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Impressões sobre o Debate

Em primeiro lugar, acho que o papel dos debates não é muito bem estudado. Duvido que alguém já tenha achado um efeito estatístico, mas pode ser que seja um negócio difuso, lento, meio difícil de pegar. Por exemplo, se eu me lembro bem, o debate de 82 começou um boca-a-boca que ajudou o Brizola (eu tinha nove anos, é possível que esteja lembrando errado). Agora, o cara achar que vai virar muitos pontos em pesquisa por causa de debate é besteira. Em 89 o debate entre Collor e Lula foi importante porque estava muito, muito equilibrado. Nesses casos, qualquer coisa influencia, em especial se somado a milhares de outras pequenas coisas (o caso da ex do Lula, etc.)

Dito isto, acho que o debate é importante para não perder. Se você falar uma besteira muito grande, vai circular, e nessa você pode rodar. E também é importante para candidatos desconhecidos, como vimos bem nesse caso.

Vamos ao que eu achei de cada candidato:

Dilma

Escolha de roupa e maquiagem bem ousada, mas deu muito certo, achei. Parecia bem de postura, o que era importante, porque as bancadas eram muito altas, e cortavam muito o candidato; tem uma voz e uma impostação ótima, ao contrário de Serra e Marina. Corrijam-me se eu estiver errado, foi o primeiro debate eleitoral de sua vida. Pressão, pressão.

Começou péssima, gaguejou, errou a câmera para a qual tinha que olhar. Alguém aqui no live blogging teve a impressão de que ia travar, e uma hora parecia que ia, mesmo. Se tivesse freaked out e saído dando cambalhota, não me surpreenderia, a uma certa altura. Mas foi só o começo.

Dava impressão de que queria tirar nota boa, citando coisas complicadas demais para se falar em debate, “janela demográfica”, “spread bancário”, “mutirão não pode ser nossa política estruturante”, essas coisas. Foi na contramão do Serra, porque mandou mal no estilo mas enfatizou detalhes técnicos que mostram que essa dona é CDF, mesmo (no bom sentido, em que grande parte dos leitores aqui deve ser).

Por falta de experiência, deixou Serra lhe dar uma defesa que um debatedor experiente não teria levado. Na pergunta sobre indústria naval, segundo o que o pessoal andou dizendo, o que ela queria era colocar o Serra numa armadilha, porque o tucano tinha falado uma besteira aí sobre indústria naval, e a indústria naval cresceu bastante; mas o Serra mandou um “é, é, indústria naval, isso aí, mas a saúde…”, e na volta, ela fez o que ele queria e contra-argumentou sobre saúde. Poderia ter finalizado com o que tinha planejado inicialmente sobre indústria naval, mas perdeu a chance. Falta de prática, mas o tom de boa educação meio presidencial provavelmente foi bom para ela, no geral.

Mas a partir de uma pergunta da Marina que ela respondeu bem, deu uma arrancada, e ganhou a parte final do debate, respondendo bem melhor que os outros em economia, e rebatendo bem algumas acusações do Serra sobre indústria naval. Surpreendentemente, só citou Lula no final. Começou com nota 3, terminou com nota 8, média 5,5.

Eu passei o debate todo esperando ela citar o Lula, mas acho que pode ter sido melhor assim. Grande parte do público do debate devia ser de classe média pra cima, mesmo, e ela fez bem em aproveitar a oportunidade de ser her own woman, passando a imagem de competente.

Serra

Serra foi bem mais descontraído do que de costume, um progresso realmente notável, mas äs vezes parecia mais um cara que foi lá entrevistar (bem) a Dilma do que um candidato que concorre contra ela.

Fez um negócio meio esquisito, que era responder sobre saúde não importava qual fosse a pergunta. O cara perguntava “porra, filho da puta, você só sabe falar de saúde?”, e ele respondia “a saúde…”. Só não tomou uma surra na resposta de economia porque deu uma excelente tirada, dizendo, olha, o Palocci, que é o principal assessor da Dilma, vivia elogiando a política econômica do FHC. Tentou pegar a Dilma numa pergunta emocional, acusando o governo de ter sacaneado as APAEs, e insistiu muito nisso.

Serra deu uma vacilada imperdoável para um candidato experiente como ele, logo no começo. Dilma começou horrendamente, e ainda perdeu o tempo, o que sempre parece péssimo. Logo após ela perder o tempo, Serra perguntou a ela sobre o mesmo assunto, o que lhe deu a chance de terminar a resposta. Dilma agradeceu, e tinha que agradecer, mesmo.

