “ética na política” da forma original, não a pragmática e bem escrita visão do Jotavê.
Donde uma base social duramente conquistada, perdeu-se, por mais que isso tenha sido compensado pela entrada da parcela de menor renda no jogo político.
(continua)
on Jul 29th, 2010 at 8:56 pm
E é rancorosa, vide a chuva de e-mails desqualificando Lula e Dilma das formas mais rasas. É o encontro do “analfabeto” (sim, ele andou produzindo umas tantas pérolas, mas o que se quer é desqualificá-lo completamente, junto à “terrorista” e guerrilheira”)
E acho que o partido já reunia experiência parlamentar suficiente para identificar esse tipo de “armadilhas”, digamos assim, e não se render tão gostosamente aos imperativos da política como funciona. Ta bom, sou ingênua…:-)
Triste que se apóie a oligarquia Sarney no Maranhão, mesmo sem ter muito a medida de como são as coisas naquele estado, a não ser o que já rendeu até livrinho saboroso do Millor. O mesmo para Minas e Hélio Costa. Para não mencionar o vice de Dilma , o cacicão do PMDB dos grotões.
on Jul 29th, 2010 at 8:58 pm
(continuação)
Concordo que grande parte disso, deve-se ao financiamento das campanhas e que a questão não é exclusiva do Brasil, mas de certa forma, está longe do entendimento de boa parte da classe média. E vejam, dou aulas inclusive para concursos, onde as pessoas não tem pejo em declarar que mais do que um cargo público, procuram uma “boquinha”.
Tentando me fazer mais clara, a impressão que tenho é que simplesmente se abre mão de avançar na formação de um eleitor mais crítico, mais informado. Arriscando ser um tanto grandiloquente, melhorar os padrões não só educacionais, mas civilizatórios.
Por fim, até concordo com o JV na avaliação do Genoíno. Difícil é estender a mesma avaliação ao Dirceu, que parecia o cérebro por trás de todo o esquema denunciado pelo R. Jefferson ainda que a coisa tenha vindo de antes.
E isto, definitivamente, NÂO é ingenuidade.
on Jul 29th, 2010 at 11:02 pm
Alba,
A questão é bem simples. A campanha de um deputado federal por São Paulo custa, hoje, aproximadamente 2 milhões de reais.
Dois milhões de reais.
Ou você tem como levantar essa grana, Alba, ou está fora do páreo. É simples assim.
on Jul 29th, 2010 at 11:05 pm
Eu diria que é normal sim, mas não é bom – e não o é porque não é sustentável nem garante a vida. Gostei da sua análise do mensalão, mas a pergunta que eu jogo é: No Capitalismo é possível ser de outra forma? Estava lendo um texto interessante sobre a Rússia contemporânea – o Sean' Russia Blog – e lá, o blogueiro comentava sobre a participação de Boris Kagarlitsky, maior analista russo da atualidade, num programa de TV; as assertivas que ele chega sobre seu Estado não diferem muito das suas. Tal post está aqui caso quiser dar uma olhada e continuar a tabelinha.
on Jul 29th, 2010 at 11:07 pm
Aqui: http://seansrussiablog.org/2009/10/17/kagarlitsky...
P.S.: Por que quando se linka aqui em cima de um texto dá errado, aqui? Eu coloquei o link certinho e aparece nele o link para o próprio post (?!)
on Jul 29th, 2010 at 11:31 pm
hehehe… tem razão! não tinha pensado no DaMatta qdo escrevi o comentário, mas vc tá certo – essas idéias já tão lá no ensaio sobre o "Você sabe com quem está falando?"…
pesquisando na rede agora, descobri um outro artigo dele sobre o tema, escrito como consultoria para o BID, em 2001.
acho q vale a pena dar uma olhada: http://www.efg.org.br/curso/efg_etica_soc_bras_ro...
abs!
on Jul 30th, 2010 at 1:06 am
Eu acho perfeitamente possível que as coisas sejam melhores do que são. O sistema não funcionaria menos bem caso os empresários não tivessem que pagar propinas para sobreviver. É claro que determinadas "capitanias hereditárias" do mercado sumiriam do mapa. Mas isso não causaria dor ao sistema como um todo. Pelo contrário. Do ponto de vista da economia como um todo, seria altamente funcional.
Apostar na ruptura é escapismo, Hugo. A gente se refugia num horizonte imaginário que nivela toda e qualquer alternativa presente. Não tem nada a ver com "fim da história" e bobagens do gênero. É claro que pode haver rupturas de diversos tipos a qualquer momento. Mas a idéia de ruptura jamais irá lhe fornecer uma regulação para suas escolhas políticas. Durante a ditadura, eu tinha um amigo amalucado, comunista até a medula, que sempre votava na Arena porque achava que a vitória do partido governista iria "acirrar as contradições de classe". Esse meu amigo era maluco, mas há um certo "método" em sua loucura. A questão da política é sempre a seguinte – "o que fazer com o país nos próximos cinco anos, tendo-se em vista os próximos vinte"? Para esse tipo de questão, existem respostas racionais (controladas por um sopesamento de prós e contras). Quando seu horizonte é a substituição de um modo de produção por outro, as questões estratégicas (do tipo "que fazer?") perdem completamente a racionalidade. Qualquer coisa pode contar a favor, desde que você arme uma "fábula" conveniente a respeito do FUTURO.
O capitalismo não é certamente o último capítulo da história, Hugo. Mas a política dentro do capitalismo é necessariamente reformista. Ou é reformista, ou então não é coisa nenhuma. Isso não depende de você, nem de mim, nem de ninguém. Depende do tipo de animal que somos, e do fato de o tempo não ser um terreno baldio, no qual pudéssemos construir nossos edifícios a partir do nada.
Repito: o flerte com a ruptura é puro escapismo. Se você quiser pensar seriamente a política, terá sempre que pensar no próximo lance.
on Jul 30th, 2010 at 1:20 am
Creio que a questão é mais complexa do que colocar certas possibilidades como "aposta no escapismo" – há quem diga o inverso sobre essa mesma questão. A provocação que eu faço é, levando em consideração aquilo que é inerente ao capitalismo, é possível de outro modo? Não quero saber "o que", mas "como". Quero uma demonstração simples.
on Jul 30th, 2010 at 1:37 am
JV, não vejo como o voto distrital com financiamento público poderia melhorar isso. Mesmo que com o voto distrital esse custo caísse para 1 milhão (?) e o TRE pagasse a conta, quem levantasse 2 milhões por fora teria uma campanha de 3 milhões e quem andasse na linha estaria fora do páreo da mesma forma.
on Jul 30th, 2010 at 2:05 am
Nisso você tem toda a razão, André. Se houver a permissão de financiamento misto, a coisa não muda. O financiamento tem que ser EXCLUSIVAMENTE público. É preciso proibir doações para campanhas eleitorais.
on Jul 30th, 2010 at 2:21 am
Mas é preciso fiscalizar além de proibir e aí caímos na mesma situação de hoje. Me parece que o voto distrital com financiamento público é melhor que o sistema atual pois o torna menos dispendioso, mas não acredito que o problema da corrupção vai se resolver apenas devido a essa mudança.
on Jul 30th, 2010 at 2:28 am
Mantidas as outras variáveis constantes, esse esquema de corrupção é tremendamente disfuncional do ponto de vista do capitalismo. O esquema só é lucrativo para as empresas que fazem parte dele. Para o restante do sistema, é um inferno.
Agora, é claro que existe um certo GRUPO (muito restrito) de empresas que têm interesse em preservar as regras atuais. Do mesmo modo, a maioria dos políticos tende a lutar pela preservação do status quo, pois lucra com ele. Basta passar os olhos pelas declarações de renda dos grandes caciques da política brasileira para perceber o tamanho do enrosco. Consta que as torneiras, na casa de Jáder Barbalho, seriam todas de ouro. No entanto, esse tipo de relação entre Estado e iniciativa privada é inerente ao capitalismo. Pelo contrário. Isso é um estorvo em todos os sentidos.
Como mudar? Por iniciativa própria do Congresso, não muda nunca. É preciso uma pressão externa, da opinião pública. Essa pressão é perfeitamente possível. O tema "corrupção" tem um forte apelo junto à população. As ONGs e as entidades da sociedade civil têm que se engajar na luta. Para isso, é de suma importância superar essa oposição radical entre petistas e tucanos. É preciso unir simpatizantes dos dois partidos em torno lutas comuns, com preservação das diferenças. O movimento tem que ser suprapartidário.
on Jul 30th, 2010 at 2:36 am
A questão não é resolver definitivamente o problema. É simplesmente sair desta situação para uma outra um pouco melhor. Tem que fiscalizar? Tem. Haverá gente burlando o sistema? Provavelmente. Mas não será fácil. Com o financiamento público, você sabe desde o início com quanto dinheiro cada partido pode contar. No sistema atual, grande parte dos recursos saem do caixa 2. É dificílimo detectar irregularidades, pois você não tem a menor ideia de quanto dinheiro foi efetivamente gasto.
on Jul 30th, 2010 at 3:05 am
Acho que essa é uma das discussões mais produtivas que já vi em um post sobre política. Longa vida ao NPTO!
on Jul 30th, 2010 at 3:06 am
Quando eu cheguei em NY, o Cláudio estava de saída, havia terminado o pós-doc em Columbia. Cabra bom. Me deu (pô, ele colocou até mesóclise no artigo e eu aqui avacalhando o portuga) várias coisas, inclusive o copo no qual tomo agora minha cerveja. Valeu, Celso. Além de grande blogueiro, você é um baita cão perdigueiro da internet brasileira. Vou tentar rabiscar alguma coisa lá no meu barraco virtual e colocar o link do NPTO. Aquele abraço!
on Jul 30th, 2010 at 3:46 am
Concordo, mas do jeito que a discussão estava evoluindo (eu posso ter entendido mal) parecia que o voto distrital com financiamento público ou o parlamentarismo (eca) seriam a panacéia para o sistema político brasileiro. Não me agrada essas mudanças drásticas. Talvez a reforma pudesse começar pelas câmaras de vereadores, já que elas têm menos força para resisitir às mudanças e já elegem seus membros de modo meio que distrital.
on Jul 30th, 2010 at 4:19 am
Há muita coisa nos comentários: bons argumentos e ideias perturbadoras. Seguem meus dois centavos nem tão ingênuos de contribuição. Talvez o maior problema do udenismo seja o fato de defender o corte de cabeças junto com a hipocrsia. É reativo e não é pró-ativo. Um ponto que ninguém comentou são os mais de 20 mil cargos de confiança (União). O Executivo poderia e deveria agir preventivamente. Os CCs existem, são necessários, podem trabalhar duro (mais do que concursados muitas vezes) e indicações políticas são legítimas. Por que não abrir a lista?
Tipo: Fulano é assessor X, foi requisitado pelo ministro tal; Beltrano é secretário Y e recomendado pelo presidente do PQP. Isso compromete diretamente os nomes que os indicam, revela áreas de influência (Severino tem a Diretoria que Fura Poço… fica "feio" se ele tiver "relações" com empresas que executam a obra; logo INIBE o crime). Colocar a mesa de negociação no meio da sala de vidro é transparente e esse vidro pode ser razoavelmente blindado das pedras udenistas e interesseiras.
on Jul 30th, 2010 at 4:40 am
[...] This post was mentioned on Twitter by Raphael Neves, Walter Hupsel and James Russo, Flávio Sousa. Flávio Sousa said: RT @politikaetc: Dossiê "A Era Lula" na Revista Cult e artigo "Uma política pós-ética", de C. Couto: http://bit.ly/bN1Jc3 (via @NPTO: http://bit.ly/cJUtkn) [...]
on Jul 30th, 2010 at 8:24 am
No que dependesse de mim, câmaras municipais sumiriam do mapa.
on Jul 30th, 2010 at 11:13 am
"Por que é que você acha que eles optaram por jamais concorrer à presidência?"
Depois de 1989, você diz? Porque mesmo concorrendo com o doutor Ulysses eles foram trucidados em 1989. Do mesmo jeito, depois de Quércia e Fleury eles foram banidos de São Paulo. Ou você acha que o PMDB não quer governar São Paulo? Eles simplesmente não têm nomes para ganhar uma eleição executiva no nível federal (Temer, que foi o terceiro nome da República sob FHC, nunca teria vencido as eleições de 94 e 98), mas ganham facilmente as eleições parlamentares.