Mas não há como não dizer, melhorou imensamente sua persona de debate. Aquele “Plínio, cê tá loco?” foi ótimo, é o tipo popular que ainda dá para o Serra fazer. Já aquele choro meio soluço no final foi bisonho. Você está concorrendo numa eleição contra Marina Silva e quer sair de cara que teve a infância sofrida? Nem o Lula se meteria a isso. Me lembrou aquele concurso de self-made men do Mnty Phyton.

Por outro lado, não me lembro de uma única participação do Serra que tenha valido a pena em termos de economia, desenvolvimento, enfim, essas coisas que devem ser os assuntos preferidos dele. E mesmo no caso da saúde, ele não puxou nenhum grande tema sobre o assunto, mesmo se você concordar inteiramente com ele no caso dos mutirões, pode ainda preferir outro candidato.

Melhorou muito na forma, mas sacrificou bastante o conteúdo. Nota 5,5 ao longo do debate, estável.

Marina

Marina foi meio boicotada, que eu me lembre, nenhum candidato perguntou pra ela, a não ser quando era obrigatório, o que fez com que quase não aparecesse.

Não foi à toa, ninguém ali queria inflar a Marina: Dilma quer fechar no primeiro turno, Serra não quer uma alternativa à Dilma crescendo na hora em que ele está caindo, e o Plínio quer justamente roubar os votos da Marina para ganhar espaço. Por outro lado, nem Dilma nem Serra podem descer o pau em uma potencial aliada em caso de segundo turno.

Começou nervosa, também, mas vinha crescendo bem, e rápido, até que resolveu mandar aquele poeminha que ficou esquisito pra cacete. A impressão que deu foi que a história do menino Dado era para ter sido contada em várias respostas, mas ela teve poucas chances de falar. Quando contou, ficou esquisito, atropelado. Deu errado, enfim.

Respondeu bem sobre meio ambiente, como esperado, e fez uma das melhores perguntas da noite, dizendo que PT e PSDB polarizaram demais, trocando de posição de maneira perfeitamente simétrica conforme fossem governo ou oposição no caso da CPMF (o que é verdade).

Mas, no geral, saiu meio apagada. De qualquer maneira, é muito mais simpática do que os outros, o que sempre é bom na TV. Era quem tinha mais a ganhar no debate, mas não ganhou, acho eu. Começou com 5, chegou a 7,5, caiu para 5 no finalzinho. Sua sobrevivência até agora na campanha é um feito notável, mas ainda não conseguiu virar uma onda.

Plínio

E o Plinio, como vocês já devem saber, deu um show. O cara virou numero 1 dos trending topics do Twitter no Brasil. Disse que o Serra só fala de saúde porque é hipocondríaco, criticou a Marina por não reconhecer que para proteger o meio ambiente é necessário reduzir os lucros das empresas (e pagar um preço econômico por isso), fez todo mundo responder se era a favor de redução de jornada e limitação da jornada de trabalho, disse para a Marina que ela não sabe pedir demissão (maior estocada do debate, que foi bastante educado), disse que Serra e Dilma discutiam quinquilharias e deixavam as questões de fundo de lado.

Teve uma presença de vídeo muito, muito, muito melhor do que os outros, até porque está nesse jogo (e em todos os outros) faz muito mais tempo. O programa dele é uma merda (como me disse um amigo uma das poucas coisas mais velhas que o Plínio são suas idéias), mas foi melhor apresentado do que o de qualquer um. Pode ter acabado com as chances da Marina ontem, porque ocupou um espaço que devia ser dela. Nota 10, realmente, nenhum erro de debate cometido em nenhum momento, apesar das propostas serem nota 0.

O legado do Plínio pode ter sido afundar a Marina de vez. Tudo que ela não precisava era um combate à esquerda a essa hora do campeonato, porque ela agora precisa ganhar pontos, não defender pontos. Vale lembrar que o Plínio é candidato do PSOL contra a Heloísa Helena, que defendia justamente o apoio à Marina Silva. Um efeito possível disso, se Plínio derrubar Marina mas não subir proporcionalmente, é justamente fechar a conta no primeiro turno.