O Parlamentarismo, ao eliminar a divisão de poderes e fazer do Executivo um fantoche do Legislativo, acaba por tornar todas as nulidades locais eleitas para defender o gado de Presidente Lucrécio ou os professores primários de Pirapora do Norte em eminências pardas da Pátria. O voto distrital torna criaturas que mal poderiam ser vereadores, que só representam interesses locais mesquinhos e grupos de interesses, em potências nacionais. O Parlamentarismo seria a ruína, seria um golpe contra o direito do povo de eleger seus líderes em vez de vê-los escolhidos em smoke-filled rooms. Lula nunca teria sido primeiro-ministro.
on Jul 30th, 2010 at 11:14 am
Fora com os pelegos petistas! Fora com os tucanos fascistas! O Povo no Poder!
on Jul 30th, 2010 at 11:49 am
Caramba, Tiago, tu é um grande empata… estava eu quase lá – lendo esses textos interessantíssimos – e tu me vens tocar essa vuvuzela no pé do meu ouvido! Perdi completamente a concentração…
on Jul 30th, 2010 at 12:20 pm
Mas meu, povo => polvilho => polvo => Lula…esqueça o Timoneiro, oh náufrago da Revolução, não precisa mais nadar porque você já está na praia. Vai um mate aí?
on Jul 30th, 2010 at 12:47 pm
Não mesmo – teria sido presidente, com Serra de premier (glup!)
on Jul 30th, 2010 at 12:57 pm
Está todo mundo aqui esquecendo do fundamental para uma reforma política: conhecer o comportamento do eleitor, que quer votar num Roriz mesmo sabendo que ele será cassado pelo Ficha Limpa e que não reconheceria gênios como Nicolelis na rua, para ficar em dois exemplos bem simplistas desse tipo de pensamento.
Um eleitor desse tipo recusa a lista fechada, porque quer votar em pessoas que "resolvam os problemas dele"; ele não pensa em partidos ou em ideologias, quer atitudes, e soluções; e é extremamente paternalista, por isso falamos tanto em "o Lula" e menos "no PT", ou na organização da qual faz parte.
Da mesma forma, ele até apoiaria o voto distrital; só que, na sua forma pura, este se tornaria na prática o voto dos caciques locais, um retorno às práticas da República Velha de corrupção e apadrinhamento (e patrocinada pelo povo do distrito, que está pouco se lixando para a ética quando é beneficiado pelas políticas públicas, pequenas ou não).
Por isso, aliás, é que a lista aberta foi instituida em 34 e prosperou, como sistema que equilibra o partido e o candidato; há defeitos, como as coligações para o Legislativo, mas isso poderia ser ajustado sem que tivéssemos que fazer mudanças radicais no sistema.
Que não iriam ajudar em nada, suponho eu.
on Jul 30th, 2010 at 12:59 pm
Financiamento exclusivamente público não cola, Jotavê; a maior lição do mensalão e outros escândalos é que o povo até aceita um caixa 2, desde que não seja ele que pague a conta da campanha.
Diretamente, entenda-se; porque indiretamente se paga muito mais que isso.
on Jul 30th, 2010 at 1:01 pm
Câmaras Municipais são necessárias, o que não precisamos é de prefeitos (como era, aliás, antes de Getúlio Vargas).
on Jul 30th, 2010 at 1:16 pm
É difícil dizer se Lula não teria sido primeiro-ministro. Ele certamente não teria, como primeiro-ministro, a liberdade de movimentos que tem como presidente, nem a certeza de que tem quatro anos pela frente para fazer o que tem que ser feito (e eventualmente mais quatro). Tudo isso é verdade. Note, porém, duas coisas. (1) A liberdade de movimentos de um presidente é ilusória, pois o Congresso sempre tem em suas mãos o poder de paralisar completamente o governo, gerando uma crise que não tem saída institucional. (2) A certeza dos quatro anos também é relativa. Exatamente em função de sua capacidade de produzir impasses intratáveis, o presidencialismo acaba sendo um campo fértil para o golpismo irresponsável da oposição.
on Jul 30th, 2010 at 1:17 pm
Os dois são necessários. Em cidades pequenas poderia haver uma redução no custo do legislativo, já que em muitas delas as reuniões são feitas apenas uma ou duas vezes por semana.
on Jul 30th, 2010 at 1:20 pm
O problema não é o caixa 2, mas a ORIGEM do caixa, e o troco que você tem que dar depois. Que dá esse troco somos nós, como você bem reparou, somos todos nós, pagando em dobro por uma obra pública.
Agora, se o que você está querendo dizer é que seria difícil explicar isso à população, eu até concordo. Mas aí já não estaremos discutindo o mérito da proposta.
on Jul 30th, 2010 at 1:29 pm
"que não reconheceria gênios como Nicolelis na rua, para ficar em dois exemplos bem simplistas desse tipo de pensamento.
Um eleitor desse tipo recusa a lista fechada, porque quer votar em pessoas que 'resolvam os problemas dele'; ele não pensa em partidos ou em ideologias, quer atitudes, e soluções; e é extremamente paternalista, por isso falamos tanto em 'o Lula' e menos 'no PT', ou na organização da qual faz parte."