Conversas pós-Debate com gente que eu conheço

Como era de se esperar, todo mundo acha que seu candidato ganhou, mas notei um negócio interessante: os petistas parecem ter tido uma impressão pior da Dilma que os Serristas que eu conheço, que provavelmente acreditaram na história de que ela era uma mula, e agora viram que não é. Em um certo sentido, ambos decepcionaram suas bases, porque o Serra foi pouco técnico e a Dilma pouco popular.

A turma da Marina que eu conheço ficou muito puta com o Plínio (que, naturalmente, não tem nada a ver com isso). Pode ser que eles desanimem, mas pode ser que se reenergizem e desistam de fazer campanha “ó como nós é legal”.

E os dois caras do PSOL que eu conheço estão em estado de graça.

A propósito, no próximo debate que não for em horário de trabalho, vai ter live blogging de novo. Tragam uma cerveja e participem, foi divertido.

PS: não deu para editar isso, se tiver algum erro me avisem.

PSTU (apropriadamente): os boatos sobre o Zé Maria estar escondido dentro do violoncelo da orquestra, pronto para fazer uma entrada triunfal a qualquer momento, não se confirmaram. Uma pena.

PSTUdoB: o Sergio Leo acompanhou o debate pelo Twitter, e reuniu seus twits num post, que recomendo vivamente.

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121 Comments

  1. gabs says:

    Caros,
    Vendo o debate eu me lembrei de que, quando era criança, durante os debates de 89, todo mundo reclamava que era infrutífero o debate de ataques pessoais e que os candidatos deveriam discutir propostas. Eleição após eleição, as mesmas coisas foram criticadas, as regras se enrijeceram e, finalmente, se começou a debater propostas. O resultado foi o pior possível. …

  2. Guilherme Freitas says:

    Legal, concordamos q Dilma tem uma postura, tom de voz e imagem, enfim, muito mais presidencial do que qualquer dos outros. Com treinamento intensivo (acho q nem precisa, mas enfim), sabendo sorrir nos momentos certos (tem um sorriso muito bonito, eu acho rs), poderia dar um show. Talvez no último debate, o da globo, ela consiga.
    Ah, e achei as câmeras da Dilma e da Marina mal posicionadas, elas ficavam de lado! Até isso favoreceu o Plínio, ele realmente bailou à vontade… e o Serra, tentando ser informal, pareceu visivelmente forçado. O choro então, nem se fale, dá pra ver o nível do desespero.

  3. relances says:

    Não vi o debate, mas duvido que tenha prestado para alguma coisa para qualquer um dos candidatos.

  4. Tiago says:

    Para mim, quem ganhou foi Ivan Pinheiro, que não participou dessa farsa canastrona.

  5. Moacir says:

    Eu acho que acabou, Dilma venceu. Se ela resistir à grande tentação que qualquer candidato sente de esganar Plínio de Arruda Sampaio ao vivo na rede Globo durante a novela das oito para o Brasil todo ver, ela ganha. O jeito para a seleção e para os tucanos é pensar em 2014.
    "Everybody knows that the war is over
    Everybody knows the good guys lost "

  6. Gaius Baltar says:

    Cara,
    Tentei assistir ao debate, mas não deu. Foi uma das coisas mais chatas que eu já vi na minha vida. O Plínio deu alguma vida para aquele velório. Deu saldades dos velhos debates, com Covas, Maluf, Lula, Brizola. Nota dez para o coluna de hoje do Fernando de Barros e Silva.

  7. […] This post was mentioned on Twitter by Idelber Avelar, desobediente, Gilson Moura JR, thegardener, Vera Pereira and others. Vera Pereira said: RT @iavelar: "O legado do Plínio pode ter sido afundar a Marina de vez". @NPTO fala do debate em seu ótimo blog: http://bit.ly/cBcXL7 […]

  8. J_P_Rodrigues says:

    Impressão geral extra-eleitoral mais importante para mim: ausência da direita. Foi o primeiro debate – que eu vi – na que não está presente um representante da direita brasileira histórica, de algum tipo de conservadorismo pátrio. Isso vem ao encontro de um comentário seu, Celso, sobre quadros. Pode ser que os 4 sejam uma joça em termos de técnica e gestão, mas é de se notar esse fato histórico que trata-se da primeira eleição exclusivamente com quadros políticos oriundos da esquerda brasileira (2002 não vale, por causa do Garotinho). Isso deve ser o sintoma de alguma coisa, só não sei bem o quê.