A velha conversa fiada dos golpistas: o Povo não sabe votar, precisa ser tutelado, precisa que escolham por ele (listas fechadas). Uma das desculpas dos senadores biônicos da Redentora era justamente que assim pessoas sem votos, mas capazes, poderiam ascender ao Poder. Deu no que deu. Essas pessoas só querem os votos dos servos, depois a massa ignara que volte ao batente enquanto "its betters" vão decidir quem irá governá-los. O povo votar em quem confia? Nem pensar. O Povo reconhecer que dentro das legendas (mesmo no partido mais disciplinado) há importantes diferenças de personalidade e ideias? O horror! O povo quer votar no Lula? Não pode, tem que votar no contínuo do PT ou no amanuense do PSDB, depois os doutores decidirão bem escondidinhos quem deve ser o líder do país. O universo virtual é bizarro, deve ser o único lugar onde há clamor pela volta das Indiretas-Já.
on Jul 30th, 2010 at 1:41 pm
Essa é a melhor das hipóteses, há cois aainda pior. Livres da necessidade de se aliar aos vencedores da eleição presidencial, os PMDBs, DEMs e nanicos iriam com toda a sede ao pote do Poder. As oligarquias dos estados mais pobres, controladoras dos mieos de comunicação e da economia locais, fariam o primeiro-ministro o tempo todo, Severino, Sarney e Renan se revezariam no cargo de primeiro-ministro.
on Jul 30th, 2010 at 1:42 pm
Já tô escutando as minhas 3 versões da Internacional de novo.
on Jul 30th, 2010 at 1:44 pm
É um quadro possível. O outro é que a divisão interna do PMDB se agravasse e aí tivéssemos algum grande realinhamento.
on Jul 30th, 2010 at 1:49 pm
Pode ter sido uma racionalização ex post facto, mas as privatizações foram justificadas pelos tucanos também sob esta ótica. E eu acho que foram uma boa coisa também por aí – embora empresas como Correios e Petrobrás devam permanecer nas mãos do Estado, por estarem funcionando bem.
on Jul 30th, 2010 at 1:56 pm
Em cidades pequenas os vereadores não deveriam receber salário e o prefeito apenas uma ajuda de custo.
Há outro problema: material humano. Simplesmente não há gestores públicos, razão pela qual (além da roubalheira) as prefeituras são sorvedouros de recursos públicos.
on Jul 30th, 2010 at 1:57 pm
Moacir,
Se entendi bem, o fps3000 não está defendendo o sistema de listas eleitorais fechadas, nem o voto distrital. Até bem pelo contrário. Está dizendo que o eleitor médio não aceitaria esse tipo de mecanismo, pois tende a votar no Fulano que promete resolver os seus problemas mais imediatos e lhe oferece uma ligação direta (por mais frágil que seja) com o poder. Percebendo que esse argumento o levaria a defender o voto distrital (por más razões, eu diria), ele oferece um OUTRO argumento contra este último mecanismo: o voto distrital significaria a entronização das oligarquias locais, que tendem a ser retrógradas e fisiológicas.
Ninguém aqui disse coisas do tipo "o povo não sabe votar, e por isso precisa ser tutelado". Menos, né?
on Jul 30th, 2010 at 2:29 pm
Ele diz que o povo ignorantão, que não reconheceria Nicolelis, não quer a lista fechada e vota em pessoas em vez de partidos . Deduz-se que, se o povão fosse esclarecido, apoiaria os golpistas, o Lula estaria ainda em um torno e passaríamos a escolher nossos líderes pela lista fechada, a versão parlamentar do Almanaque do Exército. O que estraga é esse povo ignorantão dando palpite como se o país fosse dele…
on Jul 30th, 2010 at 2:35 pm
Lula não representa o Povo, ele é um produto da farsa eleitoral tucano-petista.
on Jul 30th, 2010 at 4:23 pm
O problema do financiamento público de campanha, não resolve o lobby, ou você faz oficialmente (financiamento privado de campanha) ou por baixo dos panos.
Financiamento público de campanha não dá garantia que não haja caixa 2.
Porque eu quero saber que empresa está dando dinheiro para tal politico/partido para defender seus interesses, ser for só por baixo dos panos como saberemos?
Voto distrital, e se no jogo politico em um estado tais distritos tiverem apenas 1 candidato, o cara é eleito automaticamente ? tenho várias dúvidas sobre o voto distrital. Alguém indica algo para ler, principalmente se tiver estudos de casos.
on Jul 30th, 2010 at 4:49 pm
Em primeiro lugar, peço desculpas ao MAM por incluí-lo no grupo dos desiludidos com o PT, quando nem sei se é esta mesmo a sua posição.
Jotavê, bem sei que o custo das campanhas é alto e está na origem de toda a cadeia sinistra, que acaba por penalizar um Estado já solicitado além da conta para dar respostas a essa questão. Mas nem sempre foi assim. O nosso nobre senador Suplicy, salvo engano, elegeu-se sem precisar lançar mão desses meios Concordo com o que disse o André sobre o voto distrital permitir uma melhor escolha – se bem que nem sempre funcione em cidades pequenas (e eu sei porque vivo numa).
Para resumir mui grosseiramente, minha simpatia é pelo Chico de Oliveira, mas como percebo algumas leves mudanças para melhor, espero sempre, num estilo pollyanesco, que a sociedade se torne mais capaz de exigir e mesmo uma pollyana cansada sabe que isso demanda tempo.
on Jul 30th, 2010 at 5:02 pm
Jotavê (#18) (29/07/2010 às 06:10 pam),
É, eu lhe entendera mal no seu comentário (#1) 29/07/2010 às 09:47 am. Também você diz muita coisa em poucas linhas e a gente acaba viajando.
Achei que você valorizava a ética do PT pelo final do seu comentário quando você diz:
“(4) A diferença, no caso do PSDB/PFL, é que o moralismo ressurge como farsa. (A imagem groteca do senador Heráclito Fortes cuspindo máximas de boa conduta pela televisão dizia tudo que alguém poderia querer saber sobre aquela campanha.)”
Ficou parecendo para mim que para você no PSDB/PFL o moralismo ressurgia como farsa enquanto no PT não ressurgia como farsa.
É claro que no seu segundo comentário (#2) de 29/07/2010 às 09:48 am, comentário que diga de passagem era em continuação, você não diz nada que pudesse reforçar o que eu pensara ser o que você queria dizer.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/07/2010
on Jul 30th, 2010 at 6:51 pm
O problema não é o NÚMERO do caixa, Filipe. Pode ser caixa 1, 2 ou 57. Pouco importa. O problema é o MOTIVO que leva um empresário a doar dinheiro para campanhas eleitorais. O único axioma de que você precisa é – "Ninguém rasga dinheiro". O mensalão é só um corolário.
on Jul 30th, 2010 at 6:53 pm
Quem não entra no esquema não tem a menor condição de levar adiante um projeto nacional de poder, Alba.
on Jul 30th, 2010 at 6:55 pm
No PT não era farsa. Como bem notou alguém (acho que você mesmo), era a expressão da corrente católica do partido. Sindicalista estava acostumado a coisas bem piores, e intelectuais nunca acharam que isso fosse um problema originário – era no máximo o subproduto de fatores estruturais muito mais abrangentes.
on Jul 30th, 2010 at 7:24 pm
"(…) .Aquele que outrora figurara como o “partido da ética na política”, apresentando-se ao eleitorado como o “grilo falante” do país, viu-se enredado num escândalo para o qual a melhor explicação encontrada foi afirmar que nada mais fizera do que agir da mesma forma que todos os demais. Ora, (…) por sua reputação – demoradamente construída – de algoz moral da nação, o PT não poderia permitir-se agir como os demais. "
Excelentes os trechos destacados – não li o artigo.
É algo q venho dizendo aqui há algum tempo, qdo encontro petistas incomodados com a "cobrança da mídia", tachando-a de golpista e tal.
Quem mais prometeu nesse quesito (ética) é q deveria ser duramente cobrado (como foi).
Acho até q a cobrança afinou, pois não encontrou eco no eleitorado – ou se encontrou, como sugere o artigo, isso foi compensado pela ampliação do apoio junto aos setores mais desassistidos (os "groptões", para quem gosta de arcaísmos…).
on Jul 30th, 2010 at 8:04 pm
Jotavê lobby do capital privado nas instituições públicas, é para mim, na atualidade é inevitável, colocar claro nas regras do jogo politico, para mim é melhor que eu posso fiscalizar.
é inocência achar que o financiamento público vai afastar o empresariado ( e seus respectivos interesses) da política.
on Jul 30th, 2010 at 9:40 pm
Jotavê (#65) (30/07/2010 às 06:55 pm),
Concordo com você. E eu posso ter falado sobre a ética no PT como expressão da corrente católica em outro post, mas aqui neste post “Dossiê Cult “A Era Lula”: “Uma Política Pós-Ética”, de Cláudio Gonçalves Couto” quem primeiro falou foi o Hugo Albuquerque no comentário (#10) de 29/07/2010 às 02:47 pm.
E o tempo verbal que você usou para falar sobre a ética no PT, isto é, o passado, fez-me lembrar que, em relação ao PSDB, o endosso da ética já era falso no passado. A idéia de fundar um partido com base na ética só tinha razão se os fundadores fossem ingênuos, como eu acredito que a corrente cristã do PT era e os remanescentes ainda são. Para um partido de acadêmicos que conheciam Theodore Lowi, a idéia vinha como farsa. Falo isso desde o início da década de 90. Tenho escrito muito sobre isso. No google com os termos “theodore lowi clever fisiologismo” os três primeiros posts que aparecem são “Blog do Alon: Carville em xeque” de 17/04/2010, “The Onion dá a real” de 02/03/2010 aqui no blog de Na Prática a Teoria é Outra e “Nunca houve neste país” de 16/07/2009 no blog (Em hibernação) de Cláudio Weber Abramo.
Bom lembrar que eu passei a considerar que os acadêmicos já sabiam dessa impossibilidade da ética na política muito antes de Theodore Lowi após ler seu (Com outro pseudônimo – aproveito para consertar o termo pseudônimo que eu raramente consigo escrever corretamente e escrevi errado em outra referência no post “NPTO na Folha” de 21/07/2010 em meu comentário (#111) de 26/07/2010 às 01:00) comentário no blog de Luis Nassif sobre o artigo de Plinio Fraga na Folha de São Paulo de 14/09/2008, intitulado “A quem interessar possa” comentando sobre o livro “The Process of Government: A Study of Social Pressures” de Arthur Fisher Bentley e fazendo referência ao artigo “A Critic at Large – Conflict of Intereset” de Nicholas Lemann que saiu no The New Yorker.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/07/2010
on Jul 30th, 2010 at 9:40 pm
É claro que o financiamento público não vai acabar com o lobby da iniciativa privada. A própria idéia, porém, de que o que temos hoje no Brasil possa ser chamado de "lobby" é um equívoco. Há uma NEGOCIAÇÃO entre o empresariado e o governo. O empresário faz doações, e o político, em troca, tem que dar um retorno no futuro.
Ponha-se no lugar do empresário, Filipe. A troco de que você jogaria 300 mil reais na mão do Joaquim Roriz? Pode ser caixa 1, mesmo. Esqueça essa bobagem de caixa 2, pois isso é o que menos importa. Você dá 300 mil reais com nota, recibo, tudo direitinho, para o Joaquim Roriz. Como é que você me sugere que eu interprete a sua atitude? Você é um louco, e adora rasgar dinheiro de vez em quando? Você confundiu JOaquim Roriz com a Madre Tereza de Calcutá? Você acredita nos ideais políticos de Joaquim Roriz? Me explique, Filipe. Por que raios você foi abrir o seu cofre, tirar de lá 300 pacotinhos de mil reais cada um, enfiá-los num saco, estendê-lo ao Joaquim Roriz e dizer – "Pode levar. É tudo seu. Só me dê o recibo, pois eu não quero que pensem que ando fazendo caixa 2." Me dê uma explicação, Filipe, por esfarrapada que seja, para que eu consiga entender essa cena aparentemente sem sentido. Se os Sanatorinhos de Campos de Jordão passarem pela sua empresa pedindo uma doação (caixa 1, bem entendido…) de 300 pilas, você faz? Se o Gugu Liberato pedir que você doe 300 pilas para o Teletom, você doa? Por que então você entregou esse saco de dinheiro ao Joaquim Roriz? Me diga, pois eu não consigo entender.
Por que é que, a partir de um certo ponto, o capitalismo contemporâneo insiste em pedir ao eleitor que se finja de maluco, e não admita estar vendo algo que acontece bem debaixo do seu nariz?
on Jul 30th, 2010 at 9:53 pm
Dra (13) (29/07/2010 às 03:08 pm),
Combato muito essa idéia de generalizar a corrupção no Brasil. Aliás, a generalização é dupla. Corrupção tem um conceito mais restrito. Mas ao generalizar o conceito de corrupção, não faz sentido restringir a generalização ao Brasil. No conceito ampliado, corrupção se estende ao gênero humano e, portanto, é prática que ocorre em todo o mundo.