    Dito isso, ao debate: ruim de dar sono, não vai ter impacto nenhum. Sequer o acontecimento que vai rolar de boca em boca, a teatralizade do Plínio e suas tiradas contra Serra e Marina, é importante. Bom, ele com isso deve dobrar o número de votos, saindo de 47 para 94… Minha esperança é que a Band reveja seu formato, porque fazer um evento desta magnitude num auditório tipo centro de convenções de 2a, com bancadas como se os candidatos fossem competidores do programa Sílvio Santos e o Boechat de braços cruzados, cabeixa abaixada (e careca à mostra!) e perguntadores com caras de ânus com cãibra… não dá.

    Dilma esteve péssima. Não sejamos condescendentes: a pior performance que já se viu. Errou câmera, errou na dicção, olhar fixo e sem nenhuma vibração, gestual limitado, roupa horrível – o que eram aqueles fiapos na gola dela? custava um tailleur básico, mas elegante?). Ela extrapolou o tempo e deixou a bola quicar na sua frente uma dezena de vezes. Quando o Plínio falou em aumento pequeno da desigualdade, até eu pulei da cadeira: vai lá, ironiza o cara da esquerda que acha que 40 milhões de pessoas melhorando bastante de vida não é nada! Vai, vai, va…. Ela não deu uma tirada, não fez uma piada, sorrisos tímidos. Leu texto! Abusou de termos que passam batido pelo eleitorado médio… eu incluso…
    Sua atuação foi assaz irritante, mesmo para alguém como eu que não pensa em votar nela. Que sirva de lição para o debate da Globo.

    O Serra foi o de sempre, com uma simpatia um pouco acima da média (algumas vezes mostrou-se desajeitado), mas com um final lamentável, fruto, acho, de que ele está vendo o final de sua trajetória política.

    Marina apagada.

    Plínio entrou para a história dos debates presidenciais. "Serra hipocondríaco" e "Você, camponês, que me ouve" – são antológicas e lembraram, afinal, o que é um debate televisivo.

  9. Caio says:

    A pergunta que ninguém fez: quem é melhor, Kirk ou Picard?

  10. André says:

    Comentário aberto ao Serra:
    Criatura, eu não sou a favor de um mesmo partido ficar 16 anos no poder, mas não voto em ecologista religioso e em maluco. Estou procurando uma alternativa à Dilma, faça uma carta aos brasileiros prometendo não acabar com o Bolsa Família (também não precisa falar que vai dobrar) nem deixar de aumentar o salário mínimo, junte tudo que você fez no Governo de São Paulo e me mostre, baralho. Você tem pouco tempo para conquistar o meu voto.

  11. Alba says:

    Justo, André!

  12. Marilda says:

    Não assisti ao debate. Cheguei cansada das aulas da noite, não estava disposta a me irritar, pois tinha certeza que acabaria irritada. A maioria dos comentários de amigos que assistiram foi na direção do que aqui foi exposto pelo JR.
    Mas, atrevo-me a listar algumas perguntas: tem influência esse tipo de debate na definição do voto? 3% de audiência. Quem assiste? Por que uma audiência tão baixa? A maioria não assiste porque acha mesmo uma chatice e não vai perder tempo? Ou há um desinteresse pela política, como vem sendo discutindo por muitos autores? Estamos vivendo um processo de despolitização? (O Prof. Adauto Novaes organizou há algum tempo seminário cujo tema foi exatamente esse). Há autores que vêm discutindo o que vem sendo chamado de “processo de desaparecimento da política na sociedade do espetáculo”.
    3% é muito pouco, mesmo levando-se em conta o horário (o óbvio: trabalhadores levantam cedo, não têm como ir dormir de madrugada), a conclusão é que a maioria tinha outras prioridades para o horário.

  13. Marilda says:

    Fui dar uma olhada no blog A Torre de Martim,. Lendo posts anteriores encontrei essa observação do Arranhaponte, que , a meu ver, resume o que estamos presenciando em termos da campanha eleitoral:

    "29 de março de 2010
    Da série* “duasinhas básicas”
    Vai ser uma eleição curiosa. Temos um candidato de oposição que não faz oposição ao governo atual. E uma candidata governista que faz oposição ao governo anterior.”
    Arranhaponte , desculpe aí se vc achar impertinente roubar para esse espaço sua definição. (lógico, estou supondo que vc visita este espaço, e vai encontrar o pedido de desculpas, mas é que achei que vc foi brilhante no resumo da opera). Você eu não sei se chega aqui, mas o Marcos Matamoros, visita, já deixou comentário).
    Abraços
    Marilda

  14. Eraldo says:

    Celso, acho que o debate foi "morno"… Deu frio só na barriga… Acho que a Dilma
    estava "medrosa". Eu teria respostas na ponta da língua. Acho que nem prá criancinha de colo serve cantar: cerra…cerra… cerrador… cerra o papo do …..
    Serra!