Critiquei muito essa generalização em post no antigo blog de Pedro Doria, intitulado “No Brasil somos todos corruptos” de 09/04/2009. Aliás um post em cima de entrevista de Bolivar Lamounier um teórico do PSDB que como todos os teóricos do PSDB vêem o brasileiro como um caso perdido salvo se o PSDB nos salvar (Outro com idéias semelhantes é o Roberto da Matta já mencionado neste post no comentário (#20) de 29/07/2010 às 06:48 pm enviado por Giovanni Gouveia fazendo referência a “Carnavais, Malandros e Heróis. Para Uma Sociologia Do Dilema Brasileiro”.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/07/2010
on Jul 30th, 2010 at 10:07 pm
"Apesar de existirem os discursos de viés mais claramente reacionário, como os que tacham de “assistencialista” qualquer política de distribuição de renda (apelidando de “bolsa-esmola” uma política enaltecida até mesmo pelos técnicos economicamente ortodoxos do Banco Mundial)…"
hummm…, sei bem:
http://www.youtube.com/watch?v=nuYUBZUxcus
"É possível que o resultado disso tudo seja um cinismo generalizado…"
possível?!
"É um projeto de longo prazo…"
sei, só para vc ter certeza…
on Jul 30th, 2010 at 10:15 pm
Clever,
Montoro e Covas, quando falavam em ética, estavam se contrapondo a algo realmente grave e bastante específico: Paulo Maluf, Luiz Antônio Fleury, José Maria Marin e Orestes Quércia. Gente da pesada, mesmo. Nunca vocalizaram esse discurso, se bem me lembro, em nível nacional. O PSDB só foi retomá-lo (ridiculamente) há pouco tempo, após o mensalão, na esteira do discurso azevedista que tanto empolgou o eleitorado demo-tucano no período pré-Arruda.
No caso do PT, o discurso misturou-se de forma subreptícia a uma crítica boboca ao capitalismo. O PT só podia ser "ético" na medida em que era o veículo de uma "ruptura" com "tudo isso que está aí". Inútil pedir maiores detalhes. Citavam Guimarães Rosa, Brecht, Fernando Pessoa e, finalmente, o Leão da Montanha: "Saída…. pela esquerda!!!" . Era constrangedor. O "silêncio dos intelectuais", desse ponto de vista, foi uma verdadeira bênção. Se você não tem nada para dizer, sabe que não tem nada para dizer e não está a fim de procurar alguma coisa que preste para dizer, o melhor é que não diga nada, mesmo.
on Jul 31st, 2010 at 1:26 am
mas vc esqueceu de novo que os programas de transferencia de renda foram criados antes do Lula? Que doido.
prova: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-200...
on Jul 31st, 2010 at 1:30 am
ah, e o trocadilho "bolsa esmola" era pra rimar com bolsa escola (trocadilho criado pelos petistas, que gostariam de terem sido os primeiros a implementar essa ideia).
vc consegue rimar bolsa familia com bolsa esMola?
on Jul 31st, 2010 at 1:44 am
Moacir, talvez, não (e talvez sim). Se as regras fossem outras, os melhores quadros que hoje tentam o executivo iriam para o parlamento. Mas talvez houvesse uma transição em que isso que você falou acontecesse.
on Jul 31st, 2010 at 1:45 am
Moacir, esse exemplo das nulidades locais se aplica mais ao voto distrital do que ao parlamentarismo. E dependeria muito de como seria a lista.
on Jul 31st, 2010 at 1:46 am
Também seria possível.
on Jul 31st, 2010 at 1:50 am
Hugo, que a origem religiosa do PT levou a um certo purismo, é óbvio – basta ver o caso da Heloísa Helena. Mas isso também teve um lado bom, não? E, aliás, dependendo da sua escola teológica favorita, você pode ter uma visão do ser humano muito mais pessimista do que o Spinoza (que eu precisava ler mais, admito)
on Jul 31st, 2010 at 1:55 am
Hugo, não acho que se deva associar a corrupção ao capitalismo nesses termos (a não ser para dizer que antes da divisão mais clara entre público e privado, talvez sequer fizesse sentido falar de corrupção). Os países capitalistas avançados têm níveis de corrupção bem menores.
on Jul 31st, 2010 at 1:56 am
Rapaz, não sei.
on Jul 31st, 2010 at 1:57 am
Eu também acho que qualquer movimento contra corrupção, bem como a reforma política, só podem dar certo se forem suprapartidários.
on Jul 31st, 2010 at 2:00 am
dra, eu não concordo com isso. É justamente porque a maioria das pessoas respeita as regras que é bom negócio para a minoria não o fazê-lo. Se todo mundo furasse o sinal de trânsito, o trânsito da cidade toda seria um grande engarrafamento; mas, como quase todo mundo respeita, é jogo você furar e avançar pelo menos a distância até o próximo sinal antes dos outros.
E, para ser honesto, não sou tão chegado assim no Da Matta, não.
on Jul 31st, 2010 at 2:01 am
Clever, vou avisar os caras da Cult pra me mandar um trocado : )
A propósito, não acho que não haja espaço para a ética na política. É mais uma questão de saber que a questão é complexa, não de simplificá-la eliminando uma das partes do poblema.
on Jul 31st, 2010 at 2:03 am
Concordo com isso.
on Jul 31st, 2010 at 2:04 am
Alba, o MAM não é petista, não. Mas você tem razão, muita gente ficou decepcionada, e, embora eu não concorde com elas, não se pode deixar de levá-las a sério.
on Jul 31st, 2010 at 2:05 am
Alba, também acho válido distinguir o Genoíno do Dirceu. Não que eu tenha provas contra o Dirceu, mas conheci muita gente, muita gente mesmo dentro do PT, inclusive gente que odeia o cara, que me garantem que o Genoíno joga muito pesado politicamente, mas nunca roubou nada.
on Jul 31st, 2010 at 2:06 am
Eu acho que todo mundo tem que ser pago, mas o número de vereadores obviamente deveria ser muito menor.