  15. Eraldo says:

    E o "cerra..cerra..cerrador"…. escrevo com "C" mesmo!

  16. JOAO MELO says:

    Debate superficial e sem tesão. Todos falando de coisas amenas, quando sabemos que a situação econômica e política mereceria ter sido DISCUTIDA. Nota 3 para o debate.
    João Melo, direto da floresta amazônica.

  17. @fps3000 says:

    Serra ganhou o debate pela sua larga experiência nesse tipo de jogo político, porque Dilma é totalmente crua nesse jogo e Marina e Plínio são cartas fora do baralho – e isso a gente já percebeu.

    Porém, e isso é o mais relevante, a própria insistência de que se façam discussões absolutamente sérias, sobre propostas e realizações, vai tornando as eleições tão chatas e maçantes que em breve não será necessário nem ter Horário Político – basta receber em casa o currículum dos candidatos, numa lista telefônica, comparar e votar no orelhão mais próximo; o que pode ser até o sonho dos mais conservadores, mas é também o primeiro passo para uma ditadura tecnocrática de fato.

    Sorte nossa que ainda temos Tiririca … "deputado, deputado, deputado federal" (cante com o ritmo de Florentina de Jesus e sorria …).

  18. Japajato says:

    Assisti o vt do debate e a impressão que tive foi um clássico primeiro round no boxe. Os três primeiros estavam testando o terreno, vendo quais cartas os outros iam jogar, enquanto o Plínio dava uma de Don King.

    Quer dizer, acho que eles vão engatar uma quinta no próximo debate, mas sei lá também.

  19. Logan says:

    É por isso que eu vou votar em Enéas!

  20. Celso, concordo, em linhas gerais, com a tua análise, exceto quanto ao papel do Plínio. Vou repetir o que já disse no twitter e nos comentários a esse post no Google Reader: não acho que Plínio e Marina disputem o mesmo espaço. Pelo estilo performático do Plínio (que beirou ao péssimo-gosto ao fazer piada com a vida pessoal do Serra), ele ocupa o papel que antes cabia ao Enéas, o do maluco. É isso que explica a fama que ele ganhou nos TTs: é só dar uma olhada na maioria dos tweets que isso fica claro. Plínio virou um meme. É pura forma e duvido que essa forma – do estilo "você camponês que tá me assistindo" – ganhe votos. O que pode acontecer – e nisso você tá certo – é a Marina perder votos por não ocupar o espaço da terceira via, Plínio não capitalizar, pode resolver a eleição no primeiro turno. Não por habilidade do Plínio, mas por incapacidade da Marina.

    Agora, na boa, o que não dá pra aguentar é ouvir que Plínio mantém a sua coerência ideológica (ou, mais em geral: que o PSOL é fiel aos princípios que o PT abandonou). Isso é puro bullshit. Onde já se viu um SOCIALISTA fazendo propaganda (ao mesmo tempo que faz campanha política) pra uma empresa capitalista que monopoliza uma plataforma? O vídeo do Plínio fazendo propaganda pro Twitter – http://www.gamalivre.com.br/2010/08/twittemos-diz… – como o espaço onde o debate político acontece ao vivo é um sintoma da tão propagada "coerência" psolista…