on Jul 31st, 2010 at 2:07 am
Jotavê, mas o distrital não favorece justamente o cara que promete mais para o distrito lá dele, não interessa como consiga tudo?
on Jul 31st, 2010 at 2:08 am
Valeu, HP!
on Jul 31st, 2010 at 2:08 am
Valeu, rapaz, escreve que eu linko aqui.
on Jul 31st, 2010 at 2:09 am
Fábio, não sei bem como se faria isso, mas talvez fosse uma boa idéia.
on Jul 31st, 2010 at 2:09 am
Hahahahahahahaha
on Jul 31st, 2010 at 2:10 am
Bem, talvez não o povo, mas e o polvo?
on Jul 31st, 2010 at 2:10 am
Vamos lá, todo mundo junto!
on Jul 31st, 2010 at 2:12 am
fps300, meu medo é justamente que o distrital acentue o caciquismo.
on Jul 31st, 2010 at 2:15 am
Filipe, isso é um risco, mesmo.
on Jul 31st, 2010 at 2:16 am
Jotavê, entendo seu ponto de vista, mas o projeto nacional de poder também não pode, dependendo de como você articule as forças, incluir uma diminuição progressiva da corrupção?
on Jul 31st, 2010 at 2:17 am
Pois é, Frank.
on Jul 31st, 2010 at 2:18 am
Clever, não conheço esse autor, você pode indicar um livro dele? Se for um clássico, mal aí por eu não conhecer. : )
on Jul 31st, 2010 at 2:23 am
Clever, tambem não gosto muito dessas generalizações.
on Jul 31st, 2010 at 2:23 am
Aiai, mais um. Deve ter sido o Ibope de hoje.
on Jul 31st, 2010 at 2:24 am
E você sabia que "corno troll filho de uma cadela" rima com "Bolsa Teotônio Vilella", que é como o PSDB queria chamar o Bolsa Escola para não ficar tão na cara que era copiado do PT?
on Jul 31st, 2010 at 2:39 am
Eu acho que tem que ser misto. O distrital puro seria um desastre.
O sistema que temos atualmente é distrital "de fato". O deputado gasta pelo menos metade de suas energias lutando para liberar a verba para não sei qual obra, que lhe renderá votos numa das mãos e caixinha da iniciativa privada na outra. Tem que disciplinar isso. O debate em torno das tais "emendas do orçamento" toca justamente nesse ponto.
Só 10% do parlamento (se tanto) é composta por formuladores. Se esses formuladores fossem apresentados pelos partidos em listas nacionais enxutas (com 20 ou 30 nomes no máximo), a qualidade tenderia a aumentar. Os outros 90% só votam, seja em qual sistema for, e correm atrás de recursos para os seus "currais", seja em qual sistema for. O que o sistema distrital faz é (i) dar visibilidade a essa turma, (ii) potencializar o contato do parlamentar com o eleitorado e (iii) favorecer o surgimento de uma "oposição distrital" orgânica, que estará sempre de olho nas próximas eleições.
P.S.: você ainda está em Oxford?
on Jul 31st, 2010 at 2:56 am
Claro que pode, npto. O problema é que a corrupção, dadas as atuais regras do jogo, não é um acréscimo ao sistema como um todo. É inerente a ele. Não tem jeito, cara. Se você obriga o político a sair com o chapéu na mão, batendo de porta em porta na iniciativa privada, ou ele faz acordo, ou dança. Pode ser o tipo mais honesto do mundo, pode ter as melhores intenções do universo. Não tem jeito. Ninguém rasga dinheiro – é esse o axioma de que todo o resto é só consequência. Não existe outra conversa imaginável entre os operadores do partido e os "colaboradores" a não ser esta – "me dê tanto agora, que eu retribuo de tal modo depois". É assim que funciona aqui e em qualquer lugar do mundo. O problema é que no Brasil, como você não tem uma burocracia profissionalizada suficientemente ampla e confiável, o jogo fica pesadíssimo, comprometendo até mesmo (tomemos o exemplo mais recente) a empresa de correios e telégrafos. Então, nós temos que incluir o combate à corrupção no projeto nacional, é claro. Mas é preciso retirar a corrupção da lógica interna do sistema. O eixo em torno do qual tudo gira na democracia contemporânea, na minha opinião, é esse: financiamento de campanhas. A democracia tem que repensar isso.
on Jul 31st, 2010 at 12:16 pm
kiki é isso, NPTO? Basta uma subidinha nas pesquisas e já fica mal educado desse jeito? Imagina se ganhar as eleições…
on Jul 31st, 2010 at 12:33 pm
Acho que o mais provável é que, com o tempo, essa miríade de partidos vá diminuindo até que se forme um sistema bipartidário resultante de uma fusão PT-PMDB vs PSDB+outros partidos da "direita" ou um sistema tripartidário PT vs PSDB vs PMDB.
Algo mais parecido com o sistema americano onde todo Republicano tem um pouco de Democrata e vice-versa.
Com recursos públicos pra financiar campanha e mais alguns milhõeszinhos por fora que ninguem é de ferro;
on Jul 31st, 2010 at 12:35 pm
"But I lie, lie straight to the mirror
The one I've broken to match my face"
já diria o James Hetfield
os caras estão investindo pesado na campanha pela internet hein, quem tem serra tem medo.
on Jul 31st, 2010 at 7:25 pm
Jamais disse que se o povão fosse esclarecido apoiaria golpistas;
pode ser que muita gente não concorde com isso, mas quando se personaliza o voto as pessoas não tem tendência a votar em gente que seja mais inteligente, preparada ou culta, e sim naqueles que representam suas idéias, conceitos e, porque não, preconceitos, como o de que pobre não sabe votar ou bolsa família é esmola.
É mais ou menos como medir popularidade na escola: quem tem mais amigos e é mais convidado para as festas, o nerd bem visto pelos professores ou o zoeiro do fundão?
on Jul 31st, 2010 at 7:27 pm
O meu também, NPTO.
Aliás, um comentário que li no Nassif a respeito resume bem o que é o voto distrital: "torcemos por 100 Gabeiras e vão aparecer 500 Severinos" … é, pois é …
on Jul 31st, 2010 at 7:33 pm
Bom, a Itália "evoluiu" para esse cenário, com duas grandes coligações organizadas em torno de interesses comuns; temos que pensar em como vai evoluir um sistema político com fidelidade partidária "forçada" e sem cláusula de barreira que diminuisse os partidos no tapa, já que o STF entende que é direito do PCO encher o nosso saco com a idéia de "revolução das classes operárias" e do PRTB em prometer o aerotrem.
O que não deixa de ser uma ironia: num sistema onde tanta gente pode falar ao mesmo tempo, o povo escolhe sempre o mesmo caminho, o do meio …
on Jul 31st, 2010 at 8:10 pm
[...] comentando o mesmo texto discutido no post abaixo lá no Politika Etc.: Acusar o outro de imoral, no que concordo com Gianotti, é uma arma [...]
on Jul 31st, 2010 at 9:58 pm
Grande Hetfield!
on Jul 31st, 2010 at 9:58 pm
Mas quando foi que eu fui educado? E não aguento mais essa do Bolsa Escola, isso aí não tenho mais saco para explicar, não.
on Jul 31st, 2010 at 10:32 pm
Não sei se roubou ou não roubou, para si ou para a "causa". Ele assinou os tais empréstimos que ele disse não haver, mas havia. Deixou a presidência do PT numa situação vexatória e quando o partido sofreu sua mais grave crise ética.
No meu tribunal particular, o pior foi Genoíno ter recorrido à aposentadoria parlamentar. Alegou não ter dinheiro, mas não cogitou fazer o que fazemos: trabalhar para sobreviver. O instituto da aposentadoria parlamentar foi extinto com o voto do Genoíno. Mas ele já havia sido parlamentar antes da extinção. Logo, reivindicou direito adqurido à essa mordomia que ele denunciava como udenista.
Hipocritamente, colocou cerca de 8 mil reais por mês no bolso. E teve o ato publicado rapidamente, salvo engano numa manobra do Severino.
on Aug 1st, 2010 at 12:36 am
Essa lista "já existe" na verdade. Quer dizer, hoje não deve ser um documento único, sistematizado assim ou assado, mas é claro que o Executivo tem que saber onde estão os CCs, o que fazem e quem os indicou. Até porque dizer "não sei" é passar recibo de incompetente.
Então seria o caso de colocar a lista no http://www.transparencia.gov.br, por exemplo, e deu. Se abrir essa caixa preta, possivelmente, tem alguma crise política: alianças fisiológicas, adesismo descarado a altas barganhas corruptas sofrem um revés.
O Cláudio Abramo fala disso (CCs) na Folha de hoje (31). Assinala que a maioria é servidor público, há pouca gente de fora. O cara que foi indicato "trabalha para quem o indicou", o que dever ser verdade em inúmeros casos. E, obviamente, afirma que é muito CC no Executivo.
on Aug 1st, 2010 at 12:49 am
Jotavê, eu concordo perfeitamente que essas práticas dependem de um ação suprapartidária – esse é só um dos exemplos das limitações de um sistema político que tenha partidos, mas isso é outra e longa história -, mas como iremos construir isso numa realidade onde o sistema econômico divide o trabalho da maneira como divide – logo, o tempo dos cidadãos e o acesso ao saberes necessários para que eles possam ser capazes de assimilar as informações necessárias para combater isso? Não digo que não há meios de lutar contra isso dentro desse sistema, nem deixando de fazer uso de certos instrumentais materiais que ele produz, mas dentro e desenvolvendo sua própria lógica e desenvolvimento? Podemos imaginar o Estado como o Ente capaz e necessário de designar a organização desse caos – para seguir a tradição teológica platônica -, mas será ele capaz de fazer isso? Não estaria ele na verdade imerso nisso tudo, como Kagarlitsky, na sua bela análise sobre a Rússia contemporânea nos traz?
on Aug 1st, 2010 at 1:02 am
NPTO,
Sabemos que lobo não come lobo na Antuérpia, mas como os diamantes são extraídos no Congo? Existe uma divisão internacional do trabalho e a corrupção nos países desenvolvidos é aparentemente menor, mas e quando pensamos que esse desenvolvimento se dá dentro de uma certa organização global, onde empresas de bandeira americanas e europeias fazem o diabo no terceiro mundo? Para além da corrupção como conjunto de práticas tipificadas pelos respectivos sistemas penais, não resta dúvida que a corrupção nos EUA é menor do que no Brasil, mas e se reposicionarmos isso no Plano da Ética – de condutas não necessariamente ilegais, mas cujos impactos são atentatórios à vida em grupo? Peguemos, por exemplo, o caso das agências de risco…
Sobre a segunda questão, do purismo petista e seu lado bom, creio que sim, teve…até o ponto em que ele não se esgotou – e esse esgotamento era inevitável, ainda mais quando o partido assumisse o poder. O PT não tinha meta-humanos, logo, poderia ter evitado muitos dos seus problemas se tivesse uma ética no lugar de uma meta-ética, admitindo a possibilidade de uma "corrupção" dos seus membros – isto é, colocando a questão da corrupção para além de um binarismo confortável, onde os petistas estariam do lado puro. Esse lado bom corresponde à denúncia em relação à ausência de senso republicano por parte dos políticos brasileiros tradicionais e que aquilo não era o ideal – o problema é esse, aquilo deveria ser posto como aquilo que poderia ser diferente ou era errado, mas não como o não-ideal porque o ideal é irrealizável.
P.S.: De Spinoza não deixe de ler Princípios Metafísicos, Ética e o Tratado Teológico-Político, Vale muito pena ler o que o Deleuze (http://www.webdeleuze.com/php/sommaire.html) escreve sobre ele e mesmo se pode dizer da nossa Marilena Chauí.
on Aug 1st, 2010 at 9:52 pm
Jotavê, até intendo sua preucupação, meu problema é que o Financiamento Publico de campanha na minha cabeça não resolve o problema colocado por voce.
on Aug 22nd, 2010 at 1:34 am
[...] bolar algum arranjo institucional que diminua a corrupção. Outra, como vimos em nesse texto aqui, que os partidos parariam de fazer campanha só dizendo que o outro é corrupto, e começariam a [...]