  21. Marola1 says:

    Achei a fórmula usada no debate muito ruim, a cara da cara de peido do Boechat. 1 ou 2 minutos para resposta não dá para ninguém dizer algo de significativo e deixa os perguntados pouco à vontade. Um absurdo a existência de intervalos comerciais em transmissões envolvendo assunto tão importante. Os Saad não vão ficar menos ricos por abdicarem do lucro nessas ocasiões. Joelmir Betting, resvalando para trocadilhos infames e uso excessivo de metáforas de gosto duvidoso como de hábito, fez 2 perguntas que considero importantes, a primeira sobre a elevada carga tributária (levantando a bola para o Serra, já que o tema faz parte do repertório de sua campanha). Tendenciosa ou não, achei válida a sua formulação, pois permitiu de certa forma, tornar conhecida aos telespectadores algo da posição de Dilma a respeito. A outra pergunta que me chamou a atenção foi a que fez à Marina questionando a ênfase dada pelos formuladores de sua plataforma à questão do desmatamento, em detrimento da que se refere ao saneamento básico (questão cuja solução se afigura muito mais premente, a meu ver). O que gostei na pergunta é que a mesma encerra uma crítica à notória preferência que o PV dá a temas que rendem mais exposição na mídia aqui e acolá, ecologia pra inglês ver, se é que me entendem. Desnecessário dizer que a santinha respondeu na linha da habitual retórica utópica-xaroposa que costuma usar a respeito de qualquer assunto (essa mulher realmente me dá nos nervos :-)).

    Dilma – nervosa e pouco à vontade no início, melhorou um pouco no decorrer do debate, de certa forma fez jus ao apodo de poste com que a oposição lhe agraciou, lhe daria um 5.

    Serra – mais escolado, se saiu melhor que Dilma, contudo condescendeu demais no uso de pegadinhas (Apaes, mutirões etc…), preparado para debate mas sem ter muito a dizer, lhe dou um 6.

    Marina – o terror dos diabéticos, nada do seja considerado PC e possa servir para robustecer suas credenciais de queridinha dos "enojados de tudo isso que está aí" lhe escapa. Acho ela o maior engodo da atual campanha presidencial, 4 é muito.

    Plínio – como disse alguém, tentar levantar a massa de camponeses rumo à revolução confortávelmente instalado em um apartamento de 1 milhão de reais é mole. Ficar posando o tempo todo de underdog também. Sua atuação valeu pelas estocadas (algumas justas, outras não) que deu nos demais, especialmente na santinha. 6 tá de bom tamanho.

  22. NPTO says:

    Pois é.

  23. Alba says:

    Isso foi ótimo, apesar da maldadezinha com o Plínio. Mas nada como o róta punto pra combinar com Star trek.. :-)

  24. marcos says:

    Tá certo, o seu problema são os outros, ou os seus amigos!

    5,5 pros dois? Nossa! Sua c/c deve ter crescido um tanto com essa…

    Mas numa coisa vc acertou e eu tb. O cinismo generalisado de vento em popa se transforma em hipocrisia no seu blog…

    MAM

  25. Caio says:

    Ha, ha, ha…

  26. Januário says:

    Em vez de os "proletários não têm Pátria" (MARX, Karl e ENGELS, Friedrich, Manifesto do Partido Comunista ), os proletários não têm planeta.

  27. Dawran says:

    No caso, prestei atenção na senadora Marina Silva e a achei um pouco verde ainda. Se ficar muito verde, encrua e nem estufa resolve. Se amadurecer demais, passa do tempo e cai da árvore. Para frutificar de novo, demora. Deve ser por isso que Plínio falou olhando direto para os camponeses naquela hora da noite. E a Dilma esqueceu o Power Point e só descobriu as câmeras no fim. Bom que quem assistiu não dormiu. Serra deve ter achado tudo um grande trololó, ficou na boa e saiu bem.

  28. Zamba says:

    Se formos considerar as propostas dos candidatos é melhor entrar no site de cada um e ler. O tempo do debate é muito curto, as idéias lançadas em termos gerais, e o incentivo a apelar para a emoção é muito alto. No fundo o debate é um teste para sofistas. Discordo completamente da sua avaliação sobre a Dilma. Achei que ela foi muito insegura o tempo todo, gaguejou muito e o olhar era desviado constantemente. Em alguns momentos demorava demais para iniciar a resposta. Quanto às palavras complexas, bem… deve ter um efeito positivo sobre o público em geral, mas pra mim pareceu mais frase decorada por um líder estudantil do que demonstração de intelectualidade.

    Agora, quanto às possibilidades de vitória da Dilma, é claro que são imensas. Se eu fosse ela repetiria a cada 3 segundos "sou a candidata do Lula". No mais, o governo cuida da compra dos votos. Papai, funcionário público federal, acaba de receber um generoso aumento. Os gastos do governo continuam em trajetória ascendente, e os serviços públicos continuam tão ruins como sempre. O Estado de bem-estar brasileiro realmente existe, para os funcionários públicos…

